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Realeza

O Azul de Copenhague e o Ouro de Bucareste

O vento frio do Mar Báltico soprava contra as janelas de vidro duplo do Palácio de Amalienborg, mas dentro do refúgio particular do Príncipe Vincent, o clima era de um verão eterno. Maria estava sentada no parapeito largo da janela, observando os flocos de neve que começavam a cair sobre a estátua equestre na praça lá fora. Ela usava um suéter de lã oversized que, tecnicamente, pertencia a Vincent, e segurava uma xícara de chá que já havia esfriado.

Aos dezesseis anos, a Princesa Maria da Romênia possuía uma elegância que remetia diretamente à sua ancestral e homônima, a Rainha Maria. Seus olhos eram expressivos e carregavam uma maturidade que apenas aqueles nascidos sob o peso de uma coroa poderiam compreender. No entanto, quando Vincent entrou no quarto, essa armadura real simplesmente derreteu.

— Você está perdida nos seus pensamentos de novo — disse Vincent, fechando a porta silenciosamente atrás de si. — Deixe-me adivinhar: está planejando como unificar a Europa ou apenas pensando no jantar?

Maria sorriu, um brilho travesso iluminando seu rosto.

— Estava pensando que este suéter é muito mais confortável em mim do que em você — respondeu ela, estendendo a mão para ele. — E que já faz seis anos desde aquele dia no jardim em Sinaia.

Vincent aproximou-se e segurou a mão dela, entrelaçando seus dedos com naturalidade. Seis anos. Para o mundo exterior, eles eram apenas dois adolescentes de famílias reais proeminentes cujas linhagens se cruzavam em árvores genealógicas complexas. Para eles, porém, o tempo era contado em segredos compartilhados, cartas escondidas em envelopes oficiais e a certeza inabalável de que pertenciam um ao outro desde os dez anos de idade.

— Seis anos e dois meses — corrigiu Vincent, sentando-se no espaço estreito ao lado dela. — Eu ainda me lembro de você tentando me convencer de que os fantasmas do Castelo de Peles eram seus amigos pessoais só para me assustar.

— E funcionou — riu Maria, encostando a cabeça no ombro dele. — Você ficou pálido como um lençol dinamarquês.

— Eu não estava com medo — mentiu ele, embora o sorriso em seus lábios o traísse. — Eu estava apenas... preocupado com a segurança deles se eu decidisse lutar.

Eles ficaram em silêncio por um momento, aproveitando a quietude que raramente lhes era permitida. Ser um príncipe e uma princesa na era das redes sociais e do escrutínio constante significava que cada gesto era analisado. Mas ali, entre as paredes cobertas de fotos de infância e livros de história, eles eram apenas Vincent e Maria.

— Você acha que eles desconfiam? — perguntou Maria, sua voz baixando de tom. — Digo, os jornais. Eles estão começando a notar que eu venho para Copenhague com uma frequência que não se justifica apenas por "visitas diplomáticas de cortesia".

Vincent suspirou, passando a mão pelo cabelo loiro, um gesto que ele sempre fazia quando estava pensativo.

— Meus pais sabem. Os seus também — disse ele. — O resto do mundo... bem, eles podem especular o quanto quiserem. Nós temos dezesseis anos, Maria. De acordo com a internet, nós deveríamos estar mudando de namorado a cada duas semanas, não celebrando um aniversário de seis anos de namoro.

— É que não parece que faz tanto tempo — comentou ela, olhando para o anel discreto de prata em seu dedo, um presente que ele lhe dera quando completaram doze anos. — Às vezes sinto que sempre estivemos assim. Eu não me lembro de como era a vida antes de você ser a pessoa para quem eu mando mensagem quando estou entediada em um banquete oficial.

— Eu me lembro — disse Vincent, virando-se para encará-la. — A vida era muito mais silenciosa. E muito menos interessante.

Ele se inclinou e depositou um beijo suave na testa dela. O perfume de Maria, uma mistura de baunilha e algo que lembrava as florestas da Transilvânia, envolveu-o.

— Maria — chamou ele, mudando o tom de voz para algo mais sério. — Você sabe que o próximo ano será difícil. Com os exames, as viagens oficiais e a pressão para decidirmos nossas universidades...

— Eu sei — interrompeu ela, buscando o olhar dele. — Mas nós sobrevivemos à distância quando tínhamos doze anos e você teve que passar o verão inteiro na Groenlândia. Se conseguimos passar por isso com apenas uma ligação por semana, conseguiremos passar por qualquer coisa.

Vincent sorriu, sentindo uma onda de admiração pela garota à sua frente. Maria tinha a força das montanhas dos Cárpatos em seu espírito.

— Às vezes eu esqueço que você é a pessoa mais corajosa que eu conheço — admitiu ele.

— Só às vezes? — provocou ela, empurrando-o levemente com o ombro. — Vou ter que me esforçar mais para impressionar Sua Alteza Real.

— Você sabe que não precisa — respondeu Vincent, sua expressão suavizando-se completamente. — Você me impressionou no momento em que me desafiou para uma corrida de cavalos e me deixou comendo poeira.

— Você nunca superou isso, não é? — Maria soltou uma risada cristalina.

— Eu era o campeão do meu clube de hipismo! — protestou ele, embora estivesse rindo também. — Como eu poderia saber que a Princesa da Romênia era, na verdade, uma amazona profissional disfarçada?

— Lição número um, Vincent: nunca subestime uma Hohenzollern-Sigmaringen — disse ela com um sotaque propositalmente dramático.

O som de batidas leves na porta interrompeu o momento. Um dos ajudantes de ordens pigarreou do outro lado antes de falar.

— Com licença, Altezas. O jantar será servido em vinte minutos na sala de jantar privada. A Rainha e o Rei aguardam por vocês.

Vincent revirou os olhos levemente, mas levantou-se, oferecendo a mão para Maria.

— O dever chama — disse ele. — Pronta para ser o exemplo de perfeição adolescente diante dos meus pais?

Maria deslizou para fora do parapeito, ajeitando o suéter e recuperando sua postura real em um piscar de olhos. Era quase assustador como ela conseguia alternar entre a namorada brincalhona e a princesa impecável.

— Sempre — respondeu ela. — Mas depois do jantar, eu quero terminar aquela partida de xadrez. E não pense que vou facilitar só porque estamos no seu palácio.

— Eu não esperaria nada menos de você — disse Vincent, abrindo a porta para ela.

Enquanto caminhavam pelos corredores adornados com tapeçarias históricas e retratos de antepassados que observavam cada passo seu, Vincent sentiu a mão de Maria roçar a sua. Foi um toque breve, quase imperceptível para qualquer câmera de segurança ou guarda de plantão, mas para eles, foi uma promessa.

Eles cruzaram o grande salão, onde o brilho dos lustres de cristal refletia no chão de mármore polido. Maria caminhava com a cabeça erguida, a personificação da graça romena, enquanto Vincent mantinha a elegância descontraída que era sua marca registrada.

Ao chegarem à porta da sala de jantar, Maria parou por um segundo e olhou para ele.

— Vincent? — chamou ela em um sussurro.

— Sim?

— Feliz seis anos — disse ela, com um brilho nos olhos que nenhuma joia da coroa poderia igualar.

Vincent sorriu, um sorriso que não era para as câmeras, nem para o povo, mas apenas para ela.

— Feliz seis anos, Maria. Prepare-se, porque os próximos sessenta serão ainda melhores.

E com esse pensamento, eles entraram na sala, prontos para enfrentar o mundo, contanto que estivessem um ao lado do outro.