Oliver!
Eco de um Passado Manchado
O ar na sala metálica era pesado, carregado com o cheiro de ferro e o ozônio de uma lâmpada fluorescente que piscava ritmicamente no teto, projetando sombras distorcidas nas paredes de papel. Oliver, o garoto que costumava dominar os corredores da Paper School com suas travessuras e sua atitude de valentão, nunca se sentira tão vulnerável. As cordas pretas cortavam sua pele, e as algemas de metal frio prendiam seus pulsos e tornozelos com uma firmeza implacável.
A mordaça de couro preto, presa firmemente sobre um pano que abafava qualquer grito coerente, forçava sua mandíbula a uma posição desconfortável. Ele tentava, desesperadamente, arquear o pescoço para longe da figura sombria que o atormentava. Danger Oliver, aquela versão distorcida e cruel de si mesmo, movia-se com uma elegância predatória.
O desconforto físico era apenas uma parte do pesadelo. Oliver sentia a vibração constante e invasiva do dispositivo cinza que Danger Oliver havia inserido nele, uma violação que o fazia gemer de dor e humilhação por trás da mordaça. Seus olhos, geralmente cheios de deboche e malícia, agora estavam nublados por lágrimas de puro ódio e medo.
Danger Oliver soltou uma risada baixa, um som que parecia arranhar o fundo da alma de Oliver. Ele se aproximou da cama de metal, os chifres negros parecendo absorver a pouca luz do local.
— Shhh, irmãozinho — sussurrou Danger Oliver, passando a mão fria pelo cabelo branco de Oliver, desmanchando o rabo de cavalo. — Você faz muito barulho. O silêncio é uma virtude que você nunca aprendeu na escola, não é?
Oliver respondeu com um som abafado e furioso, debatendo-se contra as amarras. A coberta que Danger Oliver havia enrolado em seu corpo apenas restringia ainda mais seus movimentos, fazendo-o sentir-se como uma larva presa em um casulo de agonia.
Danger Oliver então avistou algo que fez o coração de Oliver disparar: o seu celular, caído perto da mesa de instrumentos. Um sorriso malicioso cruzou o rosto da versão sombria. Ele pegou o aparelho com a ponta dos dedos, girando-o como se fosse um troféu.
— O que temos aqui? — Danger Oliver perguntou retoricamente. — A sua linha direta com a liberdade? Ou apenas mais um meio de espalhar suas piadas sem graça?
Oliver arregalou os olhos, a respiração tornando-se errática. Ele tentou gritar, mas apenas um som gutural saiu. Ele sabia exatamente o que Danger Oliver pretendia fazer. O medo de que seus amigos vissem seu estado atual era maior do que a dor física.
Danger Oliver desbloqueou o celular com uma facilidade irritante e procurou nos contatos até encontrar o nome de Edward. Sem hesitar, ele iniciou uma chamada de vídeo.
Do outro lado, após alguns toques que pareceram durar uma eternidade, a imagem de Edward apareceu na tela. O amigo de Oliver parecia confuso no início, ajustando os óculos.
— Oliver? Cara, onde você se meteu? A Zip e eu estamos te procurando faz... — A voz de Edward sumiu quando ele focou na imagem.
Danger Oliver posicionou a câmera para que Edward visse primeiro o seu próprio rosto, transbordando uma malícia doentia, com as bochechas levemente coradas por um prazer sádico.
— Olá, Edward — disse Danger Oliver, a voz carregada de veneno. — Você está procurando por isso?
Ele girou o celular, apontando a câmera diretamente para Oliver. O Oliver real estava jogado no colchão fino da cama de metal, amarrado, amordaçado e tremendo. Seus olhos encontraram os de Edward através da tela, e uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto, manchando a marca de "A+" em seu cabelo.
— Oliver! — gritou Edward, o rosto empalidecendo instantaneamente. O choque e o trauma eram visíveis em suas feições. — O que... quem é você? O que você está fazendo com ele? Solta ele agora, seu doente!
Danger Oliver soltou uma gargalhada estridente, deliciando-se com o desespero na voz de Edward.
— Eu sou o que ele tenta esconder, Edward. Eu sou a verdade por trás do valentão — Danger Oliver provocou, aproximando o celular do rosto de Oliver para que Edward visse o terror de perto. — Ele não parece tão valente agora, não é? Parece apenas um brinquedo quebrado.
— Eu vou te matar! — Edward esbravejou, a voz falhando pela raiva. — Eu vou te encontrar e vou acabar com você! Onde vocês estão?
— Tente a sorte, nerd — Danger Oliver desdenhou, o olhar frio. — Mas aviso que, quando você chegar, talvez não sobre muito do seu amigo para salvar.
Com um movimento brusco, Danger Oliver encerrou a chamada, jogando o celular de Oliver no chão com desprezo. O aparelho quicou e a tela trincou, deixando o quarto em um silêncio tenso, quebrado apenas pela respiração pesada de Oliver.
Danger Oliver voltou sua atenção para o corpo de Oliver. Ele estendeu a mão e, com um movimento rápido e clínico, removeu o vibrador cinza. Oliver soltou um suspiro profundo de alívio momentâneo, seu corpo relaxando por um segundo antes da próxima onda de pavor.
— Você achou que isso era o fim? — Danger Oliver lambeu os lábios, seus olhos brilhando com uma fome antiga. — Eu me lembro de quando éramos crianças, Oliver. Você sempre foi tão... saboroso.
Ele forçou Oliver a virar-se, expondo as costas e as nádegas do garoto. Oliver tentou morder a mordaça, sentindo o gosto do couro e do pano, enquanto o pânico atingia um novo ápice. Danger Oliver inclinou-se, aproximando o rosto da pele de Oliver.
— Eu sempre fiz isso com você nos seus pesadelos — sussurrou Danger Oliver contra a pele dele. — Agora, é a realidade.
Danger Oliver começou a usar a língua de forma invasiva e desesperada, gemendo de uma irritação que beirava a loucura, como se estivesse tentando provar algo que estava escondido profundamente dentro de Oliver. Era um ato de possessão, uma tentativa de consumir a essência do Oliver que todos conheciam.
Oliver se debatia violentamente. Suas axilas ainda estavam expostas, a sensação do ar frio nelas aumentando sua sensação de nudez e desamparo. Ele pensou em Alice, em como ela reagiria se o visse assim. Ele pensou em Zip, que sempre estava ao seu lado nas brincadeiras. O ódio por Danger Oliver queimava em seu peito, mas a força das amarras era absoluta.
— Pare... — Oliver tentava formar a palavra por trás da mordaça, mas apenas sons abafados de agonia saíam.
Danger Oliver não parava. Ele parecia estar em transe, movido por uma necessidade doentia de dominar cada centímetro de seu "irmãozinho". Ele queria que Oliver sentisse cada grama de sua presença, que soubesse que não havia escapatória do passado que Danger Oliver representava.
O tempo parecia ter parado naquela sala escura. Oliver sentia o suor frio escorrer por seu corpo, a exaustão começando a vencer sua resistência. Danger Oliver, entre gemidos de uma satisfação distorcida, continuava seu ataque sensorial, deixando Oliver em um estado de choque e desespero puro.
— Você é meu, Oliver — Danger Oliver murmurou entre os atos, a voz rouca. — Sempre foi. A escola, os amigos, a Alice... são apenas distrações. Aqui, nesta escuridão, somos apenas nós dois.
Oliver fechou os olhos com força, tentando se desconectar da realidade cruel. Ele precisava que Edward e Zip o encontrassem. Ele precisava que esse pesadelo acabasse antes que Danger Oliver o quebrasse completamente, transformando o valentão da Paper School em nada mais do que um eco de dor e submissão.