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Sex

O Batismo de Sangue e Safira

A catedral de Piltover nunca estivera tão silenciosa, apesar de estar repleta. O ar estava saturado com o aroma opressivo de incenso caro e o perfume de sândalo que, agora, Caitlyn reconhecia como o cheiro de sua própria rendição. O sol passava pelos vitrais imensos, projetando padrões de azul e dourado sobre o tapete que levava ao altar. Mas não era um altar para os deuses, nem para o progresso. Era um altar para a linhagem.

Caitlyn Kiramman estava parada, vestida não com o uniforme azul de Pacificadora, mas com um vestido de seda branca e detalhes em prata que pareciam correntes delicadas em torno de seu corpo. Seus olhos azuis, outrora brilhantes como o céu de verão, agora eram como lagos congelados, profundos e impenetráveis. Ela não olhava para a multidão de aristocratas que sussurravam sobre a "união sem precedentes" para preservar o patrimônio da família. Ela olhava para a mulher que a esperava.

Cassandra Kiramman era a imagem da vitória. Vestida em tons de púrpura imperial, ela observava a filha — agora sua noiva — com um olhar que misturava desejo carnal e triunfo político. O Conselho havia caído sob seu comando absoluto; Zaun fora reduzida a cinzas e silêncio após a última investida liderada pela própria Caitlyn. Não havia mais Vi. Não havia mais resistência.

— Você está pronta, minha querida? — sussurrou Cassandra, quando Caitlyn finalmente alcançou o topo dos degraus.

— Eu sou sua, mãe — respondeu Caitlyn, a voz mecânica, desprovida de qualquer vestígio da garota que um dia sonhou com justiça. — Sempre fui.

A cerimônia foi rápida, um selo burocrático sobre uma realidade que já havia sido consumada na escuridão dos salões do Conselho. Quando Cassandra inclinou-se para beijar Caitlyn diante da elite de Piltover, não houve hesitação. O beijo foi longo, possessivo, uma declaração de propriedade que fez os convidados desviarem o olhar, entre o choque e a admiração pela audácia da Conselheira.

— Agora — sussurrou Cassandra contra os lábios de Caitlyn —, vamos para casa. A celebração de verdade começa agora.

A mansão Kiramman parecia diferente naquela noite. As sombras eram mais longas, o silêncio mais pesado. Cassandra dispensou todos os criados. Elas estavam sozinhas no imenso quarto principal, onde o dossel da cama parecia uma boca pronta para engoli-las.

— Tire o vestido, Caitlyn — ordenou Cassandra, sentando-se em uma cadeira de veludo, observando a filha com a mesma frieza com que analisava um tratado. — Quero ver o que eu conquistei.

Caitlyn obedeceu. Seus dedos tremiam levemente enquanto desfaziam os fechos de prata. O tecido caiu ao chão, revelando a pele pálida marcada por cicatrizes de batalha e pelas marcas mais recentes, roxas e profundas, que Cassandra deixara na noite anterior.

— Aproxime-se — disse a mãe, estendendo a mão.

Caitlyn caminhou até ela, ajoelhando-se entre as pernas de Cassandra. A seda do traje da mãe roçava em seu rosto.

— Você liderou bem as tropas — disse Cassandra, passando a mão pelos cabelos morenos de Caitlyn, puxando-os com força suficiente para fazer a cabeça da filha pender para trás. — Eu vi você do alto da torre. Você não hesitou quando a ponte foi destruída. Você não hesitou quando o fogo consumiu os últimos redutos daquela escória.

— Eu fiz o que você me mandou — sussurrou Caitlyn, fechando os olhos.

— Você fez o que nasceu para fazer — corrigiu Cassandra. — Você limpou o nosso nome daquela mancha rosa que o infectava. Diga-me, Caitlyn... você ainda pensa nela?

Caitlyn sentiu uma pontada no peito, um eco distante de uma dor que ela tentava enterrar.

— Não — mentiu ela, a voz firme. — Ela não é nada.

— Mentirosa — sibilou Cassandra, apertando o pescoço de Caitlyn com uma das mãos, enquanto a outra descia para o peito da filha. — Eu sinto o seu coração acelerar. Você ainda sente a falta daquela selvagem, não sente? Sente falta do toque bruto e sem classe dela?

— Não... por favor...

— Eu vou tirar cada lembrança dela de você esta noite — declarou Cassandra, levantando-se e empurrando Caitlyn em direção à cama. — Vou preencher cada espaço da sua mente com a minha voz, com o meu cheiro, com a minha dor. Você é a minha esposa agora. A minha herdeira. A minha boneca.

Cassandra subiu sobre ela, o peso de seu corpo sendo uma âncora que prendia Caitlyn à realidade distorcida que haviam criado. Suas mãos eram ágeis e cruéis, explorando Caitlyn com uma familiaridade que beirava o sacrilégio.

— Olhe para mim, Caitlyn — ordenou Cassandra, enquanto suas palavras tornavam-se baixas e sujas. — Veja o que você se tornou. Uma vadia de luxo para a própria mãe. A Xerife que se ajoelha e implora por mais.

— Eu imploro... — gemeu Caitlyn, as pernas envolvendo a cintura de Cassandra em um ato de desespero e necessidade. — Me use, mãe. Me quebre.

— Com prazer — respondeu Cassandra.

O que se seguiu foi uma celebração de depravação. Cassandra não buscava o prazer de Caitlyn, mas a sua rendição. Ela usava palavras que feriam mais do que qualquer arma, descrevendo em detalhes como havia manipulado cada passo de Caitlyn, como havia se divertido vendo a filha se debater entre o dever e o desejo, até que restasse apenas o vazio.

— Você é tão apertada e quente — murmurou Cassandra, o suor brilhando em sua pele sob a luz da lua. — Tão cheia de uma vida que só pertence a mim. Aquela garota de Zaun... ela teria nojo de você agora. Ela veria o que você realmente é: uma Kiramman, podre até o âmago.

— Sim — soluçou Caitlyn, o prazer atingindo-a como uma onda avassaladora, misturado à vergonha que Cassandra alimentava. — Eu sou podre. Eu sou sua.

— Você é o meu maior triunfo — disse Cassandra, intensificando o ritmo, levando Caitlyn ao limite da exaustão física e mental. — Piltover é nossa. O futuro é nosso. E você, minha querida, passará o resto da sua vida nesta cama, servindo ao meu legado e ao meu desejo.

As horas passaram em um borrão de carne e sombras. Cassandra era incansável, como se quisesse marcar cada centímetro de Caitlyn para que nenhum outro toque pudesse jamais ser sentido. Ela falava de como governariam juntas, de como o nome Kiramman seria eterno, enquanto suas mãos garantiam que Caitlyn nunca esquecesse a quem pertencia.

— Você vai carregar o meu nome e o meu sangue — sussurrou Cassandra no ouvido de Caitlyn, quando o silêncio finalmente retornou ao quarto. — E se algum dia você pensar em fugir, lembre-se desta noite. Lembre-se de como você clamou por mim. Lembre-se de como você se abriu para o meu veneno.

Caitlyn estava deitada, o corpo trêmulo, os olhos fixos no teto. Ela se sentia como um navio naufragado, cujos destroços haviam sido recolhidos por um mestre cruel para serem exibidos como um troféu.

— Eu nunca vou fugir — disse Caitlyn, a voz agora apenas um sopro.

Cassandra sorriu e se acomodou ao lado da filha, puxando-a para um abraço possessivo.

— Eu sei que não vai. Você é uma Kiramman. E nós sempre conseguimos o que queremos.

Lá fora, as luzes de Piltover brilhavam com uma intensidade fria e artificial. A cidade do progresso continuava sua marcha, ignorando o fato de que, no coração de sua família mais nobre, a moralidade havia sido sacrificada no altar da ambição e do desejo proibido.

Caitlyn fechou os olhos, sentindo o calor de Cassandra contra suas costas. Ela não pensava mais em Vi. Ela não pensava mais em justiça. Ela pensava apenas no próximo toque, na próxima palavra suja, na próxima vez que sua mãe a lembraria de que ela não era mais uma pessoa, mas uma parte do império Kiramman.

A noite era eterna. E, para Caitlyn, a escuridão nunca fora tão doce.