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Os 7 mistérios

Гato 2: O Mistério da Biblioteca Esquecida: A História Não Contada

A brisa fresca da manhã de segunda-feira trazia consigo o cheiro de orvalho e a promessa de um novo dia na Academia Kamome. Para Hanako e sua peculiar trupe, no entanto, cada novo dia era uma página em branco a ser preenchida com mistérios e, ocasionalmente, um pouco de caos. O sucesso em revitalizar o Jardim Secreto de Sakura havia deixado o grupo com um renovado senso de propósito e uma amizade ainda mais forte.

– Então, Hanako-kun, qual é o próximo? – Yashiro perguntou, enquanto caminhavam pelos corredores, o sol da manhã pintando padrões nas janelas. Ela carregava uma pilha de livros para a aula, um lembrete de sua vida "normal" de estudante.

Hanako flutuou ao lado dela, um sorriso enigmático brincando em seus lábios.

– Ah, Yashiro, o próximo mistério é um dos meus favoritos. O Sétimo Mistério, "A Biblioteca Esquecida". Dizem que lá, você pode encontrar qualquer livro que desejar, mas se você pegar um livro que não deveria, ele te prende em suas páginas para sempre!

Kou, que caminhava um passo atrás, com o Raiteijou firmemente em suas mãos, bufou.

– Mais um boato bobo para assustar os calouros. Aposto que é só um fantasma de bibliotecária mal-humorada que precisa ser exorcizado. Não se preocupe, Yashiro, eu te protejo de qualquer livro que tente te devorar!

– Ora, ora, Mini-Exorcista, você sempre com essa mentalidade de "exorcizar primeiro, perguntar depois". – Hanako provocou, rindo. – Talvez este mistério exija um pouco mais de… finesse.

Aoi, que estava ao lado de Yashiro, parecia intrigada.

– Uma biblioteca esquecida? Nunca ouvi falar de uma segunda biblioteca na escola. Só conhecemos a principal.

– Exatamente, Aoi-chan! – Mitsuba exclamou, já com a câmera a postos. – É "esquecida" por uma razão. Isso significa que é um lugar secreto, perfeito para fotos misteriosas e cheias de história!

Hanako os guiou para uma parte mais antiga do prédio da escola, um corredor pouco frequentado que terminava em uma porta de madeira pesada e empoeirada, que parecia não ter sido aberta em décadas. Não havia maçaneta, apenas uma fechadura antiga e ornamentada.

– É aqui. – Hanako declarou, com um floreio dramático. – A entrada para a Biblioteca Esquecida.

Yashiro tocou a porta, sentindo a madeira fria e áspera.

– Mas como a gente entra? Não tem maçaneta.

Hanako sorriu.

– O Sétimo Mistério não se abre para qualquer um. Ele se abre para aqueles que buscam conhecimento… ou para aqueles que estão desesperados o suficiente para encontrar uma resposta.

De repente, a fechadura antiga começou a girar sozinha, e a porta rangeu, abrindo-se lentamente para revelar uma escuridão profunda. Um cheiro de papel velho, poeira e algo mais, algo quase mágico, emanou da abertura.

– Certo, vamos lá! – Kou disse, adiantando-se, mas Hanako o deteve com um gesto.

– Calma, Mini-Exorcista. Lá dentro, as regras são diferentes. Cada livro tem uma história, e algumas histórias não querem ser contadas.

Ao entrarem, foram recebidos por um salão vasto e circular, com estantes de livros que se estendiam até o teto, perdendo-se na escuridão acima. Não havia janelas, e a única iluminação vinha de orbes luminosos que flutuavam aleatoriamente entre as estantes, lançando sombras dançantes. O silêncio era profundo, quase opressor, quebrado apenas pelo farfalhar ocasional de uma página.

– Uau… – Aoi sussurrou, maravilhada. – É enorme! E parece… infinito.

Mitsuba começou a fotografar imediatamente, os flashes da câmera ecoando no silêncio.

– Tão assustador quanto lindo! As estantes parecem não ter fim!

Hanako flutuou à frente, guiando-os por um corredor estreito entre as estantes.

– A Biblioteca Esquecida contém todos os livros que já foram escritos, e todos os que ainda serão. Mas também contém os livros que nunca deveriam ter sido abertos.

Yashiro sentiu um calafrio.

– E como a gente sabe qual livro não deve ser aberto?

– Você não sabe. – Uma voz profunda e ressonante ecoou pelas estantes, fazendo os livros tremerem. – Você apenas sente.

Um ser alto e imponente emergiu das sombras. Ele tinha a forma de um homem, mas sua pele era de pergaminho antigo, e seus olhos brilhavam com a luz de incontáveis histórias. Em suas mãos, ele segurava um livro grosso e sem capa.

– Eu sou o Bibliotecário. O Sétimo Mistério. – ele declarou, sua voz como o farfalhar de milhares de páginas. – E vocês, intrusos, o que procuram em meu domínio?

Kou ergueu o Raiteijou.

– Nós viemos resolver o seu mistério! E se você estiver prendendo alguém aqui, eu vou te exorcizar!

O Bibliotecário soltou uma risada seca e sem humor.

– Exorcizar? Que tolice. Ninguém está "preso" aqui. As pessoas vêm por vontade própria, buscando respostas, e acabam se perdendo nas histórias que procuram.

Hanako se aproximou, uma expressão séria em seu rosto.

– Bibliotecário-san, entendemos que este lugar é perigoso. Mas estamos aqui para ajudar. Qual é o seu mistério? Por que você existe?

O Bibliotecário fechou o livro em suas mãos com um baque que ecoou pela biblioteca.

– Eu sou o guardião das histórias não contadas, das verdades esquecidas. Minha existência é para preservar o conhecimento, mas também para proteger aqueles que não estão prontos para ele. Meu mistério é este: há um livro aqui, um livro proibido, que contém a verdade mais sombria desta escola. Se esse livro for lido, ele pode destruir o equilíbrio entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos.

Yashiro arregalou os olhos.

– Um livro que pode destruir tudo? Onde ele está?

– Ele está escondido, protegido por selos complexos dentro desta biblioteca. – o Bibliotecário respondeu. – Mas sinto que o tempo se aproxima em que alguém tentará encontrá-lo. E se isso acontecer, minha tarefa é impedi-los, a qualquer custo.

Aoi parecia pensativa.

– Então, o seu mistério não é ser libertado, mas ser ajudado a proteger este livro?

– Precisamente. – O Bibliotecário assentiu. – Preciso de guardiões, de mentes curiosas, mas também prudentes, para me ajudar a manter este conhecimento em segredo.

Mitsuba, que até então estava em silêncio, abaixou a câmera.

– Um livro com a verdade mais sombria da escola… Isso é um enredo e tanto! Mas o que é essa verdade?

O Bibliotecário estremeceu.

– Essa é a parte que não pode ser revelada. O livro é poderoso demais. Mas posso dizer que ele se refere à fundação desta escola e a um pacto antigo que a mantém de pé.

Hanako olhou para o grupo.

– Parece que temos um novo tipo de missão. Não é sobre libertar um espírito, mas sobre proteger um segredo.

Kou baixou o Raiteijou, olhando para o Bibliotecário com um respeito relutante.

– Então, como podemos ajudar?

O Bibliotecário abriu o livro que segurava, e a capa se revelou preenchida com símbolos antigos e intrincados.

– Cada um de vocês possui uma habilidade única. Yashiro, sua empatia e sua capacidade de ver a verdade nos corações. Kou, sua pureza e sua força para combater o mal. Mitsuba, sua visão única e sua habilidade de capturar momentos. Aoi, sua inteligência e sua conexão com as histórias desta escola. E Hanako, seu conhecimento dos mistérios e sua ligação com o sobrenatural. Juntos, vocês podem sentir a presença do Livro Proibido se ele for perturbado.

Ele estendeu o livro para eles.

– Este é o "Guia dos Mundos Ocultos". Ele não contém o segredo, mas contém pistas sobre os selos que protegem o Livro Proibido. Se vocês puderem entender esses selos, poderão me ajudar a reforçá-los.

Yashiro pegou o livro com cuidado. Ele era pesado e parecia pulsar com uma energia própria.

– Então, temos que estudar? – ela perguntou, um pouco desanimada.

O Bibliotecário riu novamente, um som como o farfalhar de folhas secas.

– Sim, Yashiro. O conhecimento é a chave para este mistério. Vocês devem se tornar os guardiões do conhecimento.

Nos dias seguintes, a Biblioteca Esquecida se tornou o novo quartel-general do grupo. Eles passavam horas lendo o "Guia dos Mundos Ocultos", um tomo repleto de símbolos, diagramas e textos em línguas antigas. Era uma tarefa árdua, mas fascinante.

Yashiro, com sua intuição aguçada, conseguia sentir as energias dos selos descritos no livro. Ela descrevia sensações de frio, calor, pressão, que os outros tentavam mapear nos diagramas.

Kou, embora impaciente com a leitura, era surpreendentemente bom em decifrar os símbolos de proteção e as runas de exorcismo que se assemelhavam aos selos do livro. Sua força física também era útil para alcançar livros nas prateleiras mais altas, onde eles encontravam informações adicionais sobre os selos.

Mitsuba, com sua câmera, documentava cada página relevante, criando um arquivo visual que os ajudava a organizar as informações. Ele também tinha um talento peculiar para identificar padrões nos símbolos, algo que os outros haviam ignorado.

Aoi, com sua inteligência e seu vasto conhecimento da história da escola, era a principal decifradora dos textos. Ela conseguia traduzir as línguas antigas e conectar os selos a eventos históricos e lendas locais, dando-lhes contexto.

Hanako, é claro, era o mentor. Ele conhecia os cantos e recantos da Biblioteca Esquecida, e seu conhecimento sobre os mistérios da escola era inestimável. Ele os guiava, fazia perguntas desafiadoras e, ocasionalmente, oferecia um conselho críptico que acabava se mostrando crucial.

Enquanto trabalhavam, o Bibliotecário observava de longe, ocasionalmente oferecendo uma palavra de encorajamento ou uma pista sutil. Ele parecia contente em ter companhia, e sua presença, antes imponente, agora parecia mais acolhedora.

Uma tarde, enquanto Aoi estava traduzindo um trecho particularmente complexo e Kou tentava desenhar um dos selos, Yashiro sentiu uma pontada.

– Ai! – ela exclamou, segurando a cabeça. – Sinto uma energia… muito forte, vindo do fundo da biblioteca. É como se algo estivesse sendo… forçado.

Hanako flutuou rapidamente para o lado dela, sua expressão séria.

– É o Livro Proibido. Alguém está tentando acessá-lo.

O Bibliotecário emergiu das sombras, seus olhos brilhando com urgência.

– Os selos estão sendo perturbados! Precisamos agir agora!

O grupo seguiu o Bibliotecário por entre as estantes, sentindo a energia pulsante e crescente. O ar ficou mais pesado, e os orbes luminosos da biblioteca começaram a piscar freneticamente. Eles chegaram a uma área isolada, onde uma estante de livros parecia mais antiga e mais escura que as outras. No centro dela, havia uma porta de pedra sem maçaneta, marcada com os mesmos símbolos complexos que eles estavam estudando.

Eles viram uma figura encapuzada, cujas mãos espectrais estavam pressionadas contra a porta, tentando quebrar os selos.

– Quem é você?! – Kou gritou, erguendo o Raiteijou.

A figura se virou, e sob o capuz, revelou-se um rosto familiar, mas distorcido pela escuridão. Era uma estudante, mas seus olhos estavam vazios e seu semblante, pálido e cadavérico.

– Ela está sendo controlada. – Hanako murmurou. – Alguém está usando-a para alcançar o livro.

O Bibliotecário deu um passo à frente.

– Afaste-se do Livro Proibido! Você não entende o poder que ele contém!

A figura encapuzada soltou um grito estridente e tentou empurrar a porta de pedra com mais força, os selos tremeluzindo e rachando.

– Não podemos deixar que ela o abra! – Yashiro exclamou.

Kou avançou, batendo o Raiteijou no chão.

– Eu vou exorcizar o que quer que esteja controlando ela!

Mas Hanako o deteve.

– Não! Se você a exorcizar, o que quer que a esteja controlando pode pular para outra pessoa, ou pior, danificar os selos ainda mais. Temos que reforçá-los!

Aoi apontou para um dos símbolos no "Guia dos Mundos Ocultos".

– Este é o selo de contenção! Precisamos ativá-lo!

Mitsuba rapidamente tirou uma foto do selo no livro e a projetou no ar como um holograma com sua câmera.

– É assim que ele se parece!

Yashiro, sentindo a energia do selo, estendeu a mão para a porta de pedra, concentrando-se.

– Eu sinto… sinto a necessidade de proteção…

Kou, seguindo as instruções de Aoi e o holograma de Mitsuba, começou a traçar o símbolo do selo no ar com o Raiteijou, recitando as palavras que Aoi havia traduzido. Uma luz dourada começou a emanar do cajado.

Hanako, com um sorriso determinado, também estendeu a mão, seus orbes Haku-Joudai girando ao redor da porta, adicionando sua própria energia espiritual.

A figura encapuzada gritou novamente, a energia escura que a controlava lutando contra o selo que estava sendo reforçado.

– Mais força! – o Bibliotecário rugiu, seus olhos brilhando intensamente. – Juntos!

O grupo, unido, concentrou suas energias. Yashiro sentia a dor da estudante sendo controlada, mas também a necessidade de proteger o segredo. Kou, com sua determinação inabalável, canalizava sua energia exorcista para o selo. Mitsuba, com sua câmera, capturava a intensidade do momento, sua visão ajudando a manter o foco no símbolo. Aoi recitava as palavras com precisão, sua mente afiada como uma lâmina. E Hanako, com sua experiência, guiava a energia, garantindo que o selo fosse ativado corretamente.

Lentamente, mas com firmeza, os símbolos na porta de pedra começaram a brilhar. A luz dourada do Raiteijou de Kou se fundiu com a energia espiritual de Hanako e a intenção de Yashiro, formando uma barreira impenetrável. A figura encapuzada foi repelida, a energia escura que a controlava se dissipando em fumaça. A estudante desabou no chão, inconsciente, mas livre do controle.

Os selos na porta de pedra se fecharam novamente, mais fortes do que antes. O ar na biblioteca voltou ao normal, e os orbes luminosos retomaram seu brilho suave.

O Bibliotecário se aproximou da estudante, que estava inconsciente.

– Ela está a salvo. Apenas exausta.

Ele se virou para o grupo, seus olhos de pergaminho brilhando com gratidão.

– Vocês fizeram isso. Vocês protegeram o Livro Proibido. Vocês se tornaram os verdadeiros guardiões do conhecimento.

Yashiro suspirou, aliviada.

– Foi assustador. Mas conseguimos!

Kou guardou o Raiteijou, um sorriso satisfeito em seu rosto.

– Sabia que podíamos fazer isso!

Mitsuba abaixou a câmera, revisando as fotos.

– As fotos ficaram incríveis! Mas a experiência… essa foi a melhor parte.

Aoi se aproximou da porta de pedra, tocando os selos agora brilhantes.

– Então, o mistério está resolvido? O livro está seguro?

– Por enquanto, sim. – O Bibliotecário assentiu. – Mas a verdade nunca pode ser completamente suprimida. Minha existência e a de vocês, como guardiões, são um lembrete constante de que o conhecimento, tanto o bom quanto o sombrio, deve ser tratado com respeito e cautela.

Hanako pousou no chão, olhando para o grupo com um orgulho velado.

– O Sétimo Mistério não foi exorcizado, nem libertado. Ele foi compreendido. E ao compreendê-lo, vocês se tornaram parte dele.

O Bibliotecário sorriu, um sorriso que raramente mostrava.

– Esta biblioteca é agora tão de vocês quanto minha. As portas estarão sempre abertas para aqueles que buscam a verdade, mas com a sabedoria de que algumas verdades são melhor deixadas não contadas.

Enquanto saíam da Biblioteca Esquecida, o grupo sentia uma nova conexão com o lugar. Eles haviam desvendado o último dos Sete Mistérios, não através de um confronto direto, mas através da colaboração, da inteligência e da coragem de proteger o que era essencial. A Academia Kamome ainda guardava muitos segredos, mas agora, eles tinham um novo propósito: não apenas desvendá-los, mas também protegê-los.

Com os Sete Mistérios agora sob sua guarda compartilhada, Hanako, Yashiro, Kou, Aoi e Mitsuba haviam consolidado sua amizade e se transformado em algo mais do que um grupo de desajustados. Eles eram os guardiões da escola, os defensores do equilíbrio, prontos para qualquer desafio que o mundo sobrenatural lhes apresentasse. O futuro na Academia Kamome prometia ser tudo, menos monótono. E, de alguma forma, eles sabiam que esta era apenas o começo de suas histórias não contadas.