Jinbe e Chopper
O Peso da Autoridade e o Calor do Cuidado
O sol do meio-dia castigava o convés do Thousand Sunny, mas a brisa marítima trazia um alívio bem-vindo. A maior parte da tripulação havia desembarcado em uma ilha tropical próxima para buscar suprimentos e, como de costume, Luffy já havia arrastado Zoro e Sanji para alguma confusão na floresta. No navio, restavam apenas o timoneiro Jinbe e o pequeno médico Chopper.
Jinbe estava concentrado em polir o leme, seus movimentos rítmicos e precisos refletindo a calma de um homem que já enfrentou as tempestades mais violentas da Grand Line. No entanto, sua paz foi interrompida por um som metálico agudo vindo da área da cozinha, seguido por um estrondo que fez o navio vibrar levemente.
— Chopper? — chamou Jinbe, franzindo o cenho.
Não houve resposta imediata, apenas o som de cascos batendo apressadamente contra a madeira e o murmúrio nervoso de uma rena que claramente estava tentando esconder algo. Jinbe suspirou, deixou o pano de lado e caminhou em direção à cozinha. Ao abrir a porta, ele deparou-se com uma cena de puro caos.
Chopper, em sua forma Brain Point, estava parado no meio de uma poça de calda de açúcar e farinha. Vários potes de geleia preciosa de Sanji estavam abertos, e um armário de metal havia caído, amassando algumas panelas. O focinho da rena estava coberto de doce, e ele segurava uma colher de pau como se fosse uma arma de defesa.
— Eu... eu posso explicar, Jinbe! — exclamou Chopper, as orelhas tremendo. — Eu só queria fazer um lanche rápido e... e a prateleira me atacou!
Jinbe cruzou os braços imensos, sua sombra cobrindo o pequeno médico. Seus olhos pequenos, mas expressivos, analisaram a bagunça. Ele sabia que Chopper tinha sido instruído por Sanji a não mexer nos mantimentos especiais antes do jantar, especialmente nas geleias raras que haviam comprado na ilha anterior.
— Chopper, nós conversamos sobre disciplina e paciência — disse Jinbe, sua voz ressonando como um tambor profundo. — Você não apenas desobedeceu ao Sanji, como também criou um risco de segurança derrubando esse armário. E se você tivesse se machucado?
— Eu sinto muito! — Chopper começou a chorar, aquelas grandes lágrimas cômicas inundando seus olhos. — Eu estava com muita fome e o cheiro era tão bom...
— Sentir muito é o primeiro passo, mas não apaga a desobediência — declarou o homem-peixe com firmeza. — Eu avisei que, se você ficasse sozinho comigo, teria que se comportar como um tripulante maduro. Como você falhou, precisaremos de uma lição que você não esquecerá tão cedo.
Chopper engoliu em seco. Ele amava Jinbe como a um pai, mas sabia que o ex-Shichibukai levava a sério a formação de seu caráter.
— Você vai me fazer lavar o navio todo? — perguntou a rena, esperançosa.
— Não. Limpar é uma tarefa, não uma lição de peso — Jinbe descruzou os braços e apontou para o gramado do convés principal. — Vá para o centro do convés. Agora.
Chopper caminhou cabisbaixo, seus cascos fazendo um som triste contra o chão. Jinbe o seguiu com passos pesados e deliberados. Quando chegaram ao local ensolarado, Jinbe sentou-se em um dos degraus de madeira reforçada e olhou para o pequeno.
— Deite-se de bruços na grama, Chopper.
— O quê? Por quê? — Chopper inclinou a cabeça, confuso.
— Porque você agiu como uma criança pequena que não consegue controlar seus impulsos — explicou Jinbe calmamente. — Portanto, será tratado como uma. Você precisa sentir o peso da sua responsabilidade. Deite-se.
Tremendo levemente, Chopper obedeceu, mudando para sua forma de rena habitual para ficar mais confortável na grama. Ele se esticou, esperando que Jinbe talvez fosse lhe dar algum tipo de sermão longo. No entanto, o que aconteceu a seguir o pegou completamente de surpresa.
Jinbe levantou-se, virou de costas para a rena e, com um movimento lento e controlado, começou a descer seu corpo colossal. Chopper arregalou os olhos ao ver a imensa retaguarda azul do homem-peixe se aproximando.
— Jinbe? Espera, o que você está fazen... UGH!
O som foi abafado pela grama. Jinbe sentou-se com toda a sua massa diretamente sobre as costas e o bumbum de Chopper. O peso era imenso, uma pressão sólida e quente que imobilizou a rena instantaneamente contra o solo macio do Sunny.
— Ji-Jinbe! Você é muito pesado! — protestou Chopper, sua voz saindo espremida. — Eu vou virar uma panqueca de rena!
— Você é um pirata do Chapéu de Palha, Chopper. É mais resistente do que parece — respondeu Jinbe, cruzando os braços sobre os joelhos e olhando calmamente para o mar, como se estivesse apenas descansando em uma poltrona confortável. — Enquanto eu estiver sentado aqui, você terá tempo para refletir sobre por que as regras existem.
Chopper tentou mover as patas dianteiras, mas Jinbe ajustou seu peso, balançando-se levemente para encontrar uma posição mais firme, o que fez Chopper soltar um ganido de surpresa.
— Pare de se mexer — ordenou o timoneiro. — Quanto mais você lutar, mais eu terei que me acomodar. E eu sou um homem muito grande, como você bem sabe.
— Mas isso é humilhante! — reclamou Chopper, embora, no fundo, a sensação do peso de Jinbe trouxesse uma estranha sensação de segurança, como um cobertor pesado de chumbo. — E se o Luffy voltar agora e me vir sendo usado de banquinho?
— Então ele verá um médico que está aprendendo a ter autocontrole — disse Jinbe. — Considere isso um treinamento de resistência. Se você não consegue suportar o peso de um companheiro que te ama, como suportará o peso de cuidar de vidas em meio a uma batalha?
Jinbe não estava sendo cruel; havia uma doçura em seu tom de voz que Chopper conhecia bem. Era o "amor severo" que o homem-peixe acreditava ser necessário para guiar a juventude da tripulação. Para tornar a lição mais eficaz, Jinbe começou a se balançar para frente e para trás ritmicamente.
— Oh, não! — gritou Chopper, sentindo o bumbum de Jinbe esmagar sua pelagem contra a grama a cada movimento. — Isso faz cócegas e dói ao mesmo tempo! Para de balançar!
— Ora, eu achei que você gostasse de brincar — provocou Jinbe, soltando uma risada profunda que vibrou por todo o seu corpo e passou diretamente para Chopper. — Você não vive pulando em cima de mim quando ganhamos uma batalha? Agora é a minha vez de aproveitar o seu conforto. Você é muito macio, pequeno.
— Eu não sou um travesseiro! — Chopper tentou bufar, mas acabou rindo involuntariamente quando o movimento de Jinbe pressionou um ponto sensível em suas costas. — Jinbe, por favor! Eu prometo que limpo tudo e nunca mais mexo na geleia do Sanji!
— As promessas feitas sob pressão são as mais sinceras — comentou Jinbe, inclinando o corpo para trás, aumentando a carga sobre o bumbum da rena. — Mas ainda faltam dez minutos para o fim do seu castigo. Fique quieto e sinta o peso da sua travessura.
Chopper finalmente relaxou, parando de lutar. Ele afundou o rosto na grama, sentindo o calor do sol e o calor do corpo de Jinbe sobre o seu. O silêncio se instalou entre os dois, quebrado apenas pelo som das ondas. A pressão, embora intensa, começou a parecer um abraço esmagador. Chopper percebeu que Jinbe estava controlando o peso com precisão cirúrgica; ele era pesado o suficiente para imobilizar e punir, mas nunca para machucar.
— Jinbe? — chamou Chopper em voz baixa.
— Sim, pequeno?
— Você... você faz isso porque se importa, não é?
Jinbe suspirou, um som de satisfação e carinho.
— Eu vejo você como um filho, Chopper. E um pai tem o dever de garantir que seu filho cresça forte e íntegro. No nosso mundo, a falta de disciplina pode custar a vida. Se eu tiver que sentar em você todos os dias para garantir que você entenda isso, eu o farei.
Chopper sentiu um nó na garganta. Ele se sentia pequeno, mas imensamente amado.
— Tudo bem — murmurou a rena. — Você pode ficar aí mais um pouco se quiser. Suas costas devem estar cansadas de tanto segurar o leme.
Jinbe sorriu, seus olhos brilhando de orgulho.
— Você tem um coração bom, médico. Mas o tempo acabou.
O homem-peixe levantou-se com agilidade surpreendente para alguém do seu tamanho. Chopper permaneceu deitado por um momento, sentindo o ar voltar a circular livremente e sua pelagem se expandir novamente. Ele se levantou e sacudiu o corpo, tentando colocar os pelos no lugar.
— Agora — disse Jinbe, apontando para a cozinha —, vá limpar aquela bagunça. E faça isso antes que o Sanji chegue, ou o meu peso será o menor dos seus problemas.
— Sim, senhor! — Chopper fez uma saudação militar e saiu em disparada, suas patinhas batendo rápido no convés.
Jinbe observou a rena correr, um sorriso satisfeito em seu rosto largo. Ele voltou para o seu posto de vigia, sentindo que a tarde tinha sido produtiva.
Horas mais tarde, o Thousand Sunny foi inundado pelo barulho da tripulação que retornava. Luffy entrou correndo, gritando por carne, enquanto Sanji caminhava direto para a cozinha com sacolas de ervas frescas. Chopper estava sentado à mesa, com uma expressão de anjo, lendo um livro de medicina.
Sanji olhou ao redor, desconfiado. O armário estava no lugar, o chão brilhava e não havia um grão de farinha fora do lugar.
— Tudo em ordem por aqui, Chopper? — perguntou o cozinheiro, arqueando a sobrancelha.
— Tudo perfeito, Sanji! — respondeu Chopper com um sorriso excessivamente brilhante. — Eu e o Jinbe tivemos uma tarde muito... educativa.
Luffy pulou no ombro de Jinbe, que acabava de entrar na cozinha.
— E aí, Jinbe! O Chopper deu trabalho?
Jinbe olhou para a rena, que arregalou os olhos em súplica silenciosa. O homem-peixe soltou uma risada curta e profunda, bagunçando o chapéu de Chopper com sua mão imensa.
— De forma alguma, capitão. O pequeno médico sabe muito bem como lidar com o peso das suas responsabilidades. Não é mesmo, Chopper?
— É... com certeza — concordou a rena, sentindo o bumbum ainda um pouco dormente, mas o coração mais leve do que nunca.
Naquela noite, enquanto o navio navegava sob o luar, Chopper dormiu profundamente. Ele sabia que, enquanto Jinbe estivesse por perto, ele sempre teria alguém para guiá-lo, protegê-lo e, se necessário, lembrá-lo — da maneira mais pesada possível — de que ser um pirata exigia tanto coração quanto disciplina. E para Chopper, não havia lugar no mundo onde ele preferisse estar do que sob a guarda, ou ocasionalmente sob o peso, de seu grande pai azul.