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Problema em dobro

Entre Cloro, Chocolate e Confissões

O flash das câmeras era quase tão irritante quanto a voz estridente de Luna Lee. O evento de gala da Federação de Luta estava lotado, e o ar estava pesado com a mistura de perfumes caros e feromônios competitivos. Namjoon, escondido sob a persona de "RM", ajustava o colarinho do terno que parecia apertado demais para seus ombros largos. Ele odiava cada segundo daquilo. O dinheiro era a única coisa que o mantinha ali, a promessa de que, em breve, ele e Jungkook teriam uma casa própria, longe da precariedade e dos olhares de julgamento.

— Você realmente acha que pertence a este lugar? — A voz de Luna surgiu atrás dele, carregada de veneno. — Um lutador sem cheiro, um erro da natureza. Você é apenas um acessório para o brilho do meu Jin.

Namjoon se virou lentamente. Seus olhos, geralmente calmos, brilharam com uma faísca de fúria contida. Ele não era de levar desaforo para casa, e Luna estava testando o limite de sua paciência há dias.

— "Seu" Jin? — Namjoon soltou uma risada anasalada, curta e seca. — Pelo que eu saiba, ele te chutou faz tempo. E, honestamente, olhando de perto, entendo o motivo. O cheiro de marshmallow é doce demais, mas sua alma fede a podridão.

A expressão de Luna se transformou em uma máscara de ódio. Sem aviso, ela avançou, as unhas bem feitas indo direto para o rosto de Namjoon.

— Seu maldito! — gritou ela, perdendo toda a compostura de "queridinha da mídia".

Namjoon não recuou. Ele segurou o pulso dela no ar, mas Luna era baixa e rápida para trapacear. Ela se jogou contra ele, puxando seu cabelo com força, e o caos se instalou. Entre empurrões, xingamentos e puxões, os dois acabaram na beira da piscina decorativa do salão. Em um movimento desajeitado de Luna para tentar empurrá-lo, ambos perderam o equilíbrio.

O impacto com a água gelada foi um choque. Namjoon sentiu o pânico subir pela garganta instantaneamente. O peso das roupas sociais o puxava para baixo, e a percepção aterrorizante de que ele não sabia nadar o paralisou. Ele batia os braços freneticamente, a água invadindo seus pulmões enquanto tentava encontrar a superfície.

De repente, braços fortes envolveram sua cintura. O cheiro de café e canela inundou seus sentidos antes mesmo que ele pudesse raciocinar. Seokjin o puxou para cima, trazendo-o para a borda da piscina com uma urgência que Namjoon nunca tinha visto no Alfa.

— Respira, Namjoon! Eu te peguei! — Seokjin exclamou, ignorando completamente Luna, que saía da água do outro lado, bufando de raiva.

Namjoon se agarrou ao pescoço de Jin como se sua vida dependesse disso, tremendo violentamente. O Alfa Lupus não hesitou; ele o carregou para fora do salão, passando por cima dos murmúrios dos convidados e dos gritos de Luna, direto para o estacionamento.

— Vamos para minha casa — rosnou Jin, sua voz carregada de uma autoridade protetora que fez o lobo interno de Namjoon, geralmente tão rebelde, se encolher e suspirar.

Chegando à cobertura de Jin, o silêncio era interrompido apenas pelo som da chuva lá fora e pelo bater de dentes de Namjoon. Jin o levou até o banheiro principal e entregou uma toalha felpuda.

— Toma um banho quente. Vou pegar umas roupas para você.

Minutos depois, Namjoon saiu do banheiro, envolto apenas em uma camiseta branca de Seokjin. A peça, que ficava perfeita no Alfa, em Namjoon parecia um vestido curto, cobrindo apenas metade de suas coxas. Ele tentava secar o cabelo quando Jin entrou no quarto com uma calça de moletom, mas parou abruptamente.

A camiseta tinha escorregado um pouco, revelando uma cicatriz profunda e antiga no ombro esquerdo de Namjoon. Jin se aproximou, sua expressão suavizando de uma forma que Namjoon nunca tinha visto.

— O que foi isso? — Jin perguntou, a voz rouca, estendendo a mão para tocar a marca.

Namjoon sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Não era apenas o toque. O ar no quarto começou a mudar. O cheiro de morango, que ele tanto lutava para esconder com supressores caros, começou a vazar, doce e inebriante. O calor subiu por seu corpo de forma avassaladora. Ele percebeu tarde demais: o estresse da briga e o choque da água gelada haviam antecipado seu cio.

— Jin... — Namjoon arfou, suas pernas fraquejando. — Eu... eu preciso ir.

— Você não vai a lugar nenhum — Jin sussurrou, o cheiro de café e canela se tornando intenso, dominador.

O Alfa Lupus segurou o rosto de Namjoon, os polegares acariciando suas bochechas. Namjoon, o lutador marrento que não aceitava ser domado, fechou os olhos e se inclinou para o toque. A necessidade era maior que o orgulho.

— Por favor — Namjoon implorou, sem saber exatamente pelo quê.

Jin não esperou mais. Ele selou seus lábios nos de Namjoon em um beijo faminto. Não era o beijo romântico dos filmes; era bruto, possessivo e cheio de uma necessidade acumulada por anos de solidão. Namjoon soltou um gemido baixo, passando os braços pelo pescoço de Jin e puxando-o para mais perto, suas unhas cravando-se nos ombros largos do Alfa.

Jin o pegou no colo com facilidade, levando-o para a cama king-size. A camiseta branca logo foi descartada. O corpo de Namjoon era uma obra de arte de músculos definidos e pele bronzeada, agora tingida por um rubor de desejo.

— Eu vou cuidar de você — Jin prometeu contra a pele do pescoço de Namjoon, deixando uma marca ali que dizia ao mundo a quem o Ômega pertencia.

— Cala a boca e me fode, Jin — Namjoon rosnou, a marra ainda presente mesmo em seu momento de maior vulnerabilidade.

Jin sorriu, aquele sorriso safado que Namjoon secretamente adorava, e atendeu ao pedido. O Alfa foi implacável. Cada investida era profunda, preenchendo Namjoon de uma forma que ele nunca imaginou ser possível. O Ômega se entregou completamente, arqueando as costas, as pernas entrelaçadas na cintura de Jin enquanto recebia cada estocada com gemidos altos e arranhões nas costas do Alfa.

Namjoon não era um Ômega passivo. Ele invertia as posições, sentando-se sobre Jin, ditando o ritmo, cavalgando com uma força que fazia o Alfa rosnar de prazer e surpresa. O quarto estava saturado com a mistura de morango, café e canela, uma combinação perfeita e caótica.

A noite passou em um borrão de suor, prazer e promessas sussurradas entre beijos ardentes. Jin se perdeu na força de Namjoon, e Namjoon se permitiu, pela primeira vez, ser cuidado pela proteção de um Alfa.

...

A luz da manhã entrou pelas cortinas de seda, atingindo o rosto de Seokjin. Ele tentou se mexer, mas soltou um gemido de dor. Suas costas ardiam pelos arranhões, e seus músculos pareciam ter sido atropelados por um caminhão. Namjoon não era um Ômega delicado; ele era um lutador, e tinha usado toda a sua força durante a noite.

Ao seu lado, Namjoon já estava acordado, sentado na beira da cama, enrolado em um lençol. Mas o clima de romance da noite anterior tinha evaporado completamente.

— Onde está o meu chocolate? — Namjoon perguntou, a voz rouca, mas carregada de irritação.

Jin piscou, confuso, tentando processar a mudança repentina.

— O quê? Bom dia para você também, Nam...

— Bom dia o cacete, Seokjin! — Namjoon se virou, e Jin viu que seus olhos estavam marejados. — Eu estou com cólica, meu corpo dói, e se eu não comer uma barra de chocolate com 70% de cacau nos próximos cinco minutos, eu juro que quebro esse seu abajur caro na sua cabeça!

Jin arregalou os olhos. O lutador implacável RM tinha dado lugar a um Namjoon em plena TPM pós-cio, oscilando entre a fúria e o choro.

— Ei, calma... eu vou pedir para trazerem — Jin disse, tentando se levantar, mas soltando outro gemido de dor ao sentir os músculos da lombar protestarem. — Caramba, Namjoon, você quase me quebrou ao meio ontem à noite.

— E você queria o quê? Que eu ficasse parado como uma boneca? — Namjoon bufou, limpando uma lágrima solitária que teimava em cair. — E não reclama! Você adorou que eu sei. Agora anda, eu quero meu chocolate e quero que você me abrace, mas não me toca muito porque eu estou irritado!

Jin soltou uma risada baixa, sentindo o coração aquecer apesar da dor física e do mau humor do outro. Ele se arrastou até Namjoon, puxando-o para um abraço desajeitado por trás.

— Você é impossível, sabia?

— E você é um Alfa muito lento — Namjoon resmungou, mas se inclinou para trás, aceitando o carinho. — Se o chocolate não chegar logo, eu vou morder você de verdade, e não vai ser como ontem.

— Entendido, meu lutador — Jin beijou o ombro dele, exatamente sobre a cicatriz. — Vou providenciar o chocolate e tudo o que você quiser.

Namjoon relaxou por um segundo, o cheiro de morango voltando a ficar suave e calmo. Ele ainda era o lutador RM, ainda era o irmão protetor de Jungkook e o homem que não aceitava ser domado. Mas ali, nos braços de Jin, ele percebeu que talvez, apenas talvez, deixar alguém entrar não fosse uma derrota, mas a maior vitória que ele já conquistou.

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