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Robin Hood

O Sussurro das Folhas e o Brilho do Aço

A floresta de Sherwood nunca estava verdadeiramente em silêncio. Para quem sabia ouvir, havia uma sinfonia constante: o estalar de galhos secos sob o peso de um cervo, o farfalhar das folhas de carvalho ao sabor do vento e o murmúrio distante das águas que cortavam o coração da mata. Mas, para Tatsuyo, o som mais nítido de todos era o da respiração compassada de Kuro, que estava sentado em um galho alto logo acima dela, vigiando a estrada que levava ao castelo de Nottingham.

Tatsuyo ajustou a alça de sua cesta de ervas e olhou para cima. A luz do sol, filtrada pela copa das árvores, criava padrões de luz e sombra na pele alva de Kuro. Ele estava sem a túnica verde habitual, vestindo apenas um colete de couro aberto que deixava à mostra o tronco musculoso e o abdômen definido, resultado de anos puxando a corda de arcos pesados e escalando as árvores mais altas da Inglaterra. O cabelo branco e repicado brilhava quase como prata contra o verde profundo da floresta.

— Você vai acabar caindo daí se continuar tentando enxergar o que não existe, Kuro — disse ela, com um sorriso travesso brincando nos lábios.

Kuro inclinou a cabeça para baixo, os olhos castanhos escuros encontrando os dela com uma intensidade que sempre fazia o coração de Tatsuyo errar uma batida. Ele saltou do galho com a agilidade de um felino, aterrissando silenciosamente na frente dela. Com seus 1,80 m, ele a envolvia completamente em sua sombra, fazendo com que os 1,63 m de Tatsuyo parecessem ainda menores.

— Eu não estava procurando carruagens de impostos, pequena — disse ele, a voz rouca e carregada de uma malícia que ele nunca fazia questão de esconder. — Eu estava apenas apreciando a vista. E, daqui de cima, a vista de você colhendo flores é muito melhor do que qualquer ouro do Xerife.

Tatsuyo sentiu o calor subir pelo pescoço pardo até as bochechas. Kuro tinha esse efeito sobre ela. Ele era o fora da lei mais procurado do reino, um arqueiro lendário, mas também era o homem mais atrevido que ela já conhecera.

— Eu não estou colhendo flores, estou pegando raiz de confrei para as feridas do João Pequeno — corrigiu ela, tentando manter o tom de voz firme, embora suas mãos estivessem levemente trêmulas. — E você deveria estar focado no trabalho.

Kuro deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. Ele exalava um cheiro de pinheiro, suor e aventura. Seus olhos desceram descaradamente pelo corpo dela, detendo-se nas curvas que o vestido simples de camponesa não conseguia ocultar totalmente.

— O trabalho pode esperar um pouco — murmurou ele, estendendo a mão para tirar uma folha seca que havia ficado presa nos cabelos pretos e ondulados de Tatsuyo. — Você sabe que eu tenho um apetite que raramente é satisfeito com apenas... estratégia militar.

Tatsuyo engoliu em seco. Ela vivia em Sherwood desde que se entendia por gente, conhecia cada trilha e cada esconderijo, mas perto de Kuro, ela se sentia perdida em um território desconhecido. Eles se conheciam há anos, a afeição entre eles era um segredo aberto entre os Homens Alegres, mas havia uma linha invisível que nenhum dos dois tinha cruzado ainda. Um limite feito de respeito, hesitação e, talvez, o medo de que, uma vez que começassem, não haveria volta.

— Você é um pervertido, Kuro — disse ela, embora não houvesse raiva em sua voz, apenas uma nota de diversão provocativa.

— Eu prefiro o termo "entusiasta das belezas naturais" — rebateu ele, abrindo um sorriso largo que mostrava dentes muito brancos. — E você, Tatsuyo, é a criatura mais bela que habita esta floresta. Às vezes, me pergunto como ainda não te roubei para mim e te escondi em uma caverna onde ninguém mais pudesse te ver.

— Eu não sou um tesouro para ser guardado em um baú — respondeu ela, aproximando-se um centímetro, desafiando a própria timidez. — E eu sei me defender muito bem sozinha.

Kuro soltou uma risada curta e grave, um som que vibrou no peito de Tatsuyo.

— Eu sei que sabe. É por isso que eu gosto tanto de você. Você tem fogo no sangue, mesmo que tente esconder sob essa aparência de doce colhedora de ervas.

Ele estendeu a mão e tocou levemente o queixo dela, forçando-a a olhar diretamente em seus olhos. Por um momento, a floresta pareceu desaparecer. Não havia Xerife, não havia flechas, não havia pobres para alimentar. Havia apenas a eletricidade entre o homem de 24 anos que desafiava a coroa e a jovem de 19 que era a alma daquele lugar.

— Kuro... — sussurrou ela, o nome dele soando como uma prece.

— Sim? — respondeu ele, a voz baixando para um tom perigosamente suave.

— O que você faria se... se não houvesse mais ninguém por perto? Se o mundo acabasse nas bordas de Sherwood?

Kuro deslizou a mão do queixo dela para a nuca, os dedos se perdendo nos fios pretos. O polegar dele acariciou a bochecha dela, e Tatsuyo sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

— Eu faria muitas coisas, Tatsuyo. Coisas que fariam você esquecer até o próprio nome. Eu te mostraria que um fora da lei tem muito mais a oferecer do que apenas flechas certeiras.

Ele se inclinou, o rosto ficando a poucos centímetros do dela. Tatsuyo podia sentir o calor que emanava do corpo musculoso dele, a força contida em cada fibra de seu ser. Ela fechou os olhos por um segundo, esperando, desejando, mas o som de uma trombeta ecoou ao longe, quebrando o feitiço.

Kuro se afastou instantaneamente, sua postura mudando de sedutor para predador em um piscar de olhos. A diversão desapareceu, substituída por uma seriedade cortante.

— Os batedores do Xerife — disse ele, a voz agora fria e focada. — Eles estão mais perto do que eu imaginava.

Tatsuyo respirou fundo, tentando recompor seus próprios sentidos. A adrenalina do momento anterior ainda corria em suas veias, mas a realidade da vida em Sherwood sempre cobrava seu preço.

— Vá — disse ela, ajustando a cesta no braço. — Eu vou levar as ervas para o acampamento sul e avisar os outros.

Kuro olhou para ela uma última vez antes de se preparar para subir novamente na árvore. Ele hesitou, algo raro para o líder dos fora da lei.

— Tatsuyo — chamou ele.

Ela se virou.

— Quando isso acabar... quando a noite cair e o fogo estiver baixo... nós vamos terminar essa conversa. E eu não aceitarei "ervas medicinais" como desculpa.

Ele piscou para ela, um lampejo do Kuro tarado e confiante voltando à tona, antes de desaparecer entre as folhagens com uma velocidade impressionante.

Tatsuyo ficou parada por um momento, o coração martelando contra as costelas. Ela olhou para o lugar onde ele estivera, sentindo o vazio da ausência dele e o calor da promessa que ele deixara no ar. Ela sabia que Kuro era um homem de palavra, especialmente quando se tratava de seus desejos.

— Esse idiota... — murmurou ela para si mesma, um sorriso involuntário surgindo em seu rosto enquanto ela começava a correr em direção ao acampamento.

A floresta de Sherwood continuava sua sinfonia, mas para Tatsuyo, a música agora tinha um ritmo novo, um ritmo de expectativa e de um perigo muito mais doce do que as flechas do Xerife de Nottingham. Ela sabia que a linha entre eles estava ficando cada vez mais fina, e que, em breve, as folhas de Sherwood seriam testemunhas de algo que nenhum imposto ou lei poderia impedir.

Enquanto corria, ela sentia o peso da cesta e o frescor do vento, mas sua mente estava em Kuro — no brilho de seus olhos, na força de seus braços e na promessa de uma noite onde as palavras finalmente dariam lugar ao que ambos vinham guardando há tanto tempo.

A batalha contra a injustiça continuaria, mas ali, no coração da mata, uma outra história estava sendo escrita, uma história de desejo e descoberta que ardia tão intensamente quanto a chama de uma flecha incendiária cortando o céu noturno. E Tatsuyo, pela primeira vez, não tinha pressa de que o dia terminasse, pois sabia que a escuridão traria consigo o homem que a fazia sentir-se mais viva do que qualquer liberdade que a floresta pudesse oferecer.

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