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Retalhos de uma corte

O Código da Tentação

A luz artificial do Circo Digital sempre parecia um pouco mais brilhante quando se tinha um segredo pulsando entre as pernas. Pomni caminhava pelo saguão principal com uma postura estranhamente rígida, tentando ignorar a nova e insistente sensação de peso que Caine havia lhe proporcionado. O mestre de cerimônias, em um de seus raros momentos de "generosidade experimental", aceitara o pedido confuso e desesperado da boba da corte. Agora, sob o tecido azul e vermelho de seu traje de jester, Pomni possuía algo que desafiava a lógica daquele mundo: um membro real, firme e biológico, escondido em um corpo hermafrodita que parecia vibrar a cada passo.

O problema, porém, não era a nova anatomia. O problema era Ragatha.

Desde que a boneca de pano descobriu a "atualização" de Pomni, o otimismo materno deu lugar a um sadismo lúdico que estava levando a jester à loucura. Ragatha sabia perfeitamente que as regras de Caine eram claras: o "modo adulto" só era desbloqueado quando o relógio digital marcava o período de descanso. Durante o dia, qualquer tentativa de ato explícito resultaria em uma censura imediata, um borrão de pixels pretos e sons de buzina irritantes.

E Ragatha estava se aproveitando de cada segundo daquela restrição.

— Pomni, querida, você poderia me ajudar com este retalho aqui embaixo? — A voz de Ragatha soou melodiosa e carregada de uma falsa inocência.

Pomni parou, sentindo o sangue subir ao rosto. Ragatha estava sentada em um dos sofás poligonais, com o vestido de retalhos propositalmente erguido até o meio das coxas grossas e macias. Ela segurava uma linha de costura, mas seus dedos de pano pareciam mais interessados em acariciar a própria pele de enchimento do que em consertar qualquer coisa.

— Eu... eu estou um pouco ocupada, Ragatha — gaguejou Pomni, ajustando o chapéu de jester para esconder os olhos arregalados.

— Ah, mas é tão rápido... — Ragatha inclinou-se para frente, fazendo com que o decote do vestido se abrisse generosamente, revelando a curva farta de seus seios de algodão. — Sinto que minhas costuras estão tão... tensas hoje. Você não sente uma tensão no ar também?

Ragatha passou a língua pelos lábios, um gesto lento que fez o novo membro de Pomni reagir instantaneamente contra o tecido da calça. A jester soltou um suspiro abafado, sentindo o latejar rítmico entre as pernas. Ela queria avançar, queria derrubar Ragatha naquele sofá e mostrar exatamente o que Caine havia lhe dado, mas sabia que, se tentasse, seria recebida por uma nuvem de pixels e o riso estridente do mestre de cerimônias.

— Você está fazendo de propósito — acusou Pomni, a voz rouca.

— Eu? — Ragatha soltou uma risadinha, levantando-se e caminhando em direção à Pomni com aquele balanço de quadris exagerado que ela vinha treinando o dia todo. — Só estou sendo amigável, Pomni. É pecado querer estar perto da minha boba da corte favorita?

Ragatha parou a poucos centímetros de Pomni. O aroma de lavanda digital que emanava da boneca era inebriante. Ela esticou a mão e tocou o peito de Pomni, descendo os dedos lentamente pelo abdômen firme da jester, parando perigosamente perto da protuberância óbvia em suas calças.

— Nossa... — sussurrou Ragatha, o olho de botão azul brilhando com malícia. — Parece que alguém está carregando um acessório bem pesado hoje. Deve ser difícil andar com isso... tão rígido.

— Ragatha, para... a censura ainda está ativa — implorou Pomni, fechando os olhos enquanto sentia o calor do corpo da boneca.

— Eu sei — disse Ragatha, aproximando o rosto do ouvido de Pomni, deixando que seu cabelo ruivo volumoso roçasse na bochecha da outra. — É por isso que é tão divertido. Eu posso fazer você desejar, Pomni. Eu posso fazer você queimar por dentro o dia inteiro... e você não pode fazer absolutamente nada além de esperar.

A boneca de pano deu uma mordida leve no lóbulo da orelha de Pomni e depois se afastou com um sorriso radiante, como se estivesse apenas comentando sobre o clima.

O resto do dia foi uma tortura sistemática. Durante a atividade de "caça aos Gloinks", Ragatha fazia questão de se agachar na frente de Pomni em ângulos comprometedores. Durante o jantar sem sabor, ela comia frutas digitais de forma sugestiva, deixando o suco escorrer pelo queixo enquanto mantinha o olhar fixo nos olhos famintos da jester.

Quando o relógio finalmente marcou a hora do descanso, Pomni não caminhou até o quarto de Ragatha; ela praticamente derrubou a porta.

— Finalmente — rosnou Pomni, fechando a porta com um chute e trancando-a.

Ragatha estava sentada na cama, já sem o vestido, vestindo apenas uma peça íntima de renda que Caine provavelmente criara em um momento de delírio estético. Ela parecia uma deusa de pano e desejo, as curvas acentuadas pela luz suave do quarto.

— Ora, que pressa é essa, Pomni? — perguntou Ragatha, embora sua voz tivesse perdido a ironia e estivesse agora carregada de uma luxúria genuína. — O dia não foi agradável?

— Você é um demônio, Ragatha — disse Pomni, aproximando-se da cama enquanto arrancava as peças de sua roupa de jester.

Quando a última camada de tecido caiu, o segredo de Pomni foi totalmente revelado. Entre suas pernas, o membro hermafrodita estava ereto, latejante e pronto, um contraste biológico chocante contra a pele pálida e o corpo firme da jester. Ragatha soltou um suspiro audível, seus olhos percorrendo a nova anatomia de Pomni com uma fome que não conseguia mais esconder.

— Caine realmente se superou — murmurou Ragatha, estendendo a mão para tocar a ponta úmida e quente. — É... real.

— É mais do que real — respondeu Pomni, subindo na cama e ficando por cima de Ragatha. — E ele passou o dia inteiro querendo estar dentro de você.

Pomni não perdeu tempo. Ela atacou os lábios de Ragatha com uma ferocidade que fez a boneca gemer de surpresa e prazer. As mãos de Pomni exploraram as curvas fartas de Ragatha, apertando os seios macios e descendo para os quadris largos. A boneca de pano arqueou as costas, sentindo a dureza de Pomni pressionando contra sua coxa.

— Agora, Pomni... por favor, agora! — implorou Ragatha, as pernas se abrindo e convidando a jester para o espaço entre elas.

Pomni posicionou-se, sentindo a entrada de Ragatha — que Caine também havia "ajustado" para ser mais úmida e receptiva. Com um impulso firme, a jester mergulhou para dentro da boneca. O encaixe foi perfeito. Ragatha soltou um grito que provavelmente foi ouvido por todo o corredor, as mãos cravando-se nos ombros de Pomni.

— Oh, meu Deus! É tão... grande... tão quente! — Ragatha soluçava de prazer, a cabeça jogada para trás, o cabelo ruivo espalhado como chamas pelo travesseiro.

Pomni começou a se mover, um ritmo lento e profundo que fazia cada costura de Ragatha vibrar. A sensação de estar dentro da boneca, de sentir o calor do enchimento e a fricção do tecido digital, era melhor do que qualquer coisa que Pomni pudesse ter imaginado. Ela era hermafrodita agora, uma mistura de força e delicadeza, e estava usando cada grama dessa nova natureza para levar Ragatha ao limite.

— Você gostou de me provocar o dia todo, não foi? — sussurrou Pomni entre beijos no pescoço de Ragatha. — Gostou de me ver sofrer com a censura?

— Sim... ah! Sim! — Ragatha gemia, os quadris subindo para encontrar cada estocada de Pomni. — Mas isso... isso é muito melhor... não pare!

Pomni acelerou o ritmo. O som da carne batendo contra o pano preenchia o quarto, um ritmo carnal que abafava qualquer outro barulho do Circo. Ragatha estava em transe, os olhos revirados, a boca aberta em um grito silencioso de êxtase. Ela envolveu as pernas ao redor da cintura de Pomni, prendendo-a, querendo que aquela união fosse permanente.

— Eu vou... eu vou gozar, Pomni! — gritou Ragatha, sentindo a pressão aumentar em seu núcleo.

— Vá, Ragatha! Goze para mim! — ordenou Pomni, aumentando a intensidade das estocadas.

A boneca de pano explodiu em um orgasmo que abalou todo o seu ser. Seu corpo de retalhos tremeu violentamente, as paredes do quarto parecendo girar enquanto ela se perdia no prazer puro. Segundos depois, Pomni sentiu seu próprio ápice chegando. Com um último impulso profundo, ela liberou seu sêmen digital dentro de Ragatha, sentindo uma descarga elétrica percorrer sua espinha enquanto desabava sobre o peito macio da boneca.

As duas ficaram ali, ofegantes, o suor misturando-se à textura do pano. O silêncio que se seguiu era pesado, mas não desconfortável.

— Então... — começou Ragatha, a voz ainda trêmula, enquanto acariciava as costas de Pomni. — Valeu a pena esperar pela noite?

Pomni levantou a cabeça, um sorriso exausto e satisfeito nos lábios.

— Valeu. Mas se você tentar me provocar amanhã daquele jeito de novo...

— O que você vai fazer? — provocou Ragatha, os olhos brilhando novamente.

— Eu vou pedir ao Caine para remover a censura diurna também — respondeu Pomni, dando um beijo casto nos lábios de Ragatha. — E aí, ninguém no Circo Digital vai ter um minuto de paz.

Ragatha riu, puxando Pomni para um abraço apertado.

— Eu adoraria ver isso. Mas por enquanto... vamos apenas aproveitar o que temos.

E no abraço uma da outra, entre retalhos e novos desejos, elas finalmente encontraram o descanso que o dia de provocações havia tornado impossível.