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O Ceo das Sombras

Sombras de um Recomeço

O ar condicionado do saguão da JCD parecia soprar partículas de gelo contra a pele de S/N. Ela apertava a pasta de couro sintético contra o peito, sentindo o suor frio umedecer a palma das mãos. Seul era uma selva de vidro e aço, um contraste violento com o calor e o caos acolhedor do Brasil que ela deixara para trás para fugir de um fantasma. Mas, ali, no quadragésimo andar, o silêncio era tão pesado que ela podia ouvir as próprias batidas do coração.

Ela precisava desse emprego. Não era apenas pelo dinheiro, embora as contas estivessem acumulando. Era pela invisibilidade que uma empresa daquele porte oferecia. Se ela estivesse cercada por centenas de funcionários, Shin Yujin nunca a encontraria. Ou era isso que ela repetia para si mesma todas as manhãs, como uma oração desesperada.

— Senhorita Silva? O Sr. Jeon a receberá agora — disse a secretária, uma mulher de semblante gélido e postura impecável.

S/N engoliu em seco. Ela sabia quem era Jeon Jungkook. Pelo menos, sabia o que as revistas de economia diziam: o prodígio da logística, o homem que transformou a JCD em um império global em menos de uma década. Ela não sabia, entretanto, que estava prestes a entrar na toca de um predador que não aceitava "não" como resposta.

A porta do escritório central se abriu com um clique eletrônico quase imperceptível. O ambiente era amplo, decorado em tons de cinza, preto e madeira escura. O cheiro de sândalo e algo metálico, como pólvora limpa, impregnava o ar. Atrás da mesa de mogno, um homem estava sentado com os olhos fixos em um tablet.

Ele não levantou a cabeça de imediato. Jungkook usava uma camisa preta com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando o início de tatuagens que subiam por seus antebraços musculosos. O relógio em seu pulso valia mais do que o apartamento onde S/N morava.

— Sente-se — disse ele. A voz era um barítono profundo, uma vibração que pareceu reverberar nos ossos dela.

S/N obedeceu, sentando-se na beirada da cadeira de couro. Ela tentou manter a postura, mas quando ele finalmente ergueu o olhar, suas defesas desmoronaram. Os olhos de Jungkook eram escuros, insondáveis e carregavam uma autoridade que ia muito além de um CEO comum. Havia uma periculosidade neles, uma promessa de violência contida que a fez estremecer.

— Você é brasileira — afirmou ele, não como uma pergunta, mas como um fato que ele já havia dissecado. — Formada em Comércio Exterior, fluente em quatro idiomas, incluindo o coreano. Suas notas são excelentes, mas seu histórico profissional tem lacunas. Por quê?

S/N sentiu o nó na garganta. Ela não podia dizer que as lacunas eram os meses em que ficou escondida em abrigos, ou o tempo que passou se recuperando das costelas quebradas que Yujin lhe dera.

— Eu... eu tive problemas pessoais, senhor Jeon. Precisava de tempo para me reestabelecer em um novo país — respondeu ela, a voz falhando levemente.

Jungkook inclinou-se para a frente. O movimento foi fluido, como o de uma pantera se preparando para o bote. Ele apoiou os cotovelos na mesa e entrelaçou os dedos, observando-a com uma intensidade que a deixava nua.

— Problemas pessoais costumam seguir as pessoas, senhorita Silva — disse ele, a voz baixando de tom. — Na JCD, eu prezo pela eficiência. Mas na minha vida pessoal, eu prezo pela lealdade e pela verdade. Você parece estar fugindo de algo.

O pânico começou a subir. S/N desviou o olhar, as mãos tremendo sobre o colo. A menção a "fugir" disparou os gatilhos que ela tentava silenciar. A imagem de Yujin gritando, o som da mão dele batendo contra a parede ao lado de sua cabeça, o cheiro de álcool... tudo voltou em uma onda sufocante.

— Eu só quero trabalhar — sussurrou ela, sentindo o ar faltar. — Eu juro que serei a melhor funcionária que o senhor já teve. Só preciso de uma chance.

Jungkook notou o tremor. Ele viu a forma como ela encolheu os ombros, um gesto instintivo de defesa que ele conhecia bem demais. Ele lidava com o medo todos os dias — ele o causava em seus inimigos e o geria em seus subordinados. Mas o medo dela era diferente. Era o medo de uma presa que já havia sido capturada antes.

Inesperadamente, ele se levantou e caminhou ao redor da mesa. S/N tencionou, esperando o pior. Em sua experiência, homens poderosos que se aproximavam rápido demais geralmente queriam algo que ela não estava disposta a dar. Ela fechou os olhos, esperando o toque brusco, o aperto no braço.

— Respire — comandou Jungkook, parando a uma distância respeitável, mas ainda assim dominante. — Ninguém vai machucar você aqui.

S/N abriu os olhos, surpresa. Jungkook a observava com uma curiosidade nova, uma centelha de algo que não era apenas frieza corporativa. Era possessividade. No momento em que viu a vulnerabilidade nos olhos dela, algo dentro do líder da máfia despertou. Ele não queria apenas uma funcionária; ele queria proteger aquela criatura quebrada que exalava uma força silenciosa.

— O cargo de assistente executiva é seu — declarou ele. — Mas com uma condição.

— Qual? — perguntou ela, a voz ainda instável.

— Você trabalhará diretamente comigo. Onde eu for, você irá. Se eu ficar até tarde, você ficará. E se alguém do seu passado aparecer nesta cidade... — ele deu um passo à frente, e desta vez S/N não recuou, hipnotizada pela escuridão nos olhos dele. — Você me contará. Eu não tolero segredos que possam comprometer meus ativos. E você, S/N, acaba de se tornar o meu ativo mais valioso.

As semanas que se seguiram foram um borrão de trabalho intenso e uma tensão sexual que crescia a cada encontro. Jungkook era um chefe exigente, quase cruel em sua busca pela perfeição, mas ele também era estranhamente atento. Ele percebia quando ela não almoçava, ordenando que as melhores refeições fossem entregues em sua mesa. Ele notava quando ela empalidecia ao ouvir um barulho alto no corredor, e discretamente fechava a porta do escritório para dar a ela privacidade.

No entanto, o mundo da máfia não permitia tréguas.

Em uma noite chuvosa, enquanto terminavam de organizar os documentos de uma fusão que servia de fachada para um carregamento de armas, o telefone de Jungkook tocou. S/N estava sentada no sofá do escritório, revisando planilhas, quando viu a expressão dele mudar. A máscara de CEO caiu, revelando o monstro que ele mencionara capítulos atrás.

— Min Yoongi, fale — disse Jungkook, a voz gélida.

S/N não conseguia ouvir a resposta, mas viu os nós dos dedos de Jungkook ficarem brancos enquanto ele apertava o aparelho.

— Onde? — perguntou ele. — Entendido. Prepare o galpão. Eu mesmo vou cuidar disso.

Ele desligou e olhou para S/N. Havia sangue metafórico nos olhos dele.

— S/N, você vai para casa agora. Meu motorista vai levar você — disse ele, a voz autoritária.

— O que aconteceu? — ela se levantou, o coração disparado. — Jungkook, você está me assustando.

Ele caminhou até ela, a aura de perigo emanando de cada poro. Ele a segurou pelos ombros, não com a brutalidade que ela temia de Yujin, mas com uma firmeza que a ancorava.

— Algumas pessoas não entendem o conceito de propriedade — rosnou ele. — Um homem foi visto rondando o seu prédio hoje cedo. Ele estava perguntando por uma "brasileira".

O mundo de S/N desabou. O pânico a atingiu como um soco no estômago.

— Não... não pode ser. Ele não pode ter me achado — ela começou a hiperventilar, as lágrimas inundando seus olhos. — Ele vai me matar, Jungkook. Ele disse que se eu fugisse, ele me mataria!

— Olhe para mim! — Jungkook ordenou, segurando o rosto dela com as duas mãos. As palmas dele eram quentes e grandes, cobrindo quase toda a extensão de suas bochechas. — Respire, S/N. Olhe nos meus olhos.

Ela focou nele, as pupilas dilatadas pelo terror.

— Ninguém toca no que é meu — ele jurou, a voz baixa e letal. — Shin Yujin cometeu o último erro da vida dele ao colocar os pés em Seul. Eu vou destruir cada pedaço dele por ter feito você chorar.

S/N desabou contra o peito dele, soluçando. Jungkook a envolveu em um abraço esmagador, sentindo o corpo dela tremer contra o dele. O desejo de matar Yujin era uma sede física em sua garganta, mas o desejo de possuir e curar S/N era ainda maior.

— Fique aqui — disse ele, afastando-a apenas o suficiente para beijar sua testa. — Tranque a porta. Não saia por nada. Eu volto quando o mundo estiver limpo para você de novo.

Jungkook saiu, e o silêncio que ficou para trás foi preenchido apenas pelo som da chuva batendo no vidro.

Horas depois, quando ele retornou, o cheiro de ferro era insuportável. S/N estava encolhida no mesmo sofá, as luzes apagadas. Quando a porta se abriu, ela soltou um grito curto, cobrindo o rosto.

— Sou eu, pequena. Sou eu.

Jungkook entrou na sala. Sua camisa branca estava encharcada de chuva e manchada de um carmesim escuro. Ele tinha um corte no lábio e os nós dos dedos esfolados. Ele parecia um demônio recém-saído do inferno, mas quando olhou para ela, só havia adoração.

— Acabou — disse ele, aproximando-se lentamente. — Ele nunca mais vai respirar o mesmo ar que você. Nunca mais vai tocar em um fio de cabelo seu.

S/N olhou para as mãos dele, o sangue de seu abusador ainda fresco sob as unhas de Jungkook. O trauma gritava para ela fugir, para temer a violência, mas a realidade de sua proteção era mais forte. Ela se levantou e caminhou até ele, os pés descalços silenciosos no tapete caro.

Ela pegou as mãos dele nas suas. O contraste era brutal: a delicadeza dela contra a brutalidade dele.

— Você o matou? — perguntou ela, a voz trêmula.

— Eu o fiz desejar nunca ter nascido — respondeu Jungkook, sem um pingo de arrependimento. — Ele morreu implorando pelo seu perdão, mas eu não o dei. O perdão não era meu para dar, e a dor dele era o meu pagamento.

S/N fechou os olhos, encostando a testa no peito ensanguentado dele. Pela primeira vez em anos, o peso constante em seus ombros desapareceu. O monstro que a perseguia fora devorado por um monstro ainda maior, um que a amava com uma fúria divina.

— Obrigada — sussurrou ela.

Jungkook a puxou para cima, forçando-a a envolver as pernas em sua cintura. Ele a carregou para a mesa de mogno, limpando os papéis com um movimento brusco e sentando-a ali.

— Eu não quero o seu "obrigado" — ele murmurou, a voz rouca de desejo e adrenalina pós-combate. — Eu quero você. Quero que você saiba que este corpo, este homem, esta vida... tudo pertence a você.

Ele a beijou com uma fome desesperada. O gosto de sangue e chuva se misturava ao desejo latente. As mãos de Jungkook subiram pelas coxas de S/N, rasgando a meia-calça fina que ela usava. Ele precisava senti-la, precisava marcar aquele momento de libertação com fogo.

— Jungkook, aqui? — ela arquejou, as mãos puxando os cabelos dele.

— Aqui, agora, em qualquer lugar — ele rosnou contra a pele do pescoço dela. — Eu quero que cada centímetro deste escritório lembre você de que você está segura. De que você é minha.

Ele abriu o cinto e a calça com pressa, sua ereção pulsando contra a entrada dela. S/N estava úmida, o medo transformado em uma excitação primitiva e avassaladora. Quando ele entrou nela, um estocada forte e profunda, ela gritou, o som ecoando pelas paredes de vidro que mostravam a cidade de Seul abaixo deles.

— Olhe para a cidade — Jungkook comandou, segurando-a pelos quadris e movendo-se com uma força rítmica que a fazia ver estrelas. — Tudo o que você vê é meu. E tudo o que é meu, é seu.

Ele a possuía com uma intensidade que beirava a possessão demoníaca. Cada movimento era uma afirmação de domínio, mas também de entrega. S/N arqueava as costas, as unhas cravando-se nos braços tatuados dele, sentindo o prazer se expandir como uma supernova em seu ventre.

— Mais... Jungkook, por favor!

Ele não parou. Ele a levou ao limite, seus corpos suados deslizando sobre a madeira polida. O prazer era violento, cru, uma celebração da vida após a sombra da morte. Quando Jungkook finalmente atingiu o ápice, ele se enterrou o mais fundo possível, rugindo o nome dela enquanto se derramava dentro dela.

Eles ficaram ali por um longo tempo, ofegantes, o silêncio da noite retornando gradualmente. Jungkook a abraçou, escondendo o rosto no pescoço dela.

— Eu nunca vou deixar nada acontecer com você — ele prometeu, a voz agora suave, mas ainda carregando o peso de sua posição. — Você é a minha rainha, S/N. E este é o nosso reino de sombras.

Naquela noite, S/N não teve pesadelos. Pela primeira vez, ela dormiu nos braços do homem que mataria o mundo para vê-la sorrir, sabendo que, embora estivesse ligada a um monstro, ela nunca estivera tão segura.