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Olas

Entre o Êxtase e o Caos

O silêncio que se seguiu ao clímax no Quarto do Líder era quase irreal, interrompido apenas pelo som pesado das respirações sincronizadas e pelo zumbido baixo do ar-condicionado. Ana Paula estava esparramada entre os dois, a pele branca contrastando com o suor que brilhava sob as luzes indiretas do quarto. Ela sentia cada músculo do corpo latejar, uma mistura de exaustão e uma satisfação que sua mente orgulhosa ainda tentava processar.

— Vocês realmente acham que acabaram comigo, não é? — A voz de Ana saiu rouca, mas o tom de deboche ainda estava lá, intacto, como uma armadura que ela se recusava a tirar.

Jonas soltou uma risada curta, passando a mão pelo cabelo loiro bagunçado enquanto se sentava na beira da cama. Ele olhou para ela, os olhos azuis ainda carregados de uma intensidade que misturava desejo e uma ponta de irritação por aquela prepotência constante.

— Ana, você não para nunca? — perguntou Jonas, esticando-se para pegar uma garrafa de água na mesa de cabeceira. — Qualquer outra mulher estaria sem fala agora. O Boneco quase te quebrou ao meio.

Leandro, que ainda estava deitado de bruços, apenas sorriu, um sorriso lento e perigoso que mostrava que ele estava longe de estar satisfeito. Ele se apoiou nos cotovelos, observando as marcas avermelhadas que suas mãos haviam deixado nos quadris de Ana Paula.

— Ela gosta do perigo, Jonas — disse Leandro, a voz grave vibrando no ambiente. — Essa loira é ligada no 220. Ela provoca porque quer ver até onde a gente aguenta, mas o que ela não sabe é que na Bahia o ritmo é outro.

Ana Paula sentou-se, ignorando a nudez e a vulnerabilidade da situação. Ela puxou um dos travesseiros de seda e o abraçou, olhando para Leandro com um desafio brilhando nos olhos.

— Ritmo outro? — Ela soltou uma risadinha afetada. — Eu vi muito esforço e pouco resultado, Boneco. Achei que você fosse mais... resistente. E você, Jonas, o "senhor perfeição"... achei que o treino de perna na academia servisse para aguentar mais de dez minutos de ação de verdade.

Jonas travou a mandíbula. Ele sabia que ela estava fazendo aquilo de propósito, jogando um contra o outro, alimentando a competitividade masculina para conseguir o que queria. Ele se aproximou dela, segurando seu queixo com firmeza, forçando-a a encará-lo.

— Você quer mais, Ana? É isso? — Ele sussurrou, a centímetros do rosto dela. — Quer que a gente mostre que o "treino de academia" e o "ritmo baiano" podem te deixar sem conseguir andar até o confessionário amanhã?

— Olha só... o príncipe ficou bravinho — provocou ela, as unhas cravando levemente no braço dele. — Por que você não para de falar e me mostra do que o Líder é capaz quando não está preocupado com a estratégia de jogo?

Leandro se levantou da cama, caminhando com a confiança de quem sabe o poder que tem. Ele foi até o frigobar, pegou outra garrafa de espumante que Jonas havia trazido da festa e a abriu com um estalo seco. O líquido borbulhou, e ele serviu três taças, entregando uma para cada.

— Um brinde ao caos — disse Leandro, os olhos fixos em Ana Paula enquanto ele bebia o espumante de uma vez. — Porque depois que a gente terminar aqui, essa casa nunca mais vai ser a mesma.

— A casa já é minha, Boneco — disparou Ana, dando um gole generoso na bebida. — Eu sou a protagonista desse hospício. Vocês são só os meus coadjuvantes de luxo esta noite.

O clima, que deveria ter esfriado após o ato, voltou a esquentar com uma rapidez alarmante. O álcool novo no sangue e as provocações constantes de Ana Paula agiam como gasolina em uma fogueira que nunca se apagava. Jonas, sentindo-se desafiado em sua masculinidade e em seu posto de "alfa" da edição, puxou Ana Paula para o centro da cama novamente.

— Coadjuvantes? — Jonas riu, uma risada sem humor. — Vamos ver quem vai estar no comando agora.

Ele a deitou com força, mas desta vez não houve beijos lentos. Foi uma demonstração de posse. Jonas a segurou pelos pulsos acima da cabeça, enquanto Leandro se posicionava entre as pernas dela, os olhos escuros devorando cada detalhe daquela mulher que parecia indomável.

— O que foi, Ana? Perdeu a fala? — Leandro perguntou, sua mão subindo pela coxa dela com uma pressão que a fazia estremecer.

— Eu nunca perco a fala... — ela ofegou, embora sua respiração estivesse ficando curta. — Só estou esperando... para ver se vocês... vão honrar o que dizem.

A madrugada avançou entre as paredes espelhadas do Quarto do Líder. O que começou como uma disputa de egos transformou-se em uma maratona de prazer e poder. Ana Paula, fiel à sua natureza, continuava a debochar entre os gemidos, criticando a performance de um enquanto o outro a possuía, apenas para sentir a reação imediata de ambos. Ela os levava ao limite da sanidade, usando sua língua afiada tanto para o prazer quanto para o insulto.

— É só isso, Jonas? — ela gritou em certo momento, a voz ecoando no quarto. — O Boneco faz melhor! Ele sabe onde dói e onde dá prazer!

Jonas, possesso, aumentou a intensidade de seus movimentos, enquanto Leandro ria da cara do gaúcho, aproveitando a deixa para mostrar que, de fato, tinha uma técnica que deixava a loira em transe.

— Viu só, Jonas? — Leandro zombou, enquanto suas mãos grandes exploravam o corpo de Ana. — A loira tem bom gosto. Ela gosta da pegada firme.

— Cala a boca, Leandro! — Jonas rosnou, embora houvesse uma cumplicidade tácita entre os dois homens naquele momento. Eles estavam unidos pelo objetivo comum de domar a fera que era Ana Paula Renault.

As horas pareciam não passar, ou talvez passassem rápido demais. O chão do quarto estava forrado de roupas descartadas e taças vazias. Ana Paula estava no auge de sua performance. Ela se sentia a rainha daquele tabuleiro, manipulando os dois homens mais desejados da casa como se fossem peças de um jogo que só ela conhecia as regras.

Quando o sol começou a dar os primeiros sinais de vida através das frestas da persiana automatizada, os três estavam exaustos. O suor havia secado na pele, deixando uma sensação pegajosa e um cheiro forte de sexo e perfume barato de festa. Ana Paula estava deitada de lado, observando os dois homens que, agora, pareciam apenas sombras de seus egos inflados.

— E aí? — começou ela, a voz agora apenas um fio, mas ainda carregada de veneno. — Quem vai pedir para sair primeiro?

Jonas olhou para o teto, um sorriso cansado no rosto.

— Você é louca, Ana. Completamente louca.

— Louca, mas você não queria estar em nenhum outro lugar do mundo agora, não é, Jonas? — Ela se virou para Leandro, que estava sentado no chão, encostado na cama. — E você, baiano? Ainda acha que o seu ritmo é o que manda?

Leandro olhou para ela, os olhos brilhando com um respeito relutante.

— Eu acho que você é a única pessoa nessa casa que consegue ser insuportável e irresistível ao mesmo tempo. Mas não se acostuma, loira. Amanhã o jogo volta para o gramado.

Ana Paula soltou uma gargalhada genuína, sentando-se e cobrindo-se com o lençol de cetim.

— O jogo nunca saiu do meu controle, meus amores. Vocês foram apenas o meu entretenimento de madrugada. Agora, saiam daqui antes que a produção comece a tocar o sinal de despertar. Eu preciso de beleza, e vocês... bom, vocês precisam de um banho de gelo para baixar essa bola.

Jonas e Leandro se levantaram, pegando suas roupas em silêncio. Havia um entendimento mútuo de que o que aconteceu ali ficaria guardado como um segredo sujo e delicioso, algo que as câmeras poderiam ter registrado, mas que o público jamais entenderia em sua totalidade.

— A gente se vê no café da manhã, Ana — disse Jonas, vestindo a camisa e dando um último olhar para o corpo dela sob os lençóis. — Tente não ser eliminada por agressividade hoje.

— Eu sou a agressividade em pessoa, Jonas — ela respondeu, mandando um beijo irônico no ar. — E vocês amam isso.

Leandro parou na porta, olhando para trás.

— Valeu pela noite, boneca. Mas na próxima, vê se fala menos e aproveita mais.

— Na próxima, Boneco, vê se traz um manual, porque eu tive que fazer todo o trabalho pesado — rebateu ela, sem perder o tempo da piada.

Quando a porta do Quarto do Líder se fechou, Ana Paula se jogou de volta nos travesseiros, sentindo o vazio do quarto e o eco dos gemidos ainda vibrando em seus ouvidos. Ela sorriu para o espelho no teto. O BBB era um jogo de sobrevivência, de alianças e de traições. Mas, naquela noite, ela havia provado que, no jogo da sedução e do deboche, ela era a única mestre.

— Que comece o dia — murmurou ela para si mesma, fechando os olhos por alguns minutos antes que o som estridente da produção invadisse a casa. — Porque hoje eu vou acabar com o resto deles.

A loira sabia que o dia seguinte seria repleto de olhares atravessados, de cochichos nos cantos e de teorias sobre o que teria acontecido no andar de cima. Ela não se importava. Na verdade, ela vivia para aquilo. O caos era seu habitat natural, e Jonas e Leandro eram apenas as vítimas mais recentes de seu furacão.

Lá fora, o sol nascia sobre a casa mais vigiada do Brasil, mas dentro do Quarto do Líder, o tempo parecia ter parado em um momento de pura luxúria e deboche. Ana Paula Renault estava pronta para mais um dia de jogo, e o público, com certeza, não perderia um segundo sequer.