Oliver x ∆lice
Sombras e Sussurros de Papel
A escuridão do quarto de Alice sempre parecia ter vida própria, uma massa densa e opaca que absorvia qualquer resquício de luz que tentasse entrar pelas frestas. Dentro daquela redoma de silêncio absoluto, Oliver podia ouvir o martelar frenético de seu próprio coração contra as costelas. O ar estava pesado, carregado com o cheiro metálico de tinta e o perfume doce, porém perigoso, de Alice.
Após o momento de choque inicial sob as cobertas, o clima na cama mudou drasticamente. Alice, com seus olhos brilhando em uma mistura de malícia e uma fome que ia além do estômago, não parecia satisfeita apenas com o que já havia ocorrido. Ela se moveu com a agilidade de um predador, seus movimentos fluidos e silenciosos, enquanto Oliver permanecia paralisado, uma mistura de medo e uma excitação involuntária percorrendo sua espinha.
Lentamente, as mãos de Alice subiram pelo abdômen de Oliver. Ele sentiu o toque frio das pontas dos dedos dela contra sua pele pálida, um contraste gritante com o calor que emanava de seu corpo. Com um movimento deliberado e possessivo, ela segurou a barra da camisa preta dele e a puxou para cima, revelando o peito do garoto.
Oliver estremeceu, os cabelos brancos espalhados pelo travesseiro como fios de seda desordenados. O símbolo de "A+" em seu cabelo parecia vibrar sob a luz fraca. Alice inclinou a cabeça, observando-o como se ele fosse a obra de arte mais preciosa e comestível que já vira. Ela se aproximou, sua respiração quente atingindo a pele sensível de Oliver.
— Você é tão... perfeito — sussurrou ela, a voz carregada de uma adoração sombria.
Sem aviso, Alice baixou a cabeça e envolveu o mamilo de Oliver com os lábios. O choque elétrico da sensação fez o corpo de Oliver arquear. Ele apertou os lençóis com a mão direita, enquanto seu braço de lápis batia inutilmente contra o colchão. Alice não era gentil; ela sugava com uma fome desesperada, alternando entre a sucção e o toque leve de seus dentes.
— A-Alice... para... — a voz de Oliver saiu fraca, um sussurro quebrado que mal alcançava os ouvidos da demônio.
Ela ignorou o pedido. Em vez disso, levou a mão ao outro mamilo dele e o beliscou com força súbita.
— Ah! — Oliver soltou um gemido agudo de dor, que rapidamente se misturou a um suspiro de prazer involuntário. Suas bochechas estavam em chamas, um vermelho profundo que se destacava contra sua pele branca.
Alice soltou um riso baixo, gutural, e subiu a mão para acariciar os longos cabelos brancos de Oliver, enrolando as mechas entre os dedos pretos. Ela parecia estar em transe, perdida na textura dele. Então, com um movimento ágil, ela se virou de costas para ele, posicionando-se de forma que suas nádegas ficassem próximas ao rosto dele.
Oliver arregalou os olhos, a respiração ficando curta. Ele nunca tinha visto Alice daquela forma, tão vulnerável e ao mesmo tempo tão dominante em sua exibição. O medo gritava em sua mente, dizendo-lhe para se afastar, para fugir daquela criatura que poderia devorá-lo a qualquer momento, mas seu corpo parecia ter vontade própria.
— Oliver... — chamou ela, a voz agora suave e manhosa, por cima do ombro. — Eu sei que você quer. Eu sinto o seu cheiro.
Oliver começou a tremer violentamente. Seus instintos de sobrevivência estavam em guerra com a atração magnética que sentia pela namorada. Ele se aproximou lentamente, o coração parecendo que ia saltar pela boca. Quando seus lábios finalmente tocaram a pele de Alice, um calafrio percorreu ambos.
Ele começou a explorá-la, a língua traçando caminhos hesitantes que logo se tornaram mais ousados. Alice soltou um gemido profundo, um som que ecoou pelas paredes do quarto como música para os ouvidos de Oliver. Ela empurrou o quadril para trás, incentivando-o, sua fome por contato parecendo insaciável.
— Isso... continue... — ela implorou, as garras cravando-se no travesseiro à frente dela.
O prazer de Alice era palpável. Oliver, agora perdido no calor do momento, perdeu a noção de tempo e espaço. Ele estava focado apenas nela, no sabor dela, na reação que seus atos provocavam na demônio que todos na Paper School temiam, mas que ali, entre quatro paredes, era apenas dele.
De repente, o corpo de Alice ficou tenso. Ela soltou um grito abafado, um espasmo de puro êxtase percorrendo seus membros. O ápice veio como uma onda, e Oliver sentiu o líquido quente inundar seus sentidos. Alice relaxou de imediato, caindo pesadamente contra o colchão, a respiração ofegante e pesada.
Ela se virou lentamente para ele, os olhos ainda nublados pelo prazer. Oliver estava imóvel, o rosto completamente corado, uma expressão de choque e admiração estampada em suas feições. Alice sorriu, um sorriso que não tinha nada de predatório desta vez, apenas uma afeição profunda e distorcida.
— Você foi... incrível — disse ela, aproximando o rosto do dele.
Eles se olharam por um longo momento, o silêncio do quarto voltando a se estabelecer, mas agora preenchido por uma intimidade renovada. Alice encurtou a distância e selou seus lábios nos de Oliver em um beijo profundo, calmo e carregado de promessas silenciosas. Oliver retribuiu, fechando os olhos e deixando-se levar pela sensação de pertencer a alguém tão perigosa e, ainda assim, tão sua.
***
A luz da manhã começou a se infiltrar timidamente pelas cortinas pesadas, pintando o quarto com tons de cinza e amarelo pálido. O despertador na mesa de cabeceira ainda não havia tocado, e o único som audível era a respiração rítmica dos dois ocupantes da cama.
Oliver acordou primeiro. Ele sentiu o peso do corpo de Alice sobre o seu, as cobertas emaranhadas em suas pernas nuas. A realidade dos eventos da noite anterior começou a voltar em flashes vívidos, fazendo-o enterrar o rosto no travesseiro para esconder o rubor que instantaneamente retornou às suas bochechas.
Ao se mexer levemente, ele sentiu um desconforto úmido entre as pernas. Um gemido baixo e involuntário escapou de seus lábios quando sentiu o resquício do sêmen saindo de seu corpo, uma lembrança física do prazer intenso que Alice lhe proporcionara.
— Hmm... — Alice murmurou ao seu lado, despertando com o movimento.
Ela abriu os olhos lentamente, esticando-se como um gato preto. Ao sentir a mesma umidade e a sensação de rescaldo em seu próprio corpo, ela soltou um gemido baixinho, uma mistura de cansaço e satisfação.
— Bom dia, meu lanchinho — sussurrou ela, a voz rouca pelo sono.
Oliver olhou para ela, o cabelo branco todo bagunçado, o laço preto caído em algum lugar entre os lençóis.
— Bom dia, Alice — respondeu ele, a voz ainda trêmula.
— Você está bem? — perguntou ela, estendendo a mão para acariciar o rosto dele com o dorso dos dedos.
— Eu... eu acho que sim — Oliver desviou o olhar, sentindo-se estranhamente tímido apesar de tudo o que haviam compartilhado. — Foi... diferente.
Alice soltou uma risadinha e se aproximou, aninhando a cabeça no peito dele, bem onde ela o havia marcado na noite anterior.
— Diferente é bom. Especialmente com você.
Oliver suspirou, passando o braço direito em volta dela, enquanto o braço de lápis descansava sobre a coberta. Ele sabia que, em poucas horas, teria que voltar a ser o valentão da Paper School, o garoto que comia sabonete e pregava peças com Zip e Edward. Mas ali, naquele momento, ele podia ser apenas o Oliver da Alice.
— Alice? — chamou ele suavemente.
— Sim?
— Não conta pra ninguém que eu gemi daquele jeito.
Alice levantou a cabeça, um brilho travesso nos olhos.
— O meu segredo é o seu segredo, Oliver. Mas saiba que eu pretendo ouvir esses sons muitas outras vezes.
Oliver corou violentamente de novo, puxando a coberta para cobrir o rosto, enquanto Alice ria e o abraçava com força, sabendo que, não importa o quão travesso ele fosse lá fora, ali dentro, ele era inteiramente dela. E ela, de sua maneira canibal e apaixonada, cuidaria para que ele nunca esquecesse disso.