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Jogadores e fogo

Suor, Gols e Outras Conquistas

A manhã em Lisboa surgiu preguiçosa, com o sol atravessando as cortinas de seda do quarto de Richard e Ana. O apartamento ainda guardava o eco dos suspiros da noite anterior, e o cheiro do perfume amadeirado dele misturado à fragrância de baunilha dela pairava no ar. Richard, despertando com a energia de quem havia acabado de vencer uma final de campeonato, observava Ana dormir. Ela parecia um anjo, com os cabelos espalhados pelo travesseiro, mas ele sabia bem que, entre quatro paredes, de anjo ela só tinha o rosto.

Ele deslizou a mão pela curva do quadril dela, sentindo a pele macia sob os dedos. Ana resmungou algo ininteligível, um sorriso surgindo nos lábios antes mesmo de abrir os olhos.

— Já acordado, camisa 27? — murmurou ela, a voz rouca de sono e cansaço prazeroso. — Achei que os atletas precisassem de dez horas de sono para a recuperação muscular.

Richard soltou uma risada baixa, puxando-a para mais perto até que as costas dela colassem em seu peito nu.

— Eu já recuperei tudo o que precisava, Ana. Mas ver você assim, com essa camisa do Benfica toda amassada... — Ele mordeu o lóbulo da orelha dela, sentindo-a se arrepiar instantaneamente. — Me dá vontade de gastar toda a energia de novo.

Ana virou-se nos braços dele, os olhos brilhando com aquela mistura de fofura e malícia que só ela possuía.

— Você é insaciável, Richard Rios. O que o mister vai dizer se você chegar no treino com as pernas bambas?

— Ele vai dizer que eu sou um homem de sorte — Richard rebateu, a voz descendo uma oitava enquanto ele a dominava, posicionando-se sobre ela. — Mas hoje o treino é só à tarde. Temos a manhã inteira para nós.

Ele não esperou por uma resposta. Selou os lábios dela em um beijo que começou lento, explorando a doçura da manhã, mas que rapidamente se transformou em algo voraz. Richard era carnívoro, possessivo; ele gostava de sentir que cada centímetro de Ana pertencia a ele. Suas mãos grandes mapearam o corpo dela com urgência, enquanto Ana soltava aquela risada baixinha e gostosa que sempre o desarmava.

— Richard... — ela ofegou, as mãos puxando os cachos da nuca dele. — Você não brinca em serviço, não é?

— Com você? Nunca.

Enquanto isso, em Londres, o clima era outro, mas a intensidade permanecia a mesma. Valentina já estava de pé, vestindo apenas uma camiseta larga de Gabriel Martinelli que batia no meio de suas coxas. Ela estava na cozinha, preparando um café forte e mexendo no celular, analisando as estatísticas do último jogo do Arsenal com a seriedade de uma comentarista profissional.

Gabriel apareceu na porta da cozinha, o cabelo bagunçado e os olhos semicerrados, observando a cena com um sorriso bobo no rosto. A namorada era uma força da natureza.

— Val, são oito da manhã de um dia de folga — disse ele, aproximando-se e abraçando-a por trás, escondendo o rosto no pescoço dela. — Por que você está olhando o mapa de calor do Saka agora?

— Porque se vocês tivessem fechado aquele corredor esquerdo no segundo tempo, não teriam levado aquele susto no final, Gabi! — Valentina respondeu, virando-se nos braços dele e batendo com o dedo no peito do jogador. — Você sabe que eu odeio sofrimento desnecessário.

Gabriel riu, segurando as mãos dela e as beijando com delicadeza. Ele amava aquele jeito mandão dela.

— Eu sei, meu amor. Eu sei. Prometo que vou falar com o Arteta sobre suas observações táticas — ele brincou, puxando-a para mais perto. — Mas agora, a única tática que me interessa é como te convencer a voltar para a cama comigo.

Valentina arqueou uma sobrancelha, um sorriso desafiador surgindo em seu rosto.

— Ah, é? E qual é o plano de jogo, camisa 11?

Gabriel não disse nada. Apenas a pegou pela cintura e a sentou sobre o balcão de mármore, ficando entre suas pernas. O contraste entre a doçura de Gabriel e a atitude de Valentina era o que os tornava explosivos. Ele a beijou com uma intensidade que a fez esquecer completamente das estatísticas do Arsenal.

— O plano — sussurrou Gabriel, entre beijos que desciam pelo pescoço dela — é mostrar que eu posso ser muito mais persistente do que qualquer defesa adversária.

— Você fala demais, Martinelli — Valentina provocou, embora suas mãos já estivessem ocupadas em puxar o elástico do calção dele. — Menos conversa, mais ação.

De volta a Lisboa, a temperatura no quarto de Richard e Ana havia subido drasticamente. O jogador colombiano não era do tipo que economizava esforços. Ele a conduzia com uma maestria que a deixava sem fôlego, alternando entre a força bruta de um atleta e a ternura de um homem perdidamente apaixonado.

— Você é linda, sabia? — disse Richard, parando por um momento para olhar nos olhos dela, as mãos espalmadas no colchão ao lado da cabeça de Ana. — Às vezes eu acho que você é boa demais para ser verdade.

Ana sorriu, passando a mão pelo rosto suado dele, limpando uma gota que escorria por sua têmpora.

— Eu sou real, Richard. E sou toda sua. Mas se você continuar me olhando assim, eu vou acabar querendo que você nunca saia para treinar.

— Essa é a ideia — ele rosnou, voltando a beijá-la com uma paixão que parecia renovar-se a cada segundo.

Ana sentia-se completa. O lado safado de Richard a incendiava, mas era o cuidado dele, o jeito como ele a tratava como se ela fosse o troféu mais valioso de sua carreira, que a mantinha presa a ele. Ele a virou de costas, a pele brilhando sob a luz do sol, e ela soltou um gemido de aprovação quando sentiu o peso do corpo dele contra o seu novamente.

— Richard... — ela chamou, a voz trêmula.

— Eu estou aqui, amor. Sempre aqui.

Horas depois, o grupo de amigos se encontrou em uma chamada de vídeo. Era um ritual comum entre eles, uma forma de manter a conexão apesar da distância entre Portugal e Inglaterra.

— E aí, casal? — Richard atendeu a chamada, já devidamente vestido, mas com aquele brilho vitorioso nos olhos. — Como estão as coisas na terra do rei?

Na tela, Valentina apareceu primeiro, ajeitando o cabelo e com uma expressão radiante. Martinelli surgiu logo atrás, com o braço em volta dos ombros dela.

— Estão ótimas, Richard — respondeu Valentina, com um sorrisinho cúmplice para Ana, que apareceu ao lado do marido. — Mas o Gabriel está precisando de umas aulas de marcação.

— Marcação? — Martinelli reclamou, rindo. — Ela passou a manhã inteira me dando bronca por causa do jogo de ontem! Richard, me diz que a Ana é mais tranquila que a Val.

Richard olhou para Ana, que deu uma risadinha fofa e encolheu os ombros.

— Ah, cara... a Ana é um anjo — Richard disse, piscando para a câmera. — Mas ela tem umas táticas de ataque que me deixam completamente sem defesa.

As duas amigas riram, trocando olhares que diziam tudo. Elas sabiam exatamente o poder que tinham sobre aqueles homens.

— Enfim — Valentina cortou, retomando sua postura de líder do grupo. — Estamos planejando as férias. Vocês vêm para Londres ou nós vamos para Lisboa?

— Eu voto em Lisboa — disse Martinelli. — Quero ver o Richard perder para mim no futevôlei na praia.

— Perder? — Richard soltou uma gargalhada. — Você está sonhando, Martinelli. Eu vou te dar um baile que você vai voltar para Londres pedindo aposentadoria.

Enquanto os homens começavam uma discussão acalorada e bem-humorada sobre futebol e habilidades, Ana e Valentina iniciaram sua própria conversa paralela.

— Amiga, você está com um brilho diferente hoje — sussurrou Valentina, aproximando o celular do rosto para que os rapazes não ouvissem. — O Richard pegou pesado?

Ana sentiu as bochechas corarem, mas não perdeu o sorriso safado.

— Digamos que ele estava com muita fome, Val. E o Gabi? Ele ainda é aquele fofo todo comportado ou você finalmente quebrou essa casca?

Valentina soltou um risinho audacioso.

— O Gabi é um perigo, Ana. Ele finge que é calmo, mas quando a gente fecha a porta do quarto... ele vira outro jogador. Acho que ele aprendeu umas coisas com o Richard, ou o Richard aprendeu com ele.

— O que importa é que a gente está saindo ganhando, não é? — Ana brincou, olhando com adoração para Richard, que ainda discutia com Martinelli na tela.

— Com certeza — concordou Valentina.

A chamada terminou com promessas de encontros em breve e muitas piadas internas. Quando Richard desligou o celular, ele puxou Ana para o seu colo no sofá.

— O que vocês tanto cochichavam? — perguntou ele, curioso.

— Estávamos apenas discutindo... táticas de jogo — Ana respondeu, passando os braços pelo pescoço dele. — Mas acho que prefiro a prática à teoria.

Richard sorriu, aquele sorriso que prometia mais uma rodada de paixão.

— Você é impossível, Ana.

— E você ama isso.

Ele não pôde discordar. Em campo, ele era o craque, o jogador que ditava o ritmo e buscava a vitória. Mas em casa, ele sabia que a verdadeira vitória era ter Ana ao seu lado, desafiando-o, amando-o e mantendo as chamas sempre acesas.

Em Londres, Martinelli puxou Valentina para uma dança improvisada na sala, sem música, apenas ao som da respiração um do outro.

— Você é a minha torcedora número um, não é? — ele perguntou, beijando a testa dela.

— Sempre, Gabi. Mesmo quando você erra o cruzamento — ela brincou, encostando a cabeça no peito dele.

— Eu nunca erro quando o alvo é você.

A noite cairia novamente em breve, e com ela, novas histórias seriam escritas sob os lençóis. Para Richard e Ana, e para Gabriel e Valentina, o jogo nunca terminava no apito final. A verdadeira paixão acontecia nos acréscimos, onde o desejo falava mais alto que qualquer rivalidade e onde o amor era o único resultado que importava.

Lisboa e Londres podiam estar separadas por quilômetros, mas a conexão entre os quatro era inquebrável. Entre dribles, gols e beijos ardentes, eles seguiam provando que, no grande estádio da vida, o melhor prêmio era o calor de quem se ama. E para Richard Rios e Gabriel Martinelli, as melhores jogadas sempre seriam aquelas que terminavam nos braços de Ana e Valentina.