See
O Despertar da Maré e a Geometria do Prazer
O silêncio que se seguiu ao primeiro êxtase foi preenchido apenas pelo som da respiração pesada de Kisame e pelo latejar rítmico do coração de Itachi contra o peito azulado do companheiro. O quarto, antes imerso em uma aura de mistério e apreensão, agora parecia ter se expandido, tornando-se um universo particular onde as leis da Akatsuki e as dores do clã Uchiha não ousavam penetrar. Itachi, ainda sentindo o calor residual da união, moveu-se levemente, sentindo a fricção da pele de Kisame contra a sua.
— Você está bem, Itachi-san? — a voz de Kisame era um trovão baixo, mas carregada de uma doçura que ele reservava apenas para aqueles momentos de absoluta vulnerabilidade.
— Sim — respondeu Itachi, sua voz ainda um pouco rouca. — Eu apenas... estou processando a magnitude de tudo o que aconteceu. Minha mente sempre buscou entender o mundo através de padrões e lógica, mas isso... isso desafia qualquer análise prévia.
Kisame soltou um riso curto, as brânquias em seu pescoço movendo-se suavemente enquanto ele se apoiava em um cotovelo para observar o rosto do namorado.
— O prazer não é uma técnica de ninjutsu que se possa copiar com o Sharingan, Itachi. É algo que se constrói na entrega. E você se entregou de uma forma que eu nunca ousei sonhar.
Itachi desviou o olhar por um momento, sentindo o rubor voltar às suas bochechas. Ele estendeu a mão, tocando as cicatrizes no braço de Kisame, seguindo o caminho das marcas de batalha até chegar à mão imensa do espadachim. Comparada à sua, a mão de Kisame era uma ferramenta de guerra, mas o toque era de uma delicadeza quase poética.
— Hidan falou sobre a sua anatomia de uma forma tão... vulgar — comentou Itachi, voltando o olhar para a parte inferior do corpo de Kisame, que ainda repousava entre suas pernas. — Mas agora que a vi, e que a senti... percebo que há uma beleza funcional e, ao mesmo tempo, avassaladora nela. É como se tudo em você fosse projetado para a intensidade.
Kisame sorriu, exibindo suas fileiras de dentes afiados. Ele sentiu o desejo despertar novamente ao ver a curiosidade analítica de Itachi se transformar em algo mais profundo, um desejo que brilhava nos olhos ônix.
— Se você ainda tiver curiosidade, Itachi-san, eu ficaria honrado em mostrar que o que aconteceu foi apenas a superfície. Um tubarão nunca se contenta apenas com a beira da praia; ele prefere as profundezas, onde a pressão é maior e os sentidos ficam mais aguçados.
Itachi sentiu um calafrio percorrer sua espinha. A ideia de "profundezas" o assustava e o atraía simultaneamente. Ele, que sempre fora o mestre do controle, via-se agora desejando perder-se no domínio de Kisame.
— Mostre-me — sussurrou Itachi, sua determinação superando qualquer resquício de hesitação. — Quero conhecer cada particularidade. Quero entender como o seu corpo reage ao meu quando não há mais barreiras.
Kisame não precisou de um segundo convite. Ele deslizou para fora de Itachi, apenas para se posicionar de forma que pudesse admirar a nudez do Uchiha sob a luz bruxuleante da vela. Com uma mão, ele começou a acariciar as coxas internas de Itachi, sentindo a pele macia e pálida contrastar com a aspereza de suas próprias palmas.
— O corpo de um homem da Névoa — explicou Kisame, sua voz tornando-se mais densa — é feito para resistir a pressões extremas. Minha pele é mais densa, minha circulação é mais acelerada. Quando eu me excito, Itachi, não é apenas uma reação física comum. É como se o oceano estivesse tentando romper um dique.
Ele guiou a mão de Itachi novamente para sua masculinidade, que já se reerguia com vigor. Itachi sentiu a pulsação sob a pele azulada, uma força que parecia capaz de quebrar ossos, mas que estava ali, submissa ao seu toque.
— É tão... firme — observou Itachi, seus dedos traçando as veias que saltavam na superfície. — E a textura... parece quase como seda sob uma camada de aço.
— Sinta aqui — disse Kisame, levando os dedos de Itachi para a base, onde a anatomia se tornava ainda mais complexa. — Minha linhagem me deu vantagens que os humanos comuns não possuem. Resistência, força e uma capacidade de... expansão que pode ser assustadora para quem não está preparado.
Itachi engoliu em seco, mas não recuou. Pelo contrário, ele se inclinou para frente, capturando os lábios de Kisame em um beijo profundo e faminto. As mãos de Kisame agarraram a cintura de Itachi, puxando-o para cima de si. A diferença de tamanho era agora uma vantagem, com Itachi sentindo-se pequeno e protegido contra o peito maciço do companheiro.
— Kisame — murmurou Itachi entre beijos —, eu quero sentir essa força. Não me trate como se eu fosse quebrar. Eu sou um shinobi, eu conheço a dor. Mas hoje, eu quero que você transforme essa força em algo que eu possa carregar comigo para sempre.
Kisame rosnou baixinho, uma vibração que Itachi sentiu em seus próprios pulmões. Ele deitou Itachi de costas novamente, mas desta vez, elevou as pernas do Uchiha sobre seus ombros largos. A posição deixava Itachi completamente exposto, sua intimidade vulnerável à visão e ao toque do espadachim.
— Então prepare-se, Itachi-san — disse Kisame, sua voz agora puramente instintiva. — Porque eu vou levar você para um lugar onde nem o Sharingan pode seguir.
Kisame começou a usar sua língua com uma perícia que Itachi nunca imaginou que um homem tão rústico pudesse possuir. Ele explorava cada centímetro, provocando espasmos de prazer que faziam Itachi arquear as costas e enterrar as mãos nos cabelos curtos e espetados de Kisame. O contraste entre a língua quente e as brânquias que ocasionalmente roçavam a pele de Itachi criava uma cacofonia de sensações.
— Ah... Kisame... por favor... — implorou Itachi, sua mente tornando-se um nevoeiro de desejo.
Quando Kisame finalmente se posicionou para entrar novamente, ele o fez com uma intenção diferente. Não era mais apenas a exploração cuidadosa da primeira vez; era uma reivindicação. Ele entrou em Itachi com uma estocada firme, preenchendo-o de uma forma que arrancou um grito agudo da garganta do Uchiha.
— Você sente isso? — perguntou Kisame, movendo-se com um ritmo poderoso, seus quadris batendo contra os de Itachi com um som úmido e rítmico. — Sente como eu me encaixo em você? Como se o meu corpo tivesse sido esculpido para encontrar o seu?
Itachi não conseguia responder com palavras. Ele apenas balançava a cabeça, os olhos revirando enquanto o prazer o atingia em ondas sucessivas. A anatomia de Kisame, agora totalmente desperta e expandida, parecia tocar partes do seu ser que ele nem sabia que existiam. Era uma invasão completa, uma colonização de seus sentidos.
— É... demais... e ao mesmo tempo... não é o suficiente — conseguiu dizer Itachi, suas unhas cravando-se nos ombros de Kisame, deixando marcas vermelhas na pele azul.
Kisame aumentou a velocidade, sua respiração tornando-se um som gutural. Ele podia sentir as paredes internas de Itachi se contraindo ao redor dele, um aperto desesperado que o levava ao limite. A cada movimento, ele sentia a conexão se fortalecer, uma amálgama de chakra e carne que transcendia a realidade física.
— Olhe para mim, Itachi! — ordenou Kisame.
Itachi abriu os olhos, encontrando o olhar amarelo e intenso de Kisame. Naquele momento, não havia segredos. Não havia o Itachi prodígio ou o Kisame monstro. Havia apenas dois seres que encontraram um no outro o alívio para uma vida de escuridão.
— Eu pertenço a você — disse Kisame, cada palavra pontuada por uma estocada profunda. — Neste mundo de mentiras, esta é a única verdade que importa.
O clímax começou a se formar como uma tempestade no horizonte. Itachi sentia a pressão aumentar, um calor insuportável que se acumulava em seu ventre. Ele se agarrou ao pescoço de Kisame, puxando-o para baixo para um beijo que tinha gosto de suor e entrega.
— Agora, Kisame! Agora! — gritou Itachi.
Com um rugido final, Kisame descarregou toda a sua força dentro de Itachi, enquanto o Uchiha se perdia em um orgasmo tão violento que o deixou sem fôlego por longos segundos. O mundo pareceu explodir em cores que nem o Sharingan poderia catalogar, um branco puro que limpou todas as mágoas e medos.
Eles desabaram um sobre o outro, os corpos suados e entrelaçados, as respirações tentando encontrar um ritmo comum. O silêncio voltou ao quarto, mas agora era um silêncio sagrado, preenchido pela aura de dois homens que haviam cruzado a fronteira final.
Depois de algum tempo, Kisame retirou-se lentamente, deitando-se ao lado de Itachi e puxando o lençol para cobri-los. Ele usou a ponta dos dedos para limpar uma lágrima solitária que escapara do olho de Itachi.
— Eu machuquei você? — perguntou ele, a preocupação voltando à sua voz.
Itachi sorriu, um sorriso de paz absoluta que Kisame guardaria na memória para sempre.
— Não, Kisame. Você me libertou. Eu passei a vida inteira preso em ilusões e deveres. Mas o que senti com você... foi a primeira coisa real que já experimentei.
Kisame suspirou, sentindo um peso sair de seus próprios ombros.
— Hidan e suas perguntas idiotas acabaram nos fazendo um favor, não é?
Itachi soltou uma risada leve, encostando a cabeça no ombro de Kisame.
— Sim. De certa forma, a vulgaridade dele nos trouxe a esta transcendência. Mas não conte a ele. Ele ficaria insuportável se soubesse que foi o catalisador para algo tão... magnífico.
— Nosso segredo — concordou Kisame, fechando os olhos.
Naquela noite, sob o teto de pedra da Akatsuki, enquanto a chuva continuava a lavar o mundo lá fora, Itachi Uchiha dormiu sem pesadelos pela primeira vez em muitos anos. Ele descobrira que a anatomia da curiosidade levava, inevitavelmente, à anatomia do amor. E nos braços do seu tubarão, ele finalmente encontrara o seu oceano.