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Nova visão

Sinfonia de Aço e Papel

A luz da manhã em Smallville tinha uma qualidade dourada e persistente, atravessando as janelas da cozinha da fazenda Kent com uma familiaridade reconfortante. O cheiro de café fresco e panquecas preenchia o ar, mas o silêncio à mesa era carregado de uma expectativa que nem mesmo o apetite voraz de Clark conseguia disfarçar. Sentados à frente dele, Jonathan e Martha Kent trocavam olhares cúmplices, observando o filho remexer o xarope no prato com uma distração atípica.

Ao lado de Clark, Chloe Sullivan tentava manter a postura profissional de jornalista, mas o leve tremor em suas mãos ao segurar a xícara de porcelana denunciava seu nervosismo. Clark finalmente deixou o garfo de lado, endireitou os ombros e buscou a mão de Chloe por cima da mesa, entrelaçando seus dedos com uma firmeza que não deixava margem para dúvidas.

— Pai, mãe — começou Clark, sua voz soando mais profunda e assertiva do que o normal. — Eu sei que vocês sempre viram a Chloe como parte da família, mas as coisas mudaram. Ou melhor, elas finalmente entraram no eixo.

Jonathan arqueou uma sobrancelha, um meio sorriso surgindo sob o bigode, enquanto Martha pousava a espátula e se aproximava da mesa, os olhos brilhando de antecipação.

— Clark — disse Martha, a voz suave —, estamos esperando você dizer isso em voz alta há pelo menos três anos.

— É oficial então? — perguntou Jonathan, cruzando os braços sobre o peito largo. — A Chloe finalmente aceitou o cargo de tempo integral para manter você na linha?

Clark riu, um som rico que pareceu vibrar pelas paredes da cozinha.

— Sim, pai. Oficialmente. A Chloe é minha namorada. E eu não pretendo deixar que isso mude nunca mais.

Chloe soltou um suspiro de alívio, sentindo o calor do rosto diminuir enquanto Martha a envolvia em um abraço caloroso por trás da cadeira.

— Bem-vinda à família de um jeito novo, querida — sussurrou Martha. — Eu sempre soube que seria você.

— Obrigada, Sra. Kent — respondeu Chloe, recuperando seu brilho sarcástico. — Alguém precisava garantir que o herói de Smallville não saísse por aí combinando xadrez com listras para o resto da vida.

A risada geral que se seguiu selou o momento. Para Clark, ver a aceitação imediata de seus pais era a peça final do quebra-cabeça. Durante anos, a sombra de Lana Lang pairara sobre aquela mesa como uma promessa não cumprida, mas agora, com Chloe ao seu lado, o ar parecia mais limpo, o futuro mais brilhante.

Mais tarde naquela noite, o cenário mudou para o sótão do celeiro, o refúgio pessoal de Clark. A tempestade lá fora era apenas um murmúrio distante, abafado pelo som de um filme antigo que passava na pequena televisão. Eles estavam amontoados no sofá velho, cobertos por uma manta de lã. Chloe estava aninhada entre as pernas de Clark, a cabeça encostada em seu peito, ouvindo o ritmo constante e poderoso de seu coração — um som que ela agora reconhecia como sua música favorita.

A mão de Clark, grande e quente, repousava casualmente sobre a cintura de Chloe, mas conforme o filme avançava, seus dedos começaram uma exploração preguiçosa e possessiva. Ele traçava círculos invisíveis na lateral do quadril dela, subindo lentamente pela costela, uma "mão boba" que fazia a respiração de Chloe falhar sistematicamente.

— Clark — ela murmurou, a voz carregada de um desejo sonolento —, eu achei que viemos aqui para assistir ao clássico do cinema noir, não para você praticar anatomia humana.

— Eu sou um estudante aplicado, Chloe — respondeu ele, a voz rouca vibrando contra o topo da cabeça dela. — E, para sua informação, o cinema noir é muito mais interessante quando tenho uma loira inteligente e perigosamente atraente nos meus braços.

Ele a apertou mais contra si, a mão subindo um pouco mais, sentindo a curva do seio dela sob o tecido fino da camiseta. Chloe soltou um gemido baixo, virando o rosto para encontrar os olhos dele. O azul das pupilas de Clark estava escuro, carregado daquela nova arrogância carinhosa que ele desenvolvera.

— Você está ficando muito bom nisso — disse ela, puxando-o para um beijo lento que tinha gosto de chocolate e promessas.

— Eu tive a melhor professora — sussurrou ele entre os beijos. — Alguém que nunca desistiu de mim, mesmo quando eu era cego demais para ver o que estava bem na minha frente.

Na manhã seguinte, o sol de Smallville despertou Clark antes de Chloe. Ele permaneceu imóvel por um tempo, apenas observando-a dormir. Ela parecia tão vulnerável e perfeita, os cabelos loiros espalhados pelo travesseiro. Foi então que ele se permitiu um pequeno abuso de seus poderes. Com um foco suave, ele ativou sua visão de raios-X, não por malícia, mas por uma curiosidade arrebatadora que o consumia desde que se tornaram íntimos.

Ele observou a estrutura perfeita dela, o coração batendo em um ritmo tranquilo, os pulmões expandindo-se suavemente. Mas seu olhar inevitavelmente desceu para a curva de seus seios, a transparência revelando a perfeição da forma que ele tanto adorava tocar. Um sorriso convencido surgiu em seus lábios ao notar como até mesmo a fisiologia dela parecia feita sob medida para ele.

Chloe abriu um olho, flagrando o olhar fixo e intenso de Clark.

— Kent — disse ela, a voz rouca de sono —, se você estiver usando sua visão de "ver através das coisas" para me analisar antes do café, eu juro que vou escrever um editorial sobre a invasão de privacidade alienígena.

Clark riu, desativando o poder instantaneamente e puxando-a para cima dele na cama.

— Culpado conforme a acusação, Sullivan. Mas não consigo evitar. Você é fascinante em todos os níveis moleculares.

— Você é impossível — ela riu, beijando a ponta do nariz dele. — Mas temos coisas sérias para discutir. Estive olhando alguns panfletos ontem à noite.

Clark suspirou, sabendo exatamente do que ela falava. O fim do ensino médio estava batendo à porta, e Metrópolis os chamava como um farol.

— A Universidade de Metrópolis? — perguntou ele.

— Exatamente. Eu consegui a bolsa para o curso de jornalismo, e você sabe que o Planeta Diário já está de olho em mim — explicou ela, os olhos brilhando de empolgação. — Mas eu andei vendo uns apartamentos perto do campus. Coisas pequenas, Clark. Um quarto, uma cozinha onde mal cabem duas pessoas e uma vista que provavelmente é apenas um beco escuro.

Clark sentou-se na cama, puxando-a para seu colo. A ideia de deixar a fazenda ainda era assustadora, mas a ideia de não estar com Chloe era insuportável.

— Um apartamento pequeno em Metrópolis — repetiu ele, testando as palavras. — Com você ocupando todo o espaço com seus arquivos e eu tentando não quebrar a mobília toda vez que espirrar?

— Basicamente — disse ela, as mãos circulando o pescoço dele. — O que você acha?

— Eu acho que, desde que haja uma cama grande o suficiente para nós dois e uma porta que eu possa trancar para o resto do mundo, eu moraria em um armário com você, Chloe.

— Você fala sério? — perguntou ela, a vulnerabilidade brilhando por trás do sarcasmo habitual. — Deixar Smallville, os seus pais... o seu refúgio?

Clark segurou o rosto dela com as duas mãos, a expressão tornando-se profundamente séria e carinhosa.

— Chloe, Smallville sempre será minha casa, mas você é o meu lar. Eu passei tanto tempo tentando me encaixar em um ideal que não era meu. Com você, eu não preciso ser o salvador do mundo o tempo todo. Eu posso ser apenas o Clark. E se o Clark precisa morar em um apartamento apertado na cidade grande para acordar ao seu lado todos os dias, então esse é o único lugar onde eu quero estar.

Lágrimas de felicidade brotaram nos olhos de Chloe. Ela o beijou com uma intensidade que selava o pacto. Não havia mais Lana, não havia mais dúvidas, não havia mais segredos corrosivos. Havia apenas a força dele e a inteligência dela, uma combinação que Metrópolis certamente não estava preparada para enfrentar.

— Eu te amo, Clark Kent — sussurrou ela contra os lábios dele. — Mais do que eu amo um furo de reportagem na primeira página.

— Eu te amo, Chloe Sullivan — respondeu ele, a voz firme e cheia de uma certeza inabalável. — Mais do que a própria vida.

Eles ficaram ali, planejando o futuro entre beijos e risadas, enquanto o sol subia alto sobre Smallville. O herói de aço finalmente encontrara sua âncora, e a jornalista audaciosa encontrara sua história definitiva. O apartamento em Metrópolis seria pequeno, as dificuldades seriam muitas, mas enquanto estivessem juntos, o mundo — e qualquer outro planeta — estaria aos seus pés.

Era o fim de um capítulo em suas vidas, mas a manchete principal estava apenas começando a ser escrita: Clark e Chloe, contra tudo e contra todos, para sempre.