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Oliver !!:3

Sombras de um Passado Amargo

O porão da Paper School era um lugar onde o silêncio não era apenas a ausência de som, mas uma presença física, pesada e empoeirada. Oliver, cujos cabelos brancos costumavam brilhar sob as luzes fluorescentes dos corredores enquanto ele pregava peças em alunos indefesos, agora estava reduzido a uma figura patética e contida. O cheiro de sabonete que ele tanto amava — seu lanche favorito e peculiar — ainda impregnava seu hálito, mas o gosto da liberdade havia sido substituído pelo tecido áspero do pano amarrado em sua boca.

Ele se debatia freneticamente. Seus pulsos, presos com cordas que apertavam a pele pálida, latejavam. Ele tentou desesperadamente usar seu braço de lápis para perfurar as amarras, mas o ângulo era impossível. Cada movimento resultava apenas em mais atrito e frustração.

— Mmmph! Mmmph! — Oliver tentava gritar, mas o som morria no nó apertado atrás de sua cabeça.

Ele pensou em Zip. Pensou em Edward. Onde eles estavam? Provavelmente rindo de alguma maldade que planejaram juntos, sem saber que o líder do trio estava sendo mantido cativo por sua própria sombra. A imagem de Danger Oliver, aquela versão distorcida e cruel de si mesmo, queimava em sua mente. O "irmão" que ele preferia esquecer, uma lembrança viva de um passado que Oliver tentava enterrar sob camadas de travessuras e arrogância.

Passos ecoaram na escada de madeira. Rangidos lentos, deliberados. O coração de Oliver disparou, batendo contra as costelas como um pássaro enjaulado. A porta se abriu, permitindo que um fiapo de luz cinzenta revelasse a silhueta alta e ameaçadora de Danger Oliver.

Ele se aproximou com a calma de um predador que sabe que a presa não tem para onde ir. Sem dizer uma palavra, ele se agachou diante de Oliver, cujos olhos vermelhos brilhavam de puro ódio e medo. Danger Oliver inclinou a cabeça, aproximando o rosto do ouvido do menor.

— Você ainda cheira a lavanda e morango, irmãozinho — sussurrou Danger Oliver, sua voz como navalha cortando o silêncio. — Tão doce, tão infantil. Acha que Zip ou Edward viriam aqui? Eles nem sentem sua falta.

Oliver sentiu o rosto esquentar. A raiva borbulhava em seu peito, uma mistura de indignação e uma vergonha que ele não conseguia explicar. Ele tentou morder a mão de Danger Oliver quando este tocou seu queixo, mas o agressor foi mais rápido. Com um movimento ágil, Danger Oliver subiu no colo de Oliver, prendendo-o com seu peso.

— Fique quieto — ordenou Danger Oliver, com um sorriso gélido.

Ele levou a mão à nuca de Oliver e desamarrou o nó do pano. No momento em que o tecido caiu, Oliver não perdeu tempo.

— SOCORRO! ZIP! EDWARD! — gritou ele a plenos pulmões, a voz falhando pelo tempo que ficou abafada. — ALGUÉM ME TIRA DAQU...!

A frase foi interrompida abruptamente. Danger Oliver segurou a cabeça de Oliver com firmeza, forçando seus olhares a se cruzarem. Antes que Oliver pudesse proferir outro insulto ou pedido de ajuda, Danger Oliver selou seus lábios nos dele.

O choque percorreu o corpo de Oliver como uma descarga elétrica. Seus olhos se arregalaram, as pupilas tremendo. Era um beijo carregado de uma possessividade doentia, algo que desafiava a lógica e a moralidade do laço que compartilhavam. Oliver tentou empurrá-lo com os ombros, tentou gritar contra a boca do outro, mas o beijo apenas se aprofundou.

Quando Danger Oliver finalmente se afastou, um fio de saliva conectava os dois. Oliver estava ofegante, o rosto completamente ruborizado, uma mistura de fúria e confusão estampada em suas feições.

— Você... seu doente! O que há de errado com você?! — Oliver cuspiu as palavras, a voz trêmula.

— O que há de errado comigo? — Danger Oliver riu, um som seco e sem alegria, enquanto começava a beijar a bochecha de Oliver, subindo até a têmpora. — Eu sou apenas o que você se recusa a ser, Oliver. Eu sou a verdade que você esconde sob esse rabo de cavalo e essas piadas idiotas.

Oliver tentou se debater novamente, mas a força de Danger Oliver era superior. Ele sentiu os dedos longos e frios do outro deslizarem pela gola de sua camisa preta. O pânico, real e cru, se instalou.

— Não... para com isso! — Oliver implorou, a arrogância de valentão desaparecendo completamente. — Não tira a camisa, por favor! Danger, para!

— Por que tanto medo, irmãozinho? — Danger Oliver perguntou com um tom malicioso, ignorando os protestos.

Com um puxão brusco, ele abriu a camisa de Oliver, expondo o peito pálido e a respiração descompassada do garoto. Danger Oliver parou por um momento, seus olhos brilhando com uma admiração distorcida e sombria. O contraste da pele branca de Oliver com a escuridão do porão parecia fasciná-lo.

— Tão frágil — murmurou Danger Oliver.

Sem aviso, ele levou as mãos ao peito de Oliver, apertando seus mamilos com força desnecessária.

— AHHH! PARA! DÓI! — Oliver gritou, arqueando as costas, as lágrimas de dor e humilhação começando a se formar nos cantos dos olhos.

Danger Oliver parecia se alimentar daquele sofrimento. Ele se inclinou e começou a chupar o peito de Oliver, ignorando os gemidos de dor que agora se misturavam a sons involuntários de agonia. Oliver estava em um estado de choque sensorial; a dor física se misturava a uma vergonha avassaladora que ele nunca imaginou sentir.

— Você é meu, Oliver — disse Danger Oliver, afastando-se apenas o suficiente para olhar o estrago que havia causado. A marca vermelha em forma de "A+" no cabelo de Oliver parecia pulsar em sintonia com a dor em seu peito. — Ninguém mais pode ter você. Nem seus amigos, nem ninguém nesta escola de papel.

Oliver soluçou, a cabeça pendendo para o lado. Ele estava exausto, mental e fisicamente. A provocação contínua, a lembrança forçada de uma infância que ele tentou apagar, e agora aquela violação de seu espaço... era demais.

— Eu te odeio... — sussurrou Oliver, a voz quase inaudível.

Danger Oliver sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos, e pegou o pano que estava jogado no chão.

— Eu sei. E é isso que torna tudo tão divertido.

Com movimentos rápidos e eficientes, ele colocou o pano de volta na boca de Oliver, puxando o nó com força extra para garantir que nenhum som escapasse. Oliver tentou protestar, fazendo sons abafados de irritação e angústia, mas Danger Oliver apenas deu um tapinha condescendente em sua bochecha.

— Descanse, irmãozinho. Amanhã teremos mais tempo para brincar.

Danger Oliver levantou-se, limpando o canto da boca com o polegar, e caminhou em direção à escada. Ele apagou a única lâmpada fraca que iluminava o ambiente, mergulhando Oliver na escuridão total.

Sozinho no porão, Oliver sentiu o frio do chão de cimento contra sua pele exposta. Ele tentou se debater, tentou gritar, tentou usar o lápis para cortar as cordas, mas o cansaço o venceu. Ele ficou ali, tremendo, o gosto amargo do pano em sua boca e a memória do toque de Danger Oliver queimando em sua pele como fogo. O valentão da Paper School nunca se sentiu tão pequeno, tão feito de papel, prestes a ser rasgado em mil pedaços.

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