Romance em mato
O Eco da Traição e o Brilho da Lealdade
O sol da manhã, filtrado pelas janelas do alojamento da Nona Divisão, caía suavemente sobre Yuuki e Fubuki, ainda entrelaçados nos lençóis. O calor dos seus corpos, a respiração calma e sincronizada, criava uma bolha de tranquilidade que parecia imune ao caos do mundo exterior. Yuuki sentiu o cabelo sedoso de Fubuki roçar seu peito, e um sorriso terno se formou em seus lábios. Ela havia se tornado seu porto seguro, a rocha que o mantinha firme em meio às tempestades.
– Bom dia, Yuuki – a voz dela era um sussurro rouco, os olhos ainda fechados, mas um leve sorriso brincava em seus lábios.
– Bom dia, Fubuki – ele respondeu, beijando o topo de sua cabeça. – Dormiu bem?
– Como um anjo, ao seu lado – ela abriu os olhos, revelando a intensidade de seu olhar, que sempre o cativava. – Temos muito o que fazer hoje. Um relatório sobre a última incursão dos Deuses do Trovão precisa ser finalizado.
Yuuki suspirou, mas não sem um toque de humor.
– A rotina nunca espera, não é?
– Infelizmente, não – ela se ergueu, cobrindo-se com o lençol, e o observou. – Mas a boa notícia é que você tem se saído brilhantemente. Os relatórios sobre suas proezas se espalham rapidamente.
Ele sentiu um leve rubor.
– É tudo graças ao seu treinamento, Fubuki. E à sua confiança em mim.
Ela sorriu, um sorriso genuíno que raramente mostrava a outros.
– Você tinha o potencial, eu apenas ajudei a lapidá-lo. Mas agora, vamos nos levantar. A Nona Divisão não se administra sozinha.
Enquanto se preparavam para o dia, a mente de Yuuki vagava. As palavras de Fubuki sobre sua crescente reputação o fizeram lembrar das tentativas sutis, e nem tão sutis, da Comandante Ren de se aproximar. Ele podia sentir a manipulação dela como um calafrio em sua espinha, uma dissonância que seu Haki da Observação captava com clareza.
Mais tarde naquele dia, enquanto Yuuki treinava no dojo, a Comandante Ren apareceu, seu sorriso habitual brilhando falsamente.
– Yuuki-kun! – ela exclamou, batendo palmas levemente. – Que demonstração de força! Você realmente se tornou o pilar da Nona Divisão.
Yuuki parou seu treinamento, fazendo uma reverência respeitosa.
– Comandante Ren. É uma honra.
– Oh, não seja tão formal! – ela riu, um som um tanto estridente. – Eu só vim para verificar seu progresso. E talvez, uhm, discutir algumas novas oportunidades.
Ele sentiu o Haki da Observação zumbir, alertando-o para a intenção oculta por trás de suas palavras.
– Oportunidades, Comandante?
– Sim! – ela se aproximou, sua voz adquirindo um tom mais conspiratório. – Você sabe, a Nona Divisão é ótima, e Fubuki-chan é uma líder competente. Mas... você não acha que seu talento está sendo um pouco... contido?
Yuuki manteve uma expressão neutra.
– Não entendo, Comandante.
– Bem, você é um homem com um poder extraordinário! – ela gesticulou com as mãos. – Sua capacidade de dominar o Haki, algo que nenhum outro escravo jamais demonstrou, é um trunfo para toda a nossa organização. Eu acredito que você merece um palco maior.
Ele sabia onde ela estava indo.
– E qual seria esse palco, Comandante?
– Minha própria divisão, é claro! – ela respondeu, os olhos brilhando. – A Divisão Geral. Comigo, você teria acesso a recursos ilimitados, missões de maior prestígio. Poderíamos moldar o futuro das Divisões Anti-Demônios juntos!
A oferta era tentadora para um homem menos perspicaz. Yuuki, no entanto, viu a teia de aranha que ela estava tecendo.
– Agradeço a sua generosidade, Comandante – ele disse, sua voz firme. – Mas estou muito feliz e realizado na Nona Divisão. Fubuki-san me deu um lar e me ajudou a desenvolver meus poderes de uma forma que ninguém mais faria. Minha lealdade é para com ela e para com a Nona Divisão.
O sorriso de Ren vacilou por um instante, uma rachadura na fachada de alegria. Mas ela rapidamente o recompôs.
– Entendo, entendo. A lealdade é uma virtude admirável. Mas pense nisso, Yuuki-kun. O futuro é incerto, e as oportunidades nem sempre batem duas vezes.
– Eu já fiz minha escolha, Comandante – ele reafirmou, seu tom final.
Ren suspirou, um leve brilho de frustração em seus olhos.
– Muito bem. Se é assim que você se sente. Mas saiba que minha porta está sempre aberta. Para você.
Ela se virou e saiu, seu andar ainda elegante, mas com uma tensão perceptível em seus ombros. Yuuki a observou partir, sentindo o alívio de ter repelido mais uma de suas tentativas de manipulação. Ele sabia que Ren não desistiria facilmente, mas também sabia que sua decisão era inabalável.
Mais tarde, Yuuki relatou o encontro a Fubuki, enquanto revisavam os planos de defesa contra os Deuses do Trovão.
– Ela tentou de novo, não foi? – Fubuki perguntou, sem sequer levantar os olhos do mapa.
– Sim – Yuuki confirmou, um leve sorriso brincando em seus lábios. – Ofereceu-me um lugar na Divisão Geral, acesso a recursos ilimitados, todo o pacote.
Fubuki finalmente olhou para ele, um brilho de apreço em seus olhos.
– E você recusou, é claro.
– Minha lealdade é para você, Fubuki. E para a Nona Divisão.
Ela se inclinou sobre a mesa, seus olhos fixos nos dele.
– Eu sei, Yuuki. E é por isso que confio em você mais do que em qualquer outra pessoa. Ren é uma jogadora perigosa. Ela vê as pessoas como peças em seu tabuleiro.
– Eu percebi – ele disse, a voz séria. – Meu Haki da Observação me permite ver suas intenções, a manipulação por trás de suas palavras.
– É uma habilidade valiosa – Fubuki assentiu. – Use-a bem. Ela não vai parar.
Enquanto a Nona Divisão se fortalecia sob a liderança de Fubuki e a força crescente de Yuuki, as outras divisões também sentiam o impacto. A Sétima Divisão, em particular, estava em um estado de fluxo. Kyoka, atormentada pelo arrependimento, via suas próprias fileiras questionarem sua liderança. As perdas em suas incursões eram mais frequentes, e a moral estava baixa.
Certa tarde, Kyoka convocou um de seus subordinados mais leais.
– Os relatórios sobre Yuuki... eles continuam a chegar – ela disse, sua voz baixa e pensativa.
– Sim, Comandante – o subordinado respondeu. – Sua reputação cresce a cada dia. Dizem que ele e Fubuki-sama são uma força imparável.
Kyoka cerrou os punhos.
– Eu cometi um erro terrível. Eu o afastei.
– Comandante Kyoka, você fez o que achou certo na época – o subordinado tentou consolar.
– Não – ela cortou. – Eu fui cega pela minha própria rigidez. Eu o chamei de estorvo. Eu não vi o potencial, a força que ele possuía. E agora, ele está com Fubuki.
Ela se levantou, caminhando até a janela e olhando para o céu tempestuoso.
– Eu preciso consertar isso. Não por Yuuki, talvez. Mas por mim mesma. E pela Sétima Divisão.
A ideia de se desculpar com Yuuki era um fardo pesado, mas a necessidade de corrigir seu erro era ainda maior.
Os dias se transformaram em semanas, e a tensão entre as divisões, embora sutil, era palpável. A Nona Divisão, com Yuuki como seu principal ativo, tornava-se cada vez mais proeminente, ofuscando as outras.
Em uma missão conjunta, a Nona Divisão e a Sexta Divisão, liderada por Izumo, foram encarregadas de eliminar um poderoso Deus do Trovão que estava ameaçando uma cidade próxima. Yuuki, com seu Haki da Observação, previu um ataque surpresa do Deus, alertando Fubuki e Izumo a tempo de reagir.
– Eles estão vindo por trás daquela formação rochosa! – Yuuki gritou, apontando. – Fubuki, prepare-se para um ataque frontal! Izumo, flanqueie pela direita!
A coordenação foi impecável. Fubuki, com a precisão de seus golpes, interceptou o ataque frontal enquanto Izumo, com sua agilidade, atacava o flanco do Deus. Yuuki, usando seu Haki do Armamento, desferiu golpes poderosos, replicando a força de Garp, quebrando a armadura do Deus do Trovão e abrindo caminho para o golpe final de Fubuki.
A missão foi um sucesso estrondoso, com poucas baixas. A reputação de Yuuki e da Nona Divisão cresceu ainda mais, e a admiração por Fubuki como líder se solidificou.
Após a batalha, enquanto retornavam à base, Izumo se aproximou de Yuuki.
– Você é realmente impressionante, Yuuki-kun – ela disse, um raro sorriso em seu rosto. – Suas habilidades são... lendárias.
– Apenas faço o meu melhor – ele respondeu, com um leve rubor.
– Não, é mais do que isso – ela insistiu. – Você tem um dom. E a forma como você e Fubuki-san trabalham juntos... é inspirador.
Yuuki sentiu um calor no peito. O reconhecimento de seus pares era gratificante, especialmente vindo de uma líder tão respeitada como Izumo.
No entanto, a Comandante Ren não estava contente com o sucesso crescente da Nona Divisão. Ela via isso como uma ameaça à sua própria autoridade.
Em uma reunião confidencial com seus conselheiros, Ren expressou sua frustração.
– Yuuki Wakura está se tornando um problema – ela declarou, a voz fria. – Ele está se tornando poderoso demais, e sua lealdade a Fubuki Azuma é inabalável.
– O que sugere, Comandante? – um de seus conselheiros perguntou, apreensivo.
– Precisamos separá-lo de Fubuki – ela respondeu, um brilho perigoso em seus olhos. – E precisamos fazer isso de uma forma que o faça parecer ingrato ou imprudente.
Os conselheiros trocaram olhares nervosos. Eles sabiam que a Comandante Ren era capaz de tramar esquemas complexos e perigosos.
A próxima tentativa de Ren em manipular Yuuki veio na forma de uma oferta de promoção. Ela o convocou para seu escritório, o mesmo sorriso radiante em seu rosto.
– Yuuki-kun! – ela exclamou. – Tenho ótimas notícias! O conselho decidiu que você merece uma promoção. Você será o novo líder da Oitava Divisão!
Yuuki sentiu o alerta de seu Haki da Observação. A Oitava Divisão era uma das divisões mais problemáticas, com um histórico de líderes fracos e missões falhas. Era um cargo de alto risco, projetado para afastá-lo de Fubuki e, possivelmente, levá-lo ao fracasso.
– Comandante Ren, agradeço a oferta – ele disse, mantendo a calma. – Mas, como já disse, minha lealdade e meu lugar são na Nona Divisão. Eu não aceitarei a promoção.
O sorriso de Ren congelou.
– Yuuki-kun, você não entende a gravidade disso. É uma ordem!
– E eu a recuso – Yuuki respondeu, sua voz firme e inabalável. – Minha força reside em minha parceria com Fubuki. Separar-me dela seria um desserviço à organização.
Ren o encarou, a raiva cintilando em seus olhos. A máscara de alegria havia caído, revelando a mulher fria e calculista por baixo.
– Você está desafiando uma ordem direta, Yuuki Wakura? – ela perguntou, a voz baixa e perigosa.
– Estou protegendo o que é importante – ele declarou, seu Haki do Rei, embora não visível, emanando uma pressão invisível que fez Ren sentir um calafrio. – Minha lealdade não pode ser comprada ou manipulada.
Ren rangeu os dentes, mas não podia ignorar o poder que sentia emanar dele. Ela sabia que uma confrontação direta seria imprudente.
– Muito bem – ela disse, sua voz ainda tensa. – Considere esta conversa encerrada. Mas não pense que isso acaba aqui, Yuuki Wakura.
Ele fez uma reverência e se retirou, deixando Ren furiosa em seu escritório. Yuuki sabia que havia acendido um pavio, mas não se arrependeu. Sua lealdade a Fubuki e à Nona Divisão era inegociável.
Ao retornar à Nona Divisão, Fubuki o esperava, uma preocupação sutil em seus olhos.
– Ren tentou te manipular de novo, não foi? – ela perguntou, antes mesmo que ele pudesse falar.
– Sim – ele confirmou, contando-lhe sobre a oferta de promoção e sua recusa.
Fubuki ouviu atentamente, e quando ele terminou, ela se aproximou e o abraçou com força.
– Eu sabia que você não me abandonaria – ela sussurrou, seu rosto aninhado em seu ombro. – Eu confio em você, Yuuki. E eu te amo.
– Eu também te amo, Fubuki – ele respondeu, apertando-a em seus braços. – Sempre.
O amor deles era um escudo contra as maquinações de Ren, um farol em meio à escuridão. Eles sabiam que a batalha contra os Deuses do Trovão era apenas uma parte de sua luta. A verdadeira guerra estava sendo travada nos corredores do poder, onde a lealdade e a manipulação se chocavam. Mas juntos, Yuuki e Fubuki estavam prontos para enfrentar qualquer desafio. O eco da traição de Kyoka ainda ressoava, e o brilho da lealdade de Yuuki era a sua resposta.