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A Geometria do Controle e do Caos

O silêncio na biblioteca de Patrick Bateman era quase ensurdecedor, interrompido apenas pelo som rítmico das folhas de papel sendo organizadas por Maya. Ela sentia o olhar dele, mesmo que ele não estivesse na sala. Era uma presença magnética e opressora, algo que se infiltrava pelos poros e a fazia se sentir minúscula sob as luzes halógenas perfeitamente posicionadas. O vestido de seda preta, curto e justo demais, subia por suas coxas toda vez que ela se movia, e a consciência de que Patrick a observava da penumbra do corredor fazia seu estômago dar voltas.

Patrick entrou na biblioteca com passos felinos. Ele não fazia barulho; ele simplesmente aparecia, como uma imagem projetada em uma tela de alta definição. Ele parou atrás dela, o cheiro de loção pós-barba cara e sabonete neutro envolvendo Maya como uma névoa.

— Você terminou? — perguntou ele. A voz era um barítono suave, desprovido de qualquer emoção que não fosse uma leve impaciência estética.

— Quase, Sr. Bateman — respondeu ela, a voz falhando. — Só falta o portfólio da P&P.

Patrick estendeu a mão, não para os papéis, mas para o ombro de Maya. Ele deslizou os dedos pela alça fina do vestido, sentindo a textura da seda contrastar com a pele dela. Maya estremeceu. Ela sabia que ele desprezava a sua falta de firmeza, a sua insegurança óbvia, mas havia algo na vulnerabilidade dela que parecia alimentá-lo, como um predador que gosta de ver a presa tremer antes do golpe final.

— Você está tensa, Maya — murmurou ele, inclinando-se para que seus lábios quase roçassem o lóbulo da orelha dela. — É o trabalho? Ou é o fato de que você não consegue parar de pensar no que aconteceu na terça-feira?

— Eu... eu tento não pensar nisso, como o senhor pediu — mentiu ela, fechando os olhos com força.

— Mentirosa — disse ele, e houve um tom quase divertido em sua voz, embora seus olhos permanecessem frios como duas pedras de gelo. — Você pensa nisso o tempo todo. Você se pergunta por que um homem como eu tocaria em alguém como você.

Ele a virou abruptamente na cadeira, forçando-a a encará-lo. Patrick estava impecável, mesmo sem o paletó. A camisa branca estava perfeitamente passada, os botões de punho brilhando. Ele era a personificação da ordem, enquanto Maya, com seu rosto redondo e olhos marejados, sentia-se o próprio caos.

— Olhe para mim — ordenou ele.

Maya obedeceu. O trauma que ela carregava, aquela sombra do beco escuro, parecia gritar dentro dela, mas Patrick era um tipo diferente de perigo. Ele não era o caos das ruas; ele era a crueldade refinada, a violência com um plano de saúde premium e uma reserva no Dorsia.

— Você quer isso, não quer? — Patrick passou a mão pelo rosto dela, descendo para o pescoço, apertando levemente a traqueia. Não era um gesto de carinho; era um teste de resistência. — Você quer que eu apague as memórias daquele outro homem com a minha própria marca.

— Sim — sussurrou ela, quase sem fôlego. — Por favor.

Patrick a puxou para cima com uma força que a fez tropeçar. Ele não a beijou com ternura. Seu beijo era uma invasão, uma demonstração de propriedade. Ele a conduziu para o quarto principal, um ambiente de mármore, vidro e lençóis de mil fios, onde tudo era branco e cinza, desprovido de qualquer toque pessoal que não fosse a perfeição técnica.

Ele a jogou sobre a cama, e Maya sentiu-se afundar no luxo excessivo. Patrick começou a se despir com uma eficiência metódica. Ele não tinha pressa. Cada movimento era coreografado, como se ele estivesse se preparando para uma apresentação. Ele observava o próprio reflexo no espelho enquanto desabotoava a camisa, admirando a definição de seus músculos, a ausência total de imperfeições em sua pele. Maya era apenas o cenário para o seu próprio narcisismo.

— Tire o vestido — ordenou ele, sem olhar para ela. — Lentamente. Eu quero ver o quanto você me deseja.

Com as mãos trêmulas, Maya deslizou a seda preta pelo corpo. Ela odiava o próprio reflexo, odiava as curvas que Patrick chamava de "indisciplinadas" em seus momentos de maior crueldade, mas sob o olhar dele, ela sentia uma validação distorcida. Se um homem tão perfeito quanto Patrick Bateman a queria, então talvez ela não fosse tão desprezível assim.

Quando ele finalmente se aproximou, o ar parecia ter sido sugado do quarto. Patrick se posicionou sobre ela, seus olhos fixos nos dela, mas era como se ele estivesse olhando através dela, para algo muito mais sombrio e distante.

— Você é minha, Maya — disse ele, a voz baixa e perigosa. — Pelo menos enquanto eu decidir que você é. Não se esqueça disso.

— Eu sou sua — repetiu ela, uma prece desesperada.

O ato em si não foi um encontro de almas; foi uma transação de poder. Patrick era vigoroso, preciso e totalmente frio. Ele controlava cada movimento, cada respiração dela. Ele a levava ao limite da dor e do prazer, usando o corpo dela como um instrumento para sua própria gratificação e para o exercício de seu domínio. Maya se perdia nele, deixando que as sensações físicas abafassem o barulho de seus traumas passados. Naquele momento, a mão de Patrick em seu pescoço era a única coisa que a impedia de flutuar para o abismo.

Ele não dizia palavras doces. Ele dava ordens.

— Não feche os olhos. Olhe para o que eu estou fazendo com você.

Maya obedecia, as lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos, não de tristeza, mas de uma sobrecarga sensorial que ela não conseguia processar. O prazer era agudo, quase violento, e ela se agarrava aos ombros largos dele como se sua vida dependesse disso.

Quando tudo terminou, Patrick se afastou imediatamente. Não houve abraços, não houve carícias pós-coitais. Ele se levantou e foi direto para o banheiro. Maya ouviu o som do chuveiro sendo ligado — ele provavelmente estava lavando qualquer rastro dela de sua pele perfeita.

Ela ficou deitada ali, o corpo trêmulo, o coração ainda martelando contra as costelas. Ela tentou se levantar, mas suas pernas estavam literalmente bambas, os músculos recusando-se a obedecer. Ela se sentia como uma boneca de pano que havia sido usada e descartada em um canto.

Minutos depois, Patrick saiu do banheiro, já envolto em um roupão de seda branca, o cabelo úmido e penteado para trás. Ele parecia revigorado, como se tivesse acabado de sair de uma massagem, e não de uma sessão intensa de sexo.

— Você ainda está aqui? — perguntou ele, pegando um copo de água mineral Evian sobre a mesa de cabeceira.

— Eu... minhas pernas — gaguejou ela, tentando se cobrir com o lençol. — Eu não consigo ficar de pé.

Patrick deu um sorriso curto, um lampejo de satisfação genuína cruzando seu rosto.

— Isso é um sinal de que eu fiz o meu trabalho corretamente, suponho. No entanto, eu tenho uma agenda para amanhã. Preciso dormir minhas sete horas completas.

Ele caminhou até o lado da cama e olhou para ela. Por um breve segundo, Maya viu uma sombra de algo humano em seus olhos — talvez curiosidade, talvez apenas o tédio de um colecionador olhando para um item de sua coleção.

— Você foi eficiente hoje, Maya — disse ele, o que para Patrick era o maior elogio possível. — Mas não se acostume com isso. Amanhã, no escritório, você é apenas a minha secretária. Se você me olhar de um jeito diferente, se houver qualquer indício de... intimidade diante de Van Patten ou Bryce, você será demitida antes do almoço.

— Eu entendo, Patrick — disse ela, a voz fraca.

— Sr. Bateman — corrigiu ele, a voz voltando à sua frieza habitual.

Ele estendeu a mão e, num gesto surpreendentemente "gentil" para os seus padrões, ajudou-a a se sentar. Mas o toque era firme, quase doloroso, um lembrete de que ele ainda estava no controle.

— Vá para casa, Maya. Pegue um táxi. Eu vou reembolsar a despesa amanhã, se você me trouxer o recibo.

Maya conseguiu se vestir, suas pernas ainda falhando a cada passo. Ela se sentia humilhada, usada e, paradoxalmente, protegida. Enquanto caminhava em direção à porta, ela se virou para olhá-lo uma última vez. Patrick já estava deitado, os olhos fixos no teto, provavelmente planejando sua rotina de exercícios matinais ou revisando mentalmente o menu do Dorsia.

— Boa noite, Sr. Bateman — disse ela.

Ele não respondeu.

Ao sair para a rua fria de Nova York, Maya sentiu o vento gelado cortar seu rosto. Suas pernas ainda tremiam, e ela teve que se apoiar em um poste para não cair enquanto esperava por um táxi amarelo. As sombras da cidade pareciam menos assustadoras agora. O trauma do passado ainda estava lá, mas o terror que Patrick Bateman inspirava era tão vasto e tão absoluto que não sobrava espaço para mais nada.

Ela entrou no táxi e encostou a cabeça no vidro frio. Ela era a presa de Patrick, e naquele mundo cruel de aço e vidro, ser a presa de um homem como ele era a única forma de segurança que ela conhecia. Ela sabia que ele nunca a assumiria, que ele a trataria como lixo na manhã seguinte, mas enquanto sentia o formigamento em suas pernas bambas, Maya sorriu. Ela estava viva, e por enquanto, isso era o suficiente.