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Jealous

O Dragão e a Cobra

O caos dos bastidores de um festival de metal era algo que Nina Moretti conhecia como a palma de sua mão, mas nada a preparava para a visão que teve ao empurrar a porta pesada do camarim improvisado. Após três semanas separada de Noah pela turnê europeia, a vocalista da *Viper’s Tongue* esperava uma recepção calorosa, talvez um abraço que a tirasse do chão. O que encontrou foi um sofá apertado, um cheiro de energético e uma loira bronzeada, de saltos lilás, praticamente enfiando um iPhone na cara do seu namorado.

— Ai, meu Deus, Noah, sério! Mostra de novo! — a garota exclamou, a voz estridente cortando o ar. — O Itachi é o meu personagem favorito de Naruto. Eu não acredito que você tem ele na coxa!

Noah Sebastian, o gigante de 1,92m que geralmente intimidava multidões com seus guturais, parecia curiosamente acuado. Ele estava vestindo um moletom largo da banda, meias brancas e chinelos slider — o auge do conforto pré-show. Ele puxou a barra da bermuda preta para cima, revelando a tatuagem detalhada do Uchiha, enquanto a menina gravava tudo, rindo. Quando ela apontou a câmera para o rosto dele, Noah cobriu os olhos com a mão, aquele sorriso tímido e meio sem jeito que Nina adorava, mas que, naquele momento, a fez ver vermelho.

Nina não era de fazer cena, mas era uma mulher de presença. E ela sabia exatamente o que tinha no arsenal.

Ela usava um vestido preto tão curto que beirava o perigo, com um decote frontal que desafiava a gravidade e tiras finas que se cruzavam em um "X" nas suas costas totalmente nuas. A peça deixava em evidência o enorme dragão japonês que serpenteava sua espinha, uma obra de arte em tinta preta e vermelha. Calçando saltos plataforma que a faziam subir dos seus 1,55m para algo um pouco mais próximo do campo de visão de Noah, ela caminhou com confiança.

Ela não foi até Noah primeiro. Ela contornou o sofá, passando propositalmente rente ao rosto dele.

— Oi, pessoal! Sentiram saudade? — Nina disse, debruçando-se sobre o braço do sofá para abraçar Jolly e Nick, que estavam sentados ao lado.

Ao se inclinar, seu quadril ficou a milímetros do nariz de Noah. O perfume de baunilha e sândalo dela invadiu o espaço dele como uma bomba. Noah travou instantaneamente. Ele olhou para cima, os olhos castanhos arregalados, encontrando a visão das costas nuas de Nina e a curva acentuada de sua cintura. Ele tentou engolir em seco, mas a garganta parecia ter fechado.

— Nina? — Noah murmurou, a voz falhando um oitava.

— Oh, olá, querido — ela disse, virando-se com um sorriso angelical que não chegava aos olhos. Ela olhou para a loira de lilás e depois para o espaço inexistente no sofá. — Nossa, está um pouco apertado aqui, não é?

Sem esperar resposta, Nina simplesmente girou e sentou-se. Não no sofá, mas diretamente sobre a coxa direita de Noah — exatamente em cima do Itachi.

— Ei! Ele estava me mostrando a tatuagem! — a garota reclamou, fazendo um biquinho indignado.

Nina cruzou as pernas, deixando o corte do vestido subir ainda mais, revelando sua própria tatuagem na coxa: uma cobra entrelaçada em flores, a pele alva contrastando com a tinta escura. Ela olhou para a menina com uma sobrancelha erguida.

— Não, ele não estava — Nina respondeu com uma doçura letal. — Ele estava apenas sendo educado. Mas se você quer tanto ver uma tatuagem... — Ela deu um tapinha na própria coxa grossa. — Quer ver a minha? Ela já está toda à mostra mesmo. Ou prefere o dragão nas costas?

A garota piscou, intimidada pela aura de "rainha do metal" que Nina emanava, e murmurou algo sobre ir buscar uma água, saindo apressada.

Noah, por outro lado, parecia estar tendo um colapso sensorial. As mãos dele subiram automaticamente para a cintura de Nina, mas ele as manteve ali, trêmulas. Ele sentia o calor da pele dela através do tecido fino do vestido, e a pressão do corpo dela em sua coxa estava causando uma reação química muito específica e muito inoportuna para alguém que teria que subir ao palco em quinze minutos.

— Você... você veio — Noah gaguejou, tentando não olhar para baixo, onde a bermuda de moletom começava a ficar perigosamente justa.

— Surpresa, amor — Nina ronronou, virando-se para dar um selinho rápido nele, antes de se levantar. — Agora vá se trocar. Você tem um show para fazer e eu tenho um lugar vip para ocupar.

Noah se levantou como se estivesse em transe, caminhando de um jeito meio rígido, tentando esconder o "entusiasmo" por baixo da bermuda enquanto os outros membros da banda caíam na gargalhada.

Quinze minutos depois, o Bad Omens dominava o palco. O festival estava lotado, mas para Noah, só existia uma pessoa na lateral do palco. Nina estava lá, encostada na grade, segurando um copo plástico, observando-o com uma intensidade predatória.

Durante a performance de *Deathrone*, Noah estava no auge de sua forma. Ele usava uma regata preta que exibia seus braços musculosos e suados, os cabelos caindo sobre o rosto enquanto ele se ajoelhava no centro do palco, berrando o refrão com uma fúria visceral. Nesse exato momento, um fotógrafo do festival capturou Nina. Ela estava com os olhos fixos nele, a ponta da língua passando lentamente pelos lábios, uma expressão de pura e absoluta cobiça.

A foto foi postada em menos de dez minutos e, quando o show acabou, a internet já estava em chamas.

No hotel, horas depois, Noah estava sentado na beira da cama, ainda processando a adrenalina do show e a presença avassaladora de Nina. Ela saiu do banheiro apenas com uma camiseta dele, que mal cobria o que precisava.

— Você viu o que postaram? — Noah perguntou, estendendo o celular.

Nina se aproximou, sentando-se entre as pernas dele. Eles leram os comentários juntos:

*"A Nina olhando para o Noah como se ele fosse o prato principal e ela estivesse de jejum há um mês."*

*"Gente, o Noah não vai conseguir andar por uma semana depois desse olhar dela. Socorro!"*

*"A leoa olhando a caça. Alguém avisa que o Noah está em perigo (ou no céu)!"*

*"O jeito que ela molhou os lábios... Sabrina Carpenter ficaria orgulhosa."*

Nina riu, jogando a cabeça para trás.

— Eles não estão errados, sabia? — ela sussurrou, passando as mãos pelos ombros largos dele.

Noah ficou instantaneamente vermelho, escondendo o rosto no decote da camiseta dela, soltando um gemido abafado.

— Você me desconcentrou o show inteiro — ele reclamou contra a pele dela. — Eu só conseguia pensar em você sentada na minha perna naquele camarim.

— Essa era a intenção, *darling* — ela brincou, puxando o rosto dele para cima para beijá-lo. — Eu não gosto de dividir meus brinquedos, especialmente quando eles têm tatuagens de anime.

— Eu sou todo seu, Nina. Você sabe disso — ele disse, a voz ficando rouca enquanto a puxava para mais perto, o clima mudando de divertido para algo muito mais profundo e urgente.

Alguns dias depois, a banda lançou o vlog da turnê no YouTube. O vídeo incluía cenas de bastidores filmadas pela produção. Havia um clipe fofo de Nina sentada no colo de Noah enquanto ele aquecia a voz, os dois trocando segredos ao pé do ouvido, e a cena icônica dela expulsando a "fã" loira com apenas um olhar e uma sentada estratégica.

Os comentários no vídeo foram ainda melhores:

*"O Folio rindo no fundo enquanto a Nina marca território é a minha religião."*

*"O Noah tentando esconder o 'probleminha' na bermuda depois que a Nina levantou... eu vi e não fui a única!"*

*"Eles são o casal mais hot do metal, não tem como."*

A repercussão foi tanta que, em uma entrevista para uma rádio de rock na semana seguinte, o apresentador — um cara bonitão e visivelmente encantado — não parava de perguntar sobre Nina.

— Então, Noah, vimos que a Nina Moretti esteve com vocês no festival. Ela é incrível, não é? Aquela voz, aquela presença... Eu confesso que sou um grande fã. Ela está solteira? — o entrevistador brincou, mas com um brilho de interesse real nos olhos.

Noah, que estava relaxado, empertigou-se na cadeira imediatamente. Ele deu um sorriso forçado, os olhos asiáticos estreitando-se levemente.

— Ela é maravilhosa, sim — Noah respondeu, a voz carregada de uma possessividade tranquila. — E não, ela não está solteira. E, honestamente, eu não acho que você aguentaria o tranco. Ela gosta de dragões, sabe? E eu sou o único que ela deixa montar.

Jolly e Nick quase cuspiram a água de tanto rir, enquanto o apresentador ficou roxo.

Mais tarde, em casa, Folio não perdeu a oportunidade de alfinetar enquanto jogavam videogame.

— Cara, eu vi a entrevista. 'Eu sou o único que ela deixa montar'? Sério, Noah? Que brega! — Folio riu. — Mas confesso... depois daquela foto dela no palco, até eu queria estar no seu lugar por cinco minutos.

Noah jogou uma almofada nele, o rosto queimando, mas com um sorriso satisfeito nos lábios. Ele sabia que Nina era uma força da natureza, uma leoa que não aceitava menos do que tudo dele. E, enquanto olhava para ela na cozinha, cantando um riff pesado enquanto preparava um café, ele sabia que não trocaria aquele "perigo" por nada no mundo.

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