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Roxy x Ogron

O Labirinto de Vidro e Desejo

O sol da manhã em Gardenia era pálido, filtrado pelas cortinas finas do quarto de Roxy. O Frutti Music Bar já começava a ganhar vida lá embaixo, com o som abafado de pratos sendo empilhados e a voz de seu pai, Klaus, organizando o estoque. Para qualquer um, seria o início de um dia comum. Para Roxy, era o despertar de um pesadelo que ela não conseguia, ou talvez não quisesse, classificar como tal.

Ela se sentou na cama, o lençol escorregando pelos ombros. O suor frio colava a camisola de algodão à sua pele, e seu coração martelava contra as costelas como um pássaro engaiolado. Roxy levou as mãos ao rosto, sentindo as bochechas queimarem. As imagens ainda estavam vívidas, gravadas no lado interno de suas pálpebras.

Não era apenas um sonho sobre a batalha no beco. Era algo muito mais sombrio, mais íntimo e infinitamente mais perigoso. No sonho, Ogron não estava tentando roubar seu poder com feitiços violentos; ele o estava reivindicando de uma forma que a deixava sem ar. Ela ainda podia sentir o fantasma de suas mãos grandes e calejadas percorrendo sua cintura, a voz rouca sussurrando promessas de uma entrega que ela nunca havia experimentado com ninguém. Naquela ilusão onírica, o medo se transformava em uma eletricidade que a consumia, e ela, a última fada da Terra, entregava sua inocência ao monstro que jurara destruir.

— O que há de errado comigo? — sussurrou ela para o quarto vazio, a voz embargada. — Ele machucou o Arthur... ele quase matou meu pai... ele é um monstro.

Ela olhou para o canto do quarto, onde Arthur, seu fiel cão, dormia tranquilamente. A lembrança de Ogron usando o animal para chantageá-la ainda ardia como uma ferida aberta. O Círculo Negro representava tudo o que ela odiava: a opressão, a crueldade, o roubo da liberdade. E, no entanto, seu subconsciente parecia estar pregando uma peça cruel, transformando o caçador em algo... desejável.

Roxy levantou-se e caminhou até o espelho. Seus olhos roxos pareciam maiores, contornados por olheiras leves. Ela tocou os lábios, lembrando-se da sensação do beijo dele no sonho — um beijo que tinha gosto de metal e magia negra, mas que a fizera despertar com um vazio doloroso no ventre.

— Eu odeio você, Ogron — afirmou ela, encarando seu reflexo com determinação. — Eu odeio cada século da sua existência arrogante.

Enquanto isso, em uma dimensão de sombras que se sobrepunha à realidade de Gardenia, a atmosfera era muito menos caótica, mas igualmente densa. Ogron estava sentado em uma poltrona de veludo negro, em uma sala iluminada apenas por velas de chama azul. À sua frente, um espelho de obsidiana flutuava, refletindo não a sua imagem, mas o quarto de Roxy.

Ele a observava. Era um hábito que começara como uma necessidade estratégica — vigiar a última fada da Terra para garantir que ela não escapasse —, mas que se transformara em algo obsessivo. Ele a viu sentar-se na cama, viu o tremor em suas mãos e a confusão em seu olhar.

Ogron sorriu, um movimento lento e predatório de seus lábios finos. Ele passara a noite usando um feitiço de intrusão onírica, uma magia antiga e proibida que permitia a um bruxo tecer fios de influência nos sonhos alheios. Ele queria desestabilizá-la, enfraquecer sua vontade para que, quando o momento chegasse, ela entregasse o Círculo Branco sem resistência.

Mas o que ele viu através do espelho de obsidiana o pegou de surpresa. A magia de Roxy, ligada à natureza e à vida, estava reagindo às suas projeções de uma maneira inesperada. O sonho dela não era apenas um pesadelo de medo; era um reflexo de uma tensão sexual latente que ele próprio, em sua arrogância secular, não esperava despertar tão cedo.

— Veja só você, fadinha — murmurou Ogron, a voz vibrando com uma satisfação sombria. — Tão cheia de justiça e luz, mas seus sonhos contam uma história bem diferente.

Ele fechou os olhos, concentrando-se no resquício do feitiço. Por um breve momento, ele pôde sentir o que ela sentiu no sonho. A sensação da pele macia dela sob seus dedos, o calor da respiração dela contra seu pescoço, e a entrega absoluta de uma virgindade que era, para ele, o troféu final. Não apenas o poder dela, mas a sua essência mais pura, corrompida pelo seu toque.

Uma onda de desejo puramente carnal e possessivo atingiu Ogron como um impacto físico. Ele, que vivera séculos drenando a vida de fadas, sentiu uma fome que não tinha nada a ver com a magia. Era a vontade de possuí-la, de ver aqueles olhos roxos nublados de prazer enquanto ele a dominava. A ideia de ser o primeiro e único a tocar aquela fada insignificante, de manchar a pureza que as Winx tanto tentavam proteger, era mais inebriante do que qualquer poder que ele já havia roubado.

A porta da sala se abriu abruptamente. Gantlos entrou, seus passos pesados ecoando no chão de pedra.

— Ogron, os outros estão esperando. Temos um rastro da magia das Winx perto do porto. O que você está fazendo aqui sozinho?

Ogron não se moveu imediatamente. Ele desfez o espelho de obsidiana com um gesto rápido da mão, mas a imagem de Roxy, vulnerável e confusa em sua cama, permaneceu queimando em sua mente.

— Apenas monitorando nossa pequena presa — respondeu Ogron, levantando-se com sua elegância habitual. A voz estava perfeitamente controlada, mas seus olhos azul-cinzentos brilhavam com uma intensidade perigosa.

— Ela ainda é útil? — perguntou Gantlos, ajustando o chapéu. — Ou devemos apenas drená-la e acabar com isso? Anagan está ficando impaciente.

— Ela é muito mais do que útil, Gantlos — disse Ogron, passando pelo companheiro e caminhando em direção à saída. — Ela é uma fonte de entretenimento que eu ainda não explorei completamente. Não a toquem. Ela pertence a mim.

Gantlos franziu a testa, notando algo diferente no tom de seu líder, mas não ousou questionar. Ogron era o mais velho e o mais cruel entre eles; desafiá-lo era um convite à morte.

Enquanto isso, no Frutti Music Bar, Roxy tentava se concentrar no trabalho. Ela limpava as mesas com uma energia nervosa, evitando as perguntas de Bloom e Stella, que haviam passado para ver como ela estava.

— Roxy, você parece que não dormiu nada — comentou Stella, analisando o rosto da amiga com seu olhar crítico de especialista em beleza. — Seus olhos estão sem brilho. Precisa de um feitiço de iluminação facial?

— Eu estou bem, Stella — mentiu Roxy, forçando um sorriso. — Só tive alguns pesadelos. Coisas da batalha, você sabe.

— É normal, Roxy — disse Bloom, colocando a mão confortavelmente no ombro dela. — O Círculo Negro é aterrorizante. Eles mexem com a nossa cabeça. Mas lembre-se, você é mais forte do que eles. Eles não podem entrar na sua mente se você não deixar.

Roxy assentiu, mas por dentro, ela sentia um grito sufocado. *Mas e se eles já estiverem lá?*, ela pensou. *E se uma parte de mim estiver abrindo a porta?*

Ao entardecer, Roxy decidiu caminhar pela praia com Arthur. O som das ondas sempre a acalmava, e o vento salgado parecia limpar os resquícios do suor noturno de sua pele. Arthur corria à frente, latindo para as gaivotas, parecendo ter esquecido o trauma de ter sido capturado pelos bruxos. Roxy invejava a simplicidade dos animais; eles viviam o presente, sem o peso do desejo ou da culpa.

Ela se sentou em uma rocha isolada, observando o sol se pôr no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e roxos que lembravam seus próprios olhos. Foi então que ela sentiu.

Um arrepio percorreu sua espinha. O ar ao seu redor ficou subitamente frio, e o som das ondas pareceu diminuir, como se o mundo estivesse sendo abafado por uma redoma de vidro.

— Você tem o hábito de procurar a solidão, Roxy — disse uma voz que ela reconheceria em qualquer lugar. — Um traço perigoso para alguém que é tão caçada.

Roxy levantou-se de um salto, suas asas lilases surgindo instantaneamente em um brilho de luz. Ela se virou para encontrar Ogron parado a poucos metros de distância. Ele não estava em sua postura de combate; ele estava relaxado, as mãos nos bolsos do sobretudo, observando-a com uma curiosidade que a fazia querer fugir e, ao mesmo tempo, ficar exatamente onde estava.

— O que você quer, Ogron? — cuspiu ela, a voz tremendo apesar de seu esforço para parecer corajosa. — Se veio pelo Círculo Branco, já sabe a resposta.

Ogron deu um passo à frente. Arthur correu para o lado de Roxy, rosnando baixo, os pelos das costas eriçados. O bruxo olhou para o cão com desdém e depois voltou sua atenção para a fada.

— O círculo é apenas um detalhe — disse ele, a voz baixando para o tom aveludado que ela ouvira em seus sonhos. — Eu vim ver se a realidade faz justiça ao que eu vi na sua mente.

Roxy empalideceu. O coração dela falhou uma batida.

— Do que você está falando?

— Oh, não tente ser inocente agora — zombou ele, aproximando-se mais. Roxy tentou recuar, mas suas costas encontraram a rocha fria. Ogron parou a centímetros dela, sua presença física ocupando todo o espaço. — Eu estive lá, Roxy. No labirinto dos seus sonhos. Eu vi o que você deseja quando as luzes se apagam e a fada corajosa descansa.

— Você... você invadiu meus sonhos? — A voz dela era um sussurro de horror. — Você é nojento! É um violador, um...

— Eu sou um bruxo — interrompeu ele, erguendo a mão e, desta vez, ele realmente tocou o rosto dela. Seus dedos frios traçaram a linha de sua mandíbula. — E você é uma fada que está descobrindo que a escuridão pode ser muito mais atraente do que a luz monótona das Winx.

Roxy tentou empurrá-lo, mas Ogron não se moveu. Ele era como uma montanha de granito. Em vez disso, ele segurou os pulsos dela com uma mão, prendendo-os acima de sua cabeça contra a rocha. O contato físico enviou uma descarga elétrica pelo corpo de Roxy, uma mistura de pânico e aquela mesma excitação proibida que a assombrara durante a noite.

— Me solta! — ordenou ela, mas a ordem saiu sem força.

— Por que você treme, Roxy? — sussurrou Ogron, inclinando-se até que seus lábios roçassem a orelha dela. — É de medo? Ou é porque a sensação da minha mão em você é exatamente como você imaginou?

— Eu odeio você — disse ela, as lágrimas de frustração começando a brotar.

— O ódio e o desejo são dois lados da mesma moeda, pequena fada — respondeu ele, sua voz carregada de uma fome que Roxy nunca vira nele. — Eu poderia tirar tudo de você agora. Sua magia, suas asas... sua pureza. Você é tão pequena, tão frágil.

Ele afastou o rosto para encará-la. Seus olhos azul-cinzentos estavam escuros, as pupilas dilatadas. Por um momento, a máscara de cavalheiro arrogante caiu, revelando a besta faminta por trás do bruxo secular. Ogron não queria apenas o poder da Terra; ele queria quebrar Roxy. Ele queria ser o responsável pela transformação daquela garota gentil em algo que pertencesse às sombras.

Roxy olhou para ele, e por um segundo, a raiva foi substituída por uma compreensão devastadora. Ele estava tão confuso quanto ela. A obsessão dele não era apenas estratégica; era visceral. Ele estava abalado por ela, por uma fada que ele considerava insignificante.

— Você está com medo — disse Roxy, a voz ganhando uma nova nota de confiança. — Você está com medo do que sente por mim. Por isso precisa me dominar, por isso precisa me diminuir.

Ogron estreitou os olhos, a mandíbula contraída. A verdade nas palavras dela o atingiu como um golpe. Ele apertou os pulsos dela com mais força, um rosnado escapando de sua garganta.

— Você não sabe de nada, criança.

— Eu sei que você não me matou ainda — continuou ela, encarando-o de frente. — E eu sei que, por trás de toda essa crueldade, existe algo que você não consegue controlar. E isso te apavora.

Ogron soltou os pulsos dela abruptamente, dando um passo atrás como se tivesse sido queimado. O silêncio que se seguiu foi carregado de uma tensão insuportável. O sol havia sumido completamente, e a lua começava a pratear a crista das ondas.

— Aproveite sua coragem enquanto ela dura, Roxy — disse ele, recuperando a compostura, embora seus olhos ainda traíssem a agitação interna. — Porque da próxima vez que eu entrar nos seus sonhos, eu não serei apenas um espectador. E da próxima vez que nos encontrarmos na realidade, eu não terei tanta paciência com suas análises psicológicas.

— Eu estarei pronta — desafiou ela, embora suas pernas parecessem feitas de gelatina.

Ogron soltou uma risada fria, mas não havia o desdém habitual nela. Havia algo mais profundo, um reconhecimento de que o jogo havia mudado para ambos.

— Veremos.

Com um movimento fluido, ele se dissolveu na escuridão, deixando apenas o cheiro de ozônio e o som do vento.

Roxy desabou no chão, abraçando os joelhos. Arthur aproximou-se e lambeu sua mão, tentando confortá-la. Ela estava tremendo incontrolavelmente. A invasão de Ogron em sua mente era uma violação, um crime que ela deveria reportar às Winx imediatamente. Mas como ela poderia explicar o que ele vira? Como ela poderia admitir que, mesmo ali, enquanto ele a prendia contra a rocha, uma parte dela desejara que ele não a soltasse?

Longe dali, no topo de um prédio alto que vigiava a cidade, Ogron olhava para a palma de sua mão. Ele podia sentir o pulso de Roxy ainda vibrando em seus dedos. Ele sentia uma fome que séculos de vida não haviam saciado, um desejo carnal que o consumia de dentro para fora.

— Insignificante — repetiu ele para a noite, mas o termo agora soava como um elogio, uma confissão de que a última fada da Terra havia se tornado a única coisa que realmente importava em sua existência imortal.

A guerra pelo Círculo Branco continuava, mas para Ogron e Roxy, uma batalha muito mais perigosa havia começado — uma batalha onde a luz e a sombra se confundiam, e onde o maior inimigo não era o bruxo ou a fada, mas o desejo incontrolável que ameaçava destruir a ambos.

Roxy olhou para o mar, sabendo que aquela noite não seria a última em que ele viria. E, pela primeira vez, ela não sabia se tinha medo de que ele voltasse, ou medo de que ele não voltasse nunca mais.

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