pheromones on the surface of the skin
O Sangue e o Ouro: A Promessa da Lua
A mansão de Lookmhee Punyapat sempre foi um lugar de silêncio absoluto e sombras alongadas, um reflexo perfeito de sua dona. Com mais de mil anos de existência, a vampira havia aprendido que o mundo era barulhento e caótico demais, preferindo a reclusão de suas paredes de mármore e a frieza de sua própria imortalidade. No entanto, aquele silêncio havia sido quebrado há dois anos, quando uma loba hiperativa de olhos dourados entrou em sua vida, transformando a escuridão em um festival de cores e gastos excessivos no cartão de crédito.
Lookmhee estava sentada em sua poltrona de couro, observando as chamas da lareira com seus olhos vermelhos como sangue. Ela era a definição de autoridade e arrogância; para o resto do mundo, era uma predadora letal que não hesitaria em drenar qualquer um que ousasse cruzar seu caminho. Mas, no momento em que ouviu o ganido baixo vindo do andar de cima, sua postura rígida vacilou.
A atmosfera na casa havia mudado nas últimas horas. O cheiro de Sonya, que normalmente remetia a baunilha e floresta fresca, agora estava carregado, denso e inebriante. Era o cheiro do primeiro cio de uma loba jovem.
— Lookmhee... — A voz de Sonya soou do topo da escada, mas não era o tom alegre e energético de costume. Estava arrastada, carregada de uma necessidade que fez os instintos possessivos da vampira entrarem em alerta máximo.
Lookmhee levantou-se em um movimento fluido, quase instantâneo, e em um piscar de olhos estava na base da escada. Sonya estava agarrada ao corrimão, suas orelhinhas castanhas abaixadas contra a cabeça e a cauda movendo-se de forma errática. Seus olhos dourados brilhavam com uma intensidade febril.
— Estou aqui, pequena loba — disse Lookmhee, sua voz um barítono calmo que apenas Sonya tinha o privilégio de ouvir com doçura.
A vampira subiu os degraus e envolveu a cintura de Sonya, sentindo o calor emanando do corpo da namorada. Para um ser gelado como Lookmhee, aquele calor era como um sol particular. Sonya afundou o rosto no pescoço da vampira, inalando o perfume gélido e metálico que tanto amava.
— Dói... — murmurou Sonya, as mãos pequenas apertando a camisa de seda preta de Lookmhee. — Tudo queima, Mhee. Eu quero... eu preciso de você.
Lookmhee rosnou baixo, um som territorialista que vibrou em seu peito. Ela odiava ver Sonya em desconforto, mas a parte mais sombria e possessiva de sua alma vibrava com a ideia de que ela era a única solução para o problema da loba.
— Eu sei, meu amor. Eu vou cuidar de você — Lookmhee a pegou no colo com facilidade, carregando-a em direção ao quarto principal. — Você sabe o que isso significa, não sabe? Se fizermos isso hoje, se eu te marcar... você será minha por toda a eternidade. Nenhum outro lobo, nenhum outro ser poderá sequer olhar para você sem sentir o meu rastro.
Sonya soltou um riso fraco, mas determinado, apesar da respiração ofegante.
— Eu já gasto todo o seu dinheiro e te obrigo a ir ao shopping comigo todos os finais de semana — Sonya olhou fixamente nos olhos vermelhos da namorada. — Você acha que eu quero ser de mais alguém? Eu sou sua, Mhee. Me marca logo.
Ao entrarem no quarto, Lookmhee depositou Sonya delicadamente sobre os lençóis de cetim. A luz da lua entrava pela janela imensa, iluminando a pele bronzeada da loba e o contraste com a palidez cadavérica da vampira. Sonya estava inquieta, movendo os quadris de forma inconsciente, o instinto animal assumindo o controle sobre sua razão de vinte e dois anos.
— Você está muito quente — comentou Lookmhee, acariciando o rosto de Sonya com as costas da mão fria. — O seu sangue está correndo tão rápido que eu consigo ouvir o ritmo daqui.
— Então pare de ouvir e sinta — rebateu Sonya, puxando a vampira para cima de si com uma força surpreendente para alguém tão pequena. — Eu não aguento mais essa distância.
Lookmhee permitiu que a arrogância que mostrava ao mundo caísse por completo. Ali, sob o peso do desejo de Sonya, ela era apenas uma serva daquela pequena criatura solar. Ela se inclinou, distribuindo beijos lentos e possessivos pelo pescoço da loba, sentindo a pulsação frenética contra seus lábios.
— Você é tão barulhenta, Sonya — sussurrou a vampira contra a pele quente. — Até suas emoções gritam.
— E você é tão silenciosa — Sonya arqueou as costas quando os dentes de Lookmhee roçaram levemente sua pele. — Mas eu sei o quanto você me quer. Eu sinto o seu ciúme toda vez que alguém me cumprimenta na rua.
— Eles não deveriam olhar para o que é meu — Lookmhee admitiu, a voz ficando mais rouca. — Eu tenho vontade de arrancar os olhos de cada humano que sorri para você.
— Boba... — Sonya riu, um som entrecortado por um gemido de necessidade. — Eles não importam. Só você importa. Por favor, Mhee... agora.
A vampira não precisou de mais nenhum incentivo. Seus olhos brilharam em um vermelho escarlate profundo enquanto suas presas se projetavam. Ela posicionou-se sobre a glândula de odor de Sonya, onde o cheiro da loba era mais concentrado e doce. O cio de Sonya clamava por uma união definitiva, e Lookmhee estava mais do que disposta a reivindicar seu território.
— Isso vai mudar tudo, Sonya — avisou Lookmhee uma última vez, sua natureza protetora lutando contra o desejo voraz. — Você terá a marca de uma morta-viva em sua alma.
— É a marca da mulher que eu amo — Sonya envolveu o pescoço de Lookmhee com os braços, puxando-a para baixo. — Me faz sua. Para sempre.
Com um movimento preciso e carregado de uma possessividade milenar, Lookmhee cravou suas presas no ombro de Sonya. A loba soltou um grito que não era de dor, mas de puro êxtase e alívio. O veneno vampírico misturou-se ao sangue fervente da loba, criando um elo que transcendia o físico. Naquele momento, as almas delas se entrelaçaram; o gelo e o fogo encontraram um equilíbrio perfeito.
Sonya sentiu uma onda de frio percorrer suas veias, acalmando o incêndio do cio, enquanto Lookmhee bebia não apenas o sangue, mas a própria essência da vitalidade de sua namorada. A vampira sentiu-se mais viva do que em séculos. Cada batida do coração de Sonya agora ecoava dentro da mente de Lookmhee.
Quando Lookmhee finalmente se afastou, seus lábios estavam manchados de carmim e seus olhos refletiam uma satisfação selvagem. No ombro de Sonya, uma marca permanente, em formato de meia-lua entrelaçada com presas, brilhava levemente antes de se assentar na pele.
A loba ofegava, os olhos dourados agora levemente nublados pelo prazer, a cauda balançando devagar em um ritmo de puro contentamento.
— Mhee... — sussurrou Sonya, esticando a mão para tocar o rosto da vampira. — Eu consigo sentir você. Aqui dentro.
— Eu nunca vou sair, pequena loba — Lookmhee lambeu o canto da boca, sua expressão voltando à calma habitual, mas com um brilho de adoração que guardava apenas para aquela garota. — Agora o mundo inteiro saberá a quem você pertence.
Sonya sorriu, a energia hiperativa começando a retornar aos poucos agora que a agonia do cio havia sido substituída pela conexão da marca.
— Isso significa que eu posso usar o seu cartão preto para comprar aquela bolsa de edição limitada amanhã? — perguntou ela, com uma faísca de travessura nos olhos. — Como uma recompensa por eu ter sido tão corajosa?
Lookmhee soltou um suspiro longo, mas um pequeno sorriso de canto de boca apareceu em seu rosto pálido.
— Você acabou de ser marcada por uma das vampiras mais antigas da existência e já está pensando em acessórios de luxo?
— É claro! — Sonya se sentou na cama, as orelhinhas em pé. — Uma loba marcada por Lookmhee Punyapat precisa estar à altura da arrogância da namorada, não acha?
Lookmhee revirou os olhos, mas puxou Sonya para um abraço apertado, sentindo o cheiro da loba agora misturado ao seu próprio. A possessividade em seu peito se acalmou, substituída por uma paz que ela só encontrava ali.
— Você pode comprar o shopping inteiro se quiser, Sonya. Desde que volte para casa para mim todas as noites.
— Eu sempre volto — Sonya beijou a ponta do nariz de Lookmhee. — Onde mais eu encontraria uma vampira tão mandona e ciumenta que me deixa gastar rios de dinheiro?
— Você é impossível — murmurou Lookmhee, embora seus braços a apertassem com mais força.
— E você é minha — rebateu Sonya, deitando a cabeça no peito da vampira, ouvindo o silêncio que agora não era mais vazio, mas preenchido pelo som de sua própria respiração e pela segurança de um amor eterno.
A noite continuou lá fora, fria e indiferente, mas dentro daquele quarto, a loba e a vampira celebraram a união de seus mundos opostos. Sonya adormeceu pouco depois, exausta pelas emoções do dia, enquanto Lookmhee permaneceu acordada, vigiando o sono de sua preciosa companheira. Ela observou a marca no ombro de Sonya com orgulho.
Ninguém a tocaria. Ninguém a machucaria.
Porque Sonya Saranphat era o sol que iluminava a eternidade sombria de Lookmhee, e agora, o sangue e o ouro estavam selados para sempre.
— Durma bem, minha pequena — sussurrou a vampira, depositando um beijo suave na testa da loba. — Amanhã, o shopping é todo seu. Mas hoje... você é apenas minha.
E no silêncio da mansão, pela primeira vez em mil anos, Lookmhee Punyapat não se sentiu sozinha. Ela estava completa.