Narusasu
Sob a Luz do Girassol e da Lua
O relógio na parede da sala de Naruto marcava quase meia-noite, mas o silêncio da Vila da Folha era diferente naquela noite. Não era o silêncio vazio da solidão que o acompanhara por tantos anos, mas uma quietude expectante, como se o próprio ar de Konoha soubesse que algo monumental estava prestes a acontecer. Naruto estava sentado no sofá, os olhos fixos na porta, as mãos inquietas batendo ritmicamente nos joelhos.
Ele tinha recebido o falcão de Sasuke dois dias antes. Uma mensagem curta, direta, mas que fizera seu coração disparar de um jeito que nem o treinamento mais rigoroso conseguia: "Estou chegando".
Quando a batida suave finalmente ecoou na madeira, Naruto quase tropeçou nos próprios pés para abrir. Ali, sob a luz pálida do corredor, estava Sasuke. Ele parecia mais alto, os cabelos um pouco mais longos, a capa de viagem gasta pela poeira de mil caminhos. Mas os olhos... os olhos tinham uma clareza que Naruto nunca vira antes.
— Eu voltei, Naruto — disse Sasuke, sua voz soando como uma melodia profunda que preenchia todos os espaços vazios da alma do loiro.
Naruto não disse nada de imediato. Ele simplesmente avançou, agarrando a gola da capa de Sasuke e puxando-o para dentro, fechando a porta com o pé enquanto selava seus lábios nos dele. Não houve hesitação, não houve o jeito atrapalhado de anos atrás. Era um beijo de reconhecimento, de posse e, acima de tudo, de alívio.
— Você demorou demais, seu idiota — sussurrou Naruto contra a boca de Sasuke, a respiração quente e errática.
Sasuke soltou um suspiro que pareceu carregar o resto de sua exaustão. Ele envolveu a cintura de Naruto com seu único braço, apertando-o contra si como se quisesse fundir seus corpos.
— Eu precisava ter certeza de que, quando voltasse, nunca mais teria que partir — respondeu Sasuke, encostando a testa na de Naruto. — Eu vi tudo o que precisava ver, Naruto. E em cada lugar, em cada pôr do sol, eu só conseguia pensar em como seria vê-lo ao seu lado.
Naruto sorriu, aquele sorriso que Sasuke secretamente considerava sua única bússola no mundo. O loiro o conduziu pelo pequeno apartamento, que estava estranhamente organizado para os padrões de Naruto. Havia flores frescas em um vaso e o cheiro suave de incenso de sândalo.
— Eu senti tanto a sua falta que chegava a doer aqui — Naruto levou a mão de Sasuke até o seu peito, sobre o coração que batia freneticamente. — Cada missão, cada tigela de ramen... tudo parecia incompleto.
Sasuke olhou para Naruto com uma intensidade que faria qualquer outro homem desviar o olhar, mas o Uzumaki apenas se aproximou mais. O Uchiha deixou sua capa cair no chão, revelando as roupas de viagem ajustadas e o corpo que, embora magro, era puro músculo e cicatrizes de batalhas passadas.
— Naruto... — a voz de Sasuke falhou, tornando-se um sussurro rouco. — Você tem certeza disso? Eu ainda sou um homem com muitas sombras.
Naruto segurou o rosto de Sasuke com as duas mãos, os polegares acariciando as maçãs do rosto do Uchiha.
— Sasuke, eu lutei uma guerra inteira por você. Eu perdi um braço por você. Você acha mesmo que eu tenho medo de um pouco de sombra? — Naruto riu suavemente, um som cheio de ternura. — Eu sou o sol, lembra? Eu ilumino tudo o que você for. Eu quero você. Todo você.
Sasuke fechou os olhos, entregando-se ao toque. Ele sempre fora alguém que evitava o contato, que via a proximidade como uma vulnerabilidade. Mas com Naruto, era diferente. Era como voltar para casa depois de uma vida inteira de exílio.
Eles se moveram em direção ao quarto, um trajeto curto mas carregado de uma eletricidade quase palpável. A luz da lua filtrava-se pela janela, banhando o ambiente em tons de prata e azul. Quando Naruto se sentou na cama e puxou Sasuke para entre suas pernas, o mundo lá fora deixou de existir. Não havia mais vilas, não havia mais política, não havia mais o peso de serem heróis ou renegados. Eram apenas dois homens, ligados por um destino que nem a morte fora capaz de quebrar.
— Naruto — murmurou Sasuke enquanto o loiro começava a desabotoar sua camisa com dedos trêmulos mas persistentes —, eu não sei ser... gentil. Eu só conheço a intensidade.
— Então seja intenso — respondeu Naruto, olhando-o nos olhos. — Eu aguento. Eu sempre aguentei tudo o que veio de você.
Sasuke inclinou-se e beijou o pescoço de Naruto, sentindo o pulsar da artéria carótida sob sua língua. Naruto soltou um gemido baixo, a cabeça tombando para trás, as mãos agarrando os ombros de Sasuke. Cada toque era uma descoberta. A pele de Naruto era quente, vibrante, cheia de vida, enquanto a de Sasuke era mais fria, mas aquecia-se rapidamente sob o contato do outro.
As roupas foram descartadas com uma urgência silenciosa. Quando ficaram apenas pele contra pele, o tempo pareceu parar. Sasuke admirou as marcas no corpo de Naruto, cada uma contando uma história de sacrifício e determinação. Naruto, por sua vez, traçou as linhas das cicatrizes de Sasuke com uma reverência quase religiosa, beijando o ombro onde a marca da maldição um dia residira, como se estivesse apagando os últimos vestígios de dor com seus lábios.
— Você é lindo, Sasuke — sussurrou Naruto, a voz carregada de uma admiração genuína.
Sasuke sentiu o rosto esquentar, algo que só Naruto conseguia provocar.
— Você é um idiota barulhento — retrucou ele, mas o tom era de puro amor.
Eles se deitaram nos lençóis, os corpos se entrelaçando naturalmente. Naruto era fogo e movimento; Sasuke era foco e profundidade. Quando se entregaram um ao outro, não foi apenas um ato físico. Foi a conclusão de uma promessa feita em um cais de madeira quando eram crianças, mantida através de vales de sangue e reforçada no silêncio de suas próprias mentes durante os anos de separação.
Naruto sentia cada batida do coração de Sasuke contra o seu. Ele sentia a força do Uchiha, a maneira como ele se agarrava a Naruto como se ele fosse sua única âncora em um mar revolto. E Sasuke, pela primeira vez em sua vida adulta, permitiu-se ser vulnerável. Ele deixou que Naruto visse sua necessidade, seu desejo e a devoção absoluta que ele guardara trancada sob sete chaves.
No auge daquela entrega, quando as respirações se tornaram uma só e o prazer ameaçou transbordar, Naruto sussurrou o nome de Sasuke como se fosse uma prece. E Sasuke respondeu da única forma que sabia: entregando-se por inteiro, sem reservas, sem defesas.
— Eu te amo, Naruto — disse Sasuke, as palavras saindo com esforço, mas com uma convicção inabalável, enquanto eles se recuperavam, abraçados sob o cobertor.
Naruto, que já estava quase cochilando de exaustão e felicidade, abriu um olho azul e sorriu. Ele se inclinou e deu um beijo casto na ponta do nariz de Sasuke.
— Eu te amo desde que a gente era criança e você me olhou feio pela primeira vez — brincou o loiro, fazendo Sasuke soltar uma risada curta e genuína.
— Aquilo foi porque você estava bloqueando o meu caminho — disse Sasuke, puxando Naruto para mais perto, acomodando a cabeça do loiro em seu peito.
— E eu vou continuar bloqueando — afirmou Naruto, fechando os olhos e ouvindo o ritmo constante do coração de Sasuke. — De agora em diante, todos os seus caminhos vão ter que passar por mim.
Sasuke não respondeu com palavras. Ele apenas apertou o abraço, sentindo o calor de Naruto envolvê-lo. Pela primeira vez em muitos anos, o último Uchiha não sonhou com chamas negras ou olhos sangrentos. Ele sonhou com o sol, e com o fato de que, finalmente, ele não estava mais caminhando sozinho na escuridão. Ele estava em casa.