S + G
CENA 1: QUARTO DE MONICA - DIA O sol do Piauí castiga o telhado de zinco, fazendo o ar dentro do quarto vibrar em ondas de calor. Você sente o suor escorrer pelas costas, grudando a camiseta no corpo magro. O cheiro de perfume barato e incenso de sândalo preenche o ambiente. Monica está sentada na beira da cama, as pernas morenas cruzadas, balançando o pé com um deboche estampado no rosto. Os cabelos curtos moldam o rosto dela, e os olhos castanhos brilham com uma malícia que você conhece bem. Ela sabe exatamente o que está fazendo. Monica Você vai ficar aí parado com essa cara de santo, Gabriel? Ou vai admitir que está querendo isso desde que a gente se viu na praça? Você engole em seco. O pensamento de Samuel surge como um flash. Samuel, seu melhor amigo, o cara que chorou no seu ombro por meses depois que Monica o deixou. Você lembra da voz dele, quebrada, da lentidão com que ele processava a dor. Você sente a lealdade lutando contra o desejo, mas Monica se levanta. Ela caminha até você, o quadril balançando, e desliza a mão pelo seu peito, sentindo seu coração disparado. Gabriel Eu não posso, Monica. Você sabe o que o Samuel passou. Ele é meu irmão. Monica O Samuel é um lerdo, Gabriel. Ele não sabe nem o que fazer com a própria vida, quanto mais com uma mulher como eu. Ele não merece você, e você não merece ficar passando vontade por causa de um sentimento de culpa idiota. Ela ri, um som anasalado e tóxico. Monica puxa a gola da sua camisa, forçando você a olhar para baixo. Ela desabotoa o próprio sutiã com a outra mão, deixando os seios pequenos e firmes saltarem para fora. Ela pressiona o corpo contra o seu, e você sente o calor da pele dela. O desejo vence a moral. Você a beija com urgência, a língua dela invadindo sua boca com a mesma agressividade com que ela domina a conversa. Monica Viu? Você é tão atrevido quanto eu. Ela te empurra na cama. O colchão range. Monica tira a própria roupa rapidamente, revelando a pele morena e a falta de qualquer hesitação. Você tira a calça e a cueca, expondo seu membro já rígido. Ela se senta sobre você, guiando seu pau para dentro da vagina dela com um suspiro de satisfação. O atrito é imediato e quente. Você começa a estocar, sentindo a umidade dela envolver cada centímetro da sua glande. Monica solta gemidos altos, quase risadas, enquanto você se perde no ritmo. Monica Isso... mostra para mim que você é mais homem que aquele coitado do Samuel. Você fecha os olhos, tentando ignorar a frase, mas a imagem de Samuel invade sua mente. Você goza rapidamente, um jato quente que preenche o interior dela. Quando você termina, o silêncio do quarto se torna ensurdecedor. Monica se afasta, limpando o excesso de sêmen com a mão e dando um sorriso cínico. Monica Agora você sabe o gosto da traição, Gabriel. É delicioso, não é? CENA 2: RUA DE CAPITÃO DE CAMPO - TARDE Você caminha pelas ruas de terra de Capitão de Campo. A poeira sobe a cada passo, sujando seus sapatos. O céu está de um azul pálido, quase branco de tão quente. Você sente um peso no peito que não é o calor do Piauí, mas a culpa que corrói suas entranhas. Cada pessoa que você cruza parece saber o que você fez. Você olha para as próprias mãos, as mesmas mãos que tocaram Monica, e sente nojo. Você pensa em Samuel. A calma dele, a maneira como ele se perde nos próprios pensamentos por causa do TDH, a doçura com que ele trata a todos. Você sabe que ele confia em você mais do que em qualquer pessoa no mundo. A ideia de esconder isso é insuportável. Você precisa contar. Você precisa que ele te odeie para que você possa parar de se odiar. CENA 3: CASA DE SAMUEL - SALA - TARDE A casa de Samuel é simples, com paredes pintadas de um creme descascado e redes penduradas no corredor para refrescar. Samuel está sentado no sofá, com a expressão distante, olhando para um ponto fixo na parede. Os cabelos cacheados estão bagunçados, e ele veste apenas uma bermuda de tactel, revelando o corpo magro, mas com músculos definidos que ele mantém com a lida do campo. Você entra sem bater. Samuel demora alguns segundos para notar sua presença, piscando lentamente, como se estivesse voltando de outro planeta. Samuel Oi, Biel. Você demorou hoje. Quer água? Tá um calor do cão lá fora. Você não consegue responder de imediato. Sua garganta está seca, como se tivesse engolido a areia da rua. Você se senta à frente dele, as mãos tremendo. Gabriel Samuel... eu preciso te contar uma coisa. E eu não quero que você me perdoe. Eu só... eu não consigo viver com isso. Samuel franze a testa. Ele inclina a cabeça, a curiosidade começando a vencer a lentidão. Samuel O que foi? Você tá pálido. Aconteceu alguma coisa com a sua família? Gabriel Não é isso. É sobre a Monica. O nome dela faz Samuel tensionar. O corpo dele, antes relaxado, agora parece uma corda esticada. Ele não diz nada, apenas espera. Gabriel Eu fiz sexo com ela, Samuel. Ontem. Ela me seduziu, mas eu... eu deixei. Eu sei o quanto você sofreu, eu sei que você ainda tem cicatrizes daquela mulher, e eu fui um merda. Eu traí a nossa amizade da pior forma possível. O silêncio que se segue é visceral. Você vê as pupilas de Samuel dilatarem. A calma habitual desaparece, substituída por uma faísca de raiva que você nunca viu nele. Antes que você possa dizer mais uma palavra, Samuel se levanta com uma agilidade surpreendente e desfere um soco violento no seu rosto. O impacto joga você para trás. Você cai no chão, o gosto metálico do sangue inundando sua boca. Sua bochecha queima, e sua visão fica turva por um instante. Você fecha os olhos, esperando o próximo golpe, esperando que ele te espancasse até que a dor física superasse a dor da culpa. Mas o golpe não vem. Quando você abre os olhos, Samuel está ofegante, com os punhos cerrados e os olhos castanhos transbordando lágrimas. Ele não está olhando para você com nojo. Ele está olhando com uma fome desesperada, uma intensidade que faz seu sangue gelar e ferver ao mesmo tempo. Samuel Você acha que eu dou a mínima para a Monica? Você pisca, confuso, sentindo o sangue escorrer do lábio. Gabriel O quê? Mas... ela é sua ex... você sofreu tanto... Samuel Eu sofri porque eu queria que você fosse o homem que ela queria! Eu passei anos fingindo que a amava só para ter um motivo para falar de você com ela, para saber se você notava ela, para imaginar se você sentia o mesmo que eu sinto! Samuel se ajoelha sobre você, prendendo seus pulsos contra o chão de cimento frio. O peso do corpo dele sobre o seu é esmagador e excitante. A respiração dele está quente no seu pescoço. Samuel Eu não sinto raiva dela, Gabriel. Eu sinto raiva de você por ser tão cego. Por ser tão gentil e atrevido com todo mundo, menos comigo. Eu queria que você me olhasse do jeito que você olhou para ela. Você sente seu coração martelar contra as costelas. A revelação atinge você como um raio. Toda a tensão dos últimos anos, todos os toques acidentais, as demoras nos abraços, a maneira como Samuel sempre parecia orbitar ao seu redor... tudo faz sentido agora. E a verdade é que você também queria. Você sempre quis. Gabriel Samuel... eu... eu também sinto isso. Eu sempre quis você. Samuel solta um rosnado baixo, quase animal. Ele solta seus pulsos e ataca sua boca com um beijo bruto, desesperado. Não há doçura aqui, apenas anos de repressão explodindo de uma vez. As línguas se chocam, trocando saliva em um ritmo frenético. Samuel morde seu lábio inferior, provocando um gemido que escapa da sua garganta. CENA 4: QUARTO DE SAMUEL - NOITE Samuel te arrasta para o quarto, sem interromper o beijo. Ele te joga na cama com força, e você cai sobre os lençóis que cheiram a sabão de coco e pele masculina. Ele tira a bermuda em um movimento único, revelando um pau grande e latejante, já completamente ereto e brilhando com o pré-cum na ponta. Você tira a própria roupa com pressa, as mãos trêmulas. Quando vocês estão nus, a luz do luar entra pela janela, iluminando a pele branca de Samuel e a sua pele mais bronzeada. Ele se posiciona entre suas pernas, os olhos castanhos fixos nos seus. Samuel Eu vou tirar cada rastro daquela puta de você. Ele desce para o seu corpo. A língua dele percorre seu abdômen, descendo lentamente, provocando arrepios que fazem seus músculos contraírem. Quando ele chega ao seu membro, ele o envolve com a boca. O calor da garganta dele é intenso. Samuel suga com força, fazendo sons de vácuo, a língua brincando com a glande enquanto ele olha para cima, vendo a sua expressão de prazer. Você arqueia as costas, enterrando os dedos nos cabelos cacheados dele, puxando-o para mais perto. Gabriel Ah, porra, Samuel... sim, assim... Samuel se levanta e se posiciona. Ele não usa lubrificante, apenas a saliva que ele espalhou por você. Ele empurra a ponta do pau contra a entrada do seu ânus, testando a resistência. Você solta um suspiro longo, relaxando os músculos para recebê-lo. Com um impulso firme e lento, ele entra. Você solta um grito abafado, a sensação de preenchimento sendo quase dolorosa, mas imensamente satisfatória. O pau de Samuel é grosso, expandindo suas paredes internas, atingindo pontos que você nem sabia que existiam. Ele para por um momento, permitindo que seu corpo se ajuste, a testa encostada na sua, a respiração sincronizada. Samuel Você é meu, Gabriel. Entendeu? Só meu. Ele começa a se mover. O ritmo é lento no início, cada estocada profunda e deliberada. Você ouve o som da pele batendo contra a pele, o tapa seco das bolas dele contra a sua bunda. O som de shlicking, o deslizar úmido do sexo contra o esfíncter, preenche o quarto. Gabriel Mais... por favor, Samuel, vai mais fundo... Samuel obedece. Ele acelera o ritmo, transformando a lentidão em violência passional. Ele agarra seus quadris com força, deixando marcas de dedos na sua pele, e começa a estocar com vigor. A cada golpe, o ar é expulso dos seus pulmões. Você sente o pau dele massageando a sua próstata, enviando ondas de choque elétrico por todo o seu sistema nervoso. O som de squelching torna-se constante, a fricção criando um calor insuportável entre vocês. Samuel começa a gemer, um som gutural que vibra no seu peito. Ele vira você de costas, forçando-o a ficar de quatro. A posição permite que ele penetre ainda mais fundo. Samuel estoca com fúria, o corpo magro e definido movendo-se como uma máquina. Você sente o pau dele deslizar, quase saindo completamente antes de ser empurrado de volta com força total, atingindo o fundo do seu canal. O prazer é tão intenso que você começa a tremer. Gabriel Eu te amo... porra, Samuel, eu te amo! Samuel solta um grito, a voz rouca, e acelera as estocadas finais. Você sente a contração dos músculos dele, a tensão máxima. Com um último empurrão violento, Samuel goza dentro de você. Você sente o jato quente do sêmen preenchendo seu interior, uma onda de calor que parece fundir os dois em um único ser. Quase simultaneamente, você atinge o próprio ápice, gozando sem nem precisar de toque, apenas com a pressão do pau de Samuel dentro de você. O líquido branco espirra nos lençóis, enquanto vocês dois desabam um sobre o outro, o peito subindo e descendo em busca de oxigênio. CENA 5: QUARTO DE SAMUEL - MADRUGADA O quarto está mergulhado em um silêncio confortável. O calor do Piauí diminuiu, dando lugar a uma brisa fresca que balança as cortinas. Vocês estão abraçados, a pele ainda pegajosa de suor e fluidos sexuais. Samuel tem a cabeça apoiada no seu peito, os dedos traçando círculos lentos no seu braço. Samuel Você ainda está pensando nela? Você beija o topo da cabeça dele, sentindo o cheiro dos cachos. Gabriel Ela não existe mais para mim, Samuel. Nada mais importa além disso aqui. Samuel ri baixinho, um som calmo e genuíno. Ele se levanta um pouco, olhando nos seus olhos. A intensidade ainda está lá, mas agora ela é temperada com uma ternura profunda. Samuel Eu demorei muito para conseguir te dizer, né? Meu cérebro às vezes parece que roda em outra velocidade. Gabriel Eu sou um idiota por não ter percebido antes. Eu estava tão focado em ser o amigo perfeito que esqueci de olhar para o que a gente realmente era. Samuel A gente é um desastre, Gabriel. Mas é o meu desastre favorito. Ele se inclina e te beija novamente. Não é mais um beijo de raiva, mas um beijo lento, exploratório, onde a saliva é trocada com calma e a promessa de um futuro juntos é selada em cada toque. Você sente o corpo dele relaxar contra o seu. A culpa que te consumia desapareceu, substituída por uma clareza absoluta. Capitão de Campo continua lá fora, com sua poeira e seu sol implacável, mas dentro daquele quarto, o mundo finalmente faz sentido. Gabriel O que a gente faz agora? Samuel Agora a gente dorme. E amanhã... amanhã a gente descobre como contar para a cidade inteira que você é meu. Você sorri, fechando os olhos enquanto Samuel te aperta mais forte contra si. O silêncio da madrugada é preenchido apenas pelo som de dois corações batendo no mesmo ritmo, finalmente em sincronia.