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Mais que amigos

Reencontro de Almas e Corpos

**Duda POV**

O cheiro de maresia e protetor solar virou o cheiro de livros velhos e café forte. A praia deu lugar aos corredores da escola nova, às salas de aula cheias de rostos desconhecidos. Mudar de escola no segundo ano do ensino médio foi um choque, mas também uma libertação. Era como virar uma página, um novo começo onde o Sasuke não era o protagonista.

No começo, a ausência dele era um buraco no meu peito. Eu o procurava nos rostos da multidão, nos cantos da escola. Cada piada que eu contava e não tinha a risada dele como resposta parecia vazia. Cada conselho que eu guardava pra mim, cada novidade que eu não podia compartilhar, era um lembrete doloroso do que tínhamos perdido. Mas o tempo, como dizem, é o melhor remédio. E eu tinha muito tempo para me curar.

Na nova escola, fiz novos amigos. Conheci a Bia, a Carol e o Leo, que se tornaram meus companheiros de aventura. Com eles, experimentei coisas novas, fui a festas diferentes, explorei outros lados da minha personalidade. Comecei a namorar. O Pedro era fofo, atencioso, mas não tinha a intensidade, a química que eu tinha com o Sasuke. Durou alguns meses, e acabamos em bons termos. Foi bom para mim, para aprender sobre relacionamentos, sobre o que eu gostava e o que eu não gostava.

A verdade é que, por mais que eu tentasse, o Sasuke sempre estava lá, no fundo da minha mente. Como um fantasma, uma sombra que se recusava a ir embora. Eu me pegava pensando nele em momentos aleatórios: quando ouvia uma música que ele gostava, quando via um filme que a gente tinha assistido junto, quando sentia aquele cheiro de maresia que me transportava de volta aos nossos verões.

– Será que ele está bem? – Eu me perguntava. – Será que ele ainda toca guitarra? Será que ele ainda surfa?

A curiosidade me corroía, mas o orgulho me impedia de procurá-lo. E, para ser sincera, eu tinha medo. Medo de que ele tivesse me esquecido, medo de que a gente nunca mais pudesse ser o que era. E, acima de tudo, medo de que a gente nunca tivesse a chance de explorar o "e se" que sempre pairou sobre nós.

Eu me autoconheci, sexualmente e mentalmente. Descobri o poder da minha própria voz, da minha própria sensualidade. A Duda de 1,60m, biotipo pera, com seus cabelos pretos longos e seus piercings, estava mais confiante, mais segura de si. Eu continuava sendo a "intocável" para muitos, mas agora eu sabia que essa intocabilidade era uma escolha, não uma imposição.

A vida seguiu, e o ensino médio chegou ao fim. As provas do vestibular foram um inferno, mas eu consegui. Engenharia Ambiental. Eu estava animada, pronta para mais um novo capítulo. Mal sabia eu que o universo tinha outros planos para mim.

O primeiro dia na faculdade foi caótico. Centenas de alunos, corredores lotados, salas de aula imensas. Eu estava perdida, literalmente. Procurava a sala de aula da minha primeira matéria quando esbarrei em alguém.

– Opa, desculpa! – A voz era familiar. Familiar demais.

Meu coração deu um salto. Levantei os olhos, e lá estava ele. Sasuke. Mais alto, mais forte, com os mesmos piercings, os mesmos alargadores. E aquele sorriso. Aquele maldito sorriso que me desarmava.

– Duda? – Ele parecia tão surpreso quanto eu.

O tempo parou. Os corredores lotados, os murmúrios dos alunos, tudo desapareceu. Éramos só nós dois, de novo. A química, a tensão, a curiosidade. Tudo se reacendeu, como se nunca tivesse se apagado.

– Sasuke! – Eu consegui balbuciar, um sorriso bobo se espalhando pelo meu rosto.

Ele riu, e o som da risada dele foi como música para os meus ouvidos.

– Que coincidência! O que você está fazendo aqui?

– Engenharia Ambiental. E você?

– Engenharia Civil.

Nossos cursos eram no mesmo bloco. O destino, ou talvez o universo, estava brincando conosco.

A partir daquele dia, a gente começou a se encontrar pelos corredores, nos refeitórios, nas bibliotecas. As conversas eram tímidas no começo, cheias de "como você está?" e "o que você tem feito?". Mas logo a barreira de dois anos de silêncio se desfez. A gente se atualizou da vida um do outro, das experiências, dos amores, das decepções.

A amizade renasceu, mais forte do que nunca. A gente estudava junto, ia para as festas universitárias, participava de voluntariados. Era como se a gente nunca tivesse se separado. A química entre nós era palpável, um elefante na sala que todo mundo via, mas que a gente fingia ignorar. Os flertes velados, os olhares demorados, os toques "acidentais". Tudo estava lá, latente, esperando o momento certo para explodir.

As festas universitárias eram o nosso playground. A gente dançava, bebia, ria. Sasuke sempre me puxava para o centro da roda, me fazendo dançar com ele, me girando no ar. Eu adorava a sensação de estar nos braços dele, mesmo que fosse só por alguns segundos.

Uma noite, depois de uma festa de arromba, a gente estava voltando para o meu apartamento. Estávamos bêbados e chapados, rindo de tudo e de nada. A música ainda ecoava nos meus ouvidos, e a adrenalina ainda corria nas minhas veias.

Chegamos ao meu apartamento, e eu mal conseguia destrancar a porta. Sasuke, com sua destreza característica, pegou a chave da minha mão e abriu. Entramos, e o silêncio do apartamento foi um contraste gritante com o barulho da festa.

A gente se olhou, e naquele momento, todas as barreiras caíram. A química explodiu.

– Duda… – Ele sussurrou, a voz rouca.

Eu não disse nada. Apenas me aproximei, e ele me puxou para si. Nossos lábios se encontraram em um beijo desesperado, faminto, que carregava dois anos de saudade, de curiosidade, de desejo reprimido. Era o beijo que a gente sempre quis dar, mas nunca teve coragem.

As mãos dele correram pelos meus cabelos, e as minhas se prenderam em sua nuca, puxando-o para mais perto. O beijo se aprofundou, se intensificou. Nossas línguas dançavam em uma sintonia perfeita, como se tivessem sido feitas uma para a outra.

Ele me levantou no colo, e eu envolvi minhas pernas em sua cintura. Ele me carregou até o meu quarto, e me deitou na cama com delicadeza. Seus olhos escuros brilhavam com uma mistura de desejo e carinho.

Ele estava em cima de mim, e eu podia sentir o calor do seu corpo contra o meu. Aquele era o momento. O momento em que a linha tênue entre a amizade e o amor finalmente seria cruzada.

**Sasuke POV**

A Duda. De novo. O destino realmente tem um senso de humor peculiar. Eu tinha tentado seguir em frente, de verdade. Depois da briga, eu me fechei. Meu orgulho era grande demais para ir atrás dela, e eu sabia que o dela também era. A gente se afastou, e o vazio que ela deixou foi imenso.

Eu continuei minha vida, claro. Com meus 1,80m de corpo atlético de surfista, meus piercings e minha guitarra, eu ainda era o Sasuke. O conquistador, o charmoso, o "bad boy" com um toque de canalha. Saí com muitas garotas, tive meus namoros, minhas ficantes. Algumas eram doces, outras aventureiras, mas nenhuma delas era a Duda. Nenhuma tinha a intensidade dela, a inteligência dela, a risada dela.

Eu me dedicava aos meus hobbies. A guitarra, o basquete, o surf. Tudo para preencher aquele vazio que ela deixou. Eu me divertia, sim, mas sempre com aquela sensação de que algo estava faltando. Uma peça do quebra-cabeça que eu não conseguia encontrar.

Eu pensava nela. Pensava em como ela estaria, o que estaria fazendo, se ainda desenhava, se ainda dançava. A curiosidade me corroía, mas o orgulho me impedia de sequer procurar saber através de amigos em comum. Eu queria que ela viesse atrás de mim, que ela me perdoasse. Mas ela não veio. E eu, teimoso como sou, também não fui.

As experiências que tive me ensinaram muito. Aprendi sobre mim mesmo, sobre o que eu realmente queria em um relacionamento. E, no fundo do meu coração, eu sabia que a Duda era a única que realmente me entendia, que me desafiava, que me fazia querer ser uma versão melhor de mim mesmo.

O ensino médio passou voando, e o vestibular chegou. Eu passei em Engenharia Civil. Estava animado para a faculdade, para um novo começo. Mas mal sabia eu que o novo começo traria de volta o meu passado.

O primeiro dia na faculdade foi uma loucura. Aquele mar de gente, o barulho, a confusão. Eu estava focado em encontrar minha sala de aula quando esbarrei em alguém.

– Opa, desculpa! – Eu disse, sem olhar.

Mas então, eu ouvi a voz dela. A voz que eu não ouvia há dois anos.

– Sasuke?

Meu coração disparou. Eu levantei os olhos, e lá estava ela. Duda. Mais linda do que eu me lembrava, com aqueles cabelos pretos longos que pareciam uma seda e os piercings que só realçavam a beleza dela.

– Duda! – Eu mal conseguia acreditar. Era ela, de verdade.

Aquele sorriso dela. O sorriso que me tirava o fôlego.

– Que coincidência! O que você está fazendo aqui?

– Engenharia Ambiental. E você?

– Engenharia Civil.

Nossos cursos eram no mesmo bloco. O destino estava realmente a nosso favor. Ou contra nós, dependendo do ponto de vista.

A partir daquele dia, a gente começou a se encontrar. Primeiro, eram encontros casuais, nos corredores. Depois, começamos a almoçar juntos, a estudar na biblioteca. Aos poucos, as barreiras de silêncio e orgulho foram caindo. A gente conversava sobre tudo, sobre o que tínhamos vivido nesses dois anos, sobre nossos sonhos e medos.

Era como se a gente nunca tivesse se separado. A amizade voltou, mais forte do que nunca. Mas com ela, voltou também aquela tensão, aquela química que sempre existiu entre nós. Os flertes, os olhares prolongados, os toques "acidentais". Tudo estava lá, fervilhando sob a superfície.

A gente ia para as festas universitárias juntos. Eu adorava vê-la dançar, rir, se soltar. Ela era um espetáculo. E eu, como um bobo, não conseguia tirar os olhos dela. Eu a puxava para dançar, a girava no ar, adorava a sensação do corpo dela contra o meu.

Uma noite, depois de uma festa de arromba, a gente estava voltando para o apartamento dela. Estávamos bêbados e chapados, rindo de tudo. A música ainda ecoava nos meus ouvidos, e a adrenalina ainda corria nas minhas veias.

Chegamos ao apartamento dela, e ela estava com dificuldade para abrir a porta. Eu peguei a chave da mão dela e abri. Entramos, e o silêncio do apartamento foi um contraste com o barulho da festa.

A gente se olhou. Naquele momento, eu soube. Era agora ou nunca.

– Duda… – Minha voz saiu rouca, quase um sussurro.

Ela não disse nada. Apenas se aproximou, e eu a puxei para mim. Nossos lábios se encontraram em um beijo que era tudo o que eu tinha sonhado e mais um pouco. Era um beijo desesperado, faminto, que carregava dois anos de saudade, de curiosidade, de desejo reprimido.

Minhas mãos correram pelos cabelos dela, e as dela se prenderam em minha nuca, puxando-me para mais perto. O beijo se aprofundou, se intensificou. Nossas línguas dançavam em uma sintonia perfeita, como se tivessem sido feitas uma para a outra.

Eu a levantei no colo, e ela envolveu as pernas em minha cintura. Eu a carreguei até o quarto dela, e a deitei na cama com delicadeza. Meus olhos escuros brilhavam com uma mistura de desejo e carinho.

Eu estava em cima dela, e podia sentir o calor do corpo dela contra o meu. Aquele era o momento. O momento em que a linha tênue entre a amizade e o amor finalmente seria cruzada. E eu mal podia esperar para ver o que aconteceria a seguir.