Namorada

Point off view Maya Manoela Garcia Acordei com o som dos pássaros cantando do lado de fora da janela, e logo percebi que Giovanna já tinha se levantado. Estiquei o corpo devagar, sentindo o peso leve na barriga — já crescia um pouquinho, bem sutil, quase não aparecia, mas eu sentia ela ali. Fiz minha higiene, tomei um banho demorado e vesti um vestido confortável, macio e leve. Peguei meu jaleco, a bolsa e desci as escadas. Assim que cheguei ao corredor, senti um cheirinho delicioso vindo da cozinha. Ao entrar na sala de jantar, parei surpresa: a mesa estava cheia de coisas, todas exatamente do meu gosto, e no centro, um buquê grande das minhas rosas favoritas. Giovanna estava ali, de pé, já fardada, com aquele sorriso lindo e tranquilo nos lábios. — Bom dia, minha linda rosa — disse ela, aproximando-se e afastando uma cadeira para mim. — Senta aqui. — Torres? — chamei, ainda sem acreditar no que via. Sentei devagar, e ela pegou o buquê com todo o cuidado, entregando-o nas minhas mãos. — Para a minha madame — falou com carinho. Fiquei olhando as flores, depois para ela, sem saber o que dizer. O coração bateu forte no peito. — Meu Deus… — foi só o que consegui balbuciar. — Baby… — olhei de novo para tudo na mesa, para ela, e perguntei baixinho: — Você… meu Deus, o que é tudo isso? Ela se apoiou na borda da mesa, inclinando-se devagar para mim, e passou a ponta dos dedos suavemente pela minha bochecha, com aquele brilho terno nos olhos que só ela tinha. — É só o que você merece — respondeu baixo, com voz calma. — Ontem lembrei de como as coisas têm sido corridas, de como você carrega tudo com tanta força… e quis te dar um pouco de calma, de carinho, antes de cada um seguir para o seu dever. Aproximou-se mais um pouco, e acariciou levemente a minha barriga, onde o nosso bebê crescia quieto. — Quero que você comece o dia sabendo que é amada, cuidada e a coisa mais importante da minha vida — completou, sorrindo de novo. — Não precisa entender tudo agora, só aproveita. Sorri com os olhos cheios d’água, e segurei a mão dela contra a minha barriga. — Eu te amo tanto, Giovanna… — sussurrei. — E eu te amo mais — beijou a minha testa devagar. — Agora começa a comer, antes que esfrie. Depois te levo ao hospital. . . . Passamos um bom tempo ali, comendo devagar, trocando carinhos e olhares cheios de ternura — aquele amor tão grande que parecia não caber dentro da gente. Giovanna tinha esse dom de me deixar toda boba, parecendo uma adolescente feliz que acabou de ganhar o melhor presente do mundo, só por estar ao lado dela. Quando terminamos, ela recolheu tudo com cuidado, pegou a minha bolsa e me levou até o carro. Dirigiu com calma até o hospital, e ao chegar, contornou o veículo para abrir a porta para mim, estendendo a mão para me ajudar a descer. — Obrigada pela carona, baby — agradeci, apertando a sua mão antes de descer. — Vem me buscar hoje, vem? Ela baixou o olhar por um instante, e quando voltou a me encarar, vi o cuidado nos seus olhos: — Hum, amor… desculpa te decepcionar agora, mas vou ficar até tarde no trabalho hoje. Franzi a testa de imediato, sentindo o ânimo de todo o dia desaparecer de uma vez. — É sério isso? — perguntei, a voz já carregada de mágoa e impaciência. — Amor, não fica brava… — tentou ela, mas eu já me afastei, bufando. Point off view Giovana torres Vi o humor dela mudar em questão de minutos, como se uma nuvem escura tivesse tomado conta de todo o brilho que tinha ali. Conheço bem essa sua bipolaridade terrível, e sei que essa frustração vinha à tona fácil, fácil. Mas não tive jeito: esse “ficar até tarde” era só um pretexto. Eu quero pedir ela em namoro de verdade, fazer tudo direito, com detalhes, com o jeito que ela merece — e para dar tempo de organizar cada coisa como planejei, precisei inventar essa desculpa. Já sabia que ia acordar a fera que mora nela, mas não tinha outra saída. Ela me olhou de lado, com raiva, e soltou seca: — Você sempre tem que dar prioridade à delegacia, né? Passa bem, agente Torres. — Amor… — tentei chamar, mas ela já virou as costas e entrou bufando pela porta do hospital. Sorri baixo, balançando a cabeça — Te amo, mulher... Ela obviamente fingiu que não ouviu. Entrei no carro ainda sorrindo. Aquela marrenta podia reclamar o quanto quisesse, mas em algumas horas eu faria ela esquecer completamente essa história. Liguei o carro e segui para a delegacia. ... Assim que entrei na delegacia, Nicole já estava me esperando no corredor, ergueu uma sobrancelha e cruzou os braços com um sorriso esperto. — Pela sua cara… ou a doutora Maya te deu um fora de primeira… ou o plano continua de pé. Sorri, coçando a nuca, e confirmei com a cabeça. — O plano continua. Ela ficou brava, mas caiu no papo. Eu tinha contado tudo para Nicole e para a Larissa há dois dias — e por incrível que pareça, as duas se juntaram e estão se matando de vontade de ajudar a organizar tudo do jeito que Maya merece. Nenhuma das duas queria que a gente continuasse sem esse compromisso oficial, sem esse pedido que ela espera tanto. — Então bora logo — disse Nicole, já me puxando para a sala de reuniões. — Larissa já está lá separando cada detalhe, não vamos perder tempo antes que ela descubra que é tudo mentira. Point of View  Maya Manoela Garcia colins Meu dia estava um caos. Desde cedo, um paciente atrás do outro, prontuários acumulados, telefone tocando sem parar... e, para completar, eu ainda estava emburrada por causa da Giovanna. Mesmo assim, consegui atender todo mundo. Quando finalmente deu meu horário de almoço, peguei o celular e mandei uma mensagem para Ana. "Vem almoçar comigo. No restaurante de sempre." Ela respondeu quase na hora dizendo que já estava a caminho. .... Cheguei primeiro e escolhi uma mesa perto da janela. Alguns minutos depois, Ana entrou no restaurante, me encontrou com facilidade e sentou na minha frente, cruzando os braços. — Tá... qual é o problema pra você me tirar do meu trabalho? Ergui uma sobrancelha. — Nada. Eu não posso almoçar com a minha amiga? Ela soltou uma risadinha debochada. — Nesse restaurante? Hum... achei que esse lugar só servia quando você tava bolando algum plano... ou com muita raiva de alguma coisa. Bufei. — Engraçadinha. Ana apoiou os cotovelos na mesa. — Então... qual dos dois é? Suspirei fundo. — A Giovanna. Ela sorriu na mesma hora. — Sabia. — Ela falou que vai passar o dia inteiro na delegacia e que não vai conseguir me buscar hoje. — ué gata ela e delegada agora, né?, Tá com medo de alguma mulher roubar sua agenda e ? — Não sei... mas fiquei com raiva. Ana deu uma risada. — Maya, vocês duas conseguem transformar qualquer coisinha numa novela. Revirei os olhos. — Eu só queria passar um tempo com ela. — E ela também deve querer passar um tempo com você. Cruzei os braços. — Então podia ter dado um jeito. Ana apenas me observou por alguns segundos antes de balançar a cabeça, segurando o riso. — Você tá com ciúmes da delegacia. — Tô com ciúmes de qualquer coisa que tire ela de perto de mim. Ela caiu na gargalhada. — Misericórdia... a doutora Maya Manoela Garcia admitindo isso em voz alta. Vou até marcar a data no calendário. — Rindo de quê? — reclamei, sentindo o rosto esquentar, e escondi o rosto entre as mãos por um instante. — É sério, Ana… parece que tudo é mais importante do que nós. Do que eu. Ela parou de rir devagar, ficou mais séria e estendeu a mão para apertar a minha que estava sobre a mesa. — Ei, não fala isso. Você sabe muito bem que não é assim — disse ela com carinho. — A Giovanna não faz nada sem motivo, e nunca, em momento nenhum, colocou o trabalho acima de você de verdade. Lembra de todas as vezes que deixou tudo para correr atrás de você? Que arriscou a própria carreira só para te proteger? Suspirei, sentindo a raiva ir diminuindo e dando lugar à saudade. — Eu sei… — admiti baixo. — Mas dói, sabe? Queria que ela dissesse logo “sim, você é minha namorada, minha mulher, para todo mundo ver”. Queria não ter que ficar me perguntando o que somos, o que vem depois. Ana sorriu docemente. — Às vezes, o amor não anda com as palavras que a gente espera, mas anda em cada detalhe. E tenho certeza que ela não esconde nada de você por vergonha ou por falta de vontade. Tem algo aí que você ainda não sabe… e que vai te surpreender muito. — Mas para deixar a minha amiga mais leve… e porque sei muito bem que isso vai te aliviar um pouco — vamos às compras! E a noite é nossa, inteirinha! — propôs ela, sorrindo animada. — Ah, não… — comecei, fazendo cara de quem ia recusar. — Ah, sim! E vamos ter que atualizar o seu guarda-roupa, meu amor, você tá… — apontou suavemente para a minha barriga, com um brilho feliz nos olhos. — Vem, vem! E ainda vamos passar naquele restaurante todo especial que você tinha falado que queria conhecer! Não resisti ao seu jeito animado, e acabei sorrindo de verdade pela primeira vez no dia. — Tá bom então — aceitei, balançando a cabeça. — Mas é você quem paga a primeira rodada, hein! — Combinado! — bateu a mão na mesa já se levantando. — Agora vamos logo, antes que você mude de ideia! Saímos do restaurante de braços dados, e senti como se um peso grande tivesse saído das minhas costas. Ana tinha razão: eu precisava disso, de um tempo só para mim, sem preocupações, e com a melhor companhia do mundo. .... Chegamos ao shopping e ela me puxou direto para uma loja cheia de peças leves, tecidos macios e vestidos de todos os estilos. Mal entramos, ela já pegou um modelo na cor azul clara, com tecido que caía soltinho e detalhes delicados no colo, e estendeu para mim com os olhos brilhando. — Amiga, olha esse aqui! — chamou, animada. Peguei o vestido nas mãos, senti o tecido e sorri de verdade: — Nossa… perfeito! Combina com tudo, e com certeza vai ficar confortável com a minha barriga crescendo. — E vai ficar lindo em você — completou ela, já me empurrando para o provador. — Vai logo vestir, quero ver como fica! Vesti o vestido devagar, e quando me virei no espelho do provador, até parei um instante para olhar. O tecido caía suavemente sobre o corpo, acompanhando o contorno da barriga sem apertar nada, e a cor realçava o tom da minha pele de um jeito tão bonito… Abri a porta e saí devagar, e Ana soltou um grito baixo de alegria, levando as mãos à boca. — Nossa, Maya! Que coisa mais linda! — exclamou ela, girando o dedo para eu me virar. — Olha como cai bem! Você está radiante, parece até uma princesa. Sorri, passando a mão na barra do vestido, sentindo-me leve e bonita. — Gostei muito mesmo — confessei. — É confortável, bonito… parece que foi feito especialmente para mim. — Então já está comprado! — decidiu ela, pegando o meu braço. — E não para por aí, ainda temos várias outras peças para ver, quero deixar você cheia de opções lindas! Passamos mais um bom tempo ali, escolhendo roupas que servissem bem, que fossem práticas e ao mesmo tempo cheias de estilo. A cada peça que eu provava, Ana aparecia com mais elogios, e aos poucos aquele aperto no peito por causa da Giovanna foi desaparecendo, dando lugar a uma alegria simples e gostosa. Quando saímos da loja, as sacolas estavam cheias, e eu já me sentia muito mais feliz e tranquila. Estava rindo de uma piada que Ana tinha acabado de fazer, quando virei a cabeça e o sorriso morreu nos meus lábios de uma vez. Ali, bem em frente à loja de jóias, estava Giovanna. E ao lado dela, uma mulher ruiva de cabelos longos e sorriso fácil, muito próxima, falando baixo com ela como se fossem íntimas. Giovanna sorria de volta, acenava com a cabeça, e por um instante até encostou a mão no ombro da outra. Senti o sangue ferver e depois gelar nas veias, as sacolas quase escorregaram das minhas mãos. O famoso ditado veio à minha mente como uma zombaria cruel: felicidade de pobre dura pouco. — Maya? — chamou Ana, percebendo que eu tinha parado de andar e que o meu rosto tinha perdido toda a cor. — O que foi? Apontei com o queixo, sem conseguir tirar os olhos daquela cena. — Olha lá… — murmurei com a voz trêmula de raiva e mágoa. —  “a delegada boazinha que não tem tempo para mim” está bem ocupada, né? Parece que tem tempo de sobra para conversar com outras mulheres em lojas de jóias. Ana seguiu o meu olhar e suspirou, apertando o meu braço para me acalmar, mas eu já estava dando passos rápidos na direção delas, sem querer ouvir nenhuma explicação. Cheguei perto o suficiente para ouvir o final da conversa, e a raiva tomou conta de mim de vez. — Ah, então agora o trabalho é só desculpa? — falei alto, fazendo as duas se virarem de susto. — Você disse que ia ficar até tarde na delegacia, Giovanna! E eu encontro você aqui, toda sorridente, conversando tão intimamente com ela… Point off view Giovana torres Cheguei ao shopping com um único propósito: buscar o anel que tinha encomendado há duas semanas. Todo o detalhe foi pensado com carinho — o modelo, a pedra, o tamanho… tudo para ser perfeito para quando eu finalmente pedisse ela em namoro. Larissa e Nicole estavam lá na delegacia, finalizando os últimos preparativos para a noite, e eu estava só esperando pegar o anel para ir para casa e deixar tudo pronto. Fiquei conversando com a joalheira, confirmando o último detalhe, quando ouvi a voz dela — Maya — gritando atrás de mim. Me virei de susto e vi ela ali, com a cara toda vermelha de raiva, soltando fumaça pelos ouvidos, e Ana de pé atrás dela, com uma expressão de “ai, deu ruim”. No mesmo instante, pensei: agora que eu morro mesmo. Tudo o que planejei, todo o segredo, toda a surpresa… foi pro brejo em segundos. Ela estava furiosa, achando que eu estava com outra mulher, e eu não sabia se conseguia explicar rápido o suficiente para não estragar tudo. Eu abri a boca para explicar de uma vez, mas o coração disparou e a cabeça deu uma volta rápida — pensei que se contasse agora, ali no meio do corredor cheio de gente, perderia todo o sentido do momento especial que preparei. Então, sem pensar direito, acabei soltando a primeira desculpa que me veio: — Não… não é nada disso, é só um… um material de investigação, preciso confirmar uns detalhes de um caso com ela! Maya parou, olhou para mim com os olhos arregalados, como se não conseguisse acreditar no que tinha ouvido. A raiva que antes parecia ter dado lugar à confusão voltou com força ainda maior, deixando o rosto dela vermelho e os lábios tremendo. — Material de investigação? — repetiu ela, a voz cortante. — Você mentiu sobre ficar na delegacia, me enrolou com essa história de trabalho, e agora inventa mais essa? Prefere mentir do que me dizer a verdade? — Amor, espera, eu só… — tentei me aproximar, mas ela deu um passo para trás, sacudindo a cabeça em negação. — Chega, Giovanna. Não quero mais ouvir nada — disse ela, virando-se de costas. — Você não confia em mim, não me respeita… e eu não tenho mais cabeça para isso agora. Pegou as sacolas com força na mão e puxou Ana pelo braço, andando rápido em direção à saída, sem olhar para trás nem uma vez. Fiquei ali parada, vendo ela se afastar, com o coração apertado na garganta e a certeza de que tinha feito a pior escolha possível. — Porra! — exclamei baixo, mas com toda a frustração do mundo. — Ela tinha que trazer a Maya justamente nesse shopping? Meu Deus, por que logo hoje? Peguei o celular logo, os dedos tremendo de nervosismo, e enviei a mensagem quase gritando pelas letras: Whatsapp On Giovanna: Tá tanto shopping, Ana?! Seu papel era distrair ela, devia ter avisado caramba! Você fudeu a merda do plano todo! Ela respondeu na mesma hora: Ana Clara: Relaxa, tá? Vou dar um jeito. Continua com o que você tem que fazer. Depois outra, mais embaixo: Certamente ela vai querer ir comigo para o restaurante… Ri amargamente para a tela, respondi rápido: Eu vou receber um não bem lindão dela. Ela não vai aceitar, não vai confiar mais em mim hoje, não depois dessa. Whatsapp off Guardei o aparelho no bolso, respirei fundo e olhei para a caixinha de veludo na minha mão. A surpresa tinha ido por água abaixo, mas o pedido… esse eu não ia desistir de jeito nenhum. Point off view Maya Manoela Garcia Cheguei à mansão com os olhos cheios d’água e o coração apertado, nem pensei em voltar para a casa que dividia com ela — não hoje, não assim. — Dona Manoela? — chamou Lúcia logo na porta, assustada ao ver o meu estado. — Que que aconteceu, minha filha? Ela já ia buscar água, como Ana tinha pedido antes, quando a própria amiga entrou logo atrás de mim, fechando a porta com cuidado. Sentei no sofá, cobrindo o rosto com as mãos, e murmurei com a voz quebrada: — Como ela pode… como ela pode mentir assim pra mim? Ana se aproximou, sentou ao meu lado. — Calma, Manu… ela tava trabalhando, não fez por mal. Levantei o rosto de uma vez, os olhos cheios de lágrimas e indignação: — Ela mentiu! Você acreditou mesmo naquela história esfarrapada de caso e investigação? Ela inventou tudo só pra não explicar o que fazia ali! Ana balançou a cabeça devagar, passando o braço pelos meus ombros para me puxar mais perto, e disse com toda a sinceridade: — Não, eu não acreditei não… sei muito bem quando ela inventa uma desculpa pra enrolar. Mas não chora não, meu amor, não vale a pena ficar assim tão destruída por causa de uma besteira dela — pediu ela, limpando devagar uma lágrima que escorreu pela minha bochecha. — Ela errou feio, foi burra, mentiu quando devia ter falado a verdade… mas eu tenho certeza que não teve má intenção. Agora para de chorar, deixa eu ver esse sorriso? Vai ficar tudo bem, vamos arrumar um jeito de ela se explicar direito. Narradora A voz de Ana soou suave, cheia de determinação e carinho, enquanto ela afagava meus cabelos: — Agora descanse um pouco, tá? Porque a noite, como prometido, é nossa, hum? Você vai usar aquele vestido lindo que compramos, vai ficar maravilhosa, e vai mostrar bem para Giovanna o que ela está perdendo — disse ela, sorrindo, incentivando-me com todo o coração. Ela sabia muito bem o que dizia: levar Maya até lá fazia parte do plano desde o início, era a forma certa de colocar todos os pontos nos is e fazer com que a surpresa finalmente acontecesse, sem mais segredos nem mentiras. Por isso insistiu tanto, para que a amiga não desistisse, não ficasse só na dor e aparecesse — radiante — exatamente onde devia estar. (....) A noite chegou devagar, pintando o céu de tons escuros e suaves. Dentro do quarto da mansão, Maya estava parada diante do espelho, vestindo o vestido azul claro que tinha escolhido mais cedo — caía perfeito sobre o corpo, realçava a sua beleza e o brilho suave da sua gestação. Mas os seus olhos, embora fitassem o próprio reflexo, não estavam ali: a sua mente insistia em voltar à cena no shopping, às palavras ditas, à confusão que tinha ficado no ar. Lúcia entrou devagar no quarto, parou atrás dela e sorriu com ternura ao ver a imagem no espelho. — A senhora está linda, dona Maya — disse com a voz calma e cheia de admiração. — Uma verdadeira princesa. Não deixe nenhuma sombra apagar esse brilho que só você tem. Maya sorriu um sorriso pequeno e um pouco triste para o próprio reflexo, passando a mão suavemente pelo tecido do vestido. Agradeceu o carinho de Lúcia com um aceno de cabeça, mas a inquietação ainda batia forte no peito: ela não sabia ao certo se queria ir. Saíram da mansão e seguiram em direção ao restaurante, o coração de Maya batendo forte no peito a cada metro percorrido. Ao chegarem na entrada, ela parou de repente, levando a mão à boca. — Droga! Esqueci a minha bolsa — exclamou, virando-se para voltar. — Amiga, vai entrando, volto rápido! — Ah não, Ana… — tentou chamar, insegura em ficar sozinha ou deixar a amiga ali. — Vai, Manoela, é rápido — insistiu Ana, dando-lhe um leve empurrãozinho suave em direção à porta. — Não demora, prometo. — Tá, tá… não demora muito — concordou Maya com um suspiro, e entrou sozinha no salão, enquanto a amiga voltava apressada para buscar o que faltava — e para dar tempo de Giovanna finalizar os últimos Chat quero elas chegando conversando tendo carícias Maya provocando Giovanna TB até sala transar Maya a vai atiça deixando Gio d au duro elas vão transar loucamente Escreve como mandei chat