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Açúcar, Pimenta e o Que Fica Entre Nós

O silêncio na sala do clube de literatura tinha um peso diferente naquela tarde. O sol de outono, tingido por um tom alaranjado quase melancólico, filtrava-se pelas janelas altas, desenhando retângulos de luz dourada sobre o carpete gasto. Natsuki estava sentada no chão, no seu canto habitual perto da estante de mangás, mas não conseguia se concentrar em uma única linha de *Parfait Girls*.

Seus olhos cor-de-rosa desviavam constantemente para a figura sentada à mesa do professor. O protagonista — o garoto que havia mudado a dinâmica do clube nos últimos meses — estava absorto em um caderno, a testa franzida em concentração enquanto revisava algum poema.

Natsuki sentiu aquele aperto familiar no peito. Era uma mistura de irritação por ele ser tão distraído e algo muito mais profundo, que ela se recusava a nomear. Ela fechou o mangá com um estalo seco, fazendo-o pular levemente na cadeira.

— Você vai ficar encarando essa folha até ela pegar fogo ou vai me ajudar a organizar a prateleira de cima? — perguntou ela, cruzando os braços e tentando manter o tom de voz casualmente agressivo que era sua marca registrada.

Ele sorriu, aquele sorriso meio sem jeito que sempre desarmava as defesas dela.

— Desculpe, Natsuki. Eu me perdi nos pensamentos. Já vou ajudar.

Ele se levantou e caminhou até ela. A proximidade física sempre a deixava alerta. Natsuki era pequena, e a diferença de altura a obrigava a olhar para cima, algo que ela detestava, mas que, naquele momento, parecia estranhamente íntimo.

Enquanto trabalhavam lado a lado, guardando os volumes e limpando a poeira, o ar entre eles parecia carregar uma eletricidade estática. O resto do clube já havia ido embora. Monika tinha uma reunião do conselho, Yuri fora à biblioteca e Sayori... bem, Sayori provavelmente estava cochilando em algum lugar ou comprando lanches. Eles estavam sozinhos.

— Ei — disse ele, quebrando o silêncio enquanto alcançava um volume no topo da estante. — Você está mais quieta hoje. Aconteceu alguma coisa?

Natsuki sentiu o rosto esquentar. Ela odiava como ele conseguia ler suas mudanças de humor, por mais que ela tentasse escondê-las sob camadas de sarcasmo.

— Não é nada. Só... cansaço. A escola é um saco, meu pai está de mau humor... o de sempre. — Ela deu de ombros, tentando parecer indiferente.

Ele parou o que estava fazendo e olhou diretamente para ela. Não era um olhar de pena — Natsuki detestava pena —, era um olhar de compreensão. Ele colocou a mão suavemente no ombro dela.

— Você sabe que pode falar comigo, não sabe?

Natsuki sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O toque dele era quente, firme. Por um momento, a máscara de "garota durona" vacilou.

— Eu sei — sussurrou ela, a voz subitamente falhando. — É só que... às vezes eu sinto que este clube é o único lugar onde eu posso respirar. E você... você torna as coisas mais fáceis.

O olhar dele se intensificou. A tensão que vinha crescendo entre eles durante semanas, meses, parecia ter atingido o ponto de ebulição. Sem pensar muito, Natsuki deu um passo à frente, diminuindo a distância.

— Você fala demais — murmurou ela, antes de puxá-lo pela gola da camisa.

O beijo foi urgente, carregado de uma frustração acumulada e de um desejo que nenhum dos dois tinha coragem de admitir em voz alta. Ele retribuiu imediatamente, as mãos descendo para a cintura dela, puxando-a para mais perto, como se tentasse fundir seus corpos. Natsuki soltou um gemido baixo contra os lábios dele, as mãos perdidas no cabelo dele.

Eles se separaram apenas o suficiente para recuperar o fôlego, as testas encostadas.

— A gente não deveria... aqui não... — ele arfou, embora suas mãos não dessem sinal de soltá-la.

— As portas estão trancadas — disse Natsuki, a respiração errática, os olhos brilhando com uma determinação que ele nunca tinha visto. — E eu não quero esperar mais.

Ele a ergueu com facilidade, sentando-a sobre a mesa larga do clube, espalhando alguns papéis e canetas no processo. Natsuki envolveu as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o para o calor entre suas coxas. O contato através do tecido dos uniformes era torturante.

— Tem certeza? — perguntou ele em voz baixa, a voz rouca de desejo.

— Se você perguntar de novo, eu te chuto — respondeu ela, mas o sorriso em seus lábios era doce, desprovido de qualquer veneno.

Ele riu baixo e voltou a beijá-la, desta vez com mais calma, explorando cada curva da boca dela enquanto suas mãos subiam por baixo da saia plissada. A pele de Natsuki estava quente, e ela estremeceu quando os dedos dele tocaram a renda fina de sua calcinha.

— Você é tão linda, Natsuki — sussurrou ele contra o pescoço dela, deixando beijos úmidos que a faziam arquear as costas.

— Cale a boca... e me mostre — respondeu ela, a voz trêmula.

Com movimentos desajeitados, mas carregados de urgência, eles se livraram das peças de roupa que pareciam barreiras insuportáveis. Quando ele finalmente se posicionou entre as pernas dela, a nudez compartilhada trouxe uma vulnerabilidade que Natsuki nunca se permitira sentir com ninguém.

— Vai devagar... — pediu ela, as mãos cravadas nos ombros dele.

— Eu vou. Prometo.

Ele entrou nela com cuidado, preenchendo-a lentamente. Natsuki soltou um suspiro longo, escondendo o rosto na curvatura do pescoço dele. A sensação era avassaladora; não era apenas o prazer físico, mas a conexão emocional que parecia transbordar.

— Está tudo bem? — perguntou ele, parando por um momento para olhar nos olhos dela.

— Sim... sim, não pare.

Ele começou a se mover, um ritmo constante que logo encontrou a sincronia dela. Natsuki apertou as pernas ao redor dele, puxando-o para mais fundo, querendo sentir cada centímetro daquela união. O som da respiração pesada e o atrito das peles eram os únicos ruídos na sala agora mergulhada em sombras, à medida que o sol se punha.

Cada estocada parecia levar Natsuki a um lugar onde a dor de sua vida doméstica e a insegurança de sua imagem não existiam. Ali, nos braços dele, ela era apenas Natsuki — desejada, valorizada, completa.

— Eu... eu acho que... — ele começou a dizer, o ritmo acelerando, a testa suada encostando na dela.

— Eu também — disse ela, a voz falhando enquanto o prazer começava a se expandir em ondas dentro dela.

Eles atingiram o ápice juntos, um momento de suspensão total onde o mundo exterior desapareceu. Natsuki soltou um grito abafado contra o ombro dele, sentindo o calor dele dentro dela, enquanto ele se entregava ao espasmo final, segurando-a como se ela fosse a coisa mais preciosa do universo.

O silêncio retornou à sala, mas agora era um silêncio confortável, preenchido pelo som das respirações que voltavam ao normal. Ele não se afastou imediatamente; continuou abraçado a ela, o rosto enterrado em seus cabelos rosados.

— Uau — disse ele, finalmente, soltando uma risada curta e sem fôlego.

Natsuki deu um tapa leve no braço dele, embora não tivesse força real no gesto.

— "Uau" é tudo o que você tem a dizer? Que romântico você é.

Ele se afastou um pouco, olhando para ela com um carinho que a fez querer chorar e sorrir ao mesmo tempo.

— Você sabe o que eu quero dizer. Foi... incrível. Porque foi com você.

Natsuki desviou o olhar, sentindo o rubor subir novamente, mas desta vez ela não tentou esconder.

— É... foi legal. Para um iniciante.

— Ei! — Ele riu, dando um beijo na ponta do nariz dela.

Eles começaram a se vestir em silêncio, uma coreografia tímida de quem acaba de compartilhar algo sagrado. Natsuki ajeitou a saia e o laço do uniforme, sentindo o corpo leve, como se um peso imenso tivesse sido removido de seus ombros.

Quando terminaram, o clube estava quase escuro, iluminado apenas pelas luzes dos postes da rua que começavam a acender.

— Natsuki? — chamou ele, enquanto pegavam suas mochilas.

— O quê?

— Isso não muda o que sentimos, muda? Quero dizer... eu gosto de você. De verdade.

Natsuki parou à porta e olhou para trás. Ela viu o garoto que a ouvia, que trazia lanches extras quando sabia que ela não tinha comido, que defendia seus mangás como se fossem literatura clássica.

— Não seja idiota — disse ela, caminhando até ele e pegando sua mão, entrelaçando seus dedos. — Isso muda tudo. Mas do jeito bom.

Eles saíram da escola juntos, caminhando sob o céu estrelado. O mundo ainda era o mesmo, com seus problemas e desafios, mas, para Natsuki, o açúcar da vida finalmente parecia ter superado a pimenta. Pela primeira vez em muito tempo, ela não estava apenas sobrevivendo; ela estava vivendo.

— Amanhã você vai me ajudar com os cupcakes para o festival? — perguntou ela, enquanto caminhavam em direção à estação.

— Claro. Mas só se você prometer não me fazer limpar a cobertura do chão de novo.

— Sem promessas! — Natsuki riu, e o som foi a melodia mais doce que ele já tinha ouvido.

Naquela noite, o Clube de Literatura ganhou um novo significado. Não era apenas sobre poemas e palavras; era sobre as histórias que eles escreveriam juntos, fora das páginas e longe dos olhares dos outros. E Natsuki, pela primeira vez, sentia que sua história teria um final feliz.