Meu bebê
Bolhas de Sabão e Promessas de Veludo
A manhã na cobertura de Ester tinha um brilho diferente, um tom de dourado que parecia abraçar cada móvel de design e cada detalhe do refúgio que elas haviam construído. Camila, ainda envolta nos lençóis de seda, observava Ester se arrumar. A namorada mais velha era a personificação da elegância: vestia uma calça de alfaiataria cinza e uma camisa de seda branca que realçava seu porte atlético e sua postura de liderança.
— Papa tá muito linda — murmurou Camila, a voz abafada pela chupeta rosa que agora descansava entre seus lábios.
Ester parou de ajeitar o relógio de pulso e olhou para o reflexo de Camila no espelho. Um sorriso involuntário e carregado de adoração surgiu em seu rosto. Ela caminhou de volta até a cama, sentando-se na beirada e inclinando-se para dar um selinho demorado na testa da menor.
— E a minha pequena é a garota mais doce desse mundo — Ester disse, sua voz descendo para aquele tom suave que reservava apenas para os momentos a sós. — Mas lembre-se do nosso combinado. Aula de História da Arte primeiro, banho de nuvem depois.
Camila assentiu entusiasticamente, sentando-se na cama e deixando o lençol escorregar, revelando o pijama de ursinhos. Ela estendeu os braços, um pedido mudo que Ester nunca conseguia recusar. A mais velha a puxou para um abraço apertado, sentindo o cheiro de baunilha que emanava da pele de Camila, um contraste delicioso com seu próprio perfume amadeirado.
— Mila vai ser uma boa menina — prometeu a garota, a voz saindo fina e doce. — Mila vai anotar tudo o que o professor falar, igual uma nerd de verdade.
Ester riu, apertando as bochechas coradas de Camila.
— Você é a nerd mais linda que já pisou naquela faculdade. Agora, vamos. Vou te ajudar a escolher um vestido bem bonito.
Cerca de quarenta minutos depois, as duas atravessavam o campus. Ester caminhava com sua confiança habitual, mas sua mão nunca soltava a de Camila. Para o mundo exterior, elas eram o casal "it" da instituição: a herdeira brilhante e a bolsista prodígio. Ninguém imaginava que, dentro da mochila de lona de Camila, entre cadernos de cálculo e canetas coloridas, havia um prendedor de chupeta de pelúcia e um pacotinho de lenços umedecidos com cheiro de lavanda.
A aula de História da Arte passou como um borrão para Camila. Ela se esforçava para focar nas projeções de quadros renascentistas, mas sua mente não parava de viajar para o que aconteceria mais tarde. Ela sentia o olhar de Ester sobre si de vez em quando — elas sentavam em filas próximas — e cada vez que seus olhos se cruzavam, Ester lhe lançava um piscar de olhos discreto ou um sorriso encorajador.
Quando o sinal finalmente tocou, anunciando o fim do período, Camila foi a primeira a fechar o caderno.
— Alguém está com pressa — brincou Ester, aproximando-se da mesa de Camila enquanto os outros alunos saíam da sala.
— Mila quer as bolhas, Papa! — sussurrou Camila, olhando ao redor para garantir que ninguém ouvia sua forma de falar. — E Mila está com fominha de lanche.
Ester acariciou o rosto de Camila com o polegar, sentindo a maciez da pele que ela tanto amava.
— Então vamos para casa, meu anjo. O motorista já está esperando.
O trajeto de volta foi silencioso, mas carregado de uma antecipação palpável. Camila encostou a cabeça no ombro de Ester, sentindo o calor do corpo da namorada. Ester, por sua vez, aproveitava o momento para relaxar da pressão das aulas de economia e gestão. Estar com Camila era seu porto seguro; cuidar da pequena era a única coisa que realmente acalmava sua mente ambiciosa.
Assim que entraram na cobertura, o "personagem" da faculdade caiu por terra. Camila chutou os sapatos e correu para o sofá, pegando seu coelhinho de pelúcia, o "Sr. Orelhas".
— Papa, agora? — perguntou ela, os olhos brilhando.
— Agora — confirmou Ester, desabotoando os punhos da camisa. — Vá para o banheiro, eu vou preparar tudo.
Enquanto Camila se despia no banheiro luxuoso, Ester começou a encher a enorme banheira de hidromassagem. Ela despejou uma quantidade generosa de sais de banho de morango e um líquido que criava montanhas de espuma branca. Em poucos minutos, a água estava quente e coberta por uma camada espessa de bolhas, exatamente como prometido.
Camila apareceu na porta, tímida, cobrindo o corpo com as mãos pequenas, apesar de já terem compartilhado momentos de extrema intimidade. Ester a olhou com uma ternura que transbordava.
— Venha, pequena. A água está perfeita.
Ester ajudou Camila a entrar na banheira. A garota soltou um suspiro de puro deleite ao sentir o calor envolver seus músculos cansados. Ester, que já havia tirado a camisa e ficado apenas com uma regata preta que marcava seus braços, sentou-se no banco de mármore ao lado da banheira.
— Olha, Papa! Mila é uma nuvem! — Camila exclamou, pegando um punhado de espuma e colocando sobre a cabeça, rindo da própria travessura.
— Você é a nuvem mais fofa que eu já vi — Ester disse, pegando uma esponja macia e começando a lavar as costas de Camila com movimentos circulares e lentos.
O cuidado de Ester era quase ritualístico. Ela lavava cada centímetro da pele de Camila com uma paciência infinita, tratando-a como a joia rara que acreditava que ela fosse. Camila fechava os olhos, entregando-se totalmente ao toque. Naquele momento, não havia provas, não havia pressões sociais, não havia a necessidade de ser a "nerd perfeita". Havia apenas o carinho de Ester.
— Papa ama a Mila? — a pergunta saiu baixa, quase perdida no som da água.
Ester parou o movimento da esponja e inclinou-se, beijando o ombro molhado de Camila.
— Mais do que tudo no mundo, Camilinha. Eu amo sua inteligência, amo sua força, mas amo ainda mais esse seu coraçãozinho puro que você confia a mim.
Camila virou-se na banheira, jogando um pouco de água em Ester em um impulso brincalhão.
— Mila ama muito a Papa. Papa é forte e protege a Mila de tudo.
Ester sorriu, mas o brilho em seus olhos mudou. O carinho paternal e protetor começou a se fundir com o desejo intenso que ela sentia pela mulher à sua frente. Ela estendeu a mão e acariciou o queixo de Camila, levantando seu rosto para que seus olhares se fixassem.
— A pequena quer sair da banheira agora? — Ester perguntou, a voz tornando-se mais profunda. — Eu quero te secar... e quero te mostrar o quanto eu te amo.
Camila entendeu o convite. Um arrepio percorreu sua espinha, e ela assentiu, as bochechas subitamente mais vermelhas que o normal. Ester a ajudou a sair e a envolveu em um roupão de felpa branco, carregando-a no colo até o quarto espaçoso.
Ao deitá-la na cama, Ester não a tratou como um bebê, mas como a mulher que a levava à loucura. Ela removeu o roupão de Camila com delicadeza, mas seus olhos famintos percorriam cada curva.
— Você é tão perfeita, Camila — sussurrou Ester, posicionando-se entre as pernas da namorada.
— Papa... — Camila arqueou as costas quando sentiu os lábios de Ester encontrarem a pele sensível de sua coxa. — Faz a Mila se sentir sua.
— Você já é minha — declarou Ester antes de tomar os lábios de Camila em um beijo urgente.
O que se seguiu foi uma dança de paixão e entrega. Ester era dominante, mas sempre atenta a cada suspiro de Camila, garantindo que ela estivesse no ápice do prazer. Camila, por sua vez, perdia-se nas sensações, alternando entre sons de puro deleite e o nome de Ester dito como uma prece. Elas faziam amor com uma voracidade que parecia querer fundir suas almas, um contraste selvagem com a doçura do banho de espuma de minutos atrás.
Quando o êxtase finalmente as alcançou, elas ficaram abraçadas, as respirações sincronizando-se aos poucos. O suor brilhava em suas peles sob a luz suave do abajur.
— Isso foi... uau — ofegou Camila, escondendo o rosto no pescoço de Ester.
— Foi maravilhoso, como sempre — Ester respondeu, puxando o edredom para cobri-las. — Você está bem, meu amor?
— Mila está muito feliz — a garota respondeu, voltando gradualmente ao seu estado de "little" após a intensidade do momento. — Mas Mila está com sono agora.
Ester sorriu e esticou o braço para pegar a mamadeira que já deixara preparada no aquecedor ao lado da cama. Era leite morno com um toque de mel e canela, o favorito de Camila.
— Aqui, pequena. Tome tudo para crescer forte.
Camila segurou a mamadeira com as duas mãos, sugando o líquido com satisfação enquanto Ester acariciava seus cabelos. A transição entre os papéis era tão fluida que parecia a coisa mais natural do mundo. Para elas, não havia contradição em serem amantes intensas em um momento e cuidadora e bebê no outro. Eram apenas as facetas de um amor completo.
— Papa? — Camila chamou, a voz já pesada pelo sono, após terminar o leite.
— Sim, vida?
— Amanhã a gente pode ir ao parque? Mila queria ver os patinhos de verdade.
Ester beijou o topo da cabeça de Camila, sentindo uma paz imensa.
— Claro que podemos, pequena. Vamos fazer um piquenique. Só eu, você e o Sr. Orelhas.
— E chocolate quente? — Camila insistiu, fechando os olhos.
— Com quantos marshmallows você quiser — prometeu Ester, repetindo a frase que dera início a tudo.
Enquanto Camila adormecia profundamente, protegida pelos braços de Ester, a veterana ficou observando-a por um longo tempo. Ela sabia que muitos na faculdade as julgariam se soubessem da verdade, que chamariam de estranho ou infantil. Mas Ester olhava para Camila e via apenas a coragem de ser quem era em um mundo que exigia que todos fossem iguais.
Ela ajeitou a chupeta que Camila havia pegado instintivamente antes de apagar e ajeitou a pequena em seu peito. Ester era rica, influente e inteligente, mas nada disso chegava perto da riqueza que sentia ao ser o porto seguro de Camila Cabello.
Naquela noite, sob o céu estrelado que se via pelas janelas da cobertura, o silêncio era preenchido apenas pela respiração calma das duas. Era o refúgio perfeito, onde a nerd e a popular não existiam, onde apenas o amor, o cuidado e as bolhas de sabão importavam. E, enquanto Ester fechava os olhos para também descansar, ela soube que faria qualquer coisa para manter aquele sorriso no rosto de sua pequena, todos os dias, para sempre.