Pai da amiga do meu filho
Entre o Desejo e a Devoção
O sol começava a se pôr, pintando o céu de São Paulo com tons de laranja e violeta, enquanto caminhávamos pelo gramado impecável em direção às crianças. A mão de Erick desceu sutilmente da minha cintura para o início da minha curva, repousando ali com uma possessividade gentil. Era um toque quente, firme, que me fazia sentir protegida e, ao mesmo tempo, estranhamente arrepiada. Ele não apertava, apenas deixava o peso de sua mão descansar sobre mim, como se marcasse território de uma forma silenciosa e elegante.
— Veja só esses dois — comentou Erick, sua voz vibrando perto do meu ouvido. — Parecem que se conhecem de outras vidas.
— Eles têm uma conexão linda — respondi, tentando manter a voz firme apesar da proximidade dele. — O Pietro nunca se sentiu tão em casa em outro lugar.
Chegamos perto de Helena e Pietro, que agora tentavam cavar um "túnel" perto das roseiras. Erick se inclinou, ainda mantendo uma mão em mim, e elogiou a descoberta do "tesouro". Ele era um pai tão presente e amoroso com a pequena que meu coração se derretia. Mas, ao olhar para a janela do andar superior, vi a silhueta de Luca atrás da cortina. O contraste entre a doçura de Erick com Helena e a rigidez com o primogênito era quase palpável.
— Erick, eu vou subir rapidinho para levar as coisas que trouxe para o Luca e me organizar — eu disse, querendo também dar uma trégua ao clima tenso entre eles. — Eu trouxe alguns livros e materiais que ele tinha me pedido na última vez que nos vimos.
— Você é um anjo, Cecília. Sempre pensando em todos — ele sorriu, dando um leve aperto onde sua mão repousava antes de me soltar. — Vá lá. Eu vou dar um jeito de tirar esses dois da terra antes que a governanta tenha um colapso.
Subi as escadas da mansão, sentindo o luxo em cada detalhe, desde o corrimão de bronze até os quadros de artistas renomados nas paredes. Bati suavemente na porta do quarto de Luca. Ouvi um resmungo e entrei. O quarto estava na penumbra, apenas com o brilho dos monitores do computador acesos.
— Oi, Luca. Trouxe aquelas revistas de design e os livros que você queria — falei, colocando a sacola sobre a mesa dele.
Ele tirou os fones, a expressão ainda fechada, mas seus olhos suavizaram um pouco ao ver o conteúdo da sacola.
— Valeu, Cecília. Você é a única que não acha que eu sou um completo inútil por aqui.
— Seu pai só quer o seu melhor, Luca, embora ele tenha um jeito meio... explosivo de demonstrar — eu disse, aproximando-me e colocando a mão em seu ombro. — Ele te ama muito. Só está preocupado.
— Ele quer que eu seja um clone dele. Um médico perfeito, rico e cheio de classe — Luca deu de ombros, mas não afastou minha mão. — Mas eu não sou ele.
— Eu sei que não. E ele vai entender isso com o tempo. Tente dar um passo de cada vez, está bem? Estude um pouco hoje, só para ele ver que você está se esforçando.
Ele assentiu vagamente. Saí do quarto sentindo que tinha plantado uma sementinha de paz. Fui até o quarto de hóspedes que Erick sempre deixava reservado para mim e comecei a me preparar para a noite. Tomei um banho rápido e vesti o vestido que tinha escolhido: um modelo de seda azul-marinho, colado ao corpo, com alças finas e um decote generoso, mas elegante. Deixei meus cabelos castanhos soltos, caindo em ondas sobre os ombros, e caprichei no batom rosado.
Quando desci as escadas, Erick estava parado no pé dos degraus. Ele já havia trocado de roupa e usava um terno cinza-chumbo feito sob medida, sem gravata, com a camisa levemente aberta no colarinho. No momento em que seus olhos encontraram os meus, ele paralisou. O olhar dele percorreu cada centímetro do meu corpo, descendo pelas minhas curvas moldadas pelo tecido fino e parando nas minhas pernas.
— Meu Deus, Cecília... — ele murmurou, a voz subitamente rouca. — Eu achei que era impossível você ficar mais bonita, mas eu estava redondamente enganado.
— Você gostou? — perguntei, sentindo a timidez típica aflorar, mas sustentando o olhar.
— "Gostou" é uma palavra muito pálida — ele deu um passo à frente, vindo ao meu encontro. — Você está deslumbrante. Eu não sei se vou conseguir me concentrar em comer qualquer coisa hoje à noite olhando para você desse jeito.
Ele me ofereceu o braço e saímos. O restaurante escolhido era um dos mais exclusivos da cidade, um lugar com luz difusa, música de piano ambiente e uma vista deslumbrante da metrópole. Durante todo o trajeto e o início do jantar, Erick foi o epítome da classe. Ele falava de seus casos no hospital, de seus planos para a fundação de caridade e me ouvia atentamente falar sobre as novas coleções da minha loja.
No entanto, à medida que o vinho era servido e a noite avançava, notei uma mudança na sua energia. Ele começou a se inclinar mais em minha direção. Seus olhos castanhos, geralmente tão controlados, agora brilhavam com uma intensidade que eu conhecia bem. Era desejo puro, cru, mal disfarçado pela etiqueta de berço.
— Você está me deixando louco hoje, sabia? — ele sussurrou, enquanto esperávamos a sobremesa.
Ele se aproximou, fingindo ajustar algo no meu colar, mas aproveitou para inspirar profundamente no meu pescoço. O calor da respiração dele contra a minha pele me fez estremecer.
— Erick... estamos em público — eu disse, num sussurro trêmulo.
— Eu sei. E é a única coisa que está me impedindo de te beijar agora mesmo — ele roçou os lábios na minha orelha, sua voz descendo para um tom perigosamente baixo. — Cecília, eu nunca senti isso com mulher nenhuma. Nem na faculdade, nem depois. É uma urgência... um fogo que eu não consigo apagar.
Senti a mão dele por baixo da mesa, encontrando a minha coxa. O toque era possessivo, a palma da mão quente pressionando contra a seda do vestido.
— Eu estou com o pau duro, linda — ele confessou no meu ouvido, sem rodeios, a classe dando lugar a uma honestidade carnal que me deixou em choque e, simultaneamente, em chamas. — E a culpa é toda sua e desse vestido que não me deixa parar de imaginar o que tem por baixo.
Eu perdi o fôlego. O Erick cavalheiro, o médico respeitado, estava ali me dizendo obscenidades com a voz mais aveludada do mundo. Eu não conseguia responder, apenas olhava para ele, sentindo meu próprio corpo reagir àquela confissão.
— Vamos embora — ele disse, a voz quase um comando. — Agora.
Ele pagou a conta com uma rapidez impaciente e me guiou para fora. No elevador e no caminho até o carro, ele não me soltou. Assim que entramos no veículo e ele deu a partida, o clima ficou ainda mais denso. Erick dirigia com uma mão no volante, enquanto a outra permanecia firmemente apertada na minha perna, subindo o máximo que o vestido permitia.
— Me desculpa — ele disse, mordendo o lábio inferior com força enquanto seus olhos desviavam rapidamente para o meu decote em um sinal vermelho. — Me desculpa, Cecília, eu estou tentando manter a compostura, mas eu não consigo me controlar perto de você. Você é doce, é educada, é perfeita... e tudo o que eu quero é te despentear inteira.
— Erick, as crianças... — tentei dizer, embora meu desejo estivesse tão alto quanto o dele.
— Eles estão dormindo na minha casa com a babá, lembra? — ele disse, acelerando. — Eu vou te levar para a sua casa. Quero você só para mim, sem interrupções, sem o Luca, sem ninguém.
O trajeto até meu apartamento pareceu durar uma eternidade e, ao mesmo tempo, segundos. Assim que ele estacionou na minha vaga e desligou o motor, o silêncio do carro foi preenchido apenas pela nossa respiração pesada. Erick se virou para mim, seus olhos escuros como a noite.
— Eu não aguento mais nem um segundo — ele murmurou.
Saímos do carro e entramos no elevador do meu prédio. No momento em que as portas se fecharam, ele me prensou contra a parede espelhada. Suas mãos envolveram meu rosto e ele me beijou com uma fome que me pegou de surpresa. Não era o beijo contido de antes; era desesperado, profundo, explorador. Minhas mãos foram direto para os cabelos dele, puxando-o para mais perto, enquanto eu sentia a dureza do seu corpo contra o meu.
— Minha chave... — eu disse entre beijos, quando chegamos à minha porta.
Eu mal consegui girar a chave antes de ele me empurrar para dentro, fechando a porta com o pé. O hall de entrada estava escuro, iluminado apenas pela luz que vinha da rua através das janelas da sala, mas não precisávamos de luz.
Erick me puxou para seus braços novamente, suas mãos descendo para o zíper invisível nas minhas costas. Eu sentia a urgência em cada movimento dele, o desespero de um homem que passou a noite inteira contendo um vulcão.
— Você não tem ideia do quanto eu esperei por isso — ele disse, a voz falhando enquanto o vestido deslizava pelos meus ombros e caía no chão.
Ele recuou apenas um centímetro para me olhar, e o que vi em seus olhos não era apenas luxúria, mas uma adoração profunda. Ele se ajoelhou à minha frente, beijando a pele da minha barriga, subindo as mãos para as minhas coxas, enquanto eu soltava um gemido baixo, entregue àquele momento.
— Você é minha, Cecília — ele afirmou, olhando para cima, as mãos firmes na minha cintura. — Hoje, amanhã e sempre.
Eu me inclinei, puxando-o para cima para que nossos lábios se encontrassem novamente. A timidez tinha ficado do lado de fora da porta. Ali, entre as paredes do meu refúgio, eu não era apenas a dona de loja educada ou a mãe do Pietro; eu era a mulher que desejava Erick Mancini com a mesma intensidade com que ele me desejava. E aquela noite estava apenas começando.