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My obsessed wife

Adoração sob os Holofotes

O espelho da suíte principal refletia uma imagem que, para qualquer outra pessoa, seria o ápice da perfeição estética. Engfa Waraha, vestida com um smoking feito sob medida em seda italiana preta, ajustava os abotoaduras de ônix com uma precisão mecânica. O corte do traje acentuava seus 1,80m de altura e a postura de quem domina qualquer ambiente sem precisar proferir uma única palavra. No entanto, Engfa não olhava para si mesma. Seus olhos estavam fixos no reflexo de Charlotte, que terminava de prender um brinco de pérola a poucos passos de distância.

Charlotte estava deslumbrante em um vestido de cetim esmeralda que abraçava suas curvas e destacava o tom quente de sua pele e as sardas que Engfa tanto idolatrava. O cabelo castanho-claro ondulado caía como uma cascata sobre os ombros nus.

— Você está me encarando de novo, Engfa — disse Charlotte, com um sorriso travesso surgindo nos lábios enquanto se virava para a esposa.

— Não estou encarando — corrigiu Engfa, sua voz uma oitava mais profunda, caminhando até Charlotte com a elegância de um predador. — Estou processando a sorte que tenho por você ser minha. E garantindo que cada centímetro desse vestido esteja seguro o suficiente para não deixar ninguém ver mais do que eu permito.

Engfa envolveu a cintura de Charlotte, as mãos firmes possuindo o espaço. Ela se inclinou, depositando um beijo casto, mas carregado de possessividade, na curva do pescoço da esposa.

— Você está maravilhosa, meu amor — sussurrou Engfa. — Uma boa garota, pronta para brilhar.

Charlotte sentiu o rosto esquentar. Ela sabia o quanto Engfa gostava de usar aquele tom de aprovação, e como aquilo a afetava.

— Obrigada. E você... — Charlotte passou as mãos pelas lapelas do smoking de Engfa, alinhando-as — ... é a mulher mais bonita que já pisou nesta terra. Minha esposa é uma visão.

O peito de Engfa estufou levemente. O elogio de Charlotte era a única validação que ela buscava. O mundo poderia chamá-la de monstro, mas se Charlotte a chamasse de "boa", ela seria capaz de mover montanhas.

***

O trajeto até o salão de gala foi marcado pelo silêncio vigilante de Engfa. Enquanto Charlotte revisava mentalmente seu discurso no banco de trás do carro blindado, Engfa operava um tablet. Seus dedos voavam pela tela, acessando as câmeras de segurança do hotel onde ocorreria o evento. Ela já havia hackeado a lista de convidados dias antes, cruzando dados financeiros e antecedentes criminais de cada pessoa presente.

— Engfa, deixe isso de lado — pediu Charlotte suavemente, tocando a mão da esposa. — O evento tem segurança contratada.

— Incompetentes — rosnou Engfa sem desviar os olhos da tela. — Eles não têm o treinamento da Waraha Security. Eles estão lá para evitar que bêbados quebrem taças. Eu estou aqui para garantir que ninguém sequer respire na sua direção com intenções erradas. Eu sou a sua segurança, Charlotte. Sempre.

Ao chegarem, o impacto foi imediato. A entrada de Engfa e Charlotte Austin-Waraha silenciou parte do saguão. Eram o casal mais poderoso da Tailândia, uma combinação de gênio tecnológico e força bruta empresarial.

Durante a primeira hora, Engfa agiu como uma extensão da sombra de Charlotte. Onde Charlotte ia, Engfa estava exatamente dois passos atrás, levemente à esquerda. Seus olhos escuros escaneavam o ambiente constantemente, filtrando ameaças inexistentes para qualquer pessoa normal, mas óbvias para sua mente paranoica.

Um empresário do setor têxtil, tentando ser cordial, aproximou-se de Engfa enquanto Charlotte conversava com uma jornalista.

— Senhora Waraha, é um prazer finalmente conhecê-la pessoalmente. Eu gostaria de discutir alguns protocolos de segurança para as minhas fábricas e...

Engfa nem sequer virou o rosto. Seus olhos permaneciam fixos nas costas de Charlotte, monitorando a distância entre a esposa e um garçom que carregava uma bandeja de champanhe.

— Fale com meu secretário na segunda-feira — interrompeu Engfa, a voz gélida como o aço. — Agora, você está obstruindo minha linha de visão. Afaste-se.

O homem empalideceu e recuou imediatamente, murmurando desculpas que Engfa ignorou por completo. Ela não tinha bateria social para ninguém que não fosse Charlotte. Para Engfa, aquelas pessoas eram ruído; Charlotte era a melodia.

Quando chegou o momento do discurso, Engfa posicionou-se na lateral do palco. Ela cruzou os braços, a expressão severa intimidando qualquer um que pensasse em sussurrar enquanto sua esposa falava. Charlotte subiu ao púlpito, radiante e confiante.

— A tecnologia não é apenas sobre circuitos e códigos — começou Charlotte, sua voz projetando-se com clareza. — É sobre criar conexões seguras, sobre proteger o que é mais valioso para nós.

Engfa sentiu um formigamento no peito. *Proteger o que é valioso.* Ela sabia que Charlotte estava falando de negócios, mas para Engfa, aquelas palavras eram um mantra pessoal. Ela observou cada gesto de Charlotte, o modo como as luzes do palco faziam as sardas em seu nariz parecerem constelações. Engfa estava em transe, uma devoção tão profunda que beirava o fanatismo.

Ao descer do palco sob aplausos calorosos, Charlotte foi cercada por admiradores. Engfa interveio sutilmente, colocando a mão na base das costas de Charlotte, criando uma barreira física.

— Com licença — disse Engfa para o grupo, o tom não admitindo contestações. — Minha esposa precisa de um momento.

Ela conduziu Charlotte para uma varanda privativa, longe do barulho. O ar da noite estava fresco, proporcionando um alívio momentâneo da opressão do evento.

— Você foi perfeita — disse Engfa, a voz suavizando instantaneamente. — O modo como você falou... você é brilhante, Charlotte.

Charlotte soltou um suspiro longo, encostando a cabeça no ombro de Engfa.

— Obrigada, meu amor. Mas meus pés estão me matando. Acho que exagerei na altura desses saltos.

Engfa imediatamente olhou para baixo, para os sapatos de grife que Charlotte usava. Seus olhos brilharam com uma mistura de preocupação e uma necessidade urgente de cuidar.

— Por que não me disse antes? — Engfa se ajoelhou ali mesmo, no chão de mármore da varanda, sem se importar com o smoking de milhares de dólares ou com quem pudesse ver.

— Engfa, o que você está fazendo? Alguém pode entrar! — sussurrou Charlotte, embora estivesse sorrindo.

— Deixe que entrem. Deixe que vejam que eu sirvo apenas a você — respondeu Engfa, começando a desamarrar as tiras dos saltos. — Se você quiser, eu posso buscar sapatos confortáveis no carro agora mesmo. Ou posso simplesmente carregar você até a saída. Você não precisa dar mais um passo se não quiser.

— Eu aguento mais um pouco, só precisamos nos despedir dos anfitriões — disse Charlotte, sentindo o alívio quando os sapatos foram removidos por um momento.

Engfa beijou o peito do pé de Charlotte, um gesto de submissão que contrastava violentamente com a imagem de CEO implacável que ela projetava lá dentro.

— Você é minha rainha. Eu farei o caminho ser o mais suave possível para você.

***

O retorno para casa foi silencioso. Charlotte estava exausta, com a cabeça repousada no colo de Engfa, que acariciava seus cabelos com uma ternura quase dolorosa. Engfa estava em seu limite; sua bateria social estava completamente drenada, o desdém pelas pessoas que tentaram interagir com ela ainda latejava em sua mente. Mas, ao olhar para Charlotte, todo o cansaço desaparecia.

Assim que entraram na cobertura, Engfa não permitiu que Charlotte fizesse nada.

— Vá para o sofá — ordenou Engfa gentilmente. — Eu cuido de tudo.

Ela desapareceu por alguns minutos e voltou com uma bacia de água morna aromatizada com óleos essenciais, toalhas macias e um creme hidratante caro. Charlotte já havia se livrado do vestido esmeralda, vestindo apenas um robe de seda branca, e estava sentada no sofá de couro da sala, com as luzes baixas.

Engfa ajoelhou-se entre as pernas de Charlotte. Ela pegou um dos pés da esposa e o colocou sobre seu joelho, começando a massagear com uma pressão perfeita.

— Isso é tão bom... — murmurou Charlotte, fechando os olhos e inclinando a cabeça para trás.

Engfa trabalhava metodicamente. Ela conhecia cada centímetro do corpo de Charlotte, cada ponto de tensão. Ela massageou os calcanhares, os arcos dos pés, dedicando uma atenção quase religiosa a cada detalhe. A cada movimento, ela depositava pequenos beijos nos dedos e no dorso dos pés de Charlotte.

— Você foi tão paciente hoje — disse Charlotte, abrindo um olho para observar a esposa. — Eu vi como você ignorou aquele investidor. E como você ficou me seguindo como um cão de guarda.

Engfa deu um meio sorriso, sem parar a massagem.

— Eu não sou paciente com eles, Charlotte. Eu sou paciente por você. Eles são irrelevantes. Mas se você precisa que eu esteja lá, eu estarei. Mesmo que eu queira quebrar o pescoço de cada homem que olha para você por mais de três segundos.

— Engfa... — Charlotte repreendeu suavemente, mas havia carinho em sua voz. Ela já aceitara que a obsessão de Engfa era uma faca de dois gumes: perigosa para o mundo, mas um escudo absoluto para ela.

Engfa terminou a massagem e secou os pés de Charlotte com a toalha, tratando-os como se fossem feitos de cristal fino. Ela então se levantou e sentou-se ao lado da esposa, puxando-a para o seu abraço.

Charlotte se aconchegou no peito de Engfa, sentindo o batimento cardíaco rítmico e forte da CEO. Ela ergueu o rosto e começou a distribuir beijos pelo maxilar de Engfa, subindo até as bochechas e finalmente selando seus lábios nos dela.

— Obrigada por cuidar de mim — sussurrou Charlotte entre os beijos. — Minha protetora. Minha Engfa.

Engfa apertou o abraço, enterrando o rosto no cabelo de Charlotte. Naquele momento, o mundo exterior — com sua política, seus negócios e suas pessoas descartáveis — não existia. Havia apenas o cheiro de Charlotte, o calor de seu corpo e a certeza absoluta de Engfa de que ela faria tudo de novo, mil vezes, apenas para ver Charlotte sorrir.

— Eu sou sua — declarou Engfa, a voz rouca de emoção. — Cada pensamento, cada grama de poder que eu tenho, pertence a você. Se o mundo tentar te machucar, eu o queimarei. Se seus pés doerem, eu te carregarei. Você nunca estará sozinha, Charlotte. Eu nunca vou deixar.

Charlotte estremeceu levemente, o medo familiar da intensidade de Engfa surgindo por um segundo, mas foi rapidamente abafado pelo amor profundo que sentia. Ela sabia que estava segura. Talvez a segurança mais perigosa do mundo, mas era a dela.

Enroladas no sofá, sob o silêncio da noite de Bangkok, Engfa finalmente relaxou. O cubo mágico na mesa de centro permaneceu intocado. Ela não precisava de puzzles para resolver naquela noite. Ela já tinha tudo o que importava em seus braços.

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