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laura e emilly

O Peso da Entrega

O sol da manhã estava pálido, filtrando-se de forma tímida pelas frestas da persiana, mas para Emilly, o mundo ainda estava envolto em uma névoa de sono e dependência. Ela não queria acordar. No plano de fundo de sua consciência, o peso do próprio corpo parecia maior, mais denso, como se a gravidade tivesse decidido que ela não deveria mais se levantar sozinha.

Laura já estava de pé, o som suave de seus passos na cozinha funcionando como uma canção de ninar que, ironicamente, anunciava o início de um novo dia. Quando Laura entrou no quarto, segurando uma bandeja com uma tigela de mingau de aveia e um copo com canudinho, ela encontrou Emilly exatamente na mesma posição de dez minutos atrás: encolhida, com o polegar roçando os lábios e os olhos fixos em um ponto invisível na parede.

— Bom dia, minha florzinha — saudou Laura, sua voz sendo o bálsamo que sempre fazia Emilly relaxar os ombros. — Dormiu bem? A Laura trouxe o seu mamazinho.

Emilly não se mexeu. Ela apenas soltou um suspiro longo, um som que carregava uma melancolia infantil. Nos últimos dias, a regressão de Emilly havia dado um salto. Se antes ela era apenas silenciosa, agora ela parecia estar se desfazendo, tornando-se uma extensão dos braços de Laura. O peso que ela perdera deixava seus braços finos, e a pele parecia quase translúcida, exigindo que Laura fosse ainda mais cautelosa, como se estivesse lidando com uma boneca de porcelana antiga cujas articulações poderiam ceder a qualquer momento.

— Vamos sentar, meu bem? — Laura colocou a bandeja na mesa de cabeceira e sentou-se na borda da cama. — A neném precisa comer para ficar forte. Olha só como o pijama está ficando larguinho...

Laura passou a mão pelos cabelos de Emilly, desembaraçando os fios com os dedos. A menor finalmente desviou os olhos da parede e olhou para Laura. Seus olhos estavam úmidos, uma característica que se tornara permanente. Ela esticou os braços, ignorando a comida, e emitiu um som baixo, um "uh-uh" choroso.

— Colo? Agora? — Laura sorriu com ternura, embora uma ponta de preocupação sempre cutucasse seu peito. — Mas você acabou de acordar, pequena. Não quer comer primeiro?

Emilly negou com a cabeça, o biquinho nos lábios se formando de imediato. Uma lágrima solitária escorreu, e ela começou a soluçar de forma rítmica, o choro de alguém que não tem palavras para explicar que o mundo é grande demais e assustador demais.

— Está bem, está bem. Vem cá com a Laura — disse Laura, pegando-a no colo.

Ao puxá-la para o peito, Laura sentiu o volume da fralda sob o pijama de flanela. Estava pesada, mas algo no cheiro que subiu no momento em que ela a acomodou em seu colo a fez travar por um segundo. Não era apenas o cheiro acre de urina da manhã. Era algo mais denso, mais sério.

Emilly, sentindo a hesitação de Laura, escondeu o rosto no pescoço da namorada, apertando a pele dela com as mãos pequenas. Ela começou a tremer.

— Oh, meu amor... — Laura murmurou, sua mão descendo para as costas de Emilly, sentindo o volume diferente através do tecido. — Você fez um "presentinho" para a Laura, não foi?

O corpo de Emilly ficou rígido por um segundo antes de amolecer completamente. Ela soltou um grito abafado contra o ombro de Laura, um som de pura vergonha e desamparo. O calor do acidente começava a se espalhar, e a sensação de estar suja parecia quebrar o último fio de resistência que Emilly ainda mantinha.

— Shhh, calma. Não precisa chorar assim, meu anjo. A Laura cuida. A Laura limpa tudo — Laura dizia, balançando-a de um lado para o outro. — É só o corpinho da neném funcionando, não tem problema nenhum.

— No... no... — Emilly tentou dizer, a voz saindo em um engasgo. Ela queria dizer "não", queria dizer "desculpe", mas as palavras eram como areia escorrendo pelos dedos.

— Não precisa dizer nada. Vamos para o banheiro — Laura a levantou com cuidado.

A cada passo, o barulho da fralda cheia ecoava no silêncio do corredor, um lembrete constante da vulnerabilidade total de Emilly. Ao chegarem no banheiro, Laura a colocou sentada no balcão de mármore, mantendo uma mão firme em sua cintura para garantir que ela não caísse.

O processo de despir Emilly era sempre delicado. Laura começou abrindo os botões do pijama, revelando o peito franzino onde o coração batia acelerado, como o de um passarinho assustado. Quando Laura desceu a calça e abriu as fitas adesivas da fralda, a visão do desastre fez com que Emilly cobrisse os olhos com as mãos, soluçando alto.

— Ei, olha para mim — pediu Laura, sua voz firme mas cheia de doçura. — Tira as mãozinhas do rosto, Emilly. Olhe para a Laura.

Emilly obedeceu devagar, os olhos vermelhos e o rosto manchado.

— Eu não estou brava. Eu nunca vou ficar brava com você por causa disso, entendeu? Você é o meu bebê. E bebês precisam de ajuda. Eu amo cuidar de você, mesmo nessas horas.

Laura começou a limpeza com lenços umedecidos mornos, agindo com uma naturalidade que visava remover qualquer estigma da situação. Ela limpava cada dobra da pele de Emilly com uma paciência angelical, conversando sobre coisas triviais para distraí-la.

— Hoje vamos tentar comer uma frutinha amassada, o que acha? — comentou Laura, enquanto descartava a fralda suja. — E depois podemos ver aquele desenho dos ursinhos que você gosta. Você quer ver os ursinhos?

Emilly assentiu fracamente, mas sua atenção estava voltada para o toque de Laura. Ela começou a ficar mais manhosa à medida que a limpeza avançava. Ela não queria apenas ser limpa; ela queria ser tocada, sentida. Ela começou a passar as mãos pelos braços de Laura, buscando contato constante.

— Pronto, agora o banho para tirar qualquer restinho — disse Laura, ligando o chuveiro.

Ao entrar na água morna, Emilly agarrou-se a Laura como se estivesse em alto-mar. Ela não queria ficar de pé sozinha. Suas pernas pareciam de gelatina. Laura teve que segurá-la com um braço enquanto usava a outra mão para ensaboar o corpo pequeno.

— Você está tão manhosa hoje, hum? — Laura riu baixinho quando Emilly começou a morder levemente seu ombro, um gesto de carinho primitivo. — Quer que eu te carregue o dia todo, é isso?

Emilly soltou um som de afirmação, enterrando o nariz na curva do pescoço de Laura. A dependência estava atingindo um novo patamar. Emilly não queria mais o chão. Ela não queria mais a autonomia de seus próprios passos. O mundo lá fora exigia que ela fosse adulta, que ela falasse, que ela decidisse, que ela controlasse seus esfíncteres. Mas ali, naquele banheiro cheio de vapor e cheiro de sabonete infantil, ela podia simplesmente ser.

Depois do banho, Laura a secou com uma toalha felpuda e a levou de volta para o quarto. Ela vestiu em Emilly uma fralda nova, ajustando as fitas com precisão para que ficasse confortável, e colocou um macacão de plush azul claro.

— Agora, o mamazinho — Laura pegou a tigela de mingau que já estava morna.

Ela se sentou na poltrona de amamentação que havia comprado recentemente e acomodou Emilly em seu colo, na posição de um recém-nascido. Emilly se encaixou ali, os olhos fixos nos de Laura, esperando.

Laura levou a colher à boca dela.

— Abre o bocão para a Laura... Isso, muito bem.

Emilly comeu devagar. A perda de peso era evidente na forma como suas clavículas se projetavam, e Laura sentia uma urgência silenciosa em cada colherada.

— Mais uma... pela Laura — incentivou.

No meio da refeição, Emilly parou. Ela olhou para Laura com uma intensidade que parecia atravessar a névoa infantil. Ela esticou a mão e tocou o rosto de Laura, traçando a linha de sua mandíbula