King k.rool e Diddy kong
O Banquete Real e a Promessa do Pântano
A manhã avançava e o calor tropical começava a subir, trazendo consigo o aroma úmido de terra e flores exóticas. King K. Rool continuava sentado no mirante, uma estátua verde e dourada contemplando o horizonte, enquanto Diddy Kong parecia ter aceitado seu destino como o "hóspede de honra" das dobras da barriga do rei. O pequeno macaco sentia o estômago roncar, um som que, embora tímido, ecoou contra a vasta superfície do abdômen de K. Rool.
— Ouviu isso? — perguntou Diddy, olhando para cima. — Acho que o meu estômago está tentando competir com o seu em volume.
K. Rool baixou o olhar, o olho esbugalhado girando até focar no macaquinho. Uma expressão de falsa preocupação surgiu em seu rosto escamoso.
— Oh, que tragédia! O pequeno príncipe dos Kongs está desfalecendo de fome sob a minha guarda? — O rei soltou uma risada que fez sua barriga sacudir como uma onda, empurrando as costas de Diddy para a frente. — Eu não posso permitir que meu troféu definhe. O que diriam de mim no Clube dos Vilões? "K. Rool, o rei que não conseguia nem alimentar um macaquinho". Jamais!
Com um movimento brusco, K. Rool levantou-se. Ele não colocou Diddy no chão; em vez disso, com a agilidade de um predador, ele deslizou o braço por baixo do corpo do macaco e o encaixou novamente sob a axila, prendendo-o com a firmeza de um torno de couro. Diddy sentiu o rosto ser pressionado contra o peito dourado do rei enquanto ele começava a descer a colina com passos pesados.
— Ei! Eu posso andar, sabe? — protestou Diddy, a voz saindo um pouco abafada pela proximidade com as escamas do rei. — Minhas pernas funcionam muito bem, obrigado.
— Silêncio, carga real — retrucou K. Rool, desviando de uma samambaia gigante. — Você é pequeno, lento e provavelmente tentaria escalar a primeira árvore de bananas que visse para fugir. Debaixo do meu braço, você está seguro, aquecido e, mais importante, exatamente onde eu quero que esteja.
Eles se embrenharam em uma parte da floresta onde as árvores eram carregadas de frutas suculentas. K. Rool parou diante de um cacho de bananas douradas que faria Donkey Kong chorar de alegria. Com a mão livre, ele arrancou o cacho inteiro com a mesma facilidade com que alguém colhe uma flor.
— Aqui — disse o rei, entregando uma banana para Diddy sem soltá-lo da axila. — Coma. Preciso que você tenha energia para a nossa próxima parada.
Diddy pegou a fruta, descascando-a com uma mão enquanto tentava se equilibrar na garra lateral do crocodilo.
— Próxima parada? — perguntou Diddy entre mordidas. — Você vai me levar para o seu esconderijo secreto?
— Algo muito melhor — respondeu K. Rool, os olhos brilhando com uma malícia quase infantil. — Vamos ao Pântano das Sombras. É lá que eu guardo as minhas reservas de luxo. E, já que você foi um prisioneiro tão... suportável, decidi que você terá um banquete digno de um Kremling.
— Banquete de Kremling? — Diddy fez uma careta. — Isso envolve insetos ou coisas cobertas de lodo? Porque eu prefiro ficar só nas bananas.
K. Rool soltou uma gargalhada profunda, o som vibrando através de suas costelas e chegando diretamente ao peito de Diddy.
— Você tem muito a aprender sobre a alta gastronomia dos répteis, macaquinho. Mas não se preocupe, eu cuidarei para que seu paladar sensível de primata não seja ofendido.
Eles continuaram a caminhada, e Diddy começou a notar uma mudança no ambiente. O ar ficou mais denso e o chão, antes firme, tornou-se lamacento. K. Rool parecia em seu elemento natural. Ele andava com uma confiança renovada, sua barriga imensa balançando ritmicamente e abrindo caminho entre os juncos e a vegetação rasteira.
— Você gosta mesmo daqui, não é? — comentou Diddy, observando como K. Rool parecia relaxar à medida que o cheiro de água parada ficava mais forte.
— O pântano é honesto, Diddy — explicou o rei, sua voz assumindo um tom quase poético. — No pântano, nada é o que parece, mas tudo é o que deve ser. É o lugar onde a força e a astúcia reinam. E veja... — Ele parou em frente a uma cabana de madeira retorcida, escondida sob as raízes de uma árvore colossal. — Meu refúgio pessoal.
K. Rool entrou na cabana, que era surpreendentemente espaçosa por dentro. Havia almofadas feitas de couro de cobra, uma mesa de pedra e, para a surpresa de Diddy, uma rede gigante que parecia feita de cabos de aço. O rei finalmente soltou Diddy, mas apenas para sentá-lo em cima da mesa de pedra, enquanto ele mesmo se acomodava em um trono de madeira entalhada.
— Fique aí — ordenou K. Rool, embora não houvesse agressividade em sua voz. — Se você tentar pular pela janela, os jacarés lá fora vão achar que o café da manhã foi servido cedo.
Diddy olhou pela janela e viu vários pares de olhos brilhantes espreitando na água escura. Ele engoliu em seco e sentou-se comportadamente na mesa.
— Tudo bem, você venceu. Eu fico.
K. Rool começou a tirar provisões de um baú próximo. Havia frutas exóticas, raízes doces e até alguns favos de mel silvestre. Ele colocou tudo diante de Diddy, mas guardou a maior parte para si, começando a comer com uma voracidade impressionante. O rei mastigava e falava ao mesmo tempo, as migalhas caindo sobre sua barriga dourada, que parecia crescer ainda mais a cada bocado.
— Sabe — disse K. Rool, limpando o suco de uma fruta do queixo —, eu poderia ter te jogado em uma cela na Gangplank Galleon. Eu poderia ter te usado como isca para uma armadilha de barris.
— E por que não fez? — perguntou Diddy, mordendo um pedaço de raiz doce.
K. Rool parou de mastigar por um momento. Ele olhou para Diddy, e por um segundo, o vilão maníaco desapareceu, dando lugar a um velho rei que parecia carregar o peso de sua própria coroa.
— Porque é cansativo ser o monstro o tempo todo — admitiu ele, dando um tapinha na barriga, que agora estava esticada e tensa pelo banquete. — Às vezes, um rei só quer alguém para conversar que não seja um Klump trêmulo ou um Kritter idiota. E você... você tem coragem. Você me chamou de barrigudo na minha cara. Eu gosto disso.
Diddy sorriu, sentindo uma estranha empatia pelo seu captor.
— Você é um esquisitão, K. Rool. Mas acho que entendo. Todo mundo precisa de um descanso da própria reputação de vez em quando.
— Exatamente! — exclamou o rei, levantando-se e caminhando até Diddy.
Antes que o macaquinho pudesse reagir, K. Rool o pegou novamente, mas desta vez não foi para prendê-lo sob a axila. Ele o colocou sentado diretamente sobre sua barriga, como se Diddy fosse um pequeno príncipe em um trono de escamas verdes. O rei sentou-se na rede gigante, que rangeu sob seu peso monumental, e recostou-se, mantendo Diddy equilibrado no topo de seu abdômen.
— Ei! Isso é novo — disse Diddy, tentando encontrar o equilíbrio na superfície arredondada e firme da barriga de K. Rool.
— Considere isso o seu assento VIP — declarou o rei, cruzando os braços atrás da cabeça. — Daqui você tem a melhor vista da cabana. E eu tenho a garantia de que você não vai a lugar nenhum.
Diddy percebeu que a barriga de K. Rool era como um colchão de água aquecido. O movimento da respiração do rei o fazia subir e descer lentamente, um balanço que começou a deixá-lo sonolento novamente. O calor que emanava do crocodilo era reconfortante, e o som do pântano lá fora parecia uma canção de ninar.
— Você não vai me devolver para o Donkey hoje, vai? — perguntou Diddy, bocejando e deitando a cabeça sobre a placa peitoral do rei.
— O dia ainda é jovem, macaquinho — respondeu K. Rool, fechando os olhos. — Mas eu estou me sentindo muito generoso... e muito preguiçoso depois desse banquete. Acho que podemos adiar o resgate por mais algumas horas. Ou dias. Quem sabe?
— O Donkey vai ficar furioso — murmurou Diddy, já quase dormindo.
— Deixe que ele fique — disse K. Rool com um sorriso satisfeito. — Ele tem a ilha inteira. Eu tenho o pântano, esta cabana... e o macaquinho mais atrevido do mundo bem aqui no meu colo.
O silêncio caiu sobre a cabana, interrompido apenas pelo coaxar dos sapos e pelo ronco profundo que logo começou a emanar do peito de King K. Rool. Diddy Kong, exausto pelas emoções das últimas vinte e quatro horas, adormeceu profundamente sobre o vasto e macio estômago de seu inimigo, sentindo-se, contra todas as probabilidades, perfeitamente em casa.
K. Rool, mesmo dormindo, manteve uma mão protetora perto de Diddy, garantindo que o pequeno Kong não escorregasse de seu "trono". Naquela tarde, no coração do pântano, não havia heróis ou vilões, apenas dois seres improváveis compartilhando uma sesta real, unidos por uma barriga grande, um abraço forçado e uma amizade que nenhum deles jamais teria coragem de admitir à luz do dia.
As horas passaram e o sol começou a baixar, tingindo as águas do pântano de um vermelho sangue. K. Rool acordou primeiro, abrindo o olho esbugalhado e vendo Diddy ainda dormindo calmamente sobre ele. Ele sentiu uma pontada de algo que não era maldade, nem ganância. Era uma satisfação simples.
— Você é um bom ouvinte, Diddy — sussurrou o rei, para que apenas as paredes da cabana ouvissem. — Pena que amanhã teremos que tentar nos destruir novamente.
Ele ajeitou o macaquinho com cuidado, puxando-o de volta para debaixo da axila enquanto se levantava para preparar a próxima fase de sua "aventura". K. Rool sabia que o tempo estava acabando, que os outros Kongs logo chegariam, mas por enquanto, ele aproveitaria cada segundo daquela companhia forçada. Ele era o rei, afinal, e um rei sempre fica com o que quer, pelo tempo que desejar. E o que King K. Rool queria naquele momento era apenas continuar sua caminhada pela floresta, com seu pequeno prisioneiro bem guardado junto ao seu coração escamoso e sua barriga lendária.