O parto
O Sal e o Sangue: O Nascimento Sob o Sol de Busan
O sol de fim de tarde banhava a praia particular em tons de dourado e laranja, refletindo-se nas águas calmas que lambiam a areia branca. Jimin respirou fundo, sentindo o cheiro do salitre misturado ao perfume suave do protetor solar que Jungkook havia passado em seus ombros horas antes. A barriga, enorme e baixa, parecia pesar uma tonelada, e o movimento do bebê lá dentro era um lembrete constante de que o tempo estava se esgotando.
Eles estavam sozinhos, ou quase isso. A equipe de segurança formava um perímetro distante, garantindo que nenhum paparazzo com lentes telescópicas pudesse invadir aquele momento sagrado. Jungkook, vestindo apenas uma bermuda leve, observava o marido com uma mistura de adoração e ansiedade. Ele havia feito cursos, lido livros e se preparado para o papel de doula, já que, naquele universo, a fisiologia masculina era tão capaz de gerar vida quanto qualquer outra. O próprio Jungkook ainda sentia o peso levemente dolorido em seus seios, uma lembrança de que ele mesmo havia dado à luz recentemente e seu corpo ainda produzia o sustento para o pequeno que descansava na casa principal.
De repente, o corpo de Jimin tencionou. Um estalo interno, seguido por uma sensação de calor descendo por suas pernas, interrompeu o silêncio.
— Jungkook... — a voz de Jimin saiu num sussurro embargado. — A bolsa. Acabou de romper.
Jungkook agiu instantaneamente. Ele se aproximou, amparando o marido enquanto o líquido amniótico molhava a areia.
— Calma, meu amor. Eu estou aqui. Respire comigo. — Ele sinalizou para os seguranças se afastarem ainda mais, criando uma bolha de privacidade absoluta.
Jimin gemeu quando a primeira contração real o atingiu, uma onda de dor que irradiava das costas para o baixo ventre. Ele se apoiou nos ombros largos de Jungkook, sentindo o corpo tremer. Pouco depois, ele sentiu algo viscoso escapar: o tampão mucoso. Era o sinal definitivo.
— Preciso que você tire a roupa, Jimin. Preciso ver como as coisas estão — disse Jungkook, a voz firme apesar do coração acelerado.
Com movimentos lentos, Jimin se livrou das peças leves que vestia, ficando completamente nu sob a luz crepuscular. Jungkook ajoelhou-se na areia e realizou o primeiro exame de toque. Seus dedos, cuidadosos, encontraram um colo do útero ainda firme, com apenas dois centímetros de dilatação.
— Ainda temos um caminho longo, pequeno. Você está com pouca dilatação. Vamos precisar nos mexer.
As próximas quatro horas foram uma dança de dor e resistência. Sob a orientação de Jungkook, Jimin começou a realizar exercícios. Ele caminhava pela beira da água, agachava-se durante as contrações e fazia movimentos circulares com o quadril, tentando ajudar o bebê a descer pelo canal de parto. O suor brilhava em sua pele, e o som das ondas parecia sincronizar-se com sua respiração pesada.
— Eu não consigo mais ficar de pé — arquejou Jimin quando a lua começou a surgir no céu. — Quero ficar de quatro.
Ele se posicionou na areia, as mãos enterradas nos grãos finos, o quadril empinado. Jungkook posicionou-se atrás dele, massageando a região lombar com firmeza. Jimin levou a mão ao próprio períneo, tateando a área tensionada, mas sentiu que o bebê ainda estava longe. A frustração o fez soltar um grito abafado contra os próprios braços.
— Ele não desce, Kook! Por que não desce?
— Ele vai descer, Jimin. O seu corpo sabe o que fazer — incentivou Jungkook, beijando o ombro suado do marido.
Mudaram de posição. Jimin deitou-se de costas, as pernas bem abertas, expondo-se totalmente ao toque do companheiro. Jungkook, sem usar qualquer óleo, apenas com o calor das próprias mãos, começou a massagear o períneo de Jimin. Ele usava movimentos semicirculares, preparando o tecido para a expansão extrema que viria a seguir. Jimin gemia, ora de dor, ora pelo alívio da pressão que as mãos de Jungkook proporcionavam.
Mais quatro horas se passaram em um borrão de esforço. Jimin alternava entre o agachamento e a posição de quatro apoios, até que a sensação de pressão tornou-se insuportável.
— O mar... me leve para a água — pediu Jimin, a voz rouca de tanto gritar.
Jungkook o ajudou a caminhar até onde as ondas quebravam suavemente. A água fria trouxe um alívio momentâneo para o calor que emanava de seu corpo. Sentado na beira, com a água batendo em sua cintura, Jimin sentiu o reflexo de expulsão assumir o controle. Não era mais uma escolha; seu corpo estava expelindo a vida.
— Eu sinto a cabeça! — gritou Jimin, levando a mão entre as pernas enquanto uma contração poderosa o sacudia. — Jungkook, está queimando!
— Eu estou vendo, Jimin! O círculo de fogo, meu amor, aguente firme! — Jungkook se posicionou entre as pernas dele, tocando o períneo esticado ao máximo, sentindo a textura do couro cabeludo do bebê.
— Dói demais! Aaaah! — O grito de Jimin rasgou o silêncio da noite.
— Empurre, Jimin! Só mais uma!
Com um esforço hercúleo, Jimin sentiu a cabeça coroar e sair. O alívio foi imediato, mas durou pouco, pois logo os ombros largos começaram a passar. Jungkook guiou o bebê com mãos experientes, sentindo a pressão do corpo escorregadio. Com um último grito lancinante, o primeiro bebê deslizou para os braços de Jungkook.
O choro agudo do recém-nascido ecoou pela praia. Jungkook, com lágrimas nos olhos, colocou o pequeno no peito de Jimin. O contato pele a pele fez Jimin soluçar de alegria. Seus seios, já cheios pela gravidez, começaram a vazar o primeiro colostro. Ele instintivamente guiou o bebê para amamentar, sentindo a sucção poderosa.
No entanto, a paz durou pouco. Uma nova contração, forte e inesperada, atingiu Jimin.
— Kook... tem algo errado. Outra contração... — Jimin empalideceu.
Jungkook agiu rápido. Ele chamou um dos seguranças mais próximos, um homem de confiança que já tinha filhos.
— Segure ele. Mantenha-o aquecido — ordenou Jungkook, entregando o primeiro filho ao segurança.
Ele voltou-se para Jimin e realizou um novo toque. Seus olhos se arregalaram.
— Jimin, tem outro. São gêmeos!
— O quê? — Jimin estava exausto, mas a adrenalina o impulsionou. — Eu não consigo... não tenho forças.
— Você consegue. Vamos para a areia seca, saia da água.
Eles se arrastaram para a parte mais alta da praia. Jimin, em uma demonstração incrível de força, pediu o primeiro filho de volta. Ele se posicionou de quatro, com o quadril empinado, enquanto o segurança colocava o primeiro bebê logo abaixo de seus seios, onde o pequeno continuou a mamar, ancorando Jimin à realidade.
— Empurre, Jimin! Eu estou vendo este também! — Jungkook massageava o períneo novamente, tentando evitar lacerações enquanto a segunda cabeça começava a emergir.
Jimin gritava, o rosto enterrado na areia, enquanto amamentava o primeiro filho e expulsava o segundo. A cena era primitiva e sublime.
— A cabeça saiu! — anunciou Jungkook. — Mas ele está preso pelos ombros. Jimin, você precisa ficar de cócoras. Agora!
Com a ajuda de Jungkook, Jimin mudou a posição, mantendo o primeiro filho seguro em um braço enquanto se apoiava no outro. Jungkook tocou o períneo junto com Jimin, ambos sentindo a vida lutando para sair.
— Agora, Jimin! Com tudo!
Trinta minutos de esforço puro se passaram até que, com um som de sucção e um grito final, o segundo bebê nasceu. Jungkook o aparou, limpando rapidamente suas vias respiratórias até ouvir o segundo choro da noite.
Jimin desabou na areia, agora com dois bebês em seus braços. Jungkook, exausto e transbordando amor, sentou-se ao lado dele. Seus próprios seios doíam, cheios de leite do filho que ele tivera meses antes.
— Deixe-me ajudar — disse Jungkook suavemente. Ele pegou o primeiro bebê, que já havia mamado um pouco em Jimin, e o colocou em seu próprio peito.
A cena era única: Jimin amamentando o segundo recém-nascido, e Jungkook amamentando o primeiro, oferecendo o leite que seu corpo produzira para o filho que Jimin acabara de dar à luz. A troca de nutrientes e afeto selava o vínculo entre os quatro.
Após algum tempo, a exaustão física falou mais alto. Eles foram levados para dentro da casa, para o quarto preparado. Jimin foi deitado na cama, as pernas abertas, enquanto os bebês eram brevemente entregues aos cuidados da equipe médica que acabara de chegar para o pós-parto.
— A placenta, Jimin. Precisamos tirá-la — disse Jungkook, voltando ao seu papel de cuidador.
Jimin tentou expulsar deitado, mas a dor era aguda e a placenta parecia presa.
— Não sai... dói muito — ele gemeu, soltando pequenos gritos de dor.
— Tente de quatro — sugeriu o marido.
Jimin mudou de posição, mas a gravidade não parecia ajudar o suficiente. Ele sentia a massa pesada e sangrenta na metade do caminho.
— Quero voltar para a água. A banheira, Kook.
Jungkook o levou para a grande banheira de hidromassagem do quarto, enchendo-a com água morna. Jimin agachou-se na água, e Jungkook, com extrema delicadeza, começou a dar leves puxadas no cordão umbilical enquanto Jimin fazia força. Finalmente, a placenta deslizou para fora, completa e intacta.
Jungkook realizou um pequeno ponto de sutura em uma leve laceração que Jimin sofrera, limpando-o com cuidado e ajudando-o a se vestir com roupas de algodão macio.
Horas depois, o quarto estava em silêncio, iluminado apenas por abajures de luz quente. Jimin e Jungkook estavam deitados, cada um com um dos gêmeos.
— Eles são perfeitos — sussurrou Jimin, observando o filho que Jungkook amamentava.
— Eles são nós dois — respondeu Jungkook, inclinando-se para beijar a testa de Jimin. — Você foi incrível, meu amor.
Naquela noite, a praia de Busan não foi apenas o refúgio de dois ídolos mundiais, mas o berço de uma nova vida, onde o sangue, o suor e o leite materno escreveram o capítulo mais profundo de sua história de amor.