Mordidas e segredos
Marcas de Obsessão e Veludo
O ar no dormitório 302 estava tão denso que Noah sentia dificuldade em processar o oxigênio. Cada centímetro de sua pele parecia estar em chamas, reagindo ao toque possessivo de Kael como se tivesse sido feito exclusivamente para aquele propósito. Ele nunca havia experimentado nada parecido; a intensidade de Kael era avassaladora, uma tempestade de sentimentos que Noah, em sua natureza doce e calma, mal conseguia compreender.
Kael não era apenas seu colega de quarto. Naquele momento, ele era o centro de gravidade de Noah.
As mãos grandes de Kael, que momentos antes exploravam o abdômen de Noah, agora desciam com uma determinação sombria para o fecho da calça jeans do menor. O som do metal se abrindo ecoou como um trovão no silêncio do quarto, fazendo o coração de Noah saltar contra as costelas.
— Kael... — Noah murmurou, a voz falhando, enquanto sentia a brisa fria do quarto tocar a pele que antes estava protegida. — O que vai acontecer agora?
Kael parou por um breve segundo, apenas o suficiente para olhar Noah nos olhos. O vermelho escuro de suas íris parecia mais profundo, quase negro sob a luz fraca do abajur que Noah havia deixado aceso na escrivaninha.
— O que vai acontecer — disse Kael, a voz uma oitava mais baixa, carregada de uma promessa perigosa — é que eu vou garantir que você nunca mais pense em outro rosto que não seja o meu. Eu vou gravar meu nome em você, Noah. De dentro para fora.
Sem esperar por uma resposta, Kael ajoelhou-se diante de Noah. A mudança de altura fez Noah soltar um suspiro trêmulo, suas mãos buscando apoio nos ombros largos de Kael. O contraste era gritante: Noah, seminu, trêmulo e vulnerável, e Kael, ainda vestido com sua jaqueta escura, parecendo um monstro elegante pronto para devorar sua presa mais preciosa.
Kael puxou a calça de Noah para baixo, junto com a roupa íntima, expondo a nudez do garoto menor à penumbra do quarto. Noah tentou fechar as pernas por puro instinto, o rosto ardendo em um tom de carmesim que rivalizava com os olhos de Kael, mas as mãos do maior foram rápidas, segurando suas coxas com firmeza.
— Não se esconda de mim — ordenou Kael, os dedos apertando a carne macia das coxas de Noah, deixando marcas que logo se tornariam novos hematomas de adoração. — Eu quero ver tudo. Eu quero saber exatamente o que estou reivindicando.
Noah soltou um gemido baixo, a cabeça pendendo para trás contra a parede. Ele se sentia exposto, mas estranhamente seguro. A obsessão de Kael, que para qualquer outra pessoa seria aterrorizante, para Noah era a prova de que ele era visto, de que ele era desejado de uma forma que ninguém jamais o desejaria.
Kael inclinou a cabeça para frente, sua respiração quente atingindo a parte interna da coxa de Noah. Ele começou com beijos castos, quase reverentes, subindo lentamente. Mas a paciência nunca fora a maior virtude de Kael. Logo, os beijos tornaram-se mordidas leves e sucções vorazes.
— Ah! Kael! — Noah gritou suavemente, o corpo arqueando-se para frente enquanto seus dedos se enterravam nos cabelos negros de Kael, puxando-os sem querer.
Kael ignorou a dor leve do puxão, deleitando-se com a reação de Noah. Ele subiu ainda mais, sua língua traçando o caminho até o centro do prazer de Noah. Quando ele finalmente o envolveu, Noah sentiu como se o mundo tivesse explodido em cores que ele não conseguia ver sem seus óculos.
Era uma sensação indescritível. A boca de Kael era quente, sua língua habilidosa e sua determinação implacável. Noah sentia-se desmoronar, suas pernas fraquejando até que ele teve que se apoiar totalmente nos ombros de Kael para não cair no chão. O prazer era tão agudo que beirava a dor, um êxtase que o fazia esquecer seu próprio nome.
— Kael... por favor... eu não... — Noah tentava falar, mas as palavras se perdiam em espasmos de prazer.
Kael parou por um instante, olhando para cima. Ele viu o rosto de Noah banhado em suor e luxúria, os olhos castanhos revirados, a boca entreaberta buscando ar. Era a visão mais bonita que ele já contemplara.
— Você é meu, Noah — repetiu Kael, sua voz vibrando contra a pele do garoto. — Diga. Diga que você não pertence a mais ninguém.
— Eu sou seu... — Noah arfou, a entrega sendo a única saída. — Só seu, Kael. Por favor, continua...
Satisfeito, Kael voltou ao seu trabalho, intensificando o ritmo. Ele usava as mãos para massagear a base de Noah enquanto sua boca fazia o resto. O som dos gemidos de Noah preenchia o quarto, abafando qualquer pensamento sobre o cinema, sobre Lúcia, ou sobre a vida comum que Noah levava até dez minutos atrás.
Quando o ápice finalmente atingiu Noah, foi como uma descarga elétrica. Ele se contraiu violentamente, seu corpo tremendo nos braços de Kael enquanto ele se derramava. Kael não recuou, aceitando cada gota da entrega de Noah como se fosse um sacramento.
Noah permaneceu ofegante, as costas escorregando pela parede até que ele se sentou no chão, as pernas abertas e o corpo exausto. Kael levantou-se, limpando o canto da boca com o polegar, um brilho de triunfo absoluto em seu olhar.
Ele não deu tempo para Noah se recuperar. Kael rapidamente se livrou de suas próprias roupas, revelando um corpo musculoso e pálido, marcado por algumas cicatrizes que Noah nunca tivera a chance de ver antes. Noah olhou para cima, seus olhos castanhos finalmente focando na figura imponente à sua frente.
— Agora — disse Kael, pegando Noah nos braços como se ele não pesasse nada e caminhando em direção à cama de Noah — eu vou te mostrar o que significa pertencer a alguém de verdade.
Ele deitou Noah sobre os lençóis claros, que logo seriam bagunçados pela tempestade que estava por vir. Kael posicionou-se entre as pernas de Noah, seus braços prendendo o garoto menor contra o colchão.
— Você está com medo? — perguntou Kael, sua voz suavizando apenas um pouco, um resquício da proteção que ele sempre sentiu por Noah.
Noah olhou para ele, vendo a mistura de adoração e loucura naqueles olhos vermelhos. Ele estendeu a mão, tocando o rosto pálido de Kael, sentindo a mandíbula tensa.
— Com você... eu nunca tenho medo — sussurrou Noah honestamente.
Aquelas palavras foram o golpe final na pouca sanidade que restava a Kael. Ele beijou Noah novamente, um beijo que selava um pacto silencioso. Ele não seria gentil, ele sabia disso. Sua natureza era intensa e exigente, e ele queria cada parte de Noah.
Kael começou a preparar Noah com uma paciência forçada, seus dedos explorando o que a boca já havia conquistado. Noah gemia baixinho, o rosto escondido na curva do pescoço de Kael, sentindo o cheiro de sândalo e algo metálico que era o aroma natural do outro.
— Dói um pouco? — perguntou Kael, sentindo a tensão no corpo de Noah.
— Um pouco... mas está tudo bem — respondeu Noah, a voz abafada. — Eu quero você, Kael.
Kael não precisou de mais incentivo. Ele se impulsionou para frente, preenchendo Noah de uma forma que mudaria o garoto para sempre. Noah soltou um grito agudo, que foi rapidamente silenciado pela boca de Kael contra a sua. As lágrimas brotaram nos cantos dos olhos de Noah, não apenas de dor, mas da intensidade da conexão.
O ritmo que se seguiu foi frenético e possessivo. Kael não era apenas um amante; ele era um conquistador. Cada estocada era acompanhada por uma palavra de posse, um sussurro de obsessão.
— Meu Noah... minha pequena flor... ninguém vai tocar em você... — Kael rosnava, o suor pingando de sua testa na pele de Noah.
Noah, por sua vez, estava perdido em um mar de sensações. Ele agarrava as costas de Kael, suas unhas deixando marcas vermelhas na pele clara. Ele se sentia completo, preenchido por uma força que ele nunca soube que existia. A dor inicial transformou-se em um prazer profundo e surdo, que pulsava no ritmo do coração de Kael contra o seu.
O quarto parecia pequeno demais para a energia que eles emanavam. As sombras nas paredes dançavam conforme eles se moviam, uma coreografia de desejo e dominação.
Quando o clímax finalmente os alcançou, foi em uníssono. Kael rugiu o nome de Noah, enterrando-se o mais fundo possível, enquanto Noah gritava o nome de Kael, sua mente finalmente se apagando em um branco puro de êxtase.
Minutos depois, o silêncio retornou ao dormitório 302, interrompido apenas pelo som das respirações pesadas. Kael não se afastou; ele permaneceu sobre Noah, protegendo-o com seu peso, seu rosto escondido nos cabelos marrons do menor.
Noah sentia-se flutuar. Ele estava exausto, marcado e completamente transformado.
— Kael? — chamou Noah, a voz apenas um fio de som.
— Estou aqui — respondeu Kael, finalmente se afastando um pouco para olhar para Noah. Ele passou a mão pelo rosto de Noah, limpando o rastro de uma lágrima seca. — Eu sempre estarei aqui.
— Você... você realmente não ia me deixar sair, não é? — Noah perguntou, uma pequena centelha de sua antiga inocência brilhando em seus olhos.
Kael soltou uma risada curta e sem humor, seus olhos vermelhos voltando àquela frieza protetora.
— Eu teria quebrado a tranca daquela porta e arrastado você de volta se fosse preciso — confessou Kael com uma sinceridade assustadora. — Você não entende, Noah. O mundo lá fora não merece você. Eles não saberiam como cuidar de algo tão precioso. Mas eu sei.
Noah sorriu fracamente, puxando o cobertor para cobrir os dois enquanto Kael se deitava ao seu lado, puxando-o para o seu peito.
— Acho que agora eu entendo — disse Noah, fechando os olhos e sentindo os braços fortes de Kael o envolverem.
Kael depositou um último beijo na testa de Noah, seus dedos traçando a marca roxa que ele havia deixado no pescoço do garoto. Era sua assinatura. Sua garantia.
— Durma, Noah — comandou Kael. — Amanhã, o mundo ainda estará lá. Mas você continuará sendo meu.
E, no silêncio da noite, Noah finalmente adormeceu, seguro dentro da gaiola que ele agora chamava de lar, enquanto Kael permanecia acordado, vigiando seu tesouro com a paciência de quem sabia que, a partir daquele momento, ninguém jamais ousaria tentar tirá-lo dali.