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O festival

Pompons, Chutes e Provocações: O Caos no Gramado

O sol da manhã em Tempest parecia brilhar com uma intensidade extra, como se o próprio astro rei estivesse ansioso para testemunhar o que estava por vir. O estádio central da Federação Jura-Tempest estava lotado. Monstros de todas as categorias — orcs, goblins, lizardmen e direwolves — ocupavam as arquibancadas, criando um coro ensurdecedor de vuvuzelas e gritos de guerra. No centro do campo, a tensão era palpável. De um lado, o time "Orgulho Primordial", liderado por Guy Crimson e Diablo. Do outro, o time "Fúria Dracônica", capitaneado por Veldora e Milim Nava.

No entanto, o foco de todos os olhares não estava na bola de couro reforçada com magia, mas sim na lateral do campo.

Rimuru Tempest havia finalmente aparecido. E o silêncio que se seguiu à sua entrada foi quase cômico, interrompido apenas pelo som de alguns súditos desmaiando de emoção.

Shuna e Shion haviam superado todas as expectativas — ou limites do bom senso. Rimuru vestia um uniforme de líder de torcida que desafiava as leis da discrição. A saia era tão curta que consistia basicamente em pregas de tecido azul-celeste que flutuavam ao menor movimento. O top, branco e justo ao extremo, ostentava um grande "T" bordado em dourado, mas terminava logo abaixo do busto, deixando toda a sua cintura fina e a pele leitosa da barriga à mostra. Para completar, ele usava meias brancas que iam até o meio das coxas, presas por ligas delicadas, e segurava pompons amarelos vibrantes que combinavam com seus olhos.

— Eu juro por Veldanava que vou me vingar de vocês duas — resmungou Rimuru, sentindo o vento refrescar partes do corpo que nunca deveriam ser refrescadas em público.

— Ora, Rimuru-sama, você está radiante! — exclamou Shion, limpando uma lágrima de orgulho enquanto segurava uma bandeira. — Veja como o Lorde Guy e o Lorde Veldora estão... motivados!

Rimuru olhou para o campo. Veldora estava literalmente soltando faíscas pelos olhos, enquanto Guy Crimson mantinha um sorriso que Rimuru só poderia descrever como "perigosamente faminto". Diablo, por outro lado, parecia estar em um transe religioso, murmurando orações sobre a perfeição divina de seu mestre.

— Certo... se é para ser uma distração, que eu seja a melhor distração deste mundo — murmurou Rimuru para si mesmo, um sorriso travesso começando a se formar em seus lábios. Se ele tinha que passar por aquela humilhação, ele levaria todos os Lordes Demônios à loucura junto com ele.

O apito inicial soou. Souei, agindo como árbitro, deu início à partida de futebol mais perigosa da história.

A bola mal havia sido tocada quando Rimuru começou sua rotina. Ele deu um salto alto, girando no ar com uma agilidade que fez a saia minúscula subir perigosamente, revelando o ajuste perfeito do traje.

— Vamos lá, meninos! — gritou Rimuru, sua voz saindo doce e provocadora, amplificada por magia para que todos no estádio ouvissem. — Quem fizer o primeiro gol ganha um bônus! Talvez eu deixe o vencedor escolher até a cor da minha roupa íntima na semana privada!

O efeito foi instantâneo e catastrófico.

Guy Crimson, que estava prestes a interceptar um passe de Milim, tropeçou nos próprios pés ao processar a frase. Milim, por sua vez, soltou uma gargalhada maníaca e chutou a bola com tanta força que ela rompeu a barreira do som, criando uma cratera no meio do campo.

— O prêmio é meu! — rugiu Milim.

Guy se recuperou em um milissegundo, movendo-se como um borrão vermelho. Ele bloqueou a bola com o peito, os olhos fixos em Rimuru, que agora estava fazendo um espacate perfeito na lateral do campo, balançando os pompons com um olhar inocente e manhoso.

— Guy, querido! — Rimuru chamou, inclinando o corpo para frente de forma que o top parecesse prestes a ceder. — Você parece tão tenso... Será que a idade está pesando? Achei que o "Primeiro Lorde Demônio" teria mais energia para correr atrás de uma bolinha. Ou será que você prefere vir aqui e me ajudar a alongar?

Guy soltou um rosnado baixo, um som que vibrou pelo estádio. Ele driblou Diablo — que estava ocupado demais tentando tirar uma foto mental de Rimuru — e avançou em direção ao gol adversário.

— Rimuru — disse Guy, sua voz ecoando apenas para o Slime através de comunicação de pensamento —, você está brincando com fogo. E sabe muito bem que eu adoro incêndios.

— Oh, eu sei — respondeu Rimuru, piscando um olho enquanto saltava novamente, desta vez fazendo uma pose de "ponte" que enfatizava cada curva de seu corpo feminino. — Mas lembre-se da regra: nada de tocar no prêmio até o fim do torneio. Se você se desconcentrar agora, o Veldora vai acabar ganhando aquela semana comigo. Imagine só... eu e o Veldora, trancados em um quarto, e ele me fazendo ler mangás de romance enquanto eu uso roupas de empregada francesa...

Guy sentiu uma veia saltar em sua testa. A imagem mental de Veldora — aquele dragão otaku — tendo acesso exclusivo a Rimuru naquele estado era o suficiente para fazê-lo querer destruir o continente.

— ISSO NÃO VAI ACONTECER! — Guy rugiu, chutando a bola com tamanha precisão que ela desviou de três defensores e entrou no ângulo morto do gol.

— GOL! — gritou a multidão.

Rimuru começou a pular de alegria, os pompons balançando freneticamente.

— Incrível, Guy! — Rimuru correu até a linha lateral, parando a poucos centímetros de onde Guy estava. Ele se inclinou, apoiando as mãos nos joelhos, o que fez a saia subir ainda mais. — Que chute potente... Se você for tão bom com os pés quanto é com... outras coisas, a semana vai ser muito interessante.

Guy estendeu a mão para tocar o rosto de Rimuru, mas o Slime recuou com uma risadinha sarcástica, apontando para Souei.

— Regra número um, Guy! Sem toque! — Rimuru deu as costas e saiu rebolando levemente enquanto voltava para sua posição de torcida.

A partida continuou em um ritmo frenético. Veldora, furioso por ter sofrido um gol, ativou sua aura, fazendo o céu escurecer.

— RIMURU! VEJA O MEU "CHUTE DO DRAGÃO DO CAOS"! — gritou Veldora, preparando-se para um chute devastador.

— Vai lá, Veldora-kun! — Rimuru gritou de volta, fazendo um biquinho dramático. — Se você ganhar, eu prometo que deixo você me ensinar aqueles golpes de artes marciais... bem de pertinho. Eu posso até usar aquela roupa de luta bem justa que você gosta!

Veldora soltou um jato de vapor pelo nariz, seu rosto ficando vermelho.

— KUHAHAHA! A VITÓRIA É MINHA!

O dragão chutou a bola, mas sua empolgação foi tanta que ele errou o tempo do impacto, chutando o chão e criando um terremoto que sacudiu todo o estádio. A bola voou para o espaço sideral.

— Que pena... — provocou Rimuru, fingindo uma expressão de tristeza que não chegava aos seus olhos brilhantes. — Acho que o Guy ainda está na frente.

Diablo, que até então estava jogando de forma contida para não ofender seu mestre, decidiu que era hora de agir. Ele não aceitaria que Guy Crimson tivesse a vantagem.

— Rimuru-sama — disse Diablo, surgindo repentinamente ao lado do Slime durante um intervalo técnico. — Se eu vencer, gostaria de sugerir que, durante a nossa semana, o senhor use apenas seda líquida. Eu mesmo preparei o tecido.

Rimuru sentiu um calafrio. Diablo era, de longe, o mais perigoso quando se tratava de obsessões estéticas.

— Vamos ver, Diablo. Mas primeiro, você tem que passar pelo Guy. Ele parece estar levando isso muito a sério.

— O Lorde Guy é um obstáculo temporário ante a minha devoção — respondeu Diablo, seus olhos vermelhos brilhando com uma luz sinistra.

O segundo tempo começou e o campo de futebol transformou-se em um campo de batalha. Magias de alto nível eram usadas apenas para manter a posse de bola. Milim estava voando, tentando cabecear a bola enquanto Ramiris (em sua forma adulta) tentava criar ilusões para distrair os oponentes.

No meio do caos, Rimuru continuava seu show particular. Ele sabia exatamente o poder que tinha naquele momento. Cada vez que ele limpava o "suor" imaginário do pescoço, ou arrumava a liga da meia que parecia estar escorregando, o jogo parava por alguns segundos enquanto os competidores recuperavam o fôlego e o foco.

— Ei, Guy! — Rimuru gritou, vendo o demônio carmesim se aproximar da lateral para cobrar um lateral. — Você está suado... Sabia que a pele pálida fica muito bonita quando está brilhando assim? Me faz pensar em como você ficaria se estivesse... bem, sob o meu comando por uma semana inteira.

Guy parou com a bola nas mãos. Ele olhou para Rimuru, de cima a baixo, devorando cada detalhe daquele traje provocador.

— Rimuru — disse Guy, sua voz baixa e rouca, carregada de uma promessa perigosa. — Você está se divertindo muito me provocando, não é? Aproveite enquanto pode. Porque quando esse torneio acabar, e eu for o vencedor, eu vou garantir que você não tenha fôlego para dizer nem mais uma palavra sarcástica.

Rimuru soltou uma risada melodiosa, jogando o cabelo azul para trás.

— Eu adoro quando você faz promessas, Guy. Mas cuidado... se você continuar me olhando assim, vai acabar perdendo a bola de novo.

E, de fato, Milim aproveitou a distração de Guy para roubar a bola e marcar um gol de empate.

— EMPATE! — gritou Souei.

O estádio estava em polvorosa. A disputa estava acirrada. Rimuru, vendo que o tempo estava acabando, decidiu dar o golpe final. Ele subiu em um pequeno palanque de madeira e começou a fazer uma dança rítmica, balançando os pompons e os quadris com uma sensualidade que faria uma súcubo sentir inveja.

— Quem marcar o gol da vitória — cantou Rimuru, deslizando as mãos pelas próprias coxas cobertas pelas meias brancas — poderá escolher o que eu vou usar no jantar de hoje à noite... antes mesmo da semana oficial começar!

O caos que se seguiu foi indescritível.

Guy Crimson e Diablo colidiram no ar como dois meteoros, ambos tentando alcançar a bola. Veldora e Milim criaram um vácuo de energia que sugou parte do gramado. O nível de poder mágico concentrado no estádio começou a ameaçar a integridade do espaço-tempo.

— Eles vão destruir a cidade — comentou Benimaru, observando da reserva com uma gota de suor na testa.

— Mas o Rimuru-sama está tão fofo — suspirou Shuna, batendo palmas.

No último segundo, Guy Crimson conseguiu se desvencilhar de Diablo usando uma técnica de manipulação temporal que ele normalmente guardaria para uma luta de vida ou morte. Ele atingiu a bola com a ponta da bota, enviando-a diretamente para o fundo da rede de Veldora, que estava ocupado demais tentando impressionar Rimuru com uma pose de fisiculturista.

O apito final soou.

— Vencedor da rodada de futebol: Guy Crimson! — anunciou Souei.

Guy caiu de pé no centro do campo, ofegante, mas com um olhar de triunfo absoluto. Ele se virou para Rimuru, que ainda estava no palanque, ofegante por causa da dança, com as bochechas levemente coradas.

— Eu venci — disse Guy, caminhando em direção a ele.

Rimuru saltou do palanque, a saia voando, e parou na frente de Guy. Ele ainda segurava os pompons, parecendo uma visão de pura tentação.

— Parabéns, Guy-kun — disse Rimuru, com um sorriso manhoso. — Você realmente se esforçou. Acho que eu subestimei o quanto você queria me ver em roupas... interessantes.

Guy parou a um passo de distância, sentindo o calor emanando do corpo de Rimuru. O cheiro de pêssego e magia do Slime era inebriante.

— O jantar de hoje — lembrou Guy, sua voz vibrando de antecipação. — Eu já escolhi.

Rimuru arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços abaixo do busto, o que só serviu para enfatizar seu decote.

— E o que seria?

— Algo que mostre tanta pele quanto esse uniforme, mas com muito menos tecido — respondeu Guy, inclinando-se para sussurrar no ouvido de Rimuru. — E você vai me servir pessoalmente.

Rimuru sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele deu um passo para trás, rindo de forma dramática para disfarçar sua própria excitação com o jogo.

— Veremos, Guy. Veremos. Mas não se esqueça... ainda faltam algumas modalidades. E o Diablo e a Milim não parecem muito felizes com a derrota de hoje.

Ele apontou para o campo, onde Diablo estava literalmente cavando um buraco de frustração e Milim estava tentando morder a trave do gol.

— Que venham todos — disse Guy, sem tirar os olhos de Rimuru. — Eu enfrentaria o próprio Caos para ter você por uma semana.

Rimuru piscou, jogando um beijo no ar para Guy antes de se transformar em sua forma de Slime e saltar para os braços de uma Shuna que já o esperava com a próxima "roupa de incentivo".

O festival estava apenas na metade, e o caos em Tempest estava longe de terminar. Mas uma coisa era certa: Rimuru estava adorando cada segundo de ser o centro das atenções — e das intenções — dos seres mais poderosos do mundo.