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Oliver!

O Sorriso de Vidro e o Nó na Garganta

As luzes da escola Fundamental Paper Education sempre tiveram aquele brilho frio e artificial, mas no porão particular de Edward, a iluminação era quase inexistente. O ar ali era pesado, com cheiro de mofo, papel velho e algo metálico que Oliver não conseguia identificar. Edward descia as escadas lentamente, o som de seus passos ecoando como uma contagem regressiva para algo que Oliver ainda não compreendia.

Edward, o inventor do grupo, sempre fora o mais calculista. Enquanto Zip era impulsiva e Oliver era puramente caótico, Edward era o cérebro que planejava as rotas de fuga e as pegadinhas mais elaboradas. Mas desta vez, a "brincadeira" tinha cruzado uma linha que Oliver sequer sabia que existia.

Preso à cadeira de madeira, Oliver sentia as cordas queimarem seus pulsos e tornozelos. Seu braço de lápis, geralmente uma ferramenta de vandalismo e diversão, estava imobilizado contra o encosto da cadeira, inútil. O pânico subia por sua garganta como uma onda gelada. Quando a porta do porão rangeu, ele estancou a respiração.

Edward entrou no cômodo com uma expressão ilegível. Em uma das mãos, ele segurava uma tira de pano escuro. Seus olhos brilhavam com uma curiosidade distorcida, a mesma que ele usava quando desmontava um rádio ou uma calculadora para ver como funcionava por dentro.

— Você acordou mais rápido do que eu previ — comentou Edward, sua voz calma e monótona, como se estivesse comentando sobre o clima. — O tranquilizante deveria ter durado mais dez minutos.

Oliver tentou se debater, a cadeira balançando perigosamente no chão de concreto. Seus cabelos brancos, geralmente impecáveis com o laço preto, estavam bagunçados e caíam sobre seu rosto, cobrindo parcialmente a marca de "A+" em sua franja.

— Edward, que porra é essa?! — gritou Oliver, sua voz falhando pela irritação e pelo medo. — Me solta agora! Isso não tem graça, cara. Se a Zip descobrir que você me trancou aqui, ela vai...

— A Zip não vai descobrir — interrompeu Edward, aproximando-se com passos deliberados. — E você sabe que eu não faço as coisas apenas por "graça", Oliver. Eu queria ver como você reagiria sob pressão. Você sempre se acha o mestre das travessuras, o intocável. Queria ver se você ainda sorri quando perde o controle.

— Eu vou te matar! Me desamarra! — Oliver rugiu, o rosto ficando vermelho de raiva. — Isso passou do limite!

Edward parou na frente dele e inclinou a cabeça para o lado. Ele ignorou os xingamentos e a fúria de seu "amigo". Com uma calma irritante, ele começou a enrolar a mordaça de pano entre os dedos.

— Você fala demais, Oliver. E quando você fala, você tenta manipular a situação. Eu quero que você apenas... sinta. Sem piadas. Sem comentários sarcásticos.

— Edward, não! — Oliver arregalou os olhos, vendo o pano se aproximar. — Não faz isso, por favor! A gente pode conversar, eu te dou meus sabonetes favoritos, eu...

Edward foi rápido. Antes que Oliver pudesse terminar a frase, ele avançou. Oliver tentou desviar o rosto, mas Edward era mais forte e tinha a vantagem da posição. Ele forçou o pano contra a boca de Oliver, puxando-o com firmeza e amarrando um nó apertado na nuca do garoto.

— Mmmph! Mmm-nnn! — Os protestos de Oliver foram instantaneamente abafados.

O som que saía de sua garganta era agora apenas um murmúrio desesperado e incompreensível. Seus olhos, antes cheios de fogo e irritação, agora estavam arregalados e úmidos. O trauma da situação começou a se assentar. A realização de que ele estava completamente à mercê de Edward, no escuro, sem poder sequer gritar por socorro, fez seu coração disparar contra as costelas.

Edward deu um passo para trás, admirando sua obra. O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pela respiração pesada e ruidosa de Oliver através do nariz.

— Viu só? — Edward disse, estendendo a mão para ajustar um fio de cabelo que caía sobre os olhos de Oliver. — Assim é muito mais interessante. Você parece uma boneca de papel prestes a rasgar.

Oliver tentou falar novamente, sacudindo a cabeça freneticamente. "Me solta, me ajuda, por que você está fazendo isso?", era o que ele tentava dizer, mas tudo o que Edward ouvia eram sons abafados e patéticos. As lágrimas de frustração e medo começaram a picar os olhos de Oliver, e ele se sentiu pequeno, uma sensação que ele detestava.

Edward se aproximou novamente, mas desta vez não para ajustar as cordas. Ele se curvou, ficando na altura do rosto de Oliver. O cheiro de grafite e papel que sempre acompanhava Edward inundou os sentidos de Oliver.

Lentamente, Edward estendeu a mão e segurou o queixo de Oliver com o polegar e o indicador. O toque era firme, quase possessivo. Ele inclinou o rosto de Oliver para cima, forçando-o a fazer contato visual direto.

— Você está com medo, não está? — perguntou Edward em um sussurro.

Oliver sentiu um calor súbito subir por seu pescoço. Não era apenas medo; era uma confusão avassaladora de sentimentos. O contato físico, a proximidade extrema e o olhar intenso de Edward fizeram com que o rosto de Oliver ficasse intensamente corado, contrastando com a palidez de sua pele e de seus cabelos.

Ele tentou desviar o olhar, mas o aperto de Edward em seu queixo não permitia. Oliver sentia-se exposto, como se Edward pudesse ler cada pensamento vergonhoso e aterrorizado que passava por sua mente. O rubor em suas bochechas era uma traição de seu próprio corpo.

— Mmmph... — Oliver murmurou, fechando os olhos com força, tentando esconder a vulnerabilidade.

— Oh, você está corando? — Edward soltou uma risada baixa e seca, que enviou arrepios pela espinha de Oliver. — Que reação fascinante. Eu não esperava que o grande Oliver fosse ficar tão tímido em uma situação dessas.

Edward deslizou o polegar pelo lábio inferior de Oliver, por cima do pano da mordaça. O gesto era estranhamente íntimo e carregado de uma tensão que Oliver não sabia como processar. Ele queria morder a mão de Edward, queria chutá-lo, mas ao mesmo tempo, o choque da situação o deixava paralisado.

— Sabe, Oliver — continuou Edward, aproximando o rosto do ouvido do outro —, talvez eu te deixe aqui por um bom tempo. Só para ver quanto tempo leva para esse seu espírito travesso quebrar de vez. Você fica muito mais bonito quando está em silêncio e sob o meu controle.

Oliver soltou um som que parecia um soluço abafado. Ele estava aterrorizado. A escola Fundamental Paper Education já era um lugar perigoso por si só, com professores que matavam por notas baixas, mas ele sempre se sentiu seguro com seu grupo. Agora, o perigo estava dentro de seu próprio círculo.

Edward soltou o queixo de Oliver, mas não se afastou completamente. Ele ficou ali, observando o peito de Oliver subir e descer rapidamente, o laço preto em seu cabelo levemente torto, e o olhar de puro pavor misturado com aquela cor avermelhada que não sumia de suas bochechas.

— Não tente lutar contra as cordas — avisou Edward, dando as costas e caminhando em direção à saída. — Você só vai se machucar, e eu ainda tenho muitos planos para nós hoje.

Ele parou na porta e olhou por cima do ombro uma última vez.

— Eu volto logo com um "lanche". Talvez um pouco de sabão para ver se você se acalma.

A porta se fechou com um estrondo metálico, e o som da chave girando na fechadura foi como um tiro no silêncio do porão. Oliver ficou sozinho na escuridão, com o gosto do pano em sua boca e o calor da mão de Edward ainda queimando em seu queixo. Ele tentou se mexer, tentou gritar, mas a única coisa que preenchia o quarto era o som abafado de seu próprio desespero.

Ele era o mestre das travessuras, o garoto que comia sabonete e ria do perigo. Mas ali, amarrado e amordaçado por aquele que ele chamava de amigo, Oliver percebeu que a brincadeira tinha acabado, e o pesadelo de papel estava apenas começando.