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lacos de sangue.

O Despertar da Serpente

Mila acordou com os primeiros raios de sol filtrando-se pelas janelas das masmorras, lançando um brilho esverdeado sobre o dormitório. O cheiro de pedra úmida e o eco distante das ondas do Lago Negro eram agora uma trilha sonora familiar. Ela se espreguiçou, sentindo os músculos doloridos da noite mal dormida. A cabeça ainda rodava com os acontecimentos do dia anterior: a viagem, a seleção, os novos rostos. E, acima de tudo, os olhos de Mattheo Riddle.

Ela se levantou e caminhou até o banheiro, onde a água fria a ajudou a clarear os pensamentos. Vestiu o uniforme da Sonserina, a gravata verde e prata parecendo um emblema de sua nova identidade. Ao sair do dormitório, encontrou algumas das outras garotas já prontas, conversando animadamente.

– Bom dia, Black! – Pansy Parkinson, uma garota de cabelos pretos curtos e olhos astutos, cumprimentou-a com um sorriso que não alcançava os olhos. – Pronta para o seu primeiro dia de aulas?

– Acho que sim. – Mila respondeu, tentando parecer mais confiante do que realmente se sentia.

– Não se preocupe, as aulas são fáceis. – Daphne Greengrass, uma loira elegante, assegurou. – A parte difícil é aguentar os grifinórios.

Mila riu, sentindo-se um pouco mais à vontade. Juntas, elas seguiram para o Salão Principal para o café da manhã. O ambiente estava efervescente, com centenas de alunos de todas as casas. Mila procurou instintivamente pela mesa da Grifinória, avistando Harry, Rony e Hermione. Harry a viu e acenou, um pequeno sorriso no rosto. Mila retribuiu, sentindo um calor no peito. Pelo menos havia algumas faces familiares.

Ao sentar-se à mesa da Sonserina, ela notou Draco, Blaise e Theodore Nott já comendo. E então, lá estava ele. Mattheo Riddle, sentado um pouco mais adiante, conversando com Lorenzo Berkshire, outro garoto da Sonserina com um sorriso perigosamente charmoso. Os olhos de Mattheo encontraram os dela por um instante, e Mila sentiu aquele mesmo choque elétrico de antes. Ele não sorriu, apenas a observou com uma intensidade que a fez desviar o olhar rapidamente.

– Black, sente-se aqui. – Draco indicou o lugar ao seu lado. – Vamos te apresentar aos nossos amigos.

Mila se sentou, e Draco começou as apresentações.

– Mila, estes são Theodore Nott e Lorenzo Berkshire. E aquele ali – ele apontou discretamente para Mattheo – é Mattheo Riddle.

Mila já sabia, mas acenou em reconhecimento. Theodore era um garoto de cabelos castanhos e olhos curiosos, que a cumprimentou com um sorriso amigável. Lorenzo, por outro lado, tinha um olhar mais sedutor, e um sorriso que parecia prometer travessuras. Mattheo, por sua vez, apenas assentiu com a cabeça, os olhos ainda fixos nela por um momento antes de voltar a conversar com Lorenzo.

O café da manhã foi preenchido com conversas sobre as férias, fofocas sobre os professores e planos para as primeiras aulas. Mila tentou absorver o máximo de informações possível, sentindo-se um pouco como uma espiã em território inimigo.

A primeira aula do dia era Poções, e Mila seguiu os outros sonserinos até as masmorras. A sala de aula era fria e úmida, com um forte cheiro de ingredientes estranhos. O professor Slughorn, um homem corpulento com um bigode espesso, cumprimentou-os com entusiasmo.

– Ah, senhorita Black! – Ele exclamou, os olhos brilhando. – Uma adição maravilhosa à nossa casa! Seu pai era um aluno brilhante, sabe? Um verdadeiro talento!

Mila corou com a atenção, mas agradeceu ao professor. Ela se sentou em uma bancada vazia, e logo Mattheo e Lorenzo se sentaram ao seu lado.

– Parece que o professor Slughorn já é seu fã. – Lorenzo sussurrou, um sorriso zombeteiro nos lábios.

– Ele era amigo do meu pai. – Mila respondeu, sentindo os olhos de Mattheo sobre ela.

A aula começou, e Slughorn passou a receita de uma poção de cura simples. Mila, sempre atenta e meticulosa, começou a preparar seus ingredientes. Ela era boa em Poções, sempre gostou da precisão e da química envolvidas.

– Precisa de ajuda, novata? – A voz de Mattheo soou ao seu lado, fazendo-a sobressaltar.

Ela o olhou, e seus olhos se encontraram novamente. Desta vez, ela não desviou o olhar. Os olhos dele eram de um castanho tão escuro que pareciam quase pretos, e havia uma profundidade neles que a intrigava.

– Não, obrigada. – Ela respondeu, um pouco mais seca do que pretendia. – Eu me viro.

Mattheo apenas deu de ombros, um pequeno sorriso de canto que ela não havia percebido antes. Ele então se inclinou, o hálito quente em seu ouvido.

– Não duvido.

Mila sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Havia algo na voz dele, na proximidade, que a deixava nervosa. Ela se concentrou na poção, tentando ignorar a presença dele.

Ao final da aula, a poção de Mila estava perfeita, um líquido cintilante que Slughorn elogiou profusamente. Mattheo, por outro lado, havia feito uma poção razoável, mas sem o brilho da dela.

– Parece que a filha de Black tem um talento natural. – Ele comentou, sem rancor, mas com um tom que sugeria que ele não gostava de ser superado.

– Apenas prestei atenção. – Mila respondeu, um pequeno sorriso vitorioso nos lábios.

As aulas seguiram, e Mila se viu imersa no ritmo de Hogwarts. Ela descobriu que era boa em Transfiguração, adorava as criaturas mágicas em Trato das Criaturas Mágicas, mas achava as aulas de História da Magia um tanto entediantes.

No almoço, ela se sentou novamente com Draco, Blaise, Theodore e Lorenzo. Mattheo estava um pouco mais afastado, conversando com outro grupo de sonserinos.

– Então, o que achou das aulas? – Blaise perguntou, enquanto comia um pedaço de torta de abóbora.

– São... diferentes. – Mila respondeu, pensando nas aulas que tinha em sua antiga escola. – Mas estou gostando. Poções é a minha favorita até agora.

– Claro que é. – Draco bufou, revirando os olhos. – Você é uma Sonserina, afinal.

– E você não é? – Mila rebateu, um sorriso atrevido nos lábios.

Draco sorriu, um brilho nos olhos.

– Touché, Black.

A tarde passou rapidamente, e Mila se viu na Biblioteca, procurando livros sobre a história de Hogwarts e as famílias bruxas. Ela queria entender melhor o mundo em que agora vivia, e a história de sua própria família. Enquanto folheava um livro antigo sobre linhagens de sangue, ela sentiu uma presença ao seu lado.

– Estudando, Black? – A voz de Mattheo a fez pular.

Ela se virou, e ele estava ali, os braços cruzados, observando-a com aquele olhar intenso.

– Tentando entender tudo isso. – Ela gesticulou para os livros. – É muita informação de uma vez.

– Você se acostuma. – Ele disse, e para a surpresa dela, sentou-se na cadeira à sua frente. – O que está lendo?

– A história das famílias bruxas. – Mila respondeu, mostrando-lhe o livro. – Estou tentando entender a minha.

– Os Black. – Mattheo murmurou, um tom quase reverente em sua voz. – Uma das mais antigas e nobres linhagens.

– E também uma das mais infames, aparentemente. – Mila disse, um pouco amarga.

– Infame ou não, eles são poderosos. – Ele a olhou diretamente. – E você é uma deles.

Havia algo na forma como ele disse isso, uma validação que a fez sentir um arrepio.

– E você? – Mila perguntou, ousando. – Qual a sua história?

Mattheo sorriu, um sorriso que não alcançava os olhos.

– Uma história longa e complicada. Talvez um dia eu te conte.

Ele se levantou, e Mila sentiu uma pontada de desapontamento.

– Tenho que ir. – Ele disse, e seus olhos se demoraram nos dela por um momento a mais. – Mas foi... interessante conversar com você, Black.

Mila apenas assentiu, observando-o se afastar. Ele era um enigma, um que ela estava estranhamente curiosa para desvendar.

Naquela noite, na sala comunal da Sonserina, Mila observava o fogo crepitante na lareira. Draco, Blaise, Theodore e Lorenzo estavam jogando xadrez bruxo, enquanto Pansy e Daphne conversavam em um canto.

– Mila! – Draco chamou. – Venha jogar com a gente!

Mila se juntou a eles, e logo estava imersa no jogo, usando sua inteligência e astúcia para superar seus oponentes. Ela descobriu que se encaixava bem com os sonserinos, eles eram ambiciosos, inteligentes e tinham um senso de humor peculiar.

Enquanto jogavam, Mattheo entrou na sala comunal, acompanhado por alguns outros garotos. Ele se sentou em uma poltrona distante, observando-os. Mila sentiu o olhar dele sobre ela, mesmo sem olhá-lo diretamente.

– Você é boa nisso, Black. – Draco comentou, depois de Mila ter feito uma jogada particularmente astuta.

– Eu sempre gostei de desafios. – Ela respondeu, um sorriso nos lábios.

– E desafios é o que não falta aqui. – Lorenzo disse, um brilho nos olhos. – Especialmente se você andar com a gente.

Mila riu, sentindo-se genuinamente feliz pela primeira vez em dias. Ela estava em Hogwarts, cercada por novos amigos, e um mistério chamado Mattheo Riddle.

O fim de semana chegou, e Mila decidiu explorar o castelo. Ela se perdeu algumas vezes, mas acabou descobrindo passagens secretas e cantos esquecidos. No sábado à tarde, ela estava no jardim, sentada sob uma árvore, lendo um livro sobre herbologia. O sol estava quente, e uma brisa suave balançava as folhas.

– Encontrei você. – A voz de Mattheo a fez sobressaltar novamente.

Ele estava ali, de pé, uma sombra esguia sobre ela.

– Você tem o hábito de aparecer do nada. – Mila comentou, fechando o livro.

– Eu gosto de observar. – Ele respondeu, sentando-se ao lado dela, um pouco afastado. – E você parece ser uma observadora também.

– Eu gosto de entender as coisas. – Mila corrigiu. – E as pessoas.

– E o que você entende sobre mim, Black?

Mila o olhou, ponderando.

– Que você é misterioso. E talvez um pouco perigoso.

Mattheo sorriu, e desta vez, o sorriso alcançou seus olhos. Era um sorriso raro, que transformava seu rosto.

– Você não está errada.

Eles ficaram em silêncio por um tempo, apenas sentindo a brisa e o calor do sol.

– Por que você está aqui, Mattheo? – Mila perguntou, finalmente.

– Eu queria te ver. – Ele respondeu, a voz baixa. – Você é diferente.

– Diferente como?

– Você não tem medo. – Ele a olhou, e a intensidade de seu olhar a fez prender a respiração. – A maioria das pessoas tem.

Mila pensou nas palavras dele. Ela não tinha medo dele, não. Havia uma atração, uma curiosidade, sim. Mas não medo.

– Talvez eu seja apenas curiosa. – Ela disse, tentando manter a voz firme.

– Curiosidade pode ser perigosa. – Ele advertiu, mas havia um brilho divertido em seus olhos.

– Eu gosto de perigo. – Mila respondeu, um pequeno sorriso atrevido nos lábios.

Mattheo riu, um som rouco que a fez sentir um arrepio.

– Sim, eu percebi.

Eles passaram o resto da tarde conversando, sobre Hogwarts, sobre suas famílias (embora Mattheo ainda fosse evasivo sobre a dele), e sobre as pequenas coisas da vida. Mila descobriu que ele era muito mais do que a imagem de garoto frio e distante que ele projetava. Havia uma inteligência afiada, um senso de humor sutil e uma profundidade que a intrigava cada vez mais.

Ao anoitecer, eles voltaram para o castelo, o silêncio confortável entre eles. Na entrada das masmorras, Mattheo parou.

– Eu gostei de passar o tempo com você, Black.

– Eu também, Riddle.

Ele a olhou, e havia algo em seus olhos que a fez sentir um frio na barriga.

– Boa noite, Mila.

Foi a primeira vez que ele a chamou pelo nome. Mila sentiu um calor se espalhar por seu corpo.

– Boa noite, Mattheo.

Ela entrou na sala comunal, sentindo o coração acelerado. Ele era um mistério, um desafio, e ela estava mais do que pronta para desvendá-lo. O jogo havia apenas começado, e Mila estava começando a gostar das regras. Ela era uma Sonserina agora, e as serpentes eram conhecidas por sua astúcia e sua capacidade de seduzir. E ela sentia que estava prestes a descobrir o quão sedutora ela podia ser.