Party
O Labirinto de Prazer e Poder
O ar no Quarto do Líder estava tão denso que parecia possível cortá-lo com uma faca. O som abafado do bumbo do funk, vindo lá de fora, servia apenas como uma batida rítmica para o que acontecia entre aquelas quatro paredes. Milena não estava para brincadeira. A postura de "dona da casa" que ela sustentava no jardim tinha se transformado em algo muito mais visceral e autoritário ali dentro.
— Você achou que ia ser fácil, não foi, Ana Paula? — Milena sibilou, apertando os dedos entre os fios loiros da outra, mantendo o rosto de Ana pressionado contra sua intimidade de forma impiedosa. — Achou que era só chegar aqui, dar esse seu show de marra e eu ia cair nos seus braços como as outras?
Ana Paula tentou responder, mas sua voz saiu abafada contra o tecido do short de Milena. Ela sentia o calor pulsante da morena, o cheiro de pele excitada misturado ao perfume caro que Milena passara antes da festa. Longe de se sentir intimidada, a loira sentia uma onda de adrenalina. Ela gostava do desafio. Gostava de ser testada.
— Eu não acho... eu tenho certeza — Ana Paula conseguiu dizer, após desvencilhar a boca por um segundo, os olhos brilhando com uma malícia indomável. — Eu sei exatamente o que você quer, Milena. Você quer que eu mostre que sou melhor que aquela amadora da Samira. E eu vou te fazer esquecer até o próprio nome.
Milena soltou uma gargalhada curta e seca, uma risada que carregava todo o deboche de quem sabia que tinha o controle da situação.
— Então para de latir e morde, cachorra — Milena ordenou, empurrando o quadril para frente, esfregando-se com força contra o rosto de Ana. — Me mostra essa língua que você diz ser milagrosa. Se eu sentir um pingo de hesitação, eu levanto daqui e volto pra pista pra terminar de dançar com a Samira. Ela pode ser "básica", mas pelo menos ela sabe o lugar dela.
Ouvir o nome de Samira novamente foi como jogar gasolina em uma fogueira. Ana Paula rosnou baixo, um som que vibrou na garganta e foi sentido diretamente por Milena. Sem mais palavras, Ana envolveu as coxas de Milena com os braços, puxando-a para que não houvesse um milímetro de espaço entre elas. Ela começou a usar a língua com uma ferocidade técnica, traçando a linha da costura do short com uma precisão cirúrgica, focando exatamente onde sabia que a sensibilidade de Milena estava no ápice.
Milena inclinou a cabeça para trás, os olhos fechando-se por um breve momento antes de ela se forçar a manter o controle. Ela não queria entregar o ouro tão cedo. Ela queria que Ana Paula trabalhasse, que suasse, que provasse seu valor.
— Isso... — Milena murmurou, a voz perdendo um pouco da firmeza. — Mas eu quero sentir sua pele, Ana. Chega de pano.
Com um movimento ágil, Milena se afastou apenas o suficiente para descer o shortinho de lycra, jogando-o em algum canto do quarto luxuoso. Ela ficou apenas de calcinha, uma peça minúscula que não escondia quase nada da sua anatomia perfeita. Ela voltou a se posicionar sobre Ana Paula, mas desta vez, a barreira era quase inexistente.
— Agora — disse Milena, a voz rouca, os dedos enterrados novamente no couro cabeludo de Ana. — Sem desculpas. Me prova que a Samira é lixo perto de você.
Ana Paula não precisou de um segundo convite. Ela avançou com uma fome que beirava o desespero, mas mantendo a técnica que a tornara famosa em seu círculo social. Ela não apenas beijava ou lambia; ela conhecia os pontos certos, a pressão exata, o ritmo que fazia o corpo de uma mulher entrar em curto-circuito. Seus dedos subiram pelas pernas de Milena, apertando a carne firme com uma possessividade que dizia "você é minha".
— Sim... meu Deus, Ana... — Milena arqueou as costas, a marra começando a desmoronar diante da habilidade da loira.
— Quem é a melhor, Milena? — Ana Paula perguntou, parando por um segundo apenas para torturá-la, olhando-a de baixo para cima com um sorriso vitorioso. — Quem é que sabe exatamente onde te tocar?
Milena respirou fundo, tentando recuperar a postura de dominância, embora suas pernas estivessem tremendo visivelmente.
— Você é muito convencida... — Milena ofegou, puxando o cabelo de Ana com mais força, obrigando-a a olhar em seus olhos. — Mas não para. Se você parar, eu juro que te coloco no paredão desta casa e da minha vida. Continua, faz o seu trabalho.
Ana Paula riu, um som abafado de satisfação, e mergulhou novamente. O Quarto do Líder parecia pequeno demais para a eletricidade que as duas geravam. Ana usava a ponta da língua para provocar, antes de usar a boca inteira em movimentos longos e profundos que arrancavam gemidos cada vez mais altos de Milena. A morena, por sua vez, não facilitava; ela guiava a cabeça de Ana, ditando o ritmo, tratando-a com uma mistura de carinho bruto e autoridade.
— Você gosta disso, não gosta? — Milena provocou, a voz entrecortada. — Gosta de ficar aí embaixo, servindo a sua rainha... Tratada como a cachorra que você é quando está com ciúmes.
— Eu gosto de ganhar — rebateu Ana Paula, entre uma investida e outra. — E eu estou ganhando agora. Olha pra você, Milena... Você está derretendo na minha mão. A Samira nunca chegaria nem perto disso.
Milena sentiu o ápice se aproximar, uma onda de calor que começava nos dedos dos pés e subia de forma incontrolável. Ela apertou os ombros de Ana Paula, as unhas cravando levemente na pele da loira.
— Cala a boca... e termina logo... — Milena ordenou, a voz falhando completamente. — Me mostra... me mostra que você é a dona dessa porra toda...
Ana Paula entendeu o comando. Ela intensificou o ritmo, ignorando o cansaço nos maxilares, focada inteiramente no prazer da mulher acima dela. Ela queria marcar Milena, queria que aquele momento ficasse gravado na mente da morena de tal forma que qualquer outra interação na casa parecesse pálida e sem vida.
Quando o orgasmo finalmente atingiu Milena, foi como uma explosão. Ela gritou o nome de Ana Paula, o corpo esticando-se antes de desabar sobre a loira, a respiração pesada e descompassada ecoando no quarto silencioso.
Por alguns minutos, nenhuma das duas disse nada. O silêncio era preenchido apenas pelo som das respirações recuperando o fôlego. Milena ainda estava sobre Ana, o rosto enterrado no pescoço da loira.
— E então? — Ana Paula sussurrou, a voz carregada de uma satisfação arrogante. — Ainda acha que eu sou só gogó? Ainda quer voltar pra pista e dançar com a Samira?
Milena levantou o rosto, os olhos ainda um pouco nublados pelo prazer, mas a centelha de marra já estava voltando. Ela deu um tapinha leve no rosto de Ana, um gesto de "recompensa" que mantinha a hierarquia que ela tanto gostava de estabelecer.
— Você até que serve para alguma coisa, loira — Milena disse, com um sorriso de canto, recuperando sua voz autoritária. — Mas não deixa isso subir à cabeça. Amanhã é outro dia, e eu ainda sou a dona do jogo aqui dentro.
Ana Paula puxou Milena para um beijo intenso, um beijo que selava o pacto silencioso de rivalidade e desejo que as unia.
— Pode ser a dona do jogo, Milena — Ana murmurou contra os lábios dela —, mas aqui no quarto, você sabe quem manda na sua satisfação.
Milena riu, saindo de cima de Ana e sentando-se na cama, observando a loira com um olhar apreciativo.
— Vai se limpar, cachorra — Milena disse, jogando uma toalha na direção de Ana. — A festa ainda não acabou, e eu quero ver se você consegue manter essa pose de vitoriosa lá embaixo, na frente de todo mundo, sabendo o que a gente acabou de fazer aqui.
Ana Paula pegou a toalha, levantando-se com a elegância de quem sabia que tinha cumprido sua missão.
— Ah, eu vou manter — Ana disse, piscando para Milena. — E vou adorar ver a cara da Samira quando ela perceber que você não consegue tirar os olhos de mim pelo resto da noite.
Milena apenas balançou a cabeça, escondendo um sorriso. Ela sabia que Ana Paula tinha razão. A "bi festinha" tinha provado que, quando se tratava de prazer, ela não tinha rivais à altura. E Milena, a negra baixinha e marrenta, tinha acabado de encontrar alguém que conseguia domar sua fera interior, mesmo que fosse apenas por uma noite de festa no Big Brother Brasil.
As duas se arrumaram rapidamente, trocando olhares cúmplices que valiam mais do que qualquer conversa. Antes de saírem do quarto, Milena segurou o braço de Ana.
— Só mais uma coisa — Milena disse, a voz baixa e séria.
— O que foi? — perguntou Ana.
— Se eu te vir olhando demais para qualquer outra pessoa naquela pista... a punição vai ser bem pior do que ficar aqui em cima me servindo. Entendido?
Ana Paula sorriu, sentindo um arrepio de antecipação.
— Entendido, patroa.
E, juntas, elas desceram as escadas, voltando para o barulho e as luzes da festa, prontas para jogar o jogo — tanto o do programa quanto o delas, que estava apenas começando a ficar interessante.