Juno
Algemas, Glitter e Outras Frequências
A calmaria após a tempestade de flashes e flagras nos bastidores da turnê anterior foi, surpreendentemente, o período mais doce da vida de Nina. Quando as luzes dos estádios se apagaram e o Bad Omens finalmente teve uma pausa, o "segredo" entre ela e Noah Sebastian deixou de ser uma aposta de Jolly e Nick para se tornar a realidade cotidiana deles. Mas, para o mundo exterior, eles ainda eram apenas "bons amigos" com uma química visual inegável.
Noah, com seus 1,92m de altura e aquela aura de quem poderia comandar um exército ou um culto, revelou-se um namorado cujas principais armas eram o café da manhã na cama e maratonas intermináveis de *Naruto*. A timidez dele, que Nina tanto amava, contrastava com a forma como ele a olhava — como se ela fosse a única nota afinada em um mundo de ruído.
— Tenho uma surpresa para você — disse Noah certa noite, saindo do banho com o cabelo úmido caindo sobre os olhos, a franja *curtain bangs* emoldurando perfeitamente o rosto de traços asiáticos que Nina adorava traçar com os dedos.
— Se for outro boneco do Itachi, eu juro que vou começar a cobrar aluguel deles na prateleira — Nina brincou, jogando uma almofada nele.
Noah soltou uma risada baixa, aquele som rouco que fazia os joelhos dela fraquejarem.
— Melhor que isso. Madison Square Garden. Sabrina Carpenter.
Nina quase caiu do sofá.
O show foi um divisor de águas. Nina, mergulhando de cabeça na estética "coquette" e pop da cantora, usava um vestido curto de renda, laços no cabelo e botas de plataforma — uma versão gótica e açucarada de Sabrina. Noah, por outro lado, tentava ser discreto com um boné baixo e roupas escuras, mas era difícil esconder um homem daquele tamanho com braços completamente tatuados.
Eles foram flagrados. Obviamente. Imagens de Noah Sebastian, o rei do metal moderno, balançando levemente a cabeça ao som de *Espresso* enquanto Nina cantava a plenos pulmões, viralizaram em minutos. A própria Sabrina, do palco, apontou para o setor VIP e gritou: "Eu vejo você, garota! O look está impecável!", fazendo Nina corar enquanto Noah tentava, sem sucesso, esconder um sorriso orgulhoso atrás da mão.
Alguns meses depois, a bolha de privacidade estourou da forma mais profissional possível: o anúncio da nova turnê conjunta. Nina faria a abertura para o Bad Omens.
Durante a coletiva de imprensa, o ar estava carregado. Um jornalista da Rolling Stone ajeitou os óculos, olhando para Nina e Noah sentados lado a lado.
— Nina, ouvimos rumores de que seu novo set tem influências inesperadas. E Noah, os fãs estão obcecados com os vídeos de vocês no Madison Square Garden. Qual é a natureza dessa... "colaboração"?
Nina sorriu, cruzando as pernas e sentindo o olhar de Noah queimar seu perfil.
— Eu me inspirei muito na energia da Sabrina. O show dela é sobre liberdade e diversão. Estou preparando um cover especial que é um pouco diferente do que meus fãs esperam.
— E sobre o relacionamento? — o jornalista insistiu.
Noah inclinou-se para o microfone, a voz calma e aveludada, mas com aquele brilho travesso nos olhos que só Nina conhecia.
— Somos grandes amigos — disse ele, a mentira mais descarada do ano. — Apenas amigos que gostam de boa música e de passar muito tempo juntos.
Jolly, sentado na fileira de trás, soltou uma tosse que soou suspeitosamente como "mentirosos", fazendo Nick Folio abafar um riso.
A turnê começou como um incêndio. Nina abria os shows com uma energia renovada, mas a verdadeira histeria acontecia quando Noah a convidava para o palco durante o set principal. Em *Artificial Suicide*, eles trocavam olhares desafiadores; em *Limits*, as mãos dele encontravam a cintura dela "por acidente". Em *Death of Peace of Mind*, a tensão era tão palpável que o público parecia esquecer de respirar. Noah cantava os versos baixos no ouvido dela, as insinuações sexuais da letra ganhando um peso real que fazia a pele de Nina arrepiar sob os holofotes.
Os rumores no Reddit e no TikTok não eram mais rumores; eram certezas absolutas. Faltava apenas a confirmação oficial. E Nina decidiu que o festival de encerramento, diante de trinta mil pessoas, seria o momento perfeito.
O set de Nina estava chegando ao fim. O sol estava se pondo, pintando o céu de laranja e roxo. Ela usava um conjunto de cetim rosa choque, inspirado nos figurinos de Sabrina Carpenter, com corações estrategicamente bordados.
— Esta é a minha última música da noite — anunciou ela, recuperando o fôlego. — E antes de começar, eu quero dedicar este momento à pessoa mais especial da minha vida. Alguém que me viu nos meus piores dias, que aguentou meus ensaios infinitos e que me incentiva a ser exatamente quem eu sou, sem desculpas.
O público começou a gritar o nome de Noah. Nina riu, pegando um par de algemas de pelúcia rosa que estavam escondidas perto da bateria.
— Noah Sebastian, saia daí agora! Eu sei que você está assistindo dos bastidores!
A multidão explodiu em um rugido ensurdecedor quando Noah apareceu. Ele estava sem a camisa de botões, apenas com uma regata preta que exibia os ombros largos e os braços cobertos de tinta. Ele caminhava com aquela confiança tímida, um sorriso de "eu não acredito que você está fazendo isso" no rosto.
Quando ele chegou ao centro do palco, Nina não hesitou. Ela prendeu um dos lados da algema no pulso dele e o outro no dela. Noah soltou uma risada curta, puxando-a para perto pelo quadril.
— Você é louca — ele sussurrou, longe do microfone.
— E você me ama por isso — ela respondeu.
Sem dar tempo para ele processar, Nina se inclinou e o beijou. Não foi um selinho tímido para as câmeras; foi um beijo de quem estava esperando três anos para assumir aquilo para o mundo. Noah respondeu com a mesma intensidade, a mão grande espalmada nas costas dela, ignorando os milhares de celulares gravando o momento que quebraria a internet.
Após o beijo, Noah pegou a chave das algemas (que ele sabia estar no bolso dela), libertou-se com um piscar de olhos cúmplice e deu um tapa leve na cintura dela antes de correr de volta para o backstage, deixando o palco livre para ela.
A introdução de *Juno*, da Sabrina Carpenter, começou a tocar em uma versão levemente mais pesada, adaptada para a banda dela.
Nina começou a cantar, dançando com a confiança de uma diva pop. Ela estava radiante, sentindo a liberdade de não ter mais que esconder o que sentia. Ao chegar na ponte da música, ela se lembrou da promessa que fizera a si mesma de tornar aquela apresentação inesquecível.
— *Let's try crazy positions!* — ela cantou, apontando para onde Noah estava assistindo, na lateral do palco. — *Have you ever tried this one?*
No auge da batida, Nina fez um movimento coreografado que fez o público delirar. Ela se jogou no chão, simulando a posição de *cowgirl* — a favorita de Noah — com uma atitude tão empoderada e divertida que até os seguranças riram. Ela olhou para o lado e viu Noah cobrindo o rosto com as mãos, nitidamente vermelho, mas com os ombros sacudindo de rir.
Ao terminar a música, sob uma chuva de confetes, Nina agradeceu e saiu do palco, sendo recebida imediatamente pelos braços de Noah.
— Você não fez aquilo — disse ele, envolvendo-a em um abraço apertado, o cheiro de suor e perfume de grife dele a embriagando. — A posição, Nina? Sério?
— O quê? Eu sou uma artista dedicada às minhas referências — ela brincou, passando os braços pelo pescoço dele. — E admito, a cara que você fez valeu cada segundo.
— Jolly ganhou mais quinhentos dólares com esse beijo, você sabe, né? — Noah resmungou, embora estivesse sorrindo enquanto a beijava novamente, desta vez na testa.
— Deixe ele comprar mais guitarras — Nina deu de ombros. — Eu tenho o vocalista.
Noah a pegou no colo, ignorando os membros da equipe que passavam e os gritos que ainda vinham do festival.
— É — ele concordou, os olhos castanhos brilhando com uma vulnerabilidade que ele não escondia mais. — E o vocalista é todinho seu. Agora vamos sair daqui antes que você decida fazer um cover de *Nonsense* e conte para todo mundo o que a gente fez no ônibus de turnê ontem à noite.
— Ah, essa é uma ótima ideia! — Nina riu, enquanto ele a carregava para o camarim, finalmente em paz com o fato de que, no mundo deles, o amor agora era a música mais alta de todas.