Oliver x miss bloomie
Experimentos Fora do Currículo
O silêncio que reinava na sala de ciências de Miss Bloomie era pesado, quase palpável, quebrado apenas pelo zumbido distante das lâmpadas fluorescentes penduradas no teto de papelão reforçado. O ar carregava um odor característico de desinfetante hospitalar, giz moído e reagentes químicos voláteis. Para Oliver, no entanto, aquele laboratório sempre fora apenas mais um cenário onde ele e seus comparsas podiam pregar peças, zombar dos novatos e ignorar deliberadamente as regras de conduta da Paper School.
Mas nada naquele momento parecia familiar. Toda a pose arrogante de Oliver, todo o deboche estampado em seu rosto pontiagudo havia desmoronado no instante em que ele empurrara a pesada porta de madeira compensada.
Ali, bem no centro da bancada principal de experimentos, estava Edward. O garoto brilhante e engenhoso, sempre tão seguro de si com suas invenções e maquinações, encontrava-se completamente subjugado. Cordas de fibra grossa envolviam seu torso, braços e pernas, prendendo-o firmemente a uma pesada cadeira de carvalho. Em sua boca, uma mordaça de bola de borracha amarela brilhante estufava suas bochechas, sustentada por tiras de couro escuro presas com fivelas metálicas atrás de sua nuca. Quando Edward ergueu os olhos e fitou Oliver, o pânico foi imediato. Os olhos do garoto arregalaram-se por trás das lentes, e um gemido abafado, suplicante e desesperado escapou pela borracha amarela.
Antes que Oliver pudesse dar um único passo para trás ou erguer seu braço esquerdo — aquele terminado em uma afiada ponta de grafite de lápis —, o frio repentino de uma presença atrás de si congelou sua espinha. Uma mão pálida e de unhas afiadas pousou com firmeza sobre seu ombro esquerdo.
Oliver estremeceu dos pés à cabeça, virando o pescoço devagar, seus chifres negros quase roçando o ar gélido.
— Ora, ora... Parece que temos mais uma visita curiosa — murmurou a voz suave e aveludada de Miss Bloomie, ressoando perigosamente perto de seu ouvido.
A professora de ciências exibia um sorriso fino e enigmático. Seus cabelos negros na altura dos ombros emolduravam o rosto pálido com precisão milimétrica, e seus chifres assimétricos voltados para a esquerda pareciam ainda mais imponentes sob a iluminação fria da sala. A camisa preta de botões brancos estava impecável, e de sua outra manga despontava o brilho prateado e cortante de sua lâmina retrátil, um lembrete silencioso e letal de quem detinha a autoridade absoluta naquele colégio.
Oliver tentou forçar uma risada, puxando o ar com dificuldade, mas o som que saiu de sua garganta foi apenas um engasgo seco.
— M-Miss Bloomie... — gaguejou o garoto de longos cabelos brancos, sentindo as pernas bambearem por baixo das bermudas claras. — Eu... eu só vim procurar o Edward. A gente tinha... umas coisas pra fazer.
— Coisas para fazer, Oliver? — ironizou a professora, inclinando a cabeça de maneira predatória. — Tenho certeza de que sim. Mas o Edward estava ocupado prestando atenção em uma aula prática muito especial sobre compostura. Uma aula da qual você também parece precisar desesperadamente.
Oliver engoliu em seco, tentando dar um passo evasivo para a lateral, mas o aperto no ombro dele tornou-se de ferro. O garoto sentiu o coração martelar descontrolado contra o peito. Estava irritado com a própria fraqueza, furioso por ter sido pego tão facilmente, mas o terror primitivo falava mais alto. Ele tentou puxar o braço de lápis para criar distância, balbuciando:
— Olha aqui, professora, solta ele agora ou eu...
Antes que pudesse terminar a ameaça vazia, a mão livre de Miss Bloomie desceu com velocidade estaladiça, aplicando um tapa sonoro e firme bem nas nádegas de Oliver.
*SLAP!*
O impacto ecoou pelo laboratório silencioso com uma nitidez constrangedora.
Oliver deu um salto quase cômico para a frente, emitindo um ganido agudo e estridente, o corpo inteiro entrando em combustão instantânea. Uma onda de choque e vergonha pura subiu como labaredas por sua garganta até suas bochechas, tingindo seu rosto de um carmesim profundo e furioso. Ele levou a mão direita ao local atingido, os olhos arregalados de indignação e puro pavor, tropeçando nos próprios pés e quase caindo sobre o chão quadriculado.
— M-mas o que... o que foi isso?! — exclamou ele, com a voz falhando em um registro agudo, a mecha rebelde de cabelo em sua cabeça tremendo de choque.
Miss Bloomie não se deu ao trabalho de justificar o golpe. Em vez disso, ela riu baixo, um som gutural e zombeteiro que parecia arranhar o ambiente como giz quebrado. Com passos lentos e calculados, ignorando os protestos incoerentes de Oliver, ela caminhou até a bancada de experimentos onde Edward ainda se debatia.
— Você viu isso, Edward? — perguntou ela em tom açucarado, apoiando os cotovelos sobre a mesa e aproximando o rosto do garoto amarrado. — O líder de vocês não parece tão intimidador quando é tratado como a criança mimada que realmente é, não acha? Olhe só para ele... tão vermelho quanto um reagente ácido fora de controle.
Edward arregalou os olhos ainda mais. Ao ouvir a provocação descarada da professora, as bochechas do garoto inventor explodiram em uma tonalidade escarlate tão viva quanto a de Oliver. Sentindo o peso esmagador da humilhação alheia e da sua própria, Edward desviou bruscamente a cabeça para o lado oposto, cerrando os dentes com força ao redor da mordaça amarela. Um som estrangulado de constrangimento escapou por suas narinas:
— *Mmph! Hnn-nnn!*
— Não seja tímido, querido — zombou Miss Bloomie, estendendo a mão para acariciar com desdém o queixo de Edward, forçando-o levemente a olhar para frente antes de soltá-lo com um sorriso sarcástico. — A ciência exige observação clara. E você tem um assento na primeira fila.
Oliver, ainda esfregando a parte traseira atingida e fervendo em pura cólera, sentiu o orgulho estraçalhado. Ele cerrou o punho direito e ergueu o braço de grafite, rangendo os dentes.
— Já chega dessa palhaçada! — gritou Oliver, tentando avançar contra a professora com um olhar feroz. — Eu não sou moleque pra você ficar batendo, sua maluca! Eu vou rasgar essa sua...
Ele nem sequer teve a chance de desferir o golpe.
Com a agilidade assustadora que a tornava um pesadelo temido por qualquer aluno reprovado, Miss Bloomie girou sobre os calcanhares. O movimento foi tão rápido que o laço branco em seu pequeno rabo de cavalo pareceu apenas um borrão. A lâmina de metal em seu braço faiscou ao passar a milímetros do rosto de Oliver, apenas para assustá-lo e fazê-lo recuar em pânico, mas o verdadeiro ataque veio de baixo: uma rasteira precisa e impiedosa atingiu suas canelas cobertas pelas meias brancas.
Oliver perdeu o equilíbrio e caiu de bruços no piso frio com um estrondo abafado de papel colidindo contra cerâmica.
— Ai! Droga! — ele praguejou, tentando empurrar o chão para se levantar.
No entanto, antes que ele pudesse apoiar os joelhos, o peso implacável de Miss Bloomie caiu sobre suas costas. A professora pisou com firmeza entre suas omoplatas, mantendo-o preso contra o chão com facilidade desconcertante. De um compartimento sob a bancada, ela puxou com a mão livre um emaranhado de cordas grossas e lustrosas, além de outro conjunto de tiras de couro que tilintavam com fivelas de latão.
— Para alguém que gosta tanto de mastigar sabonete, sua boca é incrivelmente suja, Oliver — disse Miss Bloomie em um tom quase maternal, perigosamente calmo. — Vamos precisar dar um jeito nisso antes que você contamine a atmosfera do meu laboratório.
— Me solta! Tira o pé de cima de mim, sua desgraçada! — Oliver debatia-se ferozmente, chicoteando sua longa cabeleira branca de quase dois metros pelo chão como uma serpente furiosa. O braço de lápis raspava a lateral da bancada, tentando em vão encontrar apoio ou desferir algum golpe cego. — Edward! Faz alguma coisa, idiota!
Edward apenas pôde assistir, imóvel e impotente em sua cadeira, emitindo sons desesperados e abafados enquanto via seu amigo ser manuseado como uma folha de rascunho amassada.
Miss Bloomie ignorou as pragas e contorções de Oliver como se fossem a birra de um inseto. Com uma destreza metodicamente cirúrgica, ela puxou os braços do rapaz para trás de suas costas. As cordas envolveram seus pulsos em voltas apertadas, cruzando-se de forma intrincada e prendendo com firmeza tanto a mão comum quanto o perigoso braço de lápis, neutralizando completamente sua principal arma. Em seguida, ela puxou o garoto para cima com um puxão firme pelas axilas, jogando-o sem cerimônia sobre uma segunda cadeira de laboratório posicionada estrategicamente bem ao lado de Edward.
— Fique quieto — ordenou ela, quando Oliver tentou chutar suas pernas.
Com voltas rápidas e experientes, Miss Bloomie passou a corda em torno do peito de Oliver, prendendo seus ombros e seu tronco ao encosto da cadeira. As voltas desceram rapidamente para sua cintura, coxas e tornozelos, unindo as pernas do garoto firmemente aos pés de madeira do móvel. O nó final foi puxado com um puxão seco e preciso que arrancou o ar dos pulmões do rapaz.
Oliver respirava aos arquejos, o peito subindo e descendo descompassado. Ele estava imobilizado, com os longos cabelos brancos bagunçados e caídos sobre os ombros, o "A+" vermelho em sua franja quase brilhando sob a luz forte. Ele abriu a boca para soltar outra torrente de insultos furiosos:
— Sua vadia, você vai se arrepender disso quando eu...
Ele não conseguiu concluir a frase.
Miss Bloomie aproveitou o exato momento em que seus lábios se abriram para empurrar, com precisão implacável, uma esfera de borracha densa para dentro de sua cavidade oral.
Oliver arregalou os olhos em puro choque, sentindo a bola preencher sua boca quase que por completo, empurrando sua língua para baixo e forçando suas mandíbulas a se manterem abertas em um ângulo humilhante. Ele tentou cuspir o objeto imediatamente, tossindo e engasgando, mas a professora foi mais rápida: ela passou as grossas tiras de couro pelos cantos de seus lábios, puxou-as com força rente às bochechas pálidas do garoto e travou a fivela metálica na parte de trás de sua cabeça, enterrando a fivela entre os fios brancos de seu cabelo e seu laço preto.
— *Mmmph!! Nggh— mm-ph!* — rugiu Oliver, seus protestos transformando-se instantaneamente em uma massa disforme de grunhidos úmidos e abafados.
Ele começou a puxar e forçar o corpo contra a cadeira com toda a força que lhe restava. As cordas rangeram sob a tensão, mas não cederam nem um milímetro sequer; Miss Bloomie fizera os nós de acordo com os mais rigorosos padrões. Oliver tentou sacudir a cabeça para afrouxar a mordaça, mas o couro estava ajustado à perfeição, forçando sua saliva a descer pela garganta enquanto a bola de borracha o mantinha completamente silenciado. O olhar que ele direcionava à professora era de puro ódio concentrado, faiscando através de olhos dilatados, embora as maçãs de seu rosto ainda estivessem banhadas em um rubor furioso de vergonha.
Ao lado dele, Edward olhava para o amigo com uma expressão que misturava terror absoluto e uma ponta de pena miserável. Edward sacudiu a própria cadeira de leve, emitindo sons anasalados:
— *Mmph... Oliver... mmmgh!*
Oliver virou a cabeça o máximo que as amarras permitiam, fitando Edward. Seus olhares se cruzaram: dois dos maiores arruaceiros da escola, agora reduzidos a dois enfeites mudos e amarrados no laboratório de ciências. Oliver gemeu contra a bola em sua boca, as sobrancelhas franzidas em um misto de frustração exasperada e constrangimento extremo, bufando pelas narinas enquanto seu peito subia e descia violentamente.
Miss Bloomie deu dois passos para trás, admirando sua obra com evidente satisfação. Ela guardou os restos de corda em uma gaveta metálica com um estalo seco, ajeitou a gola branca de sua camisa e limpou uma poeira imaginária de sua manga longa. Seus chifres negros pareciam quase reluzir sob as lâmpadas frias enquanto ela caminhava devagar ao redor da bancada, aproximando-se por trás dos dois rapazes cativos.
O rangido suave dos sapatos da professora sobre o chão fazia o estômago de Oliver revirar. Ele tentou mais uma vez forçar os nós de seus pulsos, esfregando o grafite de seu braço esquerdo contra a madeira, mas a posição das cordas impedia qualquer movimento útil.
Miss Bloomie parou bem atrás da cadeira de Oliver.
Ela inclinou o corpo para a frente, apoiando uma das mãos delicadamente no topo da cabeça do garoto de cabelos brancos, empurrando levemente seus chifres pretos para o lado. O calor de sua respiração tocou a pele sensível da orelha de Oliver quando ela se abaixou, sussurrando de forma arrastada e zombeteira:
— Onde foi parar toda aquela valentia, Oliver? Hm? Você parecia tão corajoso há alguns minutos, gritando pelos corredores, zombando dos outros alunos... Mas olhe para você agora. Preso como um espécime biológico em conserva, incapaz de emitir uma única palavra decente sem babar nessa borracha.
Oliver estremeceu involuntariamente. Um gemido irritado e abafado escapou de sua garganta:
— *Mmmf-ghh!!*
— Fique quieto — continuou ela em um sussurro ainda mais baixo, seus lábios quase roçando o lóbulo da orelha dele. — Não gaste sua energia preciosa tentando se soltar. A densidade dessa fibra suportaria o dobro do seu peso franzino. E quer saber de uma coisa? Você fica muito mais bem-comportado assim. Talvez eu devesse adotar esse método para todas as nossas manhãs de laboratório. O que acha? Uma aula prática onde você só escuta e não mastiga sabonete como um animal selvagem...
Oliver cerrou os olhos com força, virando a cabeça para o lado oposto em uma tentativa desesperada de escapar daquele hálito morno e das palavras cortantes que faziam suas orelhas arderem em brasa. As veias em sua testa pulsavam de raiva reprimida, mas ele não tinha como rebater. Era forçado a engolir cada sílaba humilhante.
Satisfeita com o efeito de suas palavras, Miss Bloomie soltou uma risadinha suave que fez a espinha de ambos congelar. Ela deu dois passos laterais, deslizando como uma sombra elegante até parar atrás da cadeira de Edward.
O garoto de óculos encolheu os ombros imediatamente, puxando a cabeça para dentro do colarinho na esperança inútil de passar despercebido. Ele fechou os olhos com força, a respiração saindo entrecortada pelas narinas, a bola amarela pesando em sua boca.
Miss Bloomie inclinou-se sobre ele da mesma maneira suave, inclinando a cabeça para sussurrar diretamente no ouvido de Edward:
— E você, meu pequeno gênio... achou mesmo que sua inteligência serviria de escudo contra a indisciplina? Você ajuda esse garoto com as travessuras dele, achando que nada vai acontecer. Mas olhe onde sua mente brilhante te trouxe hoje. Amarrado, amordaçado e completamente à mercê da sua professora de ciências.
Edward soltou um gemido suplicante e patético:
— *Hnnn-mmph...*
— Sabe o que é mais fascinante, Edward? — sussurrou ela, com uma frieza deliciosa na voz. — É ver o quanto vocês dois dependem um do outro para fazer bagunça, mas nenhum de vocês consegue mover um único dedo para salvar o parceiro agora. Vocês são apenas duas variáveis insignificantes que eu já isolei e controlei na minha equação. Se ficarem muito agitados... bem, vocês sabem exatamente o quão afiada é a minha lâmina, não sabem?
Edward assentiu freneticamente com a cabeça, tremendo dos pés à cabeça, os olhos lacrimejando levemente de puro pavor da lâmina que ele já vira em ação tantas vezes em punições fatais naquele colégio.
Miss Bloomie ergueu a postura com lentidão aristocrática, caminhando até a frente dos dois para contemplar o quadro completo.
Ali estavam eles: Oliver e Edward, sentados lado a lado, amarrados com perfeição milimétrica às suas respectivas cadeiras, as mandíbulas preenchidas pelas mordaças de bola e os olhares cravados nela — um transbordando ódio e frustração indomável, o outro mergulhado em medo e constrangimento absoluto.
A professora cruzou os braços em frente ao peito, a lâmina em sua manga repousando quieta, e um sorriso largo e perigoso iluminou seu rosto pálido.
— A aula de hoje está apenas começando, rapazes — anunciou Miss Bloomie, sua voz voltando ao tom formal e melodioso de costume. — E garanto a vocês que ela será inesquecível.