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Desejos de Giz e o Calor do Sexto
O outono em Konoha trazia consigo um vento fresco que balançava as folhas avermelhadas das árvores, mas dentro do apartamento de Iruka Umino, a temperatura parecia estar vários graus acima do normal. O sol da tarde filtrava-se pelas cortinas entreabertas, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar, mas o foco de Kakashi Hatake não estava na estética bucólica do dia. Seu foco estava inteiramente voltado para o homem à sua frente, que agora exibia uma barriga nitidamente arredondada de seis meses de gestação.
Iruka estava sentado à mesa da cozinha, cercado por pergaminhos de graduação da Academia, mas sua expressão não era de concentração pedagógica. Ele segurava um pote de picles de nabo com uma mão e, com a outra, mergulhava generosos pedaços de chocolate amargo dentro do líquido vinagroso.
— Iruka... — Kakashi começou, parado na soleira da porta, ainda vestindo seu colete de Jounin, embora tivesse deixado o chapéu de Hokage no escritório. — Você tem certeza de que isso não vai te dar uma indigestão terrível?
Iruka parou com o chocolate a meio caminho da boca e olhou para Kakashi. Seus olhos castanhos, que costumavam ser apenas gentis, agora carregavam uma intensidade nova, uma mistura de cansaço e uma vitalidade pulsante que Kakashi ainda estava aprendendo a decifrar.
— São os hormônios, Kakashi — respondeu Iruka, antes de morder o chocolate embebido em picles. Ele mastigou com uma satisfação quase desafiadora. — E a culpa é tecnicamente sua. Você é quem me colocou nessa situação, então o mínimo que pode fazer é não julgar meus lanches.
Kakashi soltou um riso anasalado por trás da máscara, aproximando-se e depositando um beijo suave no topo da cabeça do professor.
— Eu não estou julgando. Só estou preocupado com o seu estômago. E com o fato de que você cheira a vinagre e cacau agora.
Iruka empurrou o pote para o lado e suspirou, encostando-se na cadeira. Ele levou as mãos à base do ventre, sentindo um chute vigoroso que o fez arfar levemente.
— Ele não para quieto hoje. Acho que ele herdou sua energia... ou a sua incapacidade de ficar parado em um só lugar.
Kakashi ajoelhou-se ao lado da cadeira, como vinha fazendo rotineiramente desde que decidiram morar juntos para enfrentar a gravidez. Ele colocou a palma da mão sobre a curva da barriga de Iruka, sentindo o movimento sob a pele e o tecido fino da camisa. Era uma sensação que ainda o deixava sem fôlego; o prodígio que vira tantas mortes agora guardava o pulsar de uma nova vida.
— Ele vai ser um ninja forte — sussurrou Kakashi.
Iruka olhou para baixo, observando as mãos longas e calejadas de Kakashi contra sua pele. De repente, o ar na cozinha pareceu ficar mais denso. O desejo, que durante a gravidez de Iruka se tornara uma força da natureza imprevisível, surgiu como uma onda repentina. Ele observou o pescoço de Kakashi, a curva da mandíbula escondida pela máscara e a maneira como os olhos do Sexto Hokage se suavizavam ao tocá-lo.
— Kakashi — chamou Iruka, a voz uma oitava mais baixa.
— Sim? — O Hokage levantou o olhar, encontrando a expressão faminta de Iruka. Ele já conhecia aquele olhar.
— Esqueça os picles. Eu mudei de ideia sobre o que eu quero agora.
Kakashi sentiu um calor subir por sua espinha.
— Iruka, nós... nós já fizemos isso duas vezes hoje. Uma de manhã e outra antes do almoço. Você não deveria descansar? Sakura disse que o esforço excessivo...
— Sakura não está carregando um pequeno shinobi que parece estar usando meu útero como saco de pancadas — interrompeu Iruka, levantando-se com uma agilidade surpreendente para alguém em seu estado. Ele agarrou a gola do uniforme de Kakashi, puxando-o para perto. — E a culpa é sua por ser tão... tão irritantemente atraente mesmo quando está cansado.
Kakashi soltou uma lufada de ar, metade riso, metade rendição. Ele sabia que não tinha chance contra os desejos de Iruka. O professor, que sempre fora o epítome do autocontrole e da paciência na Academia, transformara-se em um turbilhão de necessidades físicas e emocionais que Kakashi estava mais do que disposto a satisfazer.
— Se é um comando do meu professor favorito, quem sou eu para desobedecer? — murmurou Kakashi.
Ele pegou Iruka no colo, ignorando os protestos leves de que "ele estava pesado demais", e o carregou para o quarto. O ambiente estava imerso na luz dourada do entardecer. Ao deitá-lo na cama, Kakashi foi meticuloso, cercando Iruka com travesseiros para garantir que ele estivesse confortável.
— Você me mima demais — disse Iruka, embora suas mãos já estivessem ocupadas tentando puxar a máscara de Kakashi para baixo.
— Estou compensando os meses em que fui um idiota e fugi de você — respondeu o prateado, finalmente revelando o rosto. O sorriso de Kakashi era pequeno, mas carregado de uma adoração que ele raramente mostrava ao mundo.
O encontro foi lento no início, marcado por beijos profundos que saboreavam a familiaridade um do outro. Kakashi movia-se com uma cautela reverente, sempre atento ao volume entre eles, às reações de Iruka e ao conforto do bebê. Mas Iruka não queria cautela. Ele queria sentir a solidez de Kakashi, a prova tangível de que eles estavam juntos nisso.
— Mais perto... — pediu Iruka, as pernas envolvendo a cintura de Kakashi, os dedos cravados nos ombros largos do ninja.
Cada toque parecia elétrico. Para Iruka, a sensibilidade aumentada pela gravidez tornava tudo mais intenso — o cheiro de sândalo de Kakashi, o calor de sua pele, o som de sua respiração acelerada. Era como se todos os seus sentidos estivessem sintonizados apenas no homem acima dele. Ele culpava os hormônios, culpava a situação, mas no fundo, ele sabia que era apenas o amor que finalmente encontrava um solo seguro para florescer sem medo.
Quando o ápice chegou, foi como um desmoronamento suave. Eles ficaram abraçados por muito tempo depois, as respirações sincronizando-se enquanto o sol mergulhava abaixo do horizonte, pintando o quarto de tons de roxo e azul.
— Três vezes — sussurrou Iruka, a voz rouca de sono e satisfação. — Naruto nunca vai acreditar que o "velho Kakashi-sensei" tem tanta energia.
— Se você contar ao Naruto qualquer detalhe da nossa vida privada, Iruka, eu juro que renuncio ao cargo e me mudo para o País das Ondas — brincou Kakashi, traçando círculos preguiçosos no ombro de Iruka.
— Ele está feliz, você sabe — disse Iruka, mudando o tom para algo mais sério. — Ele e o Sasuke vêm aqui amanhã. Naruto disse que comprou um estoque de ramen instantâneo "apropriado para bebês", o que quer que isso signifique.
— Significa que teremos que esconder o ramen e dar a ele comida de verdade quando ele nascer — Kakashi riu, mas logo seu olhar se tornou pensativo. — Você ainda está com medo?
Iruka ficou em silêncio por um momento, sentindo o peso reconfortante do braço de Kakashi sobre ele.
— Às vezes. Quando penso em como as coisas começaram... naquela noite de bebedeira. Eu tive tanto medo de que você estivesse comigo apenas por obrigação, Kakashi. Mas agora, vendo você correr atrás de tomates orgânicos às três da manhã porque eu tive um desejo... eu sei que não é obrigação.
Kakashi inclinou-se e beijou a testa de Iruka.
— Nunca foi. Eu só precisei de um empurrão — ou de três alunos furiosos arrombando minha porta — para perceber que eu não precisava ter medo de ser feliz com você.
— Falando neles — Iruka sorriu —, Sakura disse que vai vir fazer um check-up completo em mim amanhã. Ela ainda olha para você como se quisesse te dar um soco.
— Eu mereço — admitiu Kakashi. — Mas ela terá que esperar na fila. O bebê já me chuta toda vez que tento ler meu livro perto dele. Acho que ele já é crítico literário.
Iruka riu, um som claro que preencheu o quarto. Ele sentia-se seguro. Apesar das náuseas, dos desejos estranhos e da montanha-russa emocional, ele sabia que a cama bagunçada onde agora descansavam não era mais o cenário de um erro, mas o alicerce de uma família.
— Kakashi? — chamou Iruka, já fechando os olhos.
— Sim?
— Eu acho que quero comer pêssegos com missô amanhã de manhã.
Kakashi suspirou, um sorriso resignado nos lábios.
— Eu vou ao mercado ao amanhecer, Iruka. Eu vou ao mercado.
E enquanto Konoha adormecia sob a proteção do Sexto Hokage, dentro daquele pequeno apartamento, o ninja mais temido do mundo encontrava sua paz cuidando do homem que, com um sorriso gentil e um desejo de gravidez por vez, tinha capturado seu coração para sempre.