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Oliver!

O Labirinto de Papel e o Elevador Apertado

O elevador da Paper School sempre foi um lugar de silêncio tenso, quebrado apenas pelo zumbido mecânico dos cabos antigos e pelo cheiro onipresente de grafite e papel velho. Oliver, com seu habitual sorriso de canto e o olhar carregado de segundas intenções, estava inicialmente sozinho com Miss Circle. Ele observava as costas da professora, notando como ela parecia imponente com seus cabelos pretos pontiagudos e aquela aura intimidadora que fazia qualquer aluno tremer. Oliver, porém, não era qualquer aluno. Ele era o mestre das travessuras, o garoto que comia sabonete como se fosse chocolate e que tinha um lápis no lugar do braço esquerdo.

Ele deu um passo à frente, tateando o ar com sua mão de carne, planejando pregar algum susto ou talvez colar um bilhete ridículo nas costas da professora mais temida da escola. Ele estava confuso sobre o que exatamente faria, mas a adrenalina da travessura já corria em suas veias. No entanto, antes que pudesse executar seu plano, as portas do elevador se abriram no andar seguinte com um "ding" metálico que ecoou pelo fosso.

Miss Thavel entrou com passos rápidos e decididos. O elevador, que já não era grande, começou a parecer subitamente minúsculo. Em vez de se virar para a porta, Thavel se acomodou de costas para Oliver, mas tão próxima que, ao se ajustar, suas nádegas encostaram diretamente na bochecha do garoto. Oliver congelou. O rubor subiu instantaneamente pelo seu pescoço, atingindo a marca de "A+" em seu cabelo. Ele tentou manter sua postura de "garoto malvado", mas a confusão tomou conta de seus sentidos.

— Mas o que... — sussurrou Oliver, a voz falhando.

Antes que ele pudesse processar o contato, as portas se abriram novamente. Miss Bloomie entrou, trazendo consigo aquele ar gélido e metódico. Ela não parecia notar a aglomeração e, ao tentar encontrar um espaço no fundo do cubículo de metal, acabou pressionando-se contra a outra face do rosto de Oliver. Agora, o garoto de cabelos brancos estava literalmente prensado.

O espaço desapareceu. Oliver sentiu o calor emanando das três professoras. Ele estava no centro de um triângulo de autoridade e tecido. O rosto dele estava esmagado entre as formas de Miss Circle à frente, Miss Thavel de um lado e Miss Bloomie do outro. O cheiro de papel e tinta era sufocante, mas o que realmente o deixava em pânico era a sensação das calcinhas das três professoras pressionando contra ele através das roupas finas. Era uma pressão firme, ríspida como papel cartão, que o deixava sem ar e completamente desorientado.

Suor frio começou a brotar em sua testa. Ele tentou se mover, mas seu braço de lápis ficou preso contra a parede de metal, e sua mão direita estava enterrada em algum lugar entre as dobras dos vestidos pretos e brancos. Oliver tentou respirar, mas só conseguiu soltar sons abafados e desesperados.

— Mmmph! Hnnn-mmm! — resmungou ele, o som saindo como um lamento sufocado sob as camadas de tecido.

O elevador deu um solavanco, fazendo com que as três professoras se inclinassem ainda mais sobre ele para manter o equilíbrio. A pressão aumentou. Oliver sentia que ia desmaiar; o coração batia tão forte que ele achava que as professoras podiam ouvir os batimentos através das próprias costas.

Miss Circle, sentindo uma vibração estranha e ouvindo o ruído abafado que parecia vir debaixo de sua capa, franziu a testa. Seus olhos amarelados brilharam com uma mistura de irritação e uma súbita, porém leve, vermelhidão nas bochechas.

— Quem fez isso? — perguntou Miss Circle, sua voz saindo mais aguda do que o normal. — Que som foi esse?

Ela tentou se virar, mas o espaço era tão exíguo que ela apenas conseguiu girar o pescoço, sentindo o volume de Oliver preso entre elas.

— Eu ouvi algo também — comentou Miss Bloomie, visivelmente confusa, tentando olhar por cima do ombro, mas apenas encontrando o cabelo espetado de Thavel. — Parece que o elevador está emitindo ruídos... ou tem algo preso aqui.

— Eu senti um movimento — disse Miss Thavel, a voz carregada de uma confusão genuína. — Alguma de vocês está tentando pregar uma peça?

Oliver, sentindo o rosto queimar de vergonha e o corpo tremer pelo suor e pelo aperto, tentou soltar mais um som para ser resgatado, mas o movimento de Thavel ao falar só serviu para pressionar sua bochecha com mais força contra o tecido. Ele podia sentir a textura da lingerie de Miss Circle contra seu nariz e a firmeza de Bloomie contra seu queixo. Era uma situação absurda, digna de um pesadelo ou de um sonho muito estranho do qual ele queria acordar imediatamente.

— Mmmph-mmm-nnn! — Oliver tentou gritar, mas sua boca estava completamente obstruída.

— Lá está de novo! — exclamou Miss Circle, agora visivelmente corada. — Bloomie, pare de empurrar!

— Eu não estou empurrando, Circle! — rebateu Bloomie, tentando se afastar e acabando por esmagar ainda mais o lado esquerdo do rosto de Oliver. — Thavel é quem está ocupando todo o espaço!

— Eu? — Thavel arqueou uma sobrancelha, sentindo algo quente e úmido contra sua perna, que na verdade era a respiração ofegante de Oliver. — Há algo muito errado aqui. Circle, por que você está tão vermelha?

— Porque este elevador é um forno! — gritou Circle, embora soubesse que o calor vinha de algo muito mais próximo.

Oliver sentiu que ia explodir. A pressão das calcinhas das três, apertando-o em um abraço de tecido e autoridade, era demais para sua mente de adolescente travesso. Ele, que adorava causar o caos, agora era a vítima silenciosa do caos físico. Seus olhos estavam arregalados, as pupilas dilatadas, vendo apenas os detalhes das costuras dos uniformes das professoras.

— Se isso for um aluno... — começou Miss Bloomie, estreitando os olhos enquanto tentava enfiar a mão entre o espaço que as separava para sentir o que havia ali.

Sua mão acabou tocando o cabelo macio e longo de Oliver. Ela parou por um segundo, os dedos enroscando-se nas mechas brancas.

— Circle... eu acho que encontrei o problema — disse Bloomie, sua voz agora um sussurro incerto.

— O que é? — perguntou Thavel, tentando olhar para baixo.

Nesse exato momento, o elevador chegou ao andar da diretoria. As portas se abriram com um estrondo suave. A súbita liberação de pressão fez com que Oliver, sem equilíbrio e completamente exausto pelo esforço de respirar, caísse para frente assim que as professoras se afastaram para sair.

Ele desabou no chão do corredor, ofegante, o rosto mais vermelho que a marca de "A+" em seu cabelo, o uniforme todo amassado e o suor escorrendo pelas têmporas.

As três professoras se viraram simultaneamente, olhando para o garoto caído aos seus pés. O silêncio que se seguiu foi mortal. Miss Circle olhou para as próprias vestes, depois para Oliver, e a ficha finalmente caiu.

— Oliver? — a voz de Miss Circle saiu em um tom perigoso, misturando choque com uma indignação crescente.

— Eu... eu... — Oliver tentou formular uma frase, mas sua mente estava cheia de imagens das texturas e do aperto que acabara de sofrer. — O sabonete... eu preciso de sabonete...

— Você estava lá o tempo todo? — perguntou Miss Thavel, cruzando os braços, enquanto uma mancha rosada ainda decorava suas bochechas.

Miss Bloomie apenas limpou a garganta, ajustando o próprio uniforme com uma rapidez nervosa.

— Isso foi... altamente irregular — declarou Bloomie, evitando o olhar de Oliver.

Oliver, percebendo que sua reputação de "valentão travesso" estava por um fio, ou pior, que ele poderia ser transformado em papel picado em questão de segundos, levantou-se rapidamente. Suas pernas estavam bambas, e ele ainda podia sentir o "aperto" fantasmagórico das três professoras em seu rosto.

— Foi um acidente! — gritou Oliver, começando a correr pelo corredor, o rabo de cavalo balançando freneticamente. — Eu nem queria entrar nesse elevador!

— Volte aqui, seu moleque atrevido! — gritou Miss Circle, sacando seu compasso gigante e começando a perseguição, embora seus passos fossem um pouco menos coordenados que o habitual devido ao constrangimento.

Thavel e Bloomie ficaram para trás por um momento, trocando um olhar rápido e desconfortável.

— Nós não vamos falar sobre isso com mais ninguém, certo? — sugeriu Bloomie, ajeitando os óculos.

— Absolutamente — concordou Thavel, antes de também começar a caminhar, tentando ignorar a sensação estranha que ainda permanecia em suas pernas.

Enquanto isso, Oliver corria como se sua vida dependesse disso, o coração ainda disparado. Ele nunca mais olharia para um elevador — ou para as calças de suas professoras — da mesma maneira. A travessura tinha saído pela culatra de uma forma que nem mesmo ele, com toda a sua imaginação fértil, poderia ter previsto. Ao dobrar o corredor, ele viu Zip e Edward ao longe e pensou em contar o que aconteceu, mas parou imediatamente. Algumas coisas na Paper School eram traumáticas demais para serem compartilhadas, mesmo entre amigos que comiam sabonete e faziam aviõezinhos de papel com provas reprovadas.

Oliver apenas parou, encostou-se na parede e respirou fundo, tentando tirar o cheiro de perfume e papel de seu nariz. Ele era o Oliver, o travesso. Mas naquele dia, o elevador havia ensinado a ele que, às vezes, o espaço entre a autoridade e o aluno era muito, muito mais apertado do que ele gostaria.