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Photoshoot

Lentes e Rendas

O estúdio fotográfico no centro de Richmond estava impregnado com o cheiro de café forte e o som ambiente de uma playlist de lo-fi que Noah reconheceria em qualquer lugar. Ele estava sentado em um sofá de couro desgastado, com as pernas longas esticadas e os olhos focados na tela do seu Nintendo Switch. Para qualquer pessoa de fora, Noah Sebastian parecia o epítome da calma: o vocalista do Bad Omens, com sua estrutura imponente de 1,92m, ombros largos que preenchiam o espaço e aquela aura reservada que o tornava um enigma para muitos.

— Noah, sério, você não precisava ter vindo se ia ficar grudado nesse videogame — Nina gritou do fundo do camarim, sua voz carregada de um tom brincalhão que sempre o fazia sorrir.

— Eu prometi que vinha, não prometi? — Noah respondeu sem desviar os olhos da tela, onde um combate intenso de Naruto acontecia. — Além disso, eu sou seu apoio moral oficial. Se a fotógrafa for chata, eu faço minha cara de "vocalista de metal mal-humorado" e ela se assusta.

Nina soltou uma risada alta, um som que Noah secretamente considerava sua melodia favorita, superando qualquer riff de guitarra que já tivesse escrito. Eles eram melhores amigos há anos. Compartilhavam palcos, turnês, segredos e uma tensão silenciosa que pairava entre eles como eletricidade estática antes de uma tempestade. Noah sempre soube que sentia algo mais, mas a preservação da amizade — e sua própria timidez inerente — sempre o mantiveram a uma distância segura.

— Bom, espero que seu apoio moral inclua não ter um ataque cardíaco — disse Elena, a dona da marca de roupas e amiga de longa data de Nina, saindo do camarim com uma prancheta. — Porque o conceito mudou um pouco, Noah.

Noah finalmente desligou o Switch e franziu o cenho, a franja "curtains" caindo levemente sobre seus olhos castanhos de traços asiáticos.

— Mudou como? Achei que eram roupas de streetwear.

— A coleção de inverno atrasou na alfândega — Elena explicou com um sorriso travesso. — Então decidimos antecipar o lançamento da "Obsidian Rose". Lingerie de luxo.

Noah sentiu o ar escapar de seus pulmões por um segundo. Ele pigarreou, tentando manter a compostura, mas seus dedos apertaram o console com um pouco mais de força.

— Ah. Entendi. Tudo bem.

— "Tudo bem"? — Nina apareceu na abertura da cortina do camarim, e o mundo de Noah Sebastian simplesmente parou de girar.

Ela estava deslumbrante. Nina, com seus 27 anos e aquela confiança que só uma mulher que domina os palcos de metal possui, vestia um conjunto de renda preta profunda que contrastava violentamente com sua pele clara e os cabelos curtos, de um ruivo vibrante. A peça abraçava suas curvas de forma impecável, mostrando que ela estava perfeitamente confortável em sua própria pele.

Noah sentiu o sangue subir para o rosto. Ele tentou dizer algo, mas sua voz falhou. Ele rapidamente agarrou uma almofada decorativa que estava ao seu lado no sofá e a colocou sobre o colo, fingindo que estava apenas se ajeitando.

— Uau — foi tudo o que ele conseguiu articular, a voz uma oitava mais grave do que o normal.

— Só "uau", Sebastian? — Nina desfilou até o centro do estúdio, os saltos estalando no chão de madeira. Ela parou na frente dele, colocando as mãos nos quadris, uma expressão de pura diversão no rosto. — Eu achei que você teria críticas técnicas mais elaboradas.

— Eu... eu acho que a iluminação está boa — Noah gaguejou, desviando o olhar para o teto, para as câmeras, para qualquer lugar que não fossem as pernas torneadas de sua melhor amiga.

— A iluminação? — Ela riu, aproximando-se mais. — Olha para mim, Noah. Ficou bom ou não?

Noah finalmente cedeu e olhou. Ele percorreu o corpo dela com os olhos, notando como a renda delicada parecia uma moldura para a força que ela emanava. Ele engoliu em seco, sentindo o suor frio nas palmas das mãos. O desejo que ele vinha reprimindo há meses — talvez anos — explodiu em seu peito como um refrão de uma música pesada. Ele queria levantar dali, envolver a cintura dela com seus braços tatuados e mostrar exatamente o quanto ela estava "boa".

— Você está incrível, Nina — ele disse, sua voz agora firme, mas carregada de uma intensidade que a fez hesitar por um segundo. — Realmente incrível.

— Ótimo! — Elena interrompeu, batendo palmas. — Nina, para o fundo infinito. Noah, tente não babar no meu sofá novo, por favor.

O ensaio começou e Noah descobriu que o inferno tinha um endereço fixo. Ver Nina posar, movendo-se com uma graça natural e uma sensualidade que ela parecia nem perceber que possuía, era uma tortura refinada. A cada clique da câmera, ela mudava de ângulo, arqueando as costas ou passando a mão pelos cabelos ruivos, e Noah sentia que estava prestes a perder o controle.

Ele se sentia pequeno no sofá, apesar de seu tamanho. Sua mente, normalmente focada em letras de músicas e estratégias de marketing, agora estava perdida em fantasias que envolviam as mãos dele traçando o caminho daquelas rendas. Ele apertava a almofada contra o colo com tanta força que temia rasgar o tecido.

Em um intervalo para troca de figurino, Nina voltou para perto dele, usando apenas um robe de seda entreaberto sobre um novo conjunto, desta vez em um tom de vermelho sangue que combinava perfeitamente com seu cabelo.

— Você está muito quieto — ela comentou, sentando-se no braço do sofá, perigosamente perto dele. — O que foi? O chefe da vila da folha está com problemas?

Noah soltou um suspiro pesado, fechando os olhos por um momento para tentar se acalmar.

— Você está fazendo isso de propósito, não está?

— Isso o quê? — Nina perguntou com uma inocência fingida, inclinando-se para frente. O perfume dela, uma mistura de baunilha e algo metálico que ele sempre associava a ela, invadiu seus sentidos.

— Me deixando louco — ele sussurrou, abrindo os olhos. O olhar de Noah era predatório, a timidez dando lugar a uma fome crua que ele não conseguia mais esconder. — Você sabe exatamente o que está fazendo, Nina.

Ela sorriu, um sorriso pequeno e vitorioso.

— Talvez eu saiba. E talvez eu queira ver até onde vai a sua paciência, Sebastian.

— Ela acabou de chegar no limite — ele respondeu, a voz rouca.

Nina se levantou, dando uma voltinha e deixando o robe escorregar levemente pelos ombros, revelando mais da peça vermelha.

— O que você achou dessa? — Ela perguntou, desfilando um pouco para longe e depois voltando, parando bem entre as pernas esticadas dele. — A cor favorece o meu tom de pele?

Noah sentiu que poderia subir pelas paredes. Ele soltou a almofada por um segundo, as mãos tatuadas coçando para tocá-la, mas ele as manteve firmes no sofá.

— Nina, se você não parar, eu vou ser obrigado a carregar você daqui agora mesmo e o ensaio da Elena vai terminar mais cedo.

— Isso é uma promessa ou uma ameaça? — Ela provocou, os olhos brilhando de antecipação.

— É um aviso — Noah disse, levantando-se lentamente. Quando ele ficava de pé, sua altura era realmente intimidadora. Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles até que Nina tivesse que inclinar a cabeça para trás para encará-lo. — Eu passei os últimos três anos tentando ser o melhor amigo perfeito. Tentando não estragar as coisas porque você é importante demais para mim.

Nina perdeu um pouco da pose provocativa, a respiração ficando mais curta enquanto sentia o calor emanando do corpo dele.

— E agora? — Ela perguntou em um sussurro.

— E agora eu estou vendo você nessa roupa, sendo essa mulher poderosa que você é, e eu percebi que sou um idiota por esperar tanto tempo — Noah levou a mão ao rosto dela, o polegar traçando o lábio inferior grosso dela. — Eu quero você. E não é só por causa da lingerie.

— Eu também quero você, Noah. Há muito tempo — ela confessou, a voz falhando. — Eu só achei que você me via apenas como "um dos caras".

Noah soltou uma risada curta e sem humor, seus olhos castanhos fixos nos dela.

— Acredite em mim, não tem nada em você que me faça pensar em "um dos caras".

— Nina! Próximo set! — Elena gritou do outro lado do estúdio.

Nina estremeceu com o chamado, mas não desviou o olhar de Noah.

— Eu tenho que ir.

— Eu sei — Noah disse, aproximando-se do ouvido dela, sua barba rala roçando a pele sensível do pescoço de Nina. — Mas quando terminarmos aqui, você não vai a lugar nenhum sem mim. E eu vou tirar cada pedaço dessa renda com muito mais calma do que a Elena gostaria.

Nina sentiu um arrepio percorrer toda a sua espinha. Ela se afastou, recuperando a postura, mas com um sorriso que prometia muito mais do que apenas fotos bonitas.

— Então é melhor você se preparar, Sebastian. Porque eu não pretendo facilitar para você.

Ela voltou para o centro do estúdio com um rebolado ainda mais acentuado, deixando Noah parado ali, tentando desesperadamente controlar sua respiração. Ele voltou para o sofá, pegou a almofada novamente e a colocou sobre o colo com um suspiro derrotado.

— É — ele resmungou para si mesmo, pegando o Switch com as mãos levemente trêmulas. — Definitivamente vou precisar de muito jiu-jitsu para gastar essa energia depois.

O resto do ensaio foi um borrão de flashes, poses e trocas de olhares carregadas de promessas. Noah não conseguia mais se concentrar no jogo. Cada movimento de Nina era uma nota em uma sinfonia que ele estava ansioso para reger. Ele a observava com orgulho e um desejo possessivo que ele nunca soube que possuía com tanta força.

Quando Elena finalmente anunciou o fim da sessão, Noah foi o primeiro a se levantar. Ele não esperou que Nina fosse para o camarim. Ele caminhou até ela, sob o olhar curioso da equipe, e entregou o robe que ela havia deixado cair no chão.

— Ótimo trabalho, Nina — Elena disse, guardando o equipamento. — As fotos ficaram surreais. Você estava em chamas.

— Ela estava mesmo — Noah concordou, sua mão descansando pesadamente na base das costas de Nina, um gesto de posse que não passou despercebido por ninguém.

— Bom, eu vou me trocar — Nina disse, olhando para Noah com um desafio silencioso.

— Eu te espero no carro — ele respondeu, a voz baixa e carregada. — E não demore. Minha paciência realmente acabou.

Nina piscou para ele e desapareceu atrás das cortinas. Noah se despediu de Elena com um aceno rápido e saiu para o ar fresco da noite de Richmond. Ele encostou-se no seu carro, olhando para o céu estrelado, tentando acalmar o batimento acelerado de seu coração.

Ele sabia que, a partir daquela noite, nada seria igual entre eles. A amizade havia atingido o ponto de ebulição, e a transformação era inevitável. E enquanto esperava pela mulher ruiva que havia acabado de virar seu mundo de cabeça para baixo, Noah Sebastian só conseguia pensar em uma coisa: a música que eles criariam juntos seria, sem dúvida, a sua maior obra-prima.

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