melhores amigos?
Sinfonia de Pele e Desejo
O silêncio em Neverland sempre teve uma textura diferente para S/N, mas naquela noite, ele vibrava. Não era o silêncio da solidão que ela conhecia tão bem ao lado de Jason, mas uma quietude carregada, elétrica, como a pausa antes do refrão mais explosivo de uma canção. A lareira na biblioteca ainda estalava, lançando sombras dançantes nas paredes repletas de livros, mas o foco de S/N estava inteiramente no homem à sua frente.
Michael a observava com uma intensidade que a fazia perder o fôlego. Não era o olhar do "Rei do Pop" para as câmeras; era o olhar de Michael, o homem, despido de todas as máscaras, revelando uma fome que ele havia escondido atrás de sorrisos gentis e mensagens de texto por anos.
Ele se levantou do sofá, estendendo a mão para ela. O movimento foi lento, quase cerimonioso.
— O sofá é pequeno demais para o que eu quero te mostrar agora — sussurrou ele, a voz tão baixa que era quase um toque físico em seus ouvidos.
S/N colocou a mão na dele, sentindo o calor instantâneo da palma de Michael contra a sua. Ela se deixou ser guiada pelos corredores silenciosos da mansão até o santuário particular dele: o quarto principal. A iluminação era suave, vinda de abajures de cristal que banhavam o ambiente em um tom âmbar.
Assim que a porta se fechou com um clique suave, o mundo exterior deixou de existir. Michael não esperou. Ele a puxou para seus braços, prensando-a contra a madeira da porta. Seus lábios se encontraram com uma urgência que não existia no beijo anterior no parque. Este era faminto, exigente. A língua dele explorava a dela com uma maestria que a fazia arquear as costas, as mãos dela se perdendo nos cachos negros da nuca dele.
— Michael... — ela arfou entre os beijos, sentindo as mãos dele descerem pelas suas costas, apertando sua cintura por cima do moletom largo.
— Eu esperei tanto por isso, S/N — murmurou ele contra o pescoço dela, distribuindo beijos úmidos que a faziam estremecer. — Você não tem ideia de quantas noites passei imaginando você aqui, sob o meu toque.
Ele começou a puxar o moletom para cima. S/N levantou os braços, ajudando-o a livrar-se da peça de roupa. Quando o tecido caiu no chão, Michael parou por um segundo, seus olhos percorrendo cada curva da pele morena dela, agora exposta apenas em peças íntimas de renda. A admiração no olhar dele era quase palpável.
— Você é uma obra de arte — disse ele, a voz falhando levemente. — Mais bonita do que qualquer pintura nesta casa.
Com dedos ágeis, Michael começou a desabotoar a própria camisa. S/N observava, hipnotizada, enquanto o peito definido e a pele clara dele eram revelados. Quando a camisa foi descartada, ela estendeu as mãos, tocando os músculos do peito dele, sentindo o coração de Michael batendo freneticamente sob a palma de sua mão.
— O seu coração está tão acelerado quanto o meu — comentou ela, com um sorriso tímido.
— Ele bate por você — respondeu ele, pegando-a no colo com uma facilidade surpreendente e levando-a até a cama imensa, coberta por lençóis de seda negra.
Michael a deitou com delicadeza, mas logo se posicionou sobre ela, sustentando o peso nos antebraços. O contraste de suas peles — a dela, um bronzeado profundo e radiante; a dele, pálida e macia — era uma visão que ele queria gravar na memória para sempre.
Ele começou a trilhar um caminho de beijos de seu queixo até o vale entre seus seios. S/N soltou um gemido baixo, suas unhas cravando-se levemente nos ombros dele. Cada toque de Michael era preciso, carregado de uma sensibilidade que beirava a adoração. Ele desceu mais, a boca encontrando a pele sensível de seu ventre, enquanto suas mãos deslizavam pelas coxas dela, removendo as últimas barreiras de tecido com uma lentidão torturante.
— Michael, por favor... — ela implorou, a voz embargada pelo desejo.
— Shh... — ele sussurrou, olhando-a nos olhos enquanto se livrava do restante de suas roupas. — Não há pressa, meu amor. Temos a noite inteira. Eu quero conhecer cada centímetro de você.
Quando ele finalmente se uniu a ela, o contato pele a pele foi como uma explosão. Michael se moveu com uma graça rítmica, quase como se estivessem dançando uma música que só eles podiam ouvir. Ele era intenso e, ao mesmo tempo, incrivelmente atento a cada reação dela. Cada suspiro que ela soltava parecia dar a ele mais força, mais vontade de agradá-la.
— Diga meu nome — ele pediu, a voz rouca, o suor brilhando em sua testa sob a luz fraca.
— Michael... Oh, Michael... — ela respondeu, envolvendo as pernas em volta da cintura dele, puxando-o para mais perto, querendo que não houvesse nenhum espaço entre eles.
O prazer subia em ondas, uma maré crescente que ameaçava afogá-los. Michael a beijava com paixão, suas mãos entrelaçadas com as dela contra o travesseiro. Ele a tratava como se ela fosse algo precioso e sagrado, mas o desejo em seus movimentos era puramente carnal, cru e avassalador.
Quando o ápice finalmente os alcançou, foi como se o universo se dissolvesse. S/N gritou o nome dele, escondendo o rosto na curva de seu pescoço, enquanto sentia Michael se entregar completamente a ela, o corpo dele tremendo contra o dela em uma liberação que parecia exorcizar anos de saudade e frustração.
Eles ficaram ali, abraçados, enquanto a respiração voltava ao normal aos poucos. O silêncio voltou a reinar no quarto, mas agora era um silêncio de plenitude. Michael puxou o edredom sobre eles, mantendo-a firmemente colada ao seu peito.
— Você está bem? — perguntou ele, beijando a têmpora dela.
— Eu nunca estive tão bem em toda a minha vida — respondeu S/N, desenhando círculos invisíveis no peito dele. — Eu nem sabia que era possível se sentir assim.
Michael soltou um suspiro de satisfação, fechando os olhos.
— Eu te disse. Você merece ser tratada como a música mais bonita já escrita. E eu pretendo passar o resto da minha vida compondo essa sinfonia com você.
S/N sorriu, sentindo o calor do corpo dele e a segurança de seus braços. O fantasma de Jason e de todas as suas inseguranças havia desaparecido, queimado no fogo daquela noite.
— Sabe de uma coisa? — disse ela, levantando a cabeça para olhá-lo.
— O quê?
— Aquela mensagem que você mandou... dizendo que queria que ficasse registrado para eu não ter dúvidas.
Michael sorriu, o brilho nos olhos voltando.
— Sim?
— Acho que vou precisar de novos registros. Com frequência. — Ela mordeu o lábio inferior, um desafio brilhando em seu olhar.
Michael soltou uma risada baixa e melodiosa, rolando novamente para cima dela, os olhos escuros prometendo chamas ainda mais altas.
— Considere isso uma promessa, S/N. Eu vou me certificar de que você nunca mais esqueça quem é o dono do seu coração. E de cada centímetro do seu corpo.
E, sob o teto estrelado de Neverland, a música deles recomeçou, mais alta e mais intensa do que nunca.