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Minha ceo

O Peso do Cetim e o Gelo do Olhar

O silêncio na sala da presidência era interrompido apenas pelo som rítmico das teclas do computador de Karinna. Para quem visse de fora, através das paredes de vidro jateado, a cena era de uma produtividade impecável. No entanto, para Karen, sentada na mesa de reunião com o paletó de grife da esposa sobre os ombros, o tempo parecia ter se transformado em algo denso e viscoso. A ardência em suas coxas era um lembrete constante de que a brincadeira matinal havia atingido um muro de concreto.

Karinna não olhava para ela. A CEO estava mergulhada em planilhas de exportação e protótipos de uma nova linha de brinquedos sensoriais. Sua postura era a personificação da disciplina que ela exigia de todos ao seu redor, especialmente de sua submissa.

— Mestra? — A voz de Karen saiu pequena, quase um sussurro, quebrando a barreira do som mecânico do escritório.

Karinna parou de digitar. O silêncio que se seguiu foi mais cortante do que qualquer palavra. Ela não levantou o rosto imediatamente; primeiro, organizou alguns papéis, fechou uma aba do navegador e só então fixou seus olhos escuros na mulher à sua frente.

— Eu dei permissão para você falar, Karen? — O tom era desprovido de emoção, o que era infinitamente mais aterrorizante para a modelo do que um grito.

— Não, senhora. Peço desculpas. — Karen baixou a cabeça, sentindo o rosto queimar de vergonha.

— Ótimo. Mantenha o foco no motivo de estar aí. — Karinna voltou ao trabalho.

Cerca de vinte minutos depois, o interfone tocou. Karinna apertou o botão do viva-voz com a ponta do dedo indicador, um movimento preciso e elegante.

— Sim, Letícia?

— Com licença, Sra. Karinna. A encomenda que a senhora pediu chegou. O conjunto da boutique e... os documentos que precisam de assinatura urgente para o embarque de amanhã. — A voz da secretária era profissional, mas Karen sentiu um calafrio. Ela sabia que Letícia a vira entrar naquela manhã com a saia provocante. A humilhação de ser "recolhida" pela esposa era um prato amargo.

— Deixe os documentos na ante sala. Traga o pacote da boutique aqui para dentro. — Karinna ordenou.

A porta se abriu e Letícia entrou, carregando uma sacola de papel de seda preto. Ela evitou olhar diretamente para Karen, que tentava se encolher sob o paletó de Karinna, mas o ambiente exalava o cheiro de castigo e autoridade. A secretária colocou a sacola sobre a mesa de centro e saiu com uma reverência discreta.

Karinna levantou-se. Ela caminhou até a sacola, retirando de lá um vestido de corte reto, em um tom de azul-marinho tão escuro que beirava o preto. Era uma peça conservadora, de gola alta e comprimento abaixo dos joelhos. Junto a ele, uma peça de lingerie básica, de algodão fino, sem rendas, sem transparências, sem fetiches.

— Vá ao banheiro privativo. Lave o rosto, tire essa maquiagem de "caçadora" e vista isso. — Karinna jogou as roupas sobre o colo de Karen. — Quero você limpa. Quero você simples. Quero que você pareça a esposa de uma CEO, não uma fantasia ambulante.

Karen pegou as roupas, sentindo o peso do tecido.

— Sim, Mestra.

Dentro do banheiro de mármore, Karen encarou o espelho. Seus olhos estavam levemente inchados, e o batom vermelho estava borrado nos cantos. Ela removeu cada traço de cor do rosto até que restasse apenas a palidez de sua pele natural. Ao vestir a lingerie de algodão e o vestido casto, ela sentiu como se estivesse vestindo uma armadura de humildade. O contraste com a saia de couro que agora jazia no lixo era absoluto.

Quando ela retornou à sala, Karinna estava de pé junto à janela, observando o pôr do sol que tingia o céu de São Paulo com tons de laranja e púrpura.

— Aproxime-se — disse Karinna, sem se virar.

Karen caminhou até ela e parou a um passo de distância, mantendo as mãos entrelaçadas à frente do corpo.

— Você achou que, por ser minha esposa e a face da minha marca, as regras de decoro não se aplicavam a você dentro destes muros? — Karinna virou-se, as mãos nos bolsos da calça social.

— Eu agi sem pensar, Karinna... Mestra. Eu só queria...

— Você queria me desestabilizar. — Karinna deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Karen. — Você usou o desejo dos meus funcionários, o burburinho do corredor e a sua própria nudez como armas em uma briga doméstica. Isso é baixo, Karen. É indigno da posição que você ocupa e do colar invisível que você carrega.

Karen sentiu uma lágrima solitária escorrer. O peso moral daquela bronca doía mais do que a palmatória.

— Eu sinto muito. Eu nunca quis desrespeitar a K&K, nem o que você construiu.

— Mas desrespeitou. — Karinna estendeu a mão e tocou o pescoço de Karen, onde o pulso da modelo batia acelerado. — Sua punição física terminou, mas sua disciplina está apenas começando. Você vai me acompanhar em um jantar de negócios hoje à noite. Com o grupo japonês que quer a exclusividade da nossa linha de luxo.

Karen arregalou os olhos. Aquela era a reunião mais importante do semestre.

— Mas... eu não estou preparada. Eu achei que você me mandaria para casa para refletir.

— Você vai refletir ao meu lado, em silêncio. — Karinna sorriu, mas não era um sorriso gentil. — Você vai sentar-se à mesa, vai ser a esposa perfeita, vai sorrir quando for solicitada e não vai emitir uma única opinião sobre os negócios. Você será o meu adorno e a minha sombra. Se eu perceber um único deslize, um único olhar de tédio ou uma tentativa de chamar atenção para si... as consequências em casa serão severas o suficiente para você não conseguir sentar por uma semana. Fui clara?

— Sim, Mestra. Entendido.

— Ótimo. Agora, sente-se ali no sofá. Tenho mais duas horas de trabalho. Você não vai ler, não vai usar o celular e não vai sair do lugar. Apenas observe como se governa um império, já que você pareceu esquecer que ele exige seriedade.

As duas horas seguintes foram um exercício de resistência mental para Karen. O sofá era confortável, mas a imobilidade era um tormento. Ela observava Karinna atender chamadas em inglês e alemão, dar ordens precisas aos diretores e revisar contratos com uma velocidade impressionante. Ela via a mulher que amava em seu estado mais puro: poderosa, inalcançável e absoluta.

Quando o relógio marcou dezenove horas, Karinna fechou o laptop com um estalo seco.

— Vamos. O carro está esperando no subsolo.

O trajeto até o restaurante nos Jardins foi feito em silêncio absoluto. No banco de trás do sedã blindado, Karinna segurava a mão de Karen, mas o aperto não era de carinho; era um lembrete de posse. Quando chegaram, o maître as conduziu a uma sala privativa onde três executivos japoneses já as aguardavam.

O jantar foi uma coreografia de etiquetas. Karen cumpriu seu papel com perfeição. Ela permaneceu em silêncio, comendo pequenas porções, mantendo a postura ereta e os olhos baixos sempre que a conversa se tornava técnica. No entanto, por baixo da mesa, a mão de Karinna ocasionalmente repousava em sua coxa, apertando o tecido do vestido azul-marinho sempre que um dos executivos dirigia um elogio à beleza de Karen.

— Sua esposa é verdadeiramente uma visão, Sra. Karinna — disse o Sr. Tanaka, através do tradutor. — A personificação da elegância brasileira.

Karinna sorriu, um brilho de orgulho possessivo nos olhos.

— Ela é muito dedicada aos valores da nossa empresa, Sr. Tanaka. Ela sabe exatamente qual é o seu lugar e como representar a marca. Não é mesmo, querida?

Karen sentiu a pressão dos dedos de Karinna em sua perna, um aviso silencioso.

— É uma honra estar aqui e aprender com a visão de vocês — Karen respondeu, a voz doce e submissa, exatamente como Karinna esperava.

Ao final do jantar, após os contratos serem pré-assinados e os apertos de mão trocados, as duas voltaram para o carro. A tensão que sustentava Karen começou a ceder, e o cansaço emocional a atingiu.

— Você se saiu bem — disse Karinna, enquanto o carro ganhava a avenida. — Viu como é muito mais poderosa a admiração que vem do respeito do que aquela que vem da luxúria barata?

— Sim — sussurrou Karen, encostando a cabeça no ombro da esposa. — Eu me senti... protegida. Mesmo sendo sua sombra.

Karinna passou o braço pelos ombros dela, puxando-a para mais perto.

— Você nunca será apenas uma sombra, Karen. Mas precisa entender que, na minha presença, o brilho é coordenado por mim. Eu não aceito caos.

Quando chegaram à cobertura onde moravam, o clima mudou novamente. O ambiente doméstico trazia de volta a intimidade, mas Karinna não estava pronta para encerrar a lição. No hall de entrada, ela parou e desamarrou o lenço de seda que usava no pescoço.

— Vá para o nosso quarto. Tire o vestido e espere por mim na posição de entrega, no pé da cama.

Karen sentiu um frio na barriga, mas desta vez não era de medo puro, era a aceitação de que o equilíbrio havia sido restaurado. Ela subiu as escadas, despiu-se e ajoelhou-se, apoiando a testa no colchão, os braços para trás.

Minutos depois, ouviu o som dos saltos de Karinna no piso de madeira. A luz do quarto foi dimerizada para um tom âmbar. Karinna parou atrás dela.

— Hoje foi um dia longo, Karen. Você começou tentando me desafiar e terminou me orgulhando em uma mesa de negócios. Qual dessas versões você prefere ser?

— A que orgulha você, Mestra — respondeu Karen, a voz abafada pelo colchão.

— Bom. Porque a mulher que entrou na minha empresa hoje cedo... aquela mulher não tem espaço na minha vida. — Karinna sentou-se na beira da cama e acariciou as costas de Karen com a ponta do lenço de seda. — Eu vou perdoar você completamente agora. Mas quero que você sinta a diferença entre o toque da raiva e o toque do perdão.

Karinna usou o lenço para vendar os olhos de Karen, amarrando-o com cuidado. A privação sensorial fez os outros sentidos de Karen dispararem. Ela sentiu as mãos de Karinna percorrerem seu corpo, não com a força da palmatória, mas com uma firmeza que reivindicava cada centímetro de sua pele.

— Você é minha, Karen. Do topo da sua cabeça até a sola dos seus pés. Cada pensamento seu deve passar pelo filtro do que eu aprovaria. Entende isso?

— Entendo, Mestra. Tudo o que eu sou pertence a você.

Karinna inclinou-se e sussurrou no ouvido da esposa, sua voz agora carregada de um desejo que ela havia reprimido o dia todo sob a máscara da CEO fria.

— Então prove. Esqueça o mundo lá fora. Esqueça os olhares que você buscou hoje cedo. Agora, o único olhar que importa é o meu, mesmo que você não possa vê-lo.

O restante da noite foi uma lição de entrega total. Karinna guiou Karen através de sensações que iam do limite da dor ao ápice do prazer, reforçando os laços que a briga matinal quase havia afrouxado. Não havia mais espaço para rebeldia, apenas para a profunda conexão de duas almas que se encontravam no controle de uma e na rendição da outra.

Horas mais tarde, deitadas sob os lençóis de fios egípcios, Karinna mantinha Karen aninhada em seu peito. A modelo estava exausta, a pele ainda sensível, mas o coração em paz.

— Mestra? — Karen murmurou, quase pegando no sono.

— Sim, meu amor? — A voz de Karinna era suave agora, a autoridade guardada para o próximo dia útil.

— Obrigada por não desistir de mim... mesmo quando eu sou difícil.

Karinna beijou o topo da cabeça de Karen, apertando-a um pouco mais contra si.

— Eu nunca desisto do que é meu, Karen. Mas lembre-se: amanhã, você vai comigo para a empresa novamente. Mas desta vez, você vai usar o conjunto que eu escolher. E você vai passar o dia na minha sala, estudando os relatórios de marketing. Se quer ser parte desse império, vai começar a entender como ele funciona de verdade.

Karen sorriu no escuro, sentindo o peso reconfortante da mão de Karinna em sua cintura. O desafio havia acabado, a lição fora aprendida, e sua mestra estava, como sempre, no comando absoluto de seu mundo.

— Sim, senhora. Estarei pronta.

O silêncio finalmente reinou na cobertura, enquanto lá fora, as luzes de São Paulo continuavam a brilhar, alheias ao drama de poder e amor que acabara de se consolidar entre quatro paredes. Karinna fechou os olhos, sabendo que, no dia seguinte, sua submissa estaria exatamente onde deveria: sob sua proteção, sob seu olhar e, acima de tudo, sob sua vontade.