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K.rool cuidando de diddy kong

O Trampolim Real e a Soneca Dourada

A luz da manhã atravessava as frestas das folhas de bananeira, criando padrões de luz e sombra sobre a clareira. King K. Rool acordou com uma sensação estranha: não era o peso da sua coroa, que ele havia deixado de lado na noite anterior, nem o plano de invadir o Galeão de Ouro. Era um peso rítmico, saltitante e extremamente persistente bem no centro de sua barriga dourada.

— Acorda, majestade das escamas! — gritou Diddy Kong, dando um pequeno salto e aterrissando com as patas traseiras na parte mais macia do ventre do crocodilo.

O impacto produziu um som abafado, como se alguém tivesse batido em um tambor gigante feito de gelatina. K. Rool soltou um grunhido profundo, seus olhos injetados se abrindo lentamente enquanto ele tentava processar o que estava acontecendo.

— Pelas escamas de meus ancestrais... — resmungou o Rei, sua voz ainda rouca de sono. — Diddy, você tem a energia de dez Kremlings logo cedo. Deixe um velho monarca descansar.

— Nada de descanso! — Diddy deu outro salto, desta vez girando no ar. — Você prometeu que íamos brincar. E olhe só para isso, K. Rool! Sua barriga está ainda mais elástica hoje. É o melhor trampolim da ilha!

K. Rool soltou uma risada cavernosa que fez seu tronco inteiro vibrar. Ele se espreguiçou, esticando os braços curtos e as pernas pesadas, mas manteve-se deitado de costas, oferecendo sua vasta barriga como o playground particular do pequeno macaco.

— Um trampolim, é? — K. Rool deu um tapinha sonoro no próprio abdômen, que balançou como uma onda. — Pois saiba que este é um serviço de luxo. Custa cinco bananas por hora!

— Eu pago com cócegas! — ameaçou Diddy, descendo do "trampolim" para se aproximar das costelas do crocodilo.

— Não! Tudo menos isso! — K. Rool tentou se encolher, o que era uma tarefa quase impossível dado o seu tamanho. — Eu me rendo! Pode pular à vontade, pequeno pestinha.

Diddy riu e começou a correr em círculos ao redor do corpo maciço de K. Rool antes de escalar sua lateral e se jogar novamente no centro daquela protuberância dourada. A cada salto de Diddy, K. Rool fazia questão de contrair e relaxar os músculos abdominais no momento certo, impulsionando o macaco ainda mais alto.

— Uau! — exclamou Diddy, voando quase até os galhos mais baixos das árvores. — Mais alto, K. Rool! Mais alto!

— Lá vai o lançamento real! — anunciou o crocodilo.

Ele inspirou profundamente, estufando a barriga ao máximo, e quando Diddy tocou a superfície, K. Rool soltou o ar de uma vez, criando um efeito de mola. Diddy foi lançado para o alto, soltando guinchos de pura euforia. No topo do salto, ele fez uma pirueta e caiu sentado, afundando profundamente na pele macia antes de ser impulsionado novamente.

Depois de alguns minutos de acrobacias, Diddy finalmente se cansou. Ele se deixou cair de bruços, espalhando os braços e as pernas sobre a vastidão da barriga de K. Rool. Ele conseguia sentir o calor emanando do corpo do crocodilo e o batimento cardíaco lento e constante que ressoava através das escamas.

— Sabe, K. Rool... — disse Diddy, ofegante. — Você é muito mais legal quando não está tentando nos transformar em estátuas ou roubar nosso estoque.

K. Rool ficou em silêncio por um momento, olhando para as nuvens que passavam lá no alto. Ele levou uma de suas mãos grandes e desajeitadas até as costas de Diddy, fazendo um carinho leve com a ponta de uma garra.

— O poder é uma coisa solitária, Diddy — confessou o Rei, com uma nota de sinceridade que raramente mostrava. — Ser temido é fácil. Mas ser... — Ele hesitou, procurando a palavra certa. — Ser um travesseiro? Isso exige um talento especial.

Diddy levantou a cabeça, sorrindo de orelha a orelha.

— Você é o melhor travesseiro do mundo. E o mais barulhento também.

— Ei! Eu não ronco tanto assim — protestou K. Rool, embora soubesse que seus roncos eram conhecidos por causar pequenos terremotos nas cavernas próximas.

— Não estava falando do ronco — riu Diddy, apontando para a barriga do crocodilo. — Estou falando disso!

Nesse exato momento, o estômago de K. Rool soltou um ronco profundo e faminto, uma vibração que Diddy sentiu em todo o seu corpo. O som foi tão alto que um bando de pássaros levantou voo das árvores vizinhas.

K. Rool deu um sorriso amarelo, revelando seus dentes afiados.

— Bem, parece que o Rei precisa de um banquete. Mas não se preocupe, não pretendo saquear a cabana do Donkey hoje.

Diddy sentou-se, pensativo. Ele olhou para o crocodilo e depois para a selva ao redor.

— Eu conheço um lugar — disse o macaco, animado. — Tem umas palmeiras perto da cachoeira que dão as bananas mais doces da ilha. E ninguém vai lá porque as abelhas são meio bravas. Mas eu sou rápido!

— E eu sou grande — completou K. Rool, sentando-se com esforço. A barriga dele balançou pesadamente enquanto ele se estabilizava. — Se as abelhas tentarem algo, elas vão descobrir que minhas escamas são resistentes a ferrões.

K. Rool se levantou, ajeitando sua capa vermelha que estava um pouco amassada pela noite no chão. Ele estendeu a mão para Diddy, que subiu prontamente em seu ombro, agarrando-se à ombreira dourada.

Enquanto caminhavam pela floresta, a cena era, no mínimo, inusitada. O grande Rei K. Rool, o terror dos mares, caminhava calmamente com um pequeno macaco de boné vermelho servindo de guia. Os animais menores da floresta observavam de longe, confusos, mas a aura de paz entre os dois era inegável.

Ao chegarem à cachoeira, K. Rool soltou um suspiro de admiração. A água caía em uma cortina cristalina, e as palmeiras estavam carregadas de frutos dourados.

— Ali! — apontou Diddy. — No alto daquela palmeira torta.

K. Rool olhou para a árvore, que parecia pequena demais para suportar seu peso.

— Eu não acho que essa árvore sobreviveria a um encontro comigo, Diddy.

— Você fica aqui embaixo — instruiu o macaco. — Eu subo, jogo as bananas e você as apara com a barriga! É como um jogo de pegar, mas com comida.

K. Rool achou a ideia brilhante. Ele se posicionou na base da palmeira, abriu os braços e estufou o peito.

— Pode mandar, pequeno! O goleiro real está pronto!

Diddy subiu na palmeira com a agilidade de um raio. Em segundos, ele estava no topo, desprendendo os cachos de bananas.

— Lá vai a primeira! — gritou ele.

O cacho caiu em alta velocidade. K. Rool se moveu com uma agilidade surpreendente para seu tamanho, posicionando sua barriga bem no caminho da queda. O impacto foi suave; a barriga absorveu toda a energia cinética, e as bananas simplesmente quicaram um pouco antes de K. Rool as segurar com as mãos.

— Gol! — exclamou o crocodilo, rindo.

Eles repetiram o processo várias vezes. Era uma dança de cooperação. Diddy lançava, e K. Rool usava seu corpo macio para garantir que nenhuma banana se esmagasse no chão. Logo, eles tinham uma pilha considerável aos pés do Rei.

Quando Diddy desceu, os dois se sentaram à beira da água para comer. K. Rool descascava as bananas com uma delicadeza cômica, usando apenas as pontas das garras, enquanto Diddy devorava as suas com a rapidez habitual.

— Sabe, K. Rool — disse Diddy, com a boca meio cheia —, você podia vir morar perto da gente. O Donkey ia reclamar no começo, mas ele ia acabar gostando de ter alguém para brincar de luta de verdade.

K. Rool olhou para o reflexo de seu rosto na água da cachoeira. Ele viu o vilão que costumava ser, mas também viu o sorriso que agora parecia mais natural do que sua carranca de batalha.

— Talvez um dia, Diddy. Mas acho que o mundo ainda não está pronto para ver o Grande Rei K. Rool fazendo piqueniques com os Kongs. Minha reputação sofreria um golpe terrível.

— A gente diz que você nos sequestrou para sermos seus bobos da corte — sugeriu Diddy, piscando um olho.

K. Rool gargalhou, um som que competia com o barulho da cachoeira.

— Você é muito esperto para o seu próprio bem, macaco.

Depois do lanche, o sol do meio-dia começou a esquentar a clareira. O som da água e a barriga cheia criaram o cenário perfeito para a sonolência. K. Rool sentiu suas pálpebras pesarem.

— Diddy... acho que o trampolim real está encerrando as atividades por hoje — murmurou o crocodilo, deitando-se novamente na grama macia perto da água.

— Tudo bem — concordou Diddy, bocejando. — Eu também estou meio sem bateria.

Diddy se aproximou e, sem pedir licença, escalou novamente a barriga de K. Rool. Ele se aninhou bem no centro, onde a pele dourada era mais quente. K. Rool, por instinto, abraçou o próprio ventre, protegendo Diddy com seus braços massivos.

— K. Rool? — chamou Diddy, já quase dormindo.

— Hum?

— Você é um crocodilo bem legal.

K. Rool não respondeu com palavras. Ele apenas soltou um suspiro profundo e satisfeito, sentindo o peso reconfortante do pequeno amigo sobre si. Ele fechou os olhos, e o movimento rítmico de sua respiração começou a embalar Diddy em um sono tranquilo.

Naquele momento, King K. Rool não era um conquistador, nem um ladrão de bananas. Ele era apenas um protetor, uma montanha de escamas que oferecia calor e segurança. E enquanto o sol brilhava sobre a Ilha de Donkey Kong, o Rei e o Pequeno Macaco compartilhavam o tesouro mais valioso de todos: uma amizade que ninguém, nem mesmo o mais terrível dos vilões, poderia roubar.

O silêncio da tarde foi quebrado apenas pelo ronco suave — ou nem tanto — de K. Rool, que agora, em vez de assustar a floresta, parecia uma canção de ninar para o pequeno Diddy, que sorria em meio aos seus sonhos de saltos e bananas infinitas. A barriga do rei, vasta e acolhedora, subia e descia como as ondas do mar, carregando consigo o futuro de uma paz improvável, mas duradoura.