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os opostos se atraem

A Sinfonia dos Sentimentos Descobertos

O sol da manhã do dia seguinte parecia trazer consigo uma nova tonalidade para o castelo de Hogwarts. A luz que entrava pelas janelas do Salão Principal não era apenas dourada, mas carregava consigo uma promessa de mudança, um presságio de sentimentos que estavam florescendo. Kate acordou com uma sensação estranha no peito, uma mistura de nervosismo e excitação. As palavras de Dexter e a defesa de Paia reverberavam em sua mente como um eco persistente. Ela se viu pensando nele, não como o colega de time quieto, mas como o artista sensível e talentoso que ela havia conhecido na sala de música.

Ao chegar ao Salão Principal para o café da manhã, Kate procurou Paia quase que instintivamente. Ele estava em sua mesa habitual, sozinho, com um livro aberto à sua frente, mas sem realmente lê-lo. Seus fones de ouvido estavam no pescoço, não nos ouvidos, o que era incomum. Isso a fez pensar que talvez ele estivesse mais atento ao mundo ao seu redor do que ela imaginava. Ela sentiu um impulso de se aproximar, mas a hesitação a segurou.

Star, com sua percepção aguçada, notou a indecisão de Kate.

– O que foi, amiga? Está com os olhos fixos no Paia como se ele fosse a última torta de abóbora do Salão – ela provocou, com um sorriso divertido.

Kate corou.

– Não seja boba, Star. Eu só... estou pensando.

– Pensando no quanto ele é fofo e como ele tem um talento incrível? – Star completou, piscando para ela.

– Talvez – Kate admitiu, com um suspiro. – Mas o Dexter... ele me irritou tanto ontem. Não consigo entender por que ele agiu daquele jeito.

– Ciúmes, querida Kate. Puro e simples ciúmes – Star explicou, pegando uma torrada. – Ele acha que você é propriedade dele, e quando viu você defendendo o Paia, a ficha caiu.

Kate franziu a testa.

– Mas nós não somos namorados, somos? Ele é só um ficante.

– Exatamente. E talvez seja hora de ele entender isso de uma vez por todas – Star sugeriu, com um olhar significativo.

Encorajada pelas palavras de Star, Kate decidiu que não podia mais ignorar o que estava sentindo. Depois do café da manhã, ela se aproximou da mesa de Paia. Ele levantou os olhos do livro, surpreso ao vê-la ali. Um leve rubor coloriu suas bochechas.

– Oi, Paia – Kate disse, com um sorriso. – Posso me sentar?

– Claro, Kate – ele respondeu, fechando o livro e gesticulando para o assento vazio à sua frente.

Houve um breve momento de silêncio, preenchido apenas pelo burburinho distante do Salão Principal. Kate não sabia bem como começar.

– Eu queria te pedir desculpas pelo Dexter ontem – ela finalmente disse. – Ele não tem o direito de falar com você daquele jeito.

Paia acenou com a cabeça.

– Não precisa se desculpar, Kate. Você não tem culpa. Mas obrigado por me defender. Significa muito para mim.

Os olhos de Paia, geralmente tão reservados, encontraram os dela com uma intensidade que a fez prender a respiração. Havia uma vulnerabilidade neles que a tocou profundamente.

– Eu... eu não entendo por que ele agiria assim – Kate continuou, sentindo a necessidade de ser honesta. – Quer dizer, nós somos só amigos.

Paia a observou por um momento, e um leve sorriso brincou em seus lábios.

– Talvez ele não veja vocês como "só amigos" – ele sugeriu, sua voz suave.

Kate sentiu um calor subir em seu rosto. Era uma possibilidade que ela havia tentado ignorar, mas que agora se apresentava com uma clareza inegável.

– Eu não tenho sentimentos por ele, Paia. Não romanticamente – ela confessou, sentindo um peso sair de seus ombros. – Eu... eu acho que percebi isso ontem.

Paia a olhou, seus olhos brilhando com uma emoção que Kate não conseguiu identificar completamente, mas que a fez sentir-se esperançosa.

– Eu também... – ele começou, mas foi interrompido por uma voz estridente.

– Kate! O que você está fazendo com esse perdedor?

Era Dexter, parado a poucos metros da mesa, com os braços cruzados e uma expressão de raiva em seu rosto. Ele lançou um olhar de desprezo para Paia.

Kate sentiu a raiva borbulhar dentro dela novamente. Ela se levantou, encarando Dexter.

– Dexter, já conversamos sobre isso. Você não tem o direito de falar assim com o Paia. E eu não sou propriedade sua. Eu converso com quem eu quiser.

– Ah, é? Então é isso? Você vai trocar o capitão do time de futebol pelo esquisitão que fica nos cantos? – Dexter zombou, levantando a voz, atraindo a atenção de alguns alunos próximos.

Paia, que havia se levantado também, sentiu o sangue ferver. Ele não era de confrontos, mas as palavras de Dexter sobre Kate o atingiram em cheio.

– Não fale assim dela, Dexter – Paia disse, sua voz surpreendentemente firme.

Dexter riu, um riso sem humor.

– Olha só, o cachorrinho da Kate resolveu latir. Fique no seu lugar, Paia. Você não é páreo para mim.

Kate deu um passo à frente, colocando-se entre Paia e Dexter.

– Chega, Dexter! Acabou. Eu não quero mais nada com você. Nunca quis, para ser sincera. Você é egoísta e desrespeitoso.

As palavras de Kate atingiram Dexter como um raio. Sua expressão de raiva se transformou em choque e, em seguida, em fúria. Ele lançou um olhar de ódio para Paia.

– Você vai se arrepender disso, Paia. Eu juro que você vai! – ele sibilou, antes de se virar e sair pisando duro do Salão Principal.

Kate suspirou, sentindo-se exausta, mas também estranhamente aliviada. Ela se virou para Paia, que a olhava com uma mistura de preocupação e admiração.

– Você está bem? – ele perguntou, sua voz suave.

– Sim – ela respondeu, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios. – Estou.

Naquela tarde, o treino de vôlei foi diferente. Dexter não apareceu, e a ausência de sua energia agressiva deixou o clima mais leve. Paia e Kate jogaram com uma sincronia quase perfeita, seus movimentos complementando-se na quadra. Star, observando de longe, sorria. Ela sabia que as coisas estavam mudando, e para melhor.

Depois do treino, enquanto caminhavam de volta para o castelo, Star se juntou a eles.

– Vocês formam uma dupla e tanto na quadra – ela comentou, com um sorriso malicioso. – E fora dela também, pelo que vi hoje de manhã.

Kate corou, mas não negou. Paia apenas sorriu, um sorriso genuíno que Kate raramente via.

– Eu só... não aguentava mais o Dexter – Kate disse, olhando para Paia. – Ele não entendia nada.

– Ele não te merecia, Kate – Paia respondeu, e a sinceridade em sua voz fez o coração de Kate acelerar.

Nos dias que se seguiram, a proximidade entre Kate e Paia se tornou inegável. Eles passavam mais tempo juntos, conversando sobre arte, música, sonhos e medos. Paia se abria para Kate de uma forma que nunca havia feito com ninguém antes, compartilhando suas composições, suas inspirações, seus pensamentos mais íntimos. Kate, por sua vez, encontrava em Paia uma compreensão e uma sensibilidade que ela nunca havia experimentado. Ele a via, de verdade, e isso a fazia sentir-se completa.

Uma tarde, eles estavam na biblioteca, trabalhando em um projeto de Transfiguração. A biblioteca estava quase vazia, e o silêncio era quebrado apenas pelo sussurro das páginas e o arrastar ocasional de uma cadeira. Kate estava frustrada com um feitiço em particular, e Paia, com sua calma habitual, a ajudava a entender a teoria por trás dele.

– Eu simplesmente não consigo! – Kate exclamou, jogando a pena na mesa. – É como se minha mente não conseguisse visualizar a transformação.

Paia riu suavemente.

– Talvez você esteja tentando demais. Às vezes, a magia flui melhor quando você não força. Tente imaginar a forma final, a essência do objeto, e deixe a magia fazer o resto.

Kate o observou, a testa franzida em concentração. Ele tinha uma maneira tão tranquila de explicar as coisas, que fazia tudo parecer mais fácil.

– Como você faz isso? – ela perguntou, sua voz quase um sussurro. – Como você consegue ser tão calmo e paciente?

Paia deu de ombros.

– A música me ensinou a ter paciência. Cada nota, cada acorde, precisa do seu tempo para se encaixar perfeitamente. É como uma dança.

Ele pegou a pena dela e, com um movimento suave, começou a rabiscar notas musicais na margem do pergaminho de Kate.

– Veja. Cada uma dessas notas é um passo na dança. Se você tentar pular um passo, a melodia se desfaz. Mas se você seguir o ritmo, a música se cria.

Kate observou seus dedos ágeis e a forma como a música parecia fluir dele. Havia algo tão belo e hipnotizante em sua paixão. Ela sentiu um desejo avassalador de tocá-lo, de sentir a energia que emanava dele.

– Paia – ela disse, sua voz rouca.

Ele levantou os olhos, e seus olhares se encontraram. A distância entre eles na mesa da biblioteca pareceu encurtar, e o mundo ao redor deles desapareceu. Havia uma intensidade, uma eletricidade no ar que era inegável.

– Eu... eu acho que estou apaixonada por você – Kate confessou, as palavras saindo de sua boca antes que ela pudesse pensar.

Os olhos de Paia se arregalaram ligeiramente, e um sorriso lento e caloroso se espalhou por seu rosto. Ele se inclinou para frente, diminuindo ainda mais a distância entre eles.

– Eu também, Kate – ele sussurrou, sua voz cheia de emoção. – Eu também estou apaixonado por você.

E então, sem mais hesitação, ele estendeu a mão e tocou o rosto dela, seu polegar acariciando sua bochecha. O toque foi suave, mas elétrico, e Kate sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Ela se inclinou para o toque, fechando os olhos por um instante.

Quando ela os abriu novamente, Paia estava ainda mais perto. Seus olhos azuis, antes tão reservados, agora brilhavam com uma paixão ardente. Ele estava prestes a beijá-la, e Kate sentiu seu coração martelar no peito. O momento era perfeito, uma sinfonia de sentimentos que culminava em um crescendo.

Mas o destino, ou talvez o universo, tinha outros planos.

Um barulho alto e repentino vindo da seção de Poções, onde alguns alunos estavam estudando, quebrou o feitiço. Um frasco de uma poção borbulhante havia caído no chão, espalhando um líquido roxo e fumaça por toda parte. A bibliotecária, Madame Pince, soltou um grito de horror, e o burburinho de vozes preencheu a biblioteca.

Paia e Kate se afastaram abruptamente, seus rostos corados e seus corações ainda acelerados. O momento havia sido quebrado, mas a confissão e a promessa de um beijo permaneceram no ar, tão reais quanto a fumaça roxa que agora se espalhava pela biblioteca.

Eles se entreolharam, um sorriso tímido surgindo nos lábios de Kate, e Paia não conseguiu evitar rir. Era um riso nervoso, mas cheio de alegria.

– Acho que a Madame Pince não aprovaria um beijo na biblioteca – ele brincou, sua voz ainda um pouco rouca.

– Acho que não – Kate respondeu, rindo também. – Mas isso não significa que não vai acontecer.

Paia a olhou, seus olhos cheios de promessa.

– Não, não significa.

Naquela noite, Kate voltou para o dormitório com um sorriso bobo no rosto. Star estava lendo um livro na cama, mas percebeu a amiga no momento em que ela entrou.

– O que aconteceu com você? Parece que você ganhou na loteria – Star perguntou, com um sorriso.

Kate se jogou na cama, o sorriso ainda no rosto.

– Eu acho que sim. Eu me declarei para o Paia. E ele... ele disse que também está apaixonado por mim.

Star largou o livro e se sentou, os olhos arregalados.

– Não acredito! E então? O que aconteceu?!

Kate suspirou, um suspiro de frustração e diversão.

– A Madame Pince aconteceu. E uma poção roxa.

Star caiu na risada, e Kate não conseguiu evitar rir junto.

– Mas isso não importa – Kate disse, quando a risada diminuiu. – Eu sei o que ele sente, e ele sabe o que eu sinto. É só uma questão de tempo.

Enquanto isso, Paia estava em seu dormitório, o coração ainda batendo forte. A imagem de Kate, seus olhos brilhando e sua confissão, se repetia em sua mente como a mais bela das melodias. Ele sentou-se em sua cama, pegou seu caderno de anotações e começou a escrever. As notas fluíam dele, uma sinfonia de sentimentos que ele estava apenas começando a explorar. A melodia era suave, mas cheia de paixão, uma promessa de um futuro que ele mal podia esperar para viver.

Ele sabia que Dexter não o deixaria em paz, e que a jornada seria cheia de obstáculos. Mas agora, ele tinha Kate ao seu lado, e isso era tudo o que importava. A música em sua alma tinha encontrado sua voz, e o ritmo de seu coração estava sincronizado com o dela. A sinfonia de seus sentimentos havia finalmente encontrado sua canção.