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Meu aliado perfeito

O Sussurro da Maré e o Labirinto de Desejos

O salitre do mar parecia ter se transformado em uma névoa de feromônios que flutuava sobre a areia, infiltrando-se nas frestas da nossa casa. A festa da tribo Maori ainda rugia lá fora — o som dos tambores era um batimento cardíaco coletivo, e o Haka dos meus irmãos ainda ecoava em meus ouvidos como um trovão distante. Mas, dentro do meu quarto, o silêncio era denso, carregado por uma eletricidade estática que fazia os pequenos pelos dos meus braços se arrepiarem.

Eu estava parada diante do espelho de corpo inteiro, lutando com os fios rebeldes do meu cabelo. Eles estavam úmidos, salgados e selvagens, recusando-se a obedecer a qualquer grampo ou pente. O colar de safira que Andre me dera pulsava contra meu esterno, emitindo um brilho azulado que parecia acompanhar o ritmo da minha respiração ofegante. A saia de fibras naturais roçava em minhas coxas, e o aroma das flores tropicais em meu decote estava se tornando inebriante, quase narcótico sob o calor da noite.

Eu me sentia estranha. A visita de Calisto na praia havia aberto comportas que eu não sabia como fechar. O gelo em minhas veias não estava frio; ele queimava. Era uma criocinese faminta, uma necessidade de ser tocada, de ser reivindicada, de fundir minha natureza elemental com a força bruta daqueles que me cercavam.

Ouvi o estalido da madeira do corredor. Dois pares de passos. Ritmos diferentes, mas ambos pesados, decididos, predatórios. O ar no quarto mudou instantaneamente. O cheiro de floresta úmida, couro e chuva — Derek. E o aroma de sândalo, terra molhada e uma energia vibrante de Alfa — Scott.

A porta não foi aberta com violência, mas com uma lentidão que era muito mais ameaçadora. Derek entrou primeiro, sua silhueta preenchendo o batente, os olhos verdes brilhando na penumbra como brasas em uma lareira moribunda. Scott vinha logo atrás, fechando a porta com um clique seco que selou o mundo lá fora.

— A festa ainda não acabou — eu disse, minha voz saindo mais trêmula do que eu pretendia. — Meus irmãos vão notar se vocês ficarem muito tempo aqui dentro.

— Seus irmãos estão ocupados demais celebrando o sangue deles para notar o que o nosso sangue está pedindo — Derek deu um passo à frente, a voz rouca, uma vibração que eu senti na base da minha coluna.

Scott parou ao lado dele. A luz da lua que entrava pela janela cortava seu rosto, revelando a mandíbula tensa e os olhos que já não eram mais castanhos, mas um vermelho escarlate que pulsava com o poder do Alfa.

— O cheiro que você está emanando, Rose... — Scott começou, sua voz carregada de uma urgência que ele tentava, sem sucesso, suprimir. — Não é apenas o oceano. É um convite. Você sabe o que está fazendo com a gente?

— Eu não estou fazendo nada — menti, voltando-me para o espelho, embora minhas mãos estivessem tremendo. — Só estou tentando arrumar meu cabelo.

Derek soltou um riso baixo, um som gutural que era quase um rosnado de satisfação. Ele se aproximou por trás de mim, e eu pude sentir o calor irradiando de seu corpo, um contraste violento com a brisa fria que eu involuntariamente criava.

— Deixe o cabelo — sussurrou Derek em meu ouvido, suas mãos subindo pelos meus braços, deixando um rastro de fogo na pele bronzeada pelo sol. — Ele combina com a sua natureza. Selvagem. Indomável.

Eu fechei os olhos quando senti os dedos dele se entrelaçarem nos meus cabelos, puxando-os levemente para o lado para expor meu pescoço. Pelo espelho, vi Scott se aproximar pela frente. Ele não me tocou imediatamente; ele apenas ficou ali, observando a cena com uma fome que parecia devorar o ar entre nós.

— Você disse que era a tempestade — Scott lembrou, sua mão subindo para tocar o colar de safira, o polegar roçando a pele sensível logo acima do meu decote. — E uma tempestade precisa de um centro. Precisa de algo para envolver.

— Scott... Derek... — o nome deles saiu como um suspiro.

O gelo começou a se formar nas bordas da janela, desenhando padrões de cristais que brilhavam com a luz da safira. Eu estava perdendo o controle, e a possessividade deles era a âncora que me impedia de flutuar para longe, para o fundo do oceano de Calisto.

— Você pertence à tribo — Derek disse, seus lábios roçando meu ombro, os dentes raspando levemente a pele em uma promessa de marcação. — Mas aqui, neste quarto, você pertence à alcateia. Você pertence a nós.

— Eu não sou um troféu — retruquei, tentando manter um resquício de autonomia, mesmo quando minhas pernas fraquejavam sob o toque de Derek.

— Não — Scott concordou, seus olhos vermelhos fixos nos meus. — Você é a nossa força. O equilíbrio que nos mantém vivos. Mas o desejo, Rose... o desejo é algo que nem mesmo um Alfa pode controlar o tempo todo.

Scott deu o passo final, encurtando a distância. Suas mãos envolveram minha cintura, puxando-me para frente enquanto Derek me mantinha presa por trás. Eu estava prensada entre dois Alfas, entre o fogo da floresta e a força da terra. O ar sexual no quarto tornou-se tão espesso que era quase palpável, uma névoa de luxúria e poder elemental.

— O que meus irmãos diriam se vissem isso? — perguntei, a respiração curta.

— Eles diriam que você escolheu bem — Derek respondeu, virando meu rosto para que eu olhasse para ele. — Eles sentem o mesmo tipo de fogo. Eles sabem que você precisa de alguém que não tenha medo de se queimar no seu gelo.

Derek me beijou primeiro. Foi um beijo agressivo, territorial, que reivindicava cada centreu da minha boca. Eu retribui com a mesma intensidade, sentindo o sabor de perigo e desejo. Enquanto Derek me dominava, senti as mãos de Scott subirem pelas minhas costas, seus dedos traçando a linha da minha coluna com uma precisão que me fazia arquear o corpo em direção a ele.

Quando Derek se afastou para respirar, Scott ocupou o espaço. O beijo de Scott era diferente — era profundo, envolvente, uma promessa de proteção misturada com uma paixão avassaladora. Era o beijo de quem liderava, de quem guiava, mas que naquele momento estava disposto a ser guiado pelos meus instintos.

— Você está gelada — murmurou Scott contra meus lábios, sua mão descendo para a curva do meu quadril.

— E vocês estão queimando — respondi, sentindo o poder de Calisto vibrar no colar.

O gelo no quarto começou a se espalhar pelo chão, criando um tapete cintilante sob nossos pés. O contraste entre o frio do ambiente e o calor dos corpos deles era uma sinfonia de sensações. Eu me sentia poderosa, desejada e, pela primeira vez, completamente entregue à minha própria natureza.

— Isaac e Stiles estão lá fora — eu disse, tentando lembrar da realidade. — Eles vão sentir... eles vão saber.

— Deixe que saibam — Derek rosnou, descendo os beijos para o meu colo, sua mão apertando minha coxa com uma possessividade que me fez soltar um gemido baixo. — Eles fazem parte disso tanto quanto nós. Mas agora, você é nossa.

A porta do quarto estalou novamente. Eu me sobressaltei, esperando ver Andre ou Lucca com suas lanças rituais prontos para o combate. Mas não eram meus irmãos.

Isaac e Stiles entraram, fechando a porta silenciosamente atrás de si. A expressão de Isaac era de uma adoração absoluta, seus olhos brilhando com a luz refletida no gelo. Stiles parecia estar em um estado de choque e fascínio, a respiração pesada, os olhos fixos na cena de Scott e Derek me cercando.

— Eu disse que o cheiro estava vindo daqui — sussurrou Stiles, a voz falhando. — É como se o ar estivesse pegando fogo e congelando ao mesmo tempo.

— Stiles... Isaac... — eu chamei, estendendo a mão para eles.

Isaac aproximou-se como um fiel em direção a um altar. Ele se ajoelhou à minha frente, pegando minha mão e beijando os nós dos meus dedos com uma reverência que me fez sentir como a deusa que Calisto descrevera.

— Você é linda, Rose — disse Isaac, olhando para cima. — O gelo... ele brilha em você.

Stiles parou ao lado de Scott, sua presença humana trazendo um equilíbrio estranho àquela reunião de predadores. Ele tocou meu rosto com a ponta dos dedos, uma carícia suave que contrastava com a força bruta de Derek.

— Eu não sei como vim parar no meio de uma alcateia de lobisomens e uma rainha de gelo — brincou Stiles, embora seu olhar fosse carregado de um desejo profundo —, mas eu não trocaria este lugar por nada no mundo.

Estávamos todos ali, em um círculo de desejo e segredos, enquanto a festa Maori continuava a rugir lá fora. A possessividade de Derek, a liderança de Scott, a devoção de Isaac e a lealdade de Stiles fundiam-se em uma única energia que me envolvia.

— A tribo celebra o sangue — eu disse, minha voz agora firme, assumindo o controle da situação. — Mas nós... nós celebramos o que somos além da pele.

Puxei Stiles para perto, beijando-o com uma doçura que logo se transformou em paixão, enquanto as mãos de Derek e Scott continuavam a me explorar. Isaac abraçou minhas pernas, seu rosto escondido na saia de fibras, buscando o conforto da minha presença.

Naquele momento, eu não era apenas uma garota com poderes ou uma atriz em um palco. Eu era o nexo de uma alcateia, a soberana de um território que não tinha fronteiras geográficas, apenas emocionais e elementais. O gelo que eu criava não era mais uma barreira; era a moldura de um quadro de luxúria e lealdade.

— Seus irmãos vão entrar aqui a qualquer momento — Stiles ofegou, afastando-se do beijo, mas ainda mantendo os braços ao meu redor.

— Deixe que entrem — respondi, sorrindo com uma confiança selvagem. — Eles sabem que o oceano não pode ser contido. E eles sabem que eu escolhi meus guardiões.

Derek rosnou em aprovação, puxando-me para um abraço coletivo que parecia selar um pacto eterno. O calor dos quatro homens era uma barreira contra qualquer frio que o mundo pudesse tentar me impor.

Lá fora, o Haka atingia seu clímax. O grito de Andre e Lucca ecoou, um som de triunfo e desafio. E dentro do quarto, entre o brilho da safira e o reflexo do gelo, eu finalmente aceitei o meu lugar. Eu era a Rainha de Gelo de Beacon Hills, e minha alcateia estava pronta para queimar e congelar o mundo ao meu lado.

O romance, as reviravoltas e a possessividade eram apenas o começo. O Titanic poderia até afundar no palco, mas aqui, na realidade das sombras e dos instintos, nós éramos inafundáveis. E enquanto o amanhecer não chegava, o quarto era o nosso oceano, e nós éramos os únicos mestres das marés.

— Rose — Scott chamou, sua voz de Alfa agora suave, quase um ronronar. — O que acontece agora?

Olhei para cada um deles, sentindo o elo de Calisto pulsar em meu peito, conectando-me a cada um daqueles homens.

— Agora — respondi, deixando o gelo cobrir completamente as paredes do quarto, isolando-nos do resto do universo — nós mostramos ao destino que ele não manda em nós.

A noite estava longe de acabar, e em Beacon Hills, os segredos de Scott, Derek, Isaac e Stiles estavam agora gravados no meu gelo, protegidos pelo meu sangue e celebrados pelo meu desejo. O Titanic era apenas uma peça; a nossa história era a verdadeira lenda. E eu estava apenas começando a escrevê-la com cristais de gelo e suspiros de fogo.