King K.rool e Diddy Kong
O Peso do Afeto Real
O relógio de pêndulo na parede da sala luxuosa parecia zombar de Diddy Kong. Cada "tic-tac" era um lembrete de que o tempo ali dentro passava de forma diferente. Não era a masmorra úmida e fria do Galeão das Trevas, nem uma cela de prisão comum. O chão era coberto por tapetes de veludo vermelho, havia poltronas de couro macio e uma lareira que estalava baixinho, mantendo o ambiente aquecido. No entanto, para o pequeno macaco de boné vermelho, aquele conforto era uma armadilha.
Eles estavam no segundo dia de um isolamento forçado. Por algum motivo que Diddy ainda não compreendia totalmente — talvez um feitiço de Kamek ou uma aposta maluca de Cranky Kong que deu errado — ele e King K. Rool estavam trancados naquela sala mágica. A regra era clara: eles deveriam cuidar um do outro até que as portas se abrissem.
O problema era que King K. Rool havia levado o papel de "cuidador" a um nível completamente inesperado. O vilão, que antes só pensava em roubar bananas, agora parecia ter incorporado a personalidade de um pai superprotetor e autoritário.
— Diddy, eu já disse para não pular nas cortinas! — a voz de K. Rool trovejou pela sala, mas não havia ódio nela, apenas uma irritação paternal cansada.
Diddy, que estava pendurado no varão da cortina de seda, soltou um guincho de protesto. Ele era um Kong! Pular, escalar e causar um pouco de caos estava em seu DNA. Ficar parado naquela sala era uma tortura pior do que enfrentar um exército de Klaptraps.
— Eu estou entediado, K. Rool! — exclamou Diddy, soltando-se e caindo em pé no tapete. — Três dias? Isso é uma eternidade! Eu preciso correr, preciso ver o Donkey!
K. Rool, que estava sentado em uma poltrona imensa que mal cabia sua estrutura reptiliana, bufou, soltando uma pequena nuvem de fumaça pelas narinas. Ele ajeitou a coroa de ouro na cabeça e olhou para o pequeno macaco com seu olho esbugalhado.
— O Donkey não está aqui. Agora, eu sou o responsável por você. E como seu... digamos, tutor temporário, eu decidi que você precisa aprender a ter modos. Você agiu como um macaquinho muito malcriado tentando abrir aquela fechadura com um garfo de prata.
— Eu só queria sair! — Diddy cruzou os braços, fazendo beicinho.
— E quase quebrou o talher que custou uma fortuna em moedas de ouro! — K. Rool levantou-se, sua capa balançando atrás de si. — Venha aqui agora.
Diddy sentiu um calafrio. Ele conhecia aquele tom. Tentou correr para trás de um sofá, mas K. Rool, apesar de seu tamanho, era surpreendentemente ágil quando queria. Com um movimento rápido, o rei dos Kremlings agarrou Diddy pela cintura.
— Solte-me! — gritou Diddy, esperneando.
— De jeito nenhum. Você está muito agitado e precisa de um castigo para aprender a valorizar a companhia de seu rei — disse K. Rool, caminhando em direção ao tapete central mais fofo da sala.
O rei sentou-se pesadamente no chão, forçando Diddy a ficar deitado de bruços logo à sua frente. Antes que o macaco pudesse escapar, K. Rool fez algo inusitado: ele simplesmente se acomodou de forma que sua parte traseira maciça e pesada ficasse posicionada sobre as costas e pernas de Diddy.
Não era para esmagá-lo — K. Rool tinha o cuidado de não colocar todo o seu peso colossal de uma vez —, mas era o suficiente para imobilizar o pequeno Kong completamente. Diddy sentiu o peso do rei como se fosse uma montanha de couro e escamas.
— O que você está fazendo?! — Diddy abafou o grito contra o tapete. — Sai de cima! Você é pesado!
— Shhh... — K. Rool começou a balançar o corpo levemente para os lados, em um movimento rítmico. — Eu estou garantindo que meu macaquinho favorito não fuja de mim. Você precisa de um tempo de reflexão, Diddy. E eu quero você por perto.
— Isso é ridículo! — Diddy tentou empurrar o chão com as mãos, mas o peso de K. Rool era absoluto. — Você é o Rei dos Kremlings, não uma babá!
— Atualmente, eu sou os dois — rebateu K. Rool, soltando uma risada gutural que vibrou por todo o corpo de Diddy. — E admita, é muito mais seguro para você aqui, sob a minha... proteção, do que correndo por aí e se metendo em confusão.
Diddy parou de lutar por um momento, exausto. O calor que emanava do corpo de K. Rool e o balanço constante começaram a ter um efeito estranho e hipnótico. O rei continuava a balançar sua bunda sobre o macaco, como se estivesse em uma cadeira de balanço invisível, mantendo Diddy preso, mas de uma forma estranhamente acolhedora.
— Por que você quer que eu fique perto? — perguntou Diddy, a voz agora mais baixa e menos agressiva. — Você sempre tentou nos expulsar da ilha.
K. Rool suspirou, e o som foi como um fole de ferreiro. Ele olhou para as paredes da sala, o brilho da lareira refletido em seus olhos.
— Ser rei é solitário, Diddy. Os Kritters são idiotas. Os Klump só sabem bater continência. Ninguém nunca... conversa comigo. Ou me desafia com inteligência. Mesmo que você seja um pirralho irritante, você tem espírito.
Diddy ficou em silêncio. Ele nunca tinha pensado no vilão dessa forma. Para ele, K. Rool era apenas o cara que roubava bananas e ria de forma maléfica. Sentir o peso do rei sobre ele agora não parecia mais um ataque, mas uma forma possessiva e estranha de afeto.
— Mas você não precisa sentar em cima de mim para conversar — resmungou Diddy, embora não estivesse mais tentando escapar.
— Preciso, sim — insistiu K. Rool, dando um balanço mais vigoroso, o que fez Diddy soltar um pequeno "oof". — Se eu sair, você vai tentar escalar a chaminé ou roer os pés da mesa. Você está de castigo, e o castigo é ser o meu travesseiro de assento até eu decidir que você aprendeu a lição.
— Eu vou contar pro Donkey Kong que você me usou de almofada! — Diddy ameaçou, mas sem convicção.
— Ele nunca vai acreditar em você — K. Rool riu, uma risada que agora soava quase carinhosa. — E, além disso, você está bem confortável aí embaixo, não está? O tapete é de lã de ovelha das montanhas do norte.
Diddy não queria admitir, mas o tapete era realmente macio, e o peso de K. Rool, embora imenso, era quente e trazia uma sensação de segurança bizarra. O balanço rítmico do rei começou a deixá-lo sonolento.
— Eu ainda te odeio um pouco — murmurou Diddy, fechando os olhos.
— Eu sei, pequeno Kong. Eu sei — disse K. Rool, pegando um livro que estava em uma mesa lateral e começando a ler em voz alta para que Diddy ouvisse. — Agora fique quieto e ouça a história. Se você se comportar, talvez eu deixe você comer as uvas cristalizadas que escondi na minha capa.
Diddy Kong, o macaco mais travesso das selvas, finalmente se rendeu. Preso sob o traseiro real de seu maior inimigo, ele descobriu que, às vezes, o castigo mais estranho era exatamente o que ele precisava para descansar. E King K. Rool, o terrível monarca, sorriu secretamente, balançando-se suavemente sobre seu novo e pequeno "filho", aproveitando a rara paz que o silêncio de Diddy proporcionava.
As horas passaram e o terceiro dia se aproximava. A porta ainda estava trancada, mas nenhum dos dois parecia ter pressa para que ela se abrisse. Entre balanços e histórias, o Rei e o Macaco haviam encontrado um equilíbrio inusitado naquela sala confortável.