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Jealous

Entre Acordes e Passados

O ar da Califórnia parecia vibrar com a energia da turnê *Everyone's a Star*. Para Nina, estar ali era como revisitar uma vida anterior, um tempo onde gravadores e blocos de notas eram suas únicas ferramentas de trabalho, muito antes de ela mesma assumir o microfone e incendiar palcos com seu metal visceral. Ao seu lado, Noah Sebastian era uma presença imponente. Com seus 1,92m, os ombros largos cobertos por uma jaqueta de couro preta e o olhar reservado sob a franja que emoldurava seu rosto de traços nipo-americanos, ele atraía olhares sem sequer se esforçar.

Desde o ensaio fotográfico e o beijo que mudou tudo, a tensão entre eles havia se transformado em algo denso e possessivo. Noah não escondia mais o que sentia. Ele caminhava com a mão espalmada na base das costas de Nina, um gesto protetor que marcava território.

— Você está ansiosa — comentou Noah, a voz baixa e rouca perto do ouvido dela enquanto atravessavam a área VIP do local. — Seus dedos não param quietos.

Nina sorriu, ajeitando a alça de sua blusa que revelava parte das tatuagens em seus braços pequenos.

— São anos de amizade, Noah. Os meninos da 5SOS são como família para mim. E a Crystal... eu senti tanta falta dela.

O restante do Bad Omens — Jolly, Nick e Matty — vinha logo atrás, rindo e comentando sobre a produção do show. Eles estavam animados para um dia de folga como espectadores, mas Noah parecia mais focado na mulher de 1,55m ao seu lado do que em qualquer outra coisa.

Assim que entraram no camarim principal, o caos alegre se instalou.

— Nina! — O grito veio de Michael Clifford, que largou um controle de videogame para correr e abraçá-la.

— Mikey! — Ela riu, sendo esmagada pelo guitarrista.

Logo, Luke Hemmings e Ashton Irwin se aproximaram, distribuindo cumprimentos calorosos. Noah observava tudo com uma polidez distante, o corpo tenso. Ele conhecia a fama da banda, é claro, mas ver Nina tão íntima daqueles homens despertava um instinto que ele ainda estava aprendendo a controlar.

— Cadê o Calum? — Nina perguntou, olhando ao redor.

— Retocando o topete, provavelmente — brincou Ashton, mas antes que ele terminasse a frase, a porta dos fundos se abriu.

Calum Hood entrou no recinto com um sorriso radiante. Ao ver Nina, seus olhos brilharam de uma forma que Noah detectou instantaneamente como "perigo".

— Ni! Você veio mesmo! — Calum não apenas a abraçou; ele a envolveu pela cintura e a ergueu do chão, girando-a no ar enquanto ela soltava uma gargalhada cristalina.

Noah travou o maxilar. O movimento foi tão fluido, tão familiar, que o estômago do vocalista do Bad Omens deu um nó. Ele deu um passo à frente, a altura superior fazendo com que ele parecesse uma sombra projetada sobre o reencontro.

Quando Calum finalmente a colocou no chão, Nina, ainda ofegante e feliz, puxou Noah pelo braço.

— Cal, esse é o Noah. Noah Sebastian. Meu... namorado — ela disse, a palavra "namorado" saindo com uma doçura que deveria ter acalmado Noah, mas o efeito foi o oposto quando Calum estendeu a mão.

— Noah, prazer. Já ouvi falar muito de você — Calum disse, medindo o outro homem de cima a baixo com um sorriso ladino. — Puxa, Ni... você ainda gosta de caras de banda, hein? Algumas coisas nunca mudam.

O comentário pairou no ar como fumaça. Noah apertou a mão de Calum com uma força ligeiramente acima do necessário.

— Algumas coisas valem a pena manter — Noah respondeu, o tom de voz descendo uma oitava, carregado de uma autoridade silenciosa.

Nina sentiu a eletricidade entre os dois e tentou dissipá-la, mas foi interrompida por dois furacões de perfume caro e risadas. Crystal e Sierra surgiram de um canto, e a primeira praticamente se jogou sobre Nina.

— Amiga! Finalmente! — Crystal Clifford abraçou Nina com força e depois se afastou para analisar Noah. Ela deu uma piscadela cúmplice para a brasileira. — Então esse é o cara de quem você anda comentando nas nossas chamadas de vídeo? Uau, Nina... mandou bem. Muito bem.

Noah sentiu as orelhas esquentarem, a timidez lutando contra o ego inflado pelo elogio.

Enquanto as meninas se afastavam para fofocar, o clima entre os homens tomou um rumo peculiar. Era uma disputa silenciosa, tipicamente masculina e absolutamente infantil.

Calum pegou uma garrafa de água e, ao passar por Noah, fez questão de comentar sobre o ensaio fotográfico que Nina havia postado recentemente — as fotos que haviam sido o estopim para o relacionamento deles.

— Aquelas fotos da coleção de lingerie ficaram incríveis, Nina — disse Calum, alto o suficiente para Noah ouvir. — Me lembrou muito daquela época em que você ainda morava aqui e a gente passava horas no seu quarto... você sempre teve um olho ótimo para o que te valoriza.

Noah sentiu o sangue ferver. Ele sabia que Nina tinha um ex-namorado importante, alguém com quem ela tinha terminado amigavelmente para seguir a carreira, alguém que ela ainda via casualmente até pouco tempo atrás. Mas ela nunca tinha dito o nome. *Calum Hood era o ex.*

A partir daí, a noite virou uma sucessão de pequenas competições. Quando foram para a área de jogos do lounge, Noah e Calum acabaram em uma mesa de pebolim. O jogo, que deveria ser casual, parecia uma final de campeonato mundial.

— Você é bom com as mãos, Sebastian — provocou Calum, girando as barras de metal com agilidade. — Mas eu tenho anos de prática com a Nina. Em tudo.

Noah marcou um gol com tanta força que a bolinha de plástico quase saltou da mesa.

— A prática leva à perfeição, Hood. E, pelo que eu vejo, ela preferiu a nova gestão.

Nina observava de longe, encostada no bar com Sierra.

— Eles vão se matar? — perguntou Sierra, divertida.

— Não — suspirou Nina, embora estivesse secretamente achando adorável ver o possessivo Noah Sebastian tão desestabilizado. — Eles estão apenas sendo homens.

A disputa continuou até o momento do show. Noah assistiu à performance da lateral do palco, os braços cruzados sobre o peito tatuado. Ele tinha que admitir: Calum era um músico talentoso. Mas cada vez que o baixista interagia com o público ou fazia um movimento mais ousado, Noah se lembrava da história deles. O saudosismo que Nina mencionara... estava ali, na forma como Calum olhava para o setor onde ela estava.

Após o show, o grupo se reuniu novamente para um *after-party* privativo. A adrenalina do palco havia baixado, e o álcool começava a suavizar as arestas. Noah viu Calum sentado em um sofá, parecendo subitamente exausto e humano, longe da persona de "astro do rock provocador".

Noah olhou para Nina, que conversava animadamente com Luke e Jolly sobre técnicas vocais. Ela parecia tão radiante, tão em casa. Ele percebeu, naquele momento, que o ciúme era infundado. Calum fazia parte do passado que a transformou na mulher que ele amava agora. Se Calum não tivesse existido, talvez Nina não fosse a pessoa forte e decidida que o desafiou naquele estúdio fotográfico.

Com um suspiro, Noah pegou duas cervejas e caminhou até Calum. Ele se sentou ao lado do ex de sua namorada, estendendo uma das garrafas.

Calum olhou para a cerveja e depois para Noah, surpreso.

— Foi um bom show, Hood — disse Noah, a voz sincera, desprovida da agressividade de antes. — Você é um baixista do caralho.

Calum aceitou a bebida, dando um gole longo antes de responder.

— Valeu, cara. E desculpa pelas provocações. É que... a Nina é especial. É difícil ver alguém ocupando um lugar que a gente achou que seria nosso para sempre.

Noah assentiu, olhando para as próprias mãos tatuadas.

— Eu entendo. Eu teria o mesmo problema se estivesse no seu lugar. Mas eu não pretendo sair desse lugar tão cedo.

Calum riu, uma risada leve que finalmente quebrou o gelo.

— Eu percebi. O jeito que você olha para ela... eu nunca consegui fazer ela olhar para mim com aquele tipo de intensidade. Tem algo entre vocês que é diferente. Mais sombrio, talvez? Mais real.

— É Bad Omens, afinal — brincou Noah, arrancando um sorriso sincero de Calum.

— Escuta — Calum hesitou por um segundo. — Ela me contou que você é louco por cultura geek. Se quiser, depois eu te passo o contato de um cara que consegue edições raras de mangás no Japão. Eu sei que você tem ascendência de lá, talvez curta.

Noah arqueou as sobrancelhas, genuinamente interessado.

— Você está tentando me comprar com mangás, Hood?

— Talvez. Ou talvez eu só queira garantir que o cara que está com a minha melhor amiga não seja um completo idiota.

Os dois brindaram com as garrafas de vidro. Nina, observando a cena do outro lado da sala, sentiu um calor no peito. Ela caminhou até eles, deslizando entre os dois no sofá pequeno.

— Vejo que os meninos decidiram brincar gentilmente — disse ela, beijando a bochecha de Noah e dando um tapinha no ombro de Calum.

— Estamos apenas discutindo negócios, Ni — mentiu Noah, passando o braço pelo pescoço dela e puxando-a para perto, mas desta vez sem a tensão da posse, apenas com o conforto do pertencimento.

— É — concordou Calum. — E eu estava dizendo para ele que, se ele te magoar, eu tenho quatro amigos e uma equipe de turnê inteira que sabem onde ele mora.

Noah sorriu, um sorriso raro e aberto que iluminou seu rosto.

— Ele não vai precisar se preocupar com isso — afirmou Noah, olhando nos olhos de Nina. — Eu não vou a lugar nenhum.

A noite terminou com o Bad Omens e o 5 Seconds of Summer misturados em conversas sobre música, turnês e a vida na estrada. Nick e Ashton discutiam ritmos de bateria, enquanto Michael tentava convencer Jolly a entrar em um clã de jogos online.

Quando Noah e Nina finalmente entraram no carro para voltar para o hotel, o silêncio era confortável.

— Você se saiu bem — disse Nina, encostando a cabeça no ombro dele. — Achei que você ia quebrar a mesa de pebolim.

Noah soltou uma risada curta, beijando o topo da cabeça ruiva dela.

— Ele é um cara legal, Nina. Eu só... eu precisava ter certeza de que o que vocês tiveram ficou onde deveria ficar.

— E ficou — ela murmurou, fechando os olhos. — O que eu tenho com você, Noah... ninguém nunca chegou perto. Nem o Calum, nem ninguém.

Noah apertou a mão dela, sentindo-se finalmente em paz. A barreira da amizade tinha caído, o passado tinha sido enfrentado e o futuro, embora incerto como a vida de um músico, parecia a coisa mais brilhante que ele já tinha visto. Na semana seguinte, seria a vez dele estar na plateia, assistindo Nina dominar o palco em seu próprio show, e ele mal podia esperar para mostrar ao mundo — e a ela — o quanto ele tinha orgulho de ser o homem ao seu lado.

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