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o cara louco por sexo

Marcas de Devoção e Domínio

A luz pálida da manhã de domingo começou a se infiltrar pelas frestas da persiana, desenhando linhas douradas sobre o tapete do quarto. O silêncio era absoluto, interrompido apenas pelo som da respiração pesada de Jeong e o leve ressonar de Kim Dan. O ar ainda carregava o peso da noite anterior — um misto de umidade da chuva que finalmente cessara e o aroma persistente de pele e desejo.

Jeong despertou primeiro. Seus olhos abriram-se lentamente, mas sua mente estava instantaneamente alerta. A primeira coisa que sentiu foi o peso de Dan contra seu peito, a cabeça do menor aninhada no vão de seu pescoço. O instinto de posse de Jeong rugiu baixinho em seu interior, uma satisfação sombria e profunda ao sentir que Dan ainda estava ali, exatamente onde deveria estar.

Ele não se moveu. Ficou apenas observando a silhueta de Dan. Na luz matinal, as marcas que Jeong deixara na noite anterior estavam mais nítidas. Pequenos hematomas arroxeados e manchas rosadas adornavam a clavícula e o ombro de Dan, como uma assinatura escrita em carne. Jeong estendeu a mão, traçando o contorno de uma dessas marcas com o polegar, sentindo a textura da pele macia.

— Você é tão teimoso... — sussurrou Jeong, a voz rouca pelo sono. — Por que tenta fugir de mim quando sabe que não tem para onde ir?

Dan soltou um gemido baixo, remexendo-se sob os lençóis de seda escura. Ele abriu os olhos devagar, piscando contra a claridade, e levou alguns segundos para processar onde estava. Quando sua visão focou no rosto de Jeong, um lampejo de memória da briga e da reconciliação intensa atravessou seus olhos.

— Jeong... — murmurou Dan, tentando se espreguiçar, mas sentindo o corpo dolorido. — Que horas são?

— Cedo demais para você pensar em sair da cama — respondeu Jeong, apertando o abraço e impedindo que Dan se afastasse sequer um centímetro.

Dan suspirou, sentindo o calor do corpo de Jeong. Ele sabia que, após uma briga daquelas, Jeong ficaria ainda mais grudento, ainda mais territorial. Era o ciclo deles: a explosão, o medo da perda e, depois, uma redoma de vidro que Jeong construía ao redor dos dois.

— Eu preciso de água — disse Dan, tentando empurrar levemente o peito largo do namorado. — Minha garganta está seca.

Jeong franziu o cenho, o brilho avermelhado em seu cabelo parecendo mais intenso com o sol.

— Eu busco para você. Fique aqui. Não se mexa.

— Eu só vou até a cozinha, Jeong. Não vou fugir pela janela — ironizou Dan, embora houvesse um cansaço genuíno em sua voz.

Jeong travou o maxilar. Ele odiava quando Dan fazia piada com sua insegurança, mesmo que fosse verdade. Para Jeong, a ideia de Dan fora de sua vista, especialmente depois de ele ter tentado ir embora na chuva, era insuportável.

— Eu disse para ficar aqui — repetiu Jeong, a voz agora carregada de uma autoridade que não admitia réplicas. — Eu cuido de você hoje. De tudo.

Ele se levantou, a nudez não o incomodando nem um pouco. Jeong tinha um porte físico imponente, os ombros largos e a musculatura definida que ele mantinha com rigor. Ele caminhou até a cozinha e voltou minutos depois com um copo de água gelada e algumas frutas cortadas em um prato.

Dan estava sentado, encostado na cabeceira, observando Jeong entrar. Ele aceitou o copo e bebeu tudo de uma vez, sentindo o olhar de Jeong queimando sobre si. O mais alto sentou-se na beirada da cama, pegando um pedaço de maçã e levando-o à boca de Dan.

— Abre — ordenou ele.

Dan obedeceu, sentindo-se quase como um prisioneiro de luxo. Ele mastigou devagar, olhando nos olhos escuros de Jeong.

— Até quando vamos ficar assim? — perguntou Dan após engolir. — Você sabe que não pode me vigiar vinte e quatro horas por dia. Eu tenho trabalho, eu tenho uma vida lá fora.

O rosto de Jeong escureceu instantaneamente. Ele largou o prato na mesa de cabeceira e se inclinou sobre Dan, prendendo-o entre seus braços.

— A sua vida "lá fora" só existe porque eu permito — disse Jeong, a voz baixa e perigosa. — Ontem você cruzou uma linha, Dan. Você saiu no meio de uma tempestade. Você me deixou desesperado.

— Você estava gritando comigo por causa de um colega de trabalho que me mandou uma mensagem de boa noite! — rebateu Dan, a cor voltando às suas bochechas. — Foi um absurdo, Jeong. Você não pode surtar toda vez que alguém respira perto de mim.

— Eu surto porque eu sei como os homens olham para você! — Jeong rosnou, aproximando o rosto do de Dan até que seus narizes se tocassem. — Você é gentil demais, ingênuo demais. Eles veem essa sua carinha mansa e acham que podem tirar vantagem. Mas você é meu. Eu já te disse isso mil vezes. Eu não divido o que é meu. Nunca.

Dan sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A possessividade de Jeong era uma faca de dois gumes; era o que o fazia se sentir protegido, mas também o que o fazia se sentir sufocado.

— Você não me possui, Jeong. Nós namoramos. É uma relação, não um contrato de propriedade — tentou argumentar, embora soubesse que era uma batalha perdida.

Jeong soltou uma risada curta e sem humor, seus dedos subindo para o pescoço de Dan, apertando-o levemente, não o suficiente para machucar, mas o bastante para deixar claro quem estava no controle.

— Para mim, é a mesma coisa. Eu te dei tudo. Este apartamento, as roupas que você usa, o tempo que eu dedico a você... Eu transformei você no centro do meu mundo. Em troca, eu quero a sua exclusividade absoluta. Cada pensamento seu deve ser meu.

— Isso é doentio — sussurrou Dan, embora seu corpo estivesse reagindo à proximidade e à intensidade de Jeong.

— Talvez seja — admitiu Jeong, descendo os beijos para a mandíbula de Dan. — Mas é assim que eu amo. Eu não sei amar de outro jeito. E você aceitou isso quando decidiu ficar comigo. Ontem, quando eu ajoelhei naquela chuva... eu teria morrido se você não tivesse voltado. Mas agora que você voltou, eu não vou facilitar a sua saída de novo.

Jeong afastou-se um pouco, seus olhos percorrendo o corpo de Dan com uma fome que parecia insaciável.

— Hoje, você não vai a lugar nenhum. Eu cancelei seus compromissos. Liguei para o seu chefe do seu celular enquanto você dormia e disse que você estava doente.

Dan arregalou os olhos, sentindo uma mistura de raiva e choque.

— Você fez o quê? Jeong, você enlouqueceu? Eu precisava terminar aquele relatório!

— O relatório pode esperar. Eu não posso — disse Jeong, sua mão descendo para a cintura de Dan e puxando-o para mais perto, eliminando qualquer espaço entre eles. — Eu quero você aqui, onde eu possa te ver, te tocar e ter certeza de que você não vai desaparecer.

— Você está me mantendo refém? — Dan perguntou, a voz falhando.

— Estou mantendo você seguro — corrigiu Jeong com um sorriso sombrio. — Seguro de si mesmo e das suas ideias idiotas de me deixar.

Ele empurrou Dan de volta contra os travesseiros, cobrindo seu corpo com o dele. O peso de Jeong era reconfortante e aterrorizante ao mesmo tempo. Dan sentia o coração martelar contra as costelas. Ele amava Jeong, amava a forma como o outro o adorava, mas o preço dessa adoração era a sua liberdade.

— Me peça desculpas de novo — ordenou Jeong, os lábios roçando a orelha de Dan.

— Eu já pedi ontem... — protestou Dan.

— Peça. Diga que sente muito por ter tentado me deixar. Diga que nunca mais vai fazer isso.

Dan fechou os olhos, sentindo as mãos de Jeong explorando seu corpo com uma familiaridade possessiva. Ele sabia que, se não cedesse, a tensão só aumentaria. E, no fundo, uma parte sombria de si mesmo gostava de ser desejado daquela forma tão extrema.

— Eu sinto muito, Jeong — murmurou Dan, as lágrimas começando a arder em seus olhos. — Eu sinto muito por ter saído. Eu não vou fazer de novo.

Jeong soltou um suspiro de satisfação, um som que parecia o ronronar de um predador que acabara de capturar sua presa favorita.

— Bom menino — sussurrou ele. — Agora, mostre-me que você é meu.

O resto da manhã passou em um borrão de carícias e exigências. Jeong não tinha pressa. Ele explorava cada centímetro de Dan como se estivesse mapeando um território recém-conquistado. Cada vez que Dan tentava se mover ou mudar de posição, Jeong o prendia com mais força, lembrando-o silenciosamente de sua força e de seu domínio.

— Olhe para mim, Dan — pedia Jeong constantemente. — Eu quero ver seus olhos. Quero ver que você está aqui comigo.

Era uma forma de tortura doce. Jeong era um amante generoso, mas sempre sob seus próprios termos. Ele sabia exatamente como tocar Dan para fazê-lo esquecer o mundo exterior, para fazê-lo focar apenas naquelas mãos grandes e naquele hálito quente.

Por volta do meio-dia, a fome física começou a superar a fome carnal. Jeong, agindo como o provedor que insistia em ser, levantou-se para preparar algo para comerem. Ele não permitiu que Dan saísse do quarto.

— Fique na cama. Vou trazer o almoço para cá — disse ele, vestindo apenas uma calça de moletom cinza que ficava baixa em seus quadris.

Dan observou-o sair, sentindo-se exausto. Ele olhou para o próprio corpo, vendo as novas marcas que se somavam às da noite anterior. Ele se sentia marcado, carimbado como propriedade de Jeong. Era uma sensação estranha — uma mistura de ser o objeto mais precioso do mundo e, ao mesmo tempo, um pássaro em uma gaiola de ouro.

Ele tentou alcançar seu celular na mesa de cabeceira, mas ele não estava lá. Jeong o levara. Um suspiro de frustração escapou de seus lábios. Jeong estava levando as coisas longe demais, mas como ele poderia lutar contra um homem que o amava com tanta ferocidade que estava disposto a destruir tudo ao redor para mantê-lo?

Minutos depois, Jeong voltou com uma bandeja. O cheiro de comida caseira preencheu o quarto. Ele se sentou ao lado de Dan e começou a alimentá-lo, recusando-se a deixar que Dan segurasse os talheres.

— Eu posso comer sozinho, Jeong — disse Dan, tentando manter um pouco de dignidade.

— Eu gosto de fazer isso — rebateu Jeong de forma simples. — Gosto de saber que eu sou o único que provê para você. Que você depende de mim para tudo.

— Isso não é saudável — disse Dan, embora aceitasse a comida.

— O que é "saudável", Dan? — Jeong perguntou, seus olhos fixos nos dele. — O mundo lá fora é frio e indiferente. Ninguém vai te amar como eu. Ninguém vai te proteger como eu. Se ser saudável significa te amar menos, então eu prefiro ser doente.

Dan não teve resposta para isso. Ele sabia que o conceito de amor de Jeong era distorcido, moldado por traumas ou talvez apenas por uma natureza inerentemente possessiva. Mas ele também sabia que, quando Jeong o abraçava à noite, ele se sentia o homem mais seguro do planeta.

Após o almoço, Jeong guardou a bandeja e voltou para os braços de Dan. Eles ficaram deitados em silêncio por um longo tempo, apenas ouvindo o som do mundo lá fora — o trânsito distante, o canto de alguns pássaros. Para Jeong, nada disso importava. Seu universo estava contido naquelas quatro paredes.

— Você está bravo comigo? — perguntou Jeong de repente, sua voz suavizando levemente.

Dan olhou para o teto, pensando cuidadosamente na resposta.

— Estou cansado, Jeong. Estou cansado de lutar contra você.

— Então não lute — disse Jeong, beijando o topo da cabeça de Dan. — Apenas aceite. Deixe que eu cuide de tudo. Você não precisa se preocupar com mais nada. Apenas seja meu, e eu te darei o mundo.

— E se o mundo que eu quiser for um mundo onde eu possa sair sem você surtar? — Dan perguntou, um último lampejo de resistência em sua voz.

Jeong apertou o abraço, o corpo ficando tenso por um momento.

— Esse mundo não existe para nós, Dan. No nosso mundo, somos só eu e você. E eu nunca vou deixar nada nem ninguém entrar no meio.

Ele se inclinou e selou os lábios de Dan em um beijo que era ao mesmo tempo uma promessa e uma ameaça. Dan cedeu, como sempre fazia. Ele entrelaçou seus dedos nos cabelos pretos e avermelhados de Jeong, puxando-o para mais perto.

A chuva da noite anterior tinha lavado as ruas, mas não tinha mudado a natureza da relação deles. Jeong continuava sendo o porto seguro e a tempestade, o carcereiro e o salvador. E Dan, apesar de todos os seus protestos, continuava sendo o homem que sempre voltava para casa, para os braços do homem que se recusava a dividi-lo com o resto do mundo.

— Eu te amo — sussurrou Jeong contra os lábios de Dan.

— Eu sei — respondeu Dan, fechando os olhos e deixando-se levar pela maré de possessividade que o envolvia. — Eu também te amo.

Jeong sorriu contra a pele de Dan. Ele vencera. Mais uma vez, ele garantira que Kim Dan soubesse exatamente a quem pertencia. E enquanto as marcas em seu corpo não desaparecessem, a lembrança daquela noite e daquele dia ficaria gravada na alma de Dan, prendendo-o a Jeong com laços que nenhuma chuva ou briga seria capaz de romper.

A tarde caiu, e as sombras voltaram a crescer no quarto. Jeong não acendeu as luzes. Ele não precisava de luz para saber que Dan estava ali. Ele podia sentir o calor de sua pele, o ritmo de seu coração e a submissão em seu toque. Para um homem como Jeong, isso era tudo o que importava. O sol poderia se apagar e o mundo poderia desmoronar, contanto que, no final, ele ainda pudesse dizer que Dan era seu.