Sentimentos escondidos
Entre o Êxtase e o Próximo Round
O som da chave girando na fechadura pareceu um trovão no silêncio denso e carregado de feromônios do quarto de hóspedes. Samira sentiu um arrepio percorrer sua espinha, não de medo, mas de uma antecipação que fazia suas mãos tremerem levemente enquanto ela ajeitava o cós da calça cargo. Jungkook, por outro lado, exibia uma calma irritante, embora a respiração ainda estivesse pesada e o brilho nos seus olhos escuros entregasse o caos que acabara de acontecer entre aqueles lençóis bagunçados.
— Estão vivos aí dentro? — A voz de Jimin ecoou do outro lado da porta, acompanhada por uma risadinha abafada. — O tempo acabou faz dois minutos. Se não saírem, o Taehyung vai entrar com a câmera do celular ligada.
Jungkook soltou um riso nasalado, terminando de vestir a camiseta preta. Ele se aproximou de Samira, que tentava domar os cachos volumosos diante do espelho da cômoda. Ele envolveu a cintura dela por trás, colando o peito largo nas costas dela e depositando um beijo demorado na curva do pescoço, onde a pele cor de mel ainda exalava o calor do momento.
— Deixa eles esperarem — sussurrou Jungkook, a voz rouca vibrando contra a pele dela. — Eles não têm ideia do que perderam.
— Eles vão desconfiar, Jeon — Samira respondeu, virando-se nos braços dele. Ela passou os dedos pelos lábios dele, limpando um borrão quase imperceptível. — Você está com aquela cara de quem acabou de ganhar na loteria. E eu... bom, eu provavelmente pareço alguém que acabou de ser atropelada por um caminhão de prazer.
Jungkook sorriu, aquele sorriso de coelho que enganava o mundo inteiro, mas que para ela agora tinha um significado completamente carnal.
— Você está linda. Sempre está. Mas agora tem um brilho diferente.
Eles respiraram fundo, compuseram as expressões e Jungkook finalmente abriu a porta. A luz forte do corredor cegou Samira por um segundo. Assim que saíram, deram de cara com o comitê de recepção: Taehyung, Jimin e Jin estavam encostados na parede oposta, com sorrisos de orelha a orelha.
— E então? — Taehyung perguntou, cruzando os braços e analisando os dois de cima a baixo. — Quinze minutos de silêncio absoluto. O que vocês fizeram? Jogaram xadrez mental?
— Discutimos a psique humana e como o isolamento social afeta o comportamento de grupo — Samira respondeu com uma rapidez impressionante, sua voz de futura psicóloga assumindo o controle. — O Jungkook é um excelente paciente.
— Sei... — Jin semicerrou os olhos, apontando para o pescoço de Jungkook. — E essa mancha vermelha aí, "doutora"? É um sintoma de estresse ou o Jungkook resolveu lutar com um aspirador de pó?
Jungkook levou a mão ao pescoço, cobrindo a marca que Samira havia deixado em um momento de entrega total. Ele não se abalou.
— Foi um mosquito, Jin hyung. O quarto de hóspedes do Namjoon está precisando de uma dedetização.
O grupo voltou para a sala, onde o resto do soju e os petiscos os esperavam. O jogo de Verdade ou Desafio continuou, mas o clima havia mudado. Para Samira, cada toque acidental de Jungkook enquanto eles se sentavam no chão parecia uma descarga elétrica. Ela sentia o olhar dele queimando em sua direção a cada poucos segundos, uma possessividade silenciosa que a fazia perder o fio da meada das conversas sobre a faculdade.
— Minha vez — anunciou Yoongi, girando a garrafa com tédio aparente, embora seus olhos estivessem atentos a cada detalhe. A garrafa parou em Samira. — Samira, verdade ou desafio?
Ela olhou para Jungkook por um breve segundo antes de encarar Yoongi.
— Verdade.
— É verdade que, entre todos nós aqui, o Jungkook é o seu tipo ideal, ou você só o atura porque os seus pais o amam mais do que a você?
A sala ficou em silêncio. Hoseok soltou um "uoooou" baixinho. Samira sentiu o rosto esquentar, mas manteve o queixo erguido. Ela olhou para Jungkook, que bebia um gole de cerveja, observando-a por cima da borda do copo com um olhar desafiador.
— O Jungkook é um chato, convencido e tem um ego do tamanho de Seul — começou ela, fazendo os amigos rirem. — Mas... se formos falar de estética e personalidade, ele tem seus méritos. Ele é o meu tipo, sim. Mas não contem isso para ele, ou a cabeça dele não vai mais passar pela porta.
— Tarde demais — Jungkook disse, piscando para ela com uma confiança que a fez querer beijá-lo e esmurrá-lo ao mesmo tempo.
A noite avançou e, entre risadas e confissões, o grupo começou a se dispersar. Namjoon, o anfitrião, já bocejava abertamente.
— Gente, eu amo vocês, mas amanhã tenho seminário cedo — disse Namjoon, levantando-se. — Quem for ficar, os sofás são de vocês. Quem for embora, dirijam com cuidado.
Samira começou a pegar sua bolsa, mas sentiu a mão de Jungkook em seu pulso.
— Eu te levo — ele disse, num tom que não admitia discussão.
— Mas eu vim com o meu carro, Jeon.
— Deixa o carro aqui. Eu te busco amanhã para pegar. Eu preciso falar com você. A sós. De verdade.
Os amigos se despediram com assobios e piadinhas, mas Samira e Jungkook mal os ouviam. Assim que saíram do apartamento e entraram no elevador, a máscara de "apenas amigos" de Jungkook caiu. Ele a prensou contra a parede espelhada do elevador assim que as portas se fecharam.
— O que foi aquilo lá dentro? — ele perguntou, a voz baixa e perigosa. — "Ele tem seus méritos"? É só isso que eu sou para você, Samira?
Ela sorriu, enlaçando o pescoço dele.
— Você sabe que eu tive que mentir um pouco. Se eu dissesse que você é a única pessoa que me faz perder o controle, eles nunca nos deixariam em paz.
— Eu gosto da ideia de você perdendo o controle — ele admitiu, beijando-a com urgência enquanto o elevador descia.
O trajeto até o condomínio de Samira foi feito em um silêncio carregado. Jungkook dirigia seu carro de luxo com uma mão no volante e a outra firmemente pousada na coxa de Samira, os dedos apertando a carne macia ocasionalmente, lembrando-a de que a noite estava longe de acabar.
Ao chegarem no estacionamento do prédio dela, o ar parecia rarefeito. Eles subiram para o apartamento de Samira, um espaço decorado com cores quentes, plantas e muitos livros de psicologia. Assim que a porta foi trancada, não houve necessidade de palavras.
Jungkook a puxou para um beijo profundo, suas línguas dançando em um ritmo que já conheciam, mas que desejavam explorar ainda mais. Ele a levantou, e Samira envolveu as pernas na cintura atlética dele, sentindo os músculos das costas dele sob a camiseta. Ele a levou direto para o quarto, chutando a porta para fechar.
Desta vez, não havia o cronômetro de quinze minutos de Taehyung. Não havia amigos do outro lado da porta. Havia apenas a luz da lua filtrada pelas cortinas finas e o som da respiração acelerada de dois jovens que se amavam em segredo há tempo demais.
Jungkook a depositou na cama com uma delicadeza que contrastava com a força de seus movimentos anteriores. Ele se ajoelhou entre as pernas dela, retirando a própria camisa e revelando o corpo esculpido pelos treinos intensos de idol. As tatuagens em seu braço pareciam ganhar vida sob a luz suave.
— Samira — ele chamou, sua voz era um sussurro de adoração. — Olha para mim.
Ela abriu os olhos, encontrando a imensidão escura dos dele.
— Eu não quero que isso seja apenas uma consequência de um jogo — ele disse com seriedade. — Eu amo você. Amo o jeito que você cuida dos seus irmãos, amo como você é inteligente e como não tem medo de ser quem é. Eu não sou o "bom menino" que seus pais acham, mas por você, eu quero ser o melhor homem do mundo.
As lágrimas brilharam nos olhos de Samira. Ela estendeu a mão, acariciando o rosto dele.
— Eu também amo você, Jungkook. O idol, o provocador e o menino que gosta de me irritar. Sempre foi você.
Ele sorriu, um sorriso que iluminou o quarto, e então se inclinou para beijá-la. O que se seguiu foi uma celebração de tudo o que sentiam. Jungkook foi meticuloso, explorando cada centímetro da pele cor de mel de Samira com seus lábios e mãos. Ele a adorou como se ela fosse uma divindade, parando para admirar o contraste de suas mãos tatuadas contra a pele dela.
— Você é tão linda — ele murmurou, descendo os beijos pelos seus seios, provocando os mamilos com a língua até que Samira estivesse implorando por mais. — Cada curva sua é perfeita.
Samira arqueava o corpo, sentindo-se completa sob o toque dele. Ela explorou o corpo de Jungkook com a mesma fome, sentindo a textura de suas tatuagens, a firmeza de seus músculos e o calor que emanava dele. Quando ele finalmente se uniu a ela, o mundo pareceu parar.
Diferente do encontro apressado no quarto de Namjoon, agora havia tempo para a lentidão, para o prazer prolongado. Jungkook se movia dentro dela com uma sincronia perfeita, seus olhos nunca deixando os dela. Eles estavam conectados em um nível que transcendia o físico. Cada gemido de Samira era um incentivo para Jungkook, que a levava a alturas que ela nunca imaginou alcançar.
— Jungkook... por favor... — ela implorou, as unhas cravadas nos ombros dele.
— Estou aqui, Sam. Sou todo seu — ele respondeu, intensificando o ritmo, o suor brilhando em seus corpos.
O ápice veio como uma onda avassaladora, deixando-os exaustos e preenchidos. Eles desabaram nos braços um do outro, o silêncio do quarto sendo quebrado apenas pelo som de suas respirações voltando ao normal.
Horas depois, Samira estava deitada com a cabeça no peito de Jungkook, ouvindo as batidas estáveis de seu coração. Ele brincava com os cachos dela, enrolando-os nos dedos.
— Meus pais vão ter um ataque de felicidade quando souberem — ela comentou baixinho, sorrindo contra a pele dele.
— O meu pai já me perguntou três vezes este mês quando eu ia tomar vergonha na cara e te pedir em namoro — Jungkook riu. — Acho que sou o último a saber que a gente se pertence.
— É — disse ela, fechando os olhos. — Mas a espera valeu a pena.
— Valeu cada segundo — ele concordou, beijando o topo da cabeça dela. — E se prepare, Kang Samira. Porque agora que eu te tenho, não pretendo te soltar nunca mais.
E ali, entre os lençóis de um apartamento em Seul, a estudante de psicologia e o idol global finalmente encontraram o equilíbrio que tanto buscavam. O jogo de Verdade ou Desafio havia terminado, mas a vida real, repleta de segredos compartilhados e um amor que desafiava as expectativas, estava apenas começando. Eles sabiam que os desafios viriam — a agenda dele, a pressão da fama, os estudos dela —, mas enquanto estivessem juntos, nenhuma verdade seria difícil demais de encarar.